Poemas sobre Essência

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Poemas de essência escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Ignoto Deo

D. D. D.

Creio em Ti, Deus; a fé viva
De minha alma a Ti se eleva.
√Čs: – o que √©s n√£o sei. Deriva
Meu ser do Teu: luz… e treva,
Em que – indistintas! – se envolve
Este espírito agitado,
De Ti vem, a Ti devolve.
O Nada, a que foi roubado
Pelo sopro criador
Tudo o mais, o h√°-de tragar.
Só vive do eterno ardor
O que est√° sempre a aspirar
Ao infinito donde veio.
Beleza és Tu, luz és Tu,
Verdade és Tu só. Não creio
Sen√£o em Ti; o olho nu
Do homem não vê na Terra
Mais que a d√ļvida, a incerteza,
A forma que engana e erra.
Essência! a real beleza,
O puro amor – o prazer
Que n√£o fatiga e n√£o gasta…
Só por Ti os pode ver
O que, inspirado, se afasta,
Ignoto Deo, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
Das coisas v√£s e grosseiras
Sua alma, raz√£o, sentidos,
A Ti se d√£o, em Ti vida,
E por Ti vida têm.

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Sobra a Construção de Obras Duradouras

Quanto tempo
Duram as obras? Tanto
Quanto o preciso pra ficarem prontas.
Pois enquanto d√£o que fazer
N√£o ruem.

Convidando ao esforço
Compensando a participação
A sua essência é duradoura enquanto
Convidam e compensam.

As √ļteis
Pedem homens
As artísticas
Têm lugar pra a arte
As s√°bias
Pedem sabedoria
As destinadas à perfeição
Mostram lacunas
As que duram muito
Est√£o sempre pra cair
As planeadas verdadeiramente em grande
Est√£o por acabar.

Incompletas ainda
Como o muro à espera da hera
(Esse esteve um dia inacabado
H√° muito tempo, antes de vir a hera, nu!)
Insustent√°vel ainda
Como a m√°quina que se usa
Embora j√° n√£o chegue
Mas promete outra melhor.
Assim ter√° de construir-se
A obra pra durar como
A m√°quina cheia de defeitos.

Tradução de Paulo Quintela

Desastre

Ele ia numa maca, em √Ęnsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma m√£e erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: “Homem n√£o desfale√ßa!”
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

***
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da prov√≠ncia, at√īnita, exclamava:
“Que provid√™ncias! Deus! L√° vai para o hospital!”

Por onde o morto passa h√° grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que n√£o entra o dia!

Um fidalgote brada e duas prostitutas:
“Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

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Alma que Foste Minha

Alma que foste minha,
desprendida de meu corpo e de meu espírito,
leque de palma sem raízes, sem tormentas,
que género esta noite te distingue,
que metro te organiza, por que dogmas,
que signos te orientam ‚ÄĒ rumo a qu√™?

‚ÄĒ Mestre, qual √© o sexo das almas?

Desmarcada e sem cordas
alma que foste minha
sem cravos e sem espinhos
que trigo milenar te mata a fome
divina
que pir√Ęmide encerra tua ess√™ncia
nudíssima
que corpo te defende de ti mesma
do espaço
que idade, quantas eras, contra o tempo
alma an√°rquica
desmarcada e sem cravos
sem precis√£o de estar
ou de ficar
‚ÄĒ Que te vale Biz√Ęncio?
ou de mudar
ou de fazer, ou de ostentar
‚ÄĒ Que te vale este verso?
apoética, absurda
como chamar-te alma, de quê, quando,
para quê, alma de morto, para onde?

Afirmação

A essência das coisas é senti-las
t√£o densas e t√£o claras,
que n√£o possam conter-se por completo
nas palavras.

A essência das coisas é nutri-las
t√£o de alegria e m√°goa,
que o silêncio se ajuste à sua forma
sem mais nada.

Benção

Quando, por uma lei da vontade suprema,
O Poeta vem a luz d’este mundo insofrido
A desolada mãe, numa crise de blasfêmia,
Pragueja contra Deus, que a escuta comovido:

‚ÄĒ “Antes eu procriasse uma serpe infernal!
Do que ter dado vida a um disforme aleij√£o!
Maldita seja a noite em que o prazer carnal
Fecundou no meu ventre a minha expiação!

J√° que fui a mulher destinada, Senhor,
A tornar infeliz quem a si me ligou,
E n√£o posso atirar ao fogo vingador
O fatal embri√£o que meu sangue gerou.

Vou fazer recair o meu ódio implacável
No monstro que nasceu das tuas maldi√ß√Ķes
E saberei torcer o arbusto miser√°vel
De modo que n√£o vingue um s√≥ dos seus bot√Ķes!”

E sobre Deus cuspindo a sua m√°goa ingente
Ignorando a razão dos desígnios do Eterno,
A tresloucada m√£e condena, inconsciente,
A sua pobre alma às fogueiras do inferno.

