Cita√ß√Ķes sobre Areia

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Frases sobre areia, poemas sobre areia e outras cita√ß√Ķes sobre areia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Na M√£o de Deus

Na m√£o de Deus, na sua m√£o direita,
Descansou afinal meu coração.
Do pal√°cio encantado da Ilus√£o
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignor√Ęncia infantil, despojo v√£o,
Depois do Ideal e da Paix√£o
A forma transitória e imperfeita.

Como crian√ßa, em l√ībrega jornada,
Que a m√£e leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto…
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na m√£o de Deus eternamente!

Veja o mundo num grão de areia, veja o céu em um campo florido, guarde o infinito na palma da sua mão, e a eternidade em uma hora da vida.

A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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Saudades Trágico-Marítimas

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.
Na praia, de bruços,
fico sonhando, fico-me escutando
o que em mim sonha e lembra e chora alguém;
e oiço nesta alma minha
um longínquo rumor de ladainha,
e soluços,
de al√©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

São meus Avós rezando,
que andaram navegando e que se foram,
olhando todos os céus;
s√£o eles que em mim choram
seu fundo e longo adeus,
e rezam na √Ęnsia crua dos naufr√°gios;
choram de longe em mim, e eu oiço-os bem,
choram ao longe em mim sinas, press√°gios,
de al√©m, de al√©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

Naufraguei cem vezes j√°…
Uma, foi na nau S. Bento,
e vi morrer, no tr√°gico tormento,
Dona Leonor de S√°:
vi-a nua, na praia √°spera e feia,
com os olhos implorando
– olhos de esposa e m√£e –
e vi-a, seus cabelos desatando,
cavar a sua cova e enterrar-se na areia.
– E sozinho me fui pela praia al√©m…

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Está Cheio De Ti Meu Coração

Está cheio de ti meu coração
como a noite de estrelas est√° cheia,
t√£o cheia, que ao se olhar para a amplid√£o
o olhar de luz se inunda e se incendeia…

Está cheio de ti meu coração
como de ondas o mar que o dorso alteia,
como a praia que estende sobre o ch√£o
milh√Ķes de gr√£os do seu len√ßol de areia…

Está cheio de ti meu coração,
como uma taça, erguida, transbordante,
num momento de amor e de emoção,

– como o meu canto enquanto eu viva e eu cante
como o meu pensamento a todo instante
está cheio de ti meu coração!

Idílio

Praias, que banha o Tejo caudaloso:
Ondas, que s√ībre a areia estais quebrando:
Ninfas, que ides escumas levantando:
Escutai os suspiros dum sa√ľdoso.

E v√≥s tamb√©m, √≥ c√īncavos rochedos,
Que dos ventos em v√£o sois combatidos,
Ouvi o triste som de meus gemidos,
j√° que de Amor calais tantos segredos.

Ai, amada Tircéa, se eu pudera
os teus formosos olhos ver agora,
Que depressa o pesar, que esta alma chora,
No g√īsto mais feliz se convertera!

Oh, como ent√£o ficaras conhecendo
Quanto te amo, se visses a violência
Com que estão de meus olhos nesta ausência
Estas sa√ľdosas l√°grimas correndo!

Tanto neste pesar, que estou sentindo,
O triste coração se desfalece,
e tanto me atormenta, que parece
Que ao sofrimento a alma vai fugindo.

Mas oh, qual h√° de ser a crueldade
Deste terrível mal, em que ando envolto,
Se a qualquer parte, emfim, que os olhos volto,
Imagens estou vendo de saudade.

Uma Cidade

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e ger√Ęnios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algod√£o, esporas
de √°gua e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crep√ļsculo, um bal√£o
aceso

numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

Metade da Vida é uma Perdulária Expectativa

Vou fazendo horas – metade da vida √© uma perdul√°ria expectativa. E tonta. E ansiosa. E in√ļtil. Como quem se sentou numa gare de caminho-de-ferro, √† espera de um comboio que n√£o se sabe quando passar√° e qual o seu destino. Certeza, e relativa, est√° apenas no local de espera. E √†s vezes na pr√≥pria espera. Se chegamos a concretizar a viagem, o lugar aonde o comboio nos levou, desilude-nos. Isso, por√©m, n√£o impede que tudo venha a repetir-se. Desperdi√ßa-se o instante real e concreto, mas que, como areia, se nos escapa das m√£os, em favor de uma ilus√≥ria vez seguinte.

Um Dia Bem Passado

De vez em quando acontece, um dia bem passado. Um dia que √© o contr√°rio da vida, porque desde o primeiro ao √ļltimo momento acordado, passa-se bem, como antigamente se dizia em Angola e c√°.
Um dia bem passado não pode ser planeado. Mas tem de ser protegido. Um dia bem passado é um dia que se passa quase às escondidas. Parece mais roubado do que um beijo Рe tem razão.
Um dia bem passado, como foi o √ļltimo dia de Setembro para a minha mulher e para mim, tem de meter pargos, lavagantes, ostras e beijinhos.
Na Praia das Ma√ß√£s, nos bon√≠ssimos restaurantes Neptuno e B√ļzio, as ostras s√£o sumptuosas. Mas n√£o as vendem √† d√ļzia e √† meia-d√ļzia, comme il faut. √Č ao peso, a granel, como eles as compram. √Č uma pr√°tica que irrita. Mas com toda a delicadeza, claro. Como uma p√©rola, formada pela irrita√ß√£o de um gr√£o de areia dentro de uma ostra. O peso de uma ostra (a concha mais a carne) nada diz sobre o peso do molusco. H√° ostras gordas e suculentas escondidas por conchas minimais e esguias e h√° ostras minimais e esguias escondidas por conchas gordas e suculentas.

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N√≥s todos somos turistas, algum dia. Mesmo o mais pobrezinho um dia toma um √īnibus e vai para o interior, visitar uma av√≥; [‚Ķ] Quem √© que n√£o precisa de contato com a natureza, um banho de cachoeira, um castelo na areia, uma caminhada nas matas, olhar as vaquinhas no pasto, sentir o vento debaixo de um coqueiral, tomar uma cervejinha com os p√©s nas √°guas frias do macei√≥? [‚Ķ] Quebrar a rotina, ver novas paisagens, novos comportamentos, esquecer os problemas, as regras, o frio, a neve, a parede da pr√≥pria casa, a janela que d√° para outra janela, o cimento diante de cimento‚Ķ

Carta a √āngela

Para ti, meu amor, é cada sonho
de todas as palavras que escrever,
cada imagem de luz e de futuro,
cada dia dos dias que viver.

Os abismos das coisas, quem os nega,
se em nós abertos inda em nós persistem?
Quantas vezes os versos que te dou
na água dos teus olhos é que existem!

Quantas vezes chorando te alcancei
e em l√°grimas de sombra nos perdemos!
As mesmas que contigo regressei
ao ritmo da vida que escolhemos!

Mais humana da terra dos caminhos
e mais certa, dos erros cometidos,
foste de novo, e sempre, a mão da esperança
nos meus versos errantes e perdidos.

Transpondo os versos vieste à minha vida
e um rio abriu-se onde era areia e dor.
Porque chegaste à hora prometida
aqui te deixo tudo, meu amor!

Sonhos

Cada dia que passa faz-me pensar
E reflectir sobre quem ele traiu,
Que enquanto viveu nada fui ganhar
Com a lama vil onde a alma caiu.

Até de meus sonhos a vida me deixa
Na maré nu, na areia, em solidão,
Desolado que, inda vivo, n√£o esteja
Seguindo veloz no barco da acção.

H√° uma beleza no mundo exterior,
No monte ou planície onde chega a vista
Que j√° √© consolo √† d√ļvida e √† dor,
Mas, Oh! A beleza que o mundo conquista

Nem Palavra ou verso a pode imaginar
Nem a mente humana, só por si, forjar!

A Virtude do Sofrimento

O sofrimento! Que divino desconhecido! Devemos-lhe tudo o que é bom em nós, tudo o que dá valor à vida; devemos-lhe a compaixão, devemos-lhe a coragem, devemos-lhe todas as virtudes. A terra não passa de um grão de areia no deserto infinito dos mundos. Mas, se o sofrimento se limita à terra, ela é maior que todo o resto do universo.

Memória

Tudo que sou, no imaginado
silêncio hostil que me rodeia,
é o epitáfio de um pecado
que foi gravado sobre a areia.

O mar levou toda a lembrança.
Agora sei que me detesto:
da minha vida de criança
guardo o prel√ļdio dum incesto.

O resto foi o que eu n√£o quis:
perseguição, procura, enlace,
desse retrato feito a giz
pra que n√£o mais eu me encontrasse.

Tu foste a noiva que n√£o veio,
irm√£ somente prometida!
‚ÄĒ O resto foi a quebra desse enleio.
O resto foi amor, na minha vida.

F√°bula

Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante.
Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seio de Maria ca√≠am nus da blusa. Uma das m√£os do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo d√® homem: r√≠gido e fremente, ao mesmo tempo, √† for√ßa de concentrar todo o √≠mpeto nas n√°degas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas da rapariga. Parecia um cavalo ofegante ‚ÄĒ os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espa-lhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o c√©u branco de agosto. Mas a terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante.

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Flores Velhas

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um v√īo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.

Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibra√ß√Ķes, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.

Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados…

Eu, por n√£o ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decep√ß√Ķes e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

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Caminho eternamente por essas praias, Entre a areia e espuma. A maré alta apagará minha pegadas, E o vento soprará a espuma. Porém o mar e a praia permanecerão eternamente.

Lua Cheia

Duas gotas de sangue nas dunas,
duas rosas rubras na areia.
Se foi prazer ou suplício,
sabe o amor e a lua cheia.

Foi de amor esse gemido?
Ou foi de gozo esse grito?
Sabem tudo e nada dizem
as estrelas no infinito.

As Ventoinhas

A mulher é um catavento,
Vai ao vento,
Vai ao vento que soprar;
Como vai também ao vento
Turbulento,
Turbulento e incerto o mar.

Sopra o sul: a ventoinha
Volta azinha,
Volta azinha para o sul;
Vem taful; a cabecinha
Volta azinha,
Volta azinha ao meu taful.

Quem lhe puser confiança,
De esperança,
De esperança mal está;
Nem desta sorte a esperança
Confiança,
Confiança nos dará.

Valera o mesmo na areia
Rija ameia,
Rija ameia construir;
Chega o mar a vai a ameia
Com a areia,
Com a areia confundir.

Ouço dizer de umas fadas
Que abraçadas,
Que abraçadas como irmãs
Ca√ßam almas descuidadas…
Ah que fadas!
Ah que fadas t√£o vil√£s!

Pois, como essas das baladas,
Umas fadas,
Umas fadas dentre nós,
Caçam, como nas baladas;
E s√£o fadas,
E s√£o fadas de alma e voz.

√Č que ‚ÄĒ como o catavento,
V√£o ao vento,
V√£o ao vento que lhes der;
Cedem três coisas ao vento:
Catavento,

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