Bafeja a luz do sol o fruto malfadado,
Vela pelo inocente um anjo peregrino;
A água que ele bebe é um néctar perfumado,
O pão é um manjar saboroso,

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Tabacaria

N√£o sou nada.
Nunca serei nada.
N√£o posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milh√Ķes do mundo que ningu√©m sabe quem √©
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a p√īr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje l√ļcido, como se estivesse para morrer,
E n√£o tivesse mais irmandade com as coisas
Sen√£o uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.

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Retrato de Amigo

Por ti falo. E ninguém sabe. Mas eu digo
meu irmão    minha amêndoa    meu amigo
meu tropel de ternura    minha casa
meu jardim de carência    minha asa.

Por ti morro e ninguém pensa. Mas eu sigo
um caminho de nardos empestados
uma intensa e terrífica ternura
rodeado de cardos por muitíssimos lados.

Meu perfume de tudo    minha essência
meu lume    minha lava    meu labéu
como é possível não chegar ao cume
de tão lavado céu?

A Essência não se Perde

Com a firmeza de passos sem retorno,
carregar o que foi dentro de si,
sem chorar a partida, sem temer
deixar o que afinal vai bem marcado
com seu selo de coisa inesquecível.
A essência não se perde, vai connosco
e extravasa dos dedos quando escrevem,
salta fora da boca quando fala,
transpira pela pele, sai dos ossos,
√© lan√ßada dos m√ļsculos em arco
e circula no sangue das artérias.
Os pagos, as querências não se perdem,
se penetram nos ossos, moram neles,
n√£o como o minuano passageiro,
mas sim como a medula que sustenta
o circuito do corpo e o movimenta,
impedindo que pare, morra e penda
como trouxa de pano, como penca
tombada de seu pé, como o vazio,
a coisa sem recheio, a casca murcha,
o fruto despojado de si mesmo.

Paz

Irreprimível natureza
exacta medida do sem-fim
n√£o atinjas outras dist√Ęncias
que existem dentro de mim.

Que os meus outros rostos n√£o sejam
o instável pretexto da minha essência.
Possam meus rios confluir
para o mar duma só consciência.

Quero que suba à minha fronte
a serenidade desta condição:
harmonia exterior à estátua
que sabe que não tem coração.

O Único Mistério do Universo é o Mais e não o Menos

No dia brancamente nublado entristeço quase a medo
E ponho-me a meditar nos problemas que finjo…

Se o homem fosse, como deveria ser,
N√£o um animal doente, mas o mais perfeito dos animais,
Animal directo e n√£o indirecto,
Devia ser outra a sua forma de encontrar um sentido às coisas,
Outra e verdadeira.
Devia haver adquirido um sentido do ¬ęconjunto¬Ľ;
Um sentido, como ver e ouvir, do ¬ętotal¬Ľ das coisas
E n√£o, como temos, um pensamento do ¬ęconjunto¬Ľ;
E n√£o, como temos, uma ideia do ¬ętotal¬Ľ das coisas.
E assim Рveríamos Рnão teríamos noção de conjunto ou de total,
Porque o sentido de ¬ętotal¬Ľ ou de ¬ęconjunto¬Ľ n√£o seria de um ¬ętotal¬Ľ ou de um ¬ęconjunto¬Ľ
Mas da verdadeira Natureza talvez nem todo nem partes.

O √ļnico mist√©rio do Universo √© o mais e n√£o o menos.
Percebemos demais as coisas – eis o erro e a d√ļvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha.
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha.

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Depois de Te Haver Criado, a Natureza Pasmou

A mãe, que em berço dourado
P√īs teu corpo cristalino,
√Č sup’rior ao Destino,
Depois de te haver criado.
Quando Amor, o Nume alado,
Tua inf√Ęncia acalentou,
Quando os teus dias fadou,
Minha Lília, minha amada,
A m√£e ficou encantada,
A Natureza pasmou.

Deve dar breve cuidado,
Motivar grande atenção,
A um Deus a criação,
Depois de te haver criado.
Deve de ser refinado
O engenho que ele mostrar
Desde o ponto em que criar;
Cuide nisto a omnipotência,
Porque, ao ver a sua essência,
A Natureza pasmou.

Ao mesmo Céu não é dado
(Bem que tanto poder goza)
Criar coisa t√£o formosa
Depois de te haver criado.
Naquele instante dourado,
Em que teus dotes formou,
Apenas os completou,
Arengando-lhe o Destino,
Em um êxtase divino
A Natureza pasmou.

O Céu nos tem outorgado
Quanto outorgar-nos podia;
O Céu que mais nos daria
Depois de te haver criado?
Ninfa, das Graças traslado,
Ninfa, de que escravo sou,
Jove em ti se enfeitiçou,

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Meu coração tardou

Meu coração tardou. Meu coração
Talvez se houvesse amor nunca tardasse;
Mas, visto que, se o houve, houve em v√£o,
Tanto faz que o amor houvesse ou n√£o.
Tardou. Antes, de in√ļtil, acabasse.

Meu coração postiço e contrafeito
Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido,
Talvez, num rasgo natural de eleito,
Seu próprio ser do nada houvesse feito,
E a sua própria essência conseguido.

Mas não. Nunca nem eu nem coração
Fomos mais que um vestígio de passagem
Entre um anseio v√£o e um sonho v√£o.
Parceiros em prestidigitação,
Caímos ambos pelo alçapão.
Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.

Adeus Tranças Cor de Ouro

Adeus tranças cor de ouro,
Adeus peito cor de neve!
Adeus cofre onde estar deve
Escondido o meu tesouro!

Adeus bonina, adeus lírio
Do meu exílio de abrolhos!
Adeus, ó luz dos meus olhos
E meu tão doce martírio!

Adeus meu amor-perfeito,
Adeus tesouro escondido,
E de guardado, perdido
No mais íntimo do peito.

Desfeito sonho dourado,
Nuvem desfeita de incenso
Em quem dormindo só penso,
Em quem só penso acordado!

Vis√£o, sim, mas vis√£o linda,
Sonho meu desvanecido!
Meu paraíso perdido
Que de longe adoro ainda!

Nuvem que ao sopro da aragem
Voou nas asas de prata,
Mas no lago que a retrata
Deixou esculpida a imagem!

Rosa de amor desfolhada
Que n’alma deixou o aroma,
Como o deixa na redoma
Fina essência evaporada!

Gota de orvalho que o vento
Levou do c√°lix das flores,
Curto abril dos meus amores,
Primavera de um momento!

Adeus Sol, que me alumia
Pelas ondas do oceano
Desta vida, deste engano,

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Interrogação

Onde é que está essa mulher fadada,
Que o meu sonho criou num desvario,
Acaso existe, acaso foi criada,
Ou vive apenas porque eu a crio?

Onde é que vive essa mulher sonhada,
Da minha mesa o vinho e o loiro trigo,
Acaso morta jaz desfeita em nada?
Acaso, assim, h√°-de vir ter comigo?

Onde é que existe essa mulher que um dia
Eu me pus a chamar e n√£o me ouviu,
Onde é que passa oculta a sua vida,
Acaso nunca essa mulher me viu?

Acaso, às vezes penso, essa mulher
Traz em sua alma algum poder oculto,
Para que nunca, ou uma vez sequer,
Caísse em mim a sombra do seu vulto?

Acaso nunca essa mulher que eu sonho,
Há-de vir abraçar-se ao meu desejo,
Pondo em mim esse amor que nela eu ponho,
Acaso nunca me dar√° um beijo?

Acaso nunca essa mulher que eu amo,
Como se pode amar com mais loucura,
Há-de vir até mim quando eu a chamo,
Para me dar um pouco de ternura?

Acaso nunca essa mulher dilecta
Enxugar√° meus olhos ao sol-p√īr,

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Acordar

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

Toda a manh√£ que raia, raia sempre no mesmo lugar,
N√£o h√° manh√£s sobre cidades, ou manh√£s sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares s√£o o mesmo lugar, todas as terras s√£o a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
S√£o os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que v√£o leste-oeste,
Seja

A mulher que chora baixinho
Entre o ru√≠do da multid√£o em vivas…

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Química

Sublimemos, amor. Assim as flores
No jardim n√£o morreram se o perfume
No cristal da essência se defende.
Passemos nós as provas, os ardores:
N√£o caldeiam instintos sem o lume
Nem o secreto aroma que rescende.

À Beleza

Não tens corpo, nem pátria, nem família,
N√£o te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
√Čs a ess√™ncia dos anos,
O que vem e o que foi.

√Čs a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
√Čs aquele alimento
De quem, farto de p√£o, anda faminto.

√Čs a gra√ßa da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
√Čs o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.

√Čs um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
√Čs o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.

√Čs a beleza, enfim. √Čs o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem tra√ßo…
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.

Ode ao Destino

Destino: desisti, regresso, aqui me tens.

Em vão tentei quebrar o círculo mágico
das tuas coincidências, dos teus sinais, das ameaças,
do recolher felino das tuas unhas retracteis
Рah então, no silêncio tranquilo, eu me encolhia ansioso
esperando já sentir o próximo golpe inesperado.

Em v√£o tentei n√£o conhecer-te, n√£o notar
como tudo se ordenava, como as pessoas e as coisas chegavam
que eu, de soslaio, e disfarçando, observava                               [em bandos,
pura conter as palavras, as minhas e as dos outros,
para dominar a tempo um gesto de amizade inoportuna.

Eu sabia, sabia, e procurei esconder-te,
afogar-te em sistemas, em esperanças, em audácias;
descendo à fé só em mim próprio, até busquei
sentir-te imenso, exacto, magn√Ęnimo,
√ļnico mist√©rio de um mundo cujo mist√©rio eras tu.

Lei universal que a sem-razão constrói,
de um Deus ínvio caminho, capricho dos Deuses,
soberana essência do real anterior a tudo,
Providência, Acaso, falta de vontade minha,
superstição, metafísica barata, medo infantil, loucura,
complexos variados mais ou menos freudianos,
contradição ridícula não superada pelo menino burguês,
educação falhada,

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