Cita√ß√Ķes sobre Art√©rias

13 resultados
Frases sobre art√©rias, poemas sobre art√©rias e outras cita√ß√Ķes sobre art√©rias para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Mocidade

Ah! esta mocidade! — Quem √© mo√ßo
Sente vibrar a febre enlouquecida
Das ilus√Ķes, da cren√ßa mais florida
Na muscular art√©ria de Colosso…

Das incertezas nunca mede o po√ßo…
Asas abertas — na amplid√£o da vida,
P√°ramo a dentro — de cabe√ßa erguida,
V√™ do futuro o mais alegre esbo√ßo…

Chega a velhice, a neve das idades
E quem foi moço, volve, com saudades,
Do azul passado, o fulgido comp√™ndio…

Ai! esta mocidade palpitante,
Lembra um inseto de ouro, rutilante,
Em derredor das chamas de um incêndio!

Mãe que Levei à Terra

Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
que farei destas tuas artérias?
Que medula, placenta,
que l√°grimas unem aos teus
estes ossos? Em que difere
a minha da tua carne?

Mãe que levei à terra
como me acompanhaste à escola,
o que herdei de ti
além de móveis, pó, detritos
da tua e outras casas extintas?
Porque guardavas
o sopro de teus avós?

Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
vejo os teus retratos,
seguro nos teus dezanove anos,
eu n√£o existia, meu Pai j√° te amava.
Que fizeste do teu sangue,
como foi possível, onde estás?

O amor √© a vida. Enquanto as art√©rias pulsam, e a refrac√ß√£o da beleza corisca nos olhos, por mais cansados de l√°grimas que sejam; enquanto o homem tem energia nas ang√ļstias, e saudade tormentosa que o volta para um amor passado; o cora√ß√£o n√£o est√° morto; as p√°lpebras n√£o descaem sobre os olhos que se apascentam no belo: o ideal, que se anuvia em remotas regi√Ķes, rasga um dia a fant√°stica mortalha, e caminha diante do proscripto da felicidade como a columa luminosa do deserto.

√Č dif√≠cil marcar o lugar onde p√°ra o homem e come√ßa o animal, onde cessa a alma e come√ßa o instinto ‚Äď onde a paix√£o se torna ferocidade. √Č dif√≠cil marcar onde deve parar o galope do sangue nas art√©rias, e a viol√™ncia da dor no cr√Ęnio.

A Essência não se Perde

Com a firmeza de passos sem retorno,
carregar o que foi dentro de si,
sem chorar a partida, sem temer
deixar o que afinal vai bem marcado
com seu selo de coisa inesquecível.
A essência não se perde, vai connosco
e extravasa dos dedos quando escrevem,
salta fora da boca quando fala,
transpira pela pele, sai dos ossos,
√© lan√ßada dos m√ļsculos em arco
e circula no sangue das artérias.
Os pagos, as querências não se perdem,
se penetram nos ossos, moram neles,
n√£o como o minuano passageiro,
mas sim como a medula que sustenta
o circuito do corpo e o movimenta,
impedindo que pare, morra e penda
como trouxa de pano, como penca
tombada de seu pé, como o vazio,
a coisa sem recheio, a casca murcha,
o fruto despojado de si mesmo.

Guerra Junqueiro

Quando ele do Universo o largo suped√Ęneo
Galgou como os clar√Ķes — quebrando o que n√£o serve,
Fazendo que explodissem os astros de seu cr√Ęnio,
As gemas da raz√£o e os m√ļsculos da verve;

Quando ele esfuziou nos p√°ramos as trompas,
As trompas marciais — as liras do estupendo,
Pejadas de prodígios, assombros e de pompas,
Crescendo em propor√ß√Ķes, crescendo e recrescendo;

Quando ele retesou os nervos e as artérias
Do verso orbicular — rasgando das mis√©rias
O ventre do Ideal na forte hematemese.

Clamando — √© minha a luz, que o s√©culo propague-a,
Quando ele avassalou os píncaros da águia
E o sol do Equador vibrou-lhe aquelas teses!

N√£o Ser√° Tempo de Voltarmos aos Sentidos?

N√£o somos apenas o nosso corpo, estamos tamb√©m integrados num corpus social, que solicita, expande e reprime a nossa sensibilidade. Basta ouvir aquele que foi o maior te√≥rico da comunica√ß√£o do s√©culo XX, Marshall McLuhan, para perceber at√© que ponto isso √© aproveitado pela sociedade de comunica√ß√£o global, para quem o indiv√≠duo passa a ser uma presa. O que diz McLuhan sobre a televis√£o, por exemplo, √© imensamente elucidativo: ¬ęUm dos efeitos da televis√£o √© retirar a identidade pessoal. S√≥ por ver televis√£o, as pessoas tornam-se num grupo coletivo de iguais. Perdem o interesse pela singularidade pessoal.¬Ľ Se repararmos, os meios que lideram a comunica√ß√£o humana contempor√Ęnea (da televis√£o ao telefone, do e-mail √†s redes sociais) interagem apenas com aqueles dos nossos sentidos que captam sinais √† dist√Ęncia: fundamentalmente a vis√£o e a audi√ß√£o. Origina-se assim uma descontrolada hipertrofia dos olhos e ouvidos, sobre os quais passa a recair toda a responsabilidade pela participa√ß√£o no real. ¬ęViste aquilo?¬Ľ, ¬ęj√° ouviste a √ļltima do…¬Ľ: os nossos quotidianos s√£o continuamente bombardeados pela press√£o do ver e do ouvir. O mesmo se passa com a locomo√ß√£o: seja a pilotar um avi√£o, a conduzir um autom√≥vel, ou seja o pe√£o a deslocar-se nas art√©rias das cidades modernas,

Continue lendo…

New York

Resplandeces e ris, ardes e tumultuas;
Na escalada do c√©u, galgando em f√ļria o espa√ßo,
Sobem do teu tear de praças e de ruas
Atlas de ferro, Anteus de pedra e Brontes de aço.

Gloriosa! Prometeu revive em teu regaço,
Delira no teu gênio, enche as artérias tuas,
E combure-te a entranha arfante de cansaço,
Na incessante criação de assombros em que estuas.

Mas, como as tuas Babéis, debalde o céu recortas,
E pesas sobre o mar, quando o teu vulto assoma,
Como a recordação da Tebas de cem portas:

Falta-te o Tempo, – o vago, o religioso aroma
Que se respira no ar de Lutécia e de Roma,
Sempre mo√ßo perfume anci√£o de idades mortas…

V√£o-Se De Todo Os Pardacentos Nimbos

V√£o-se de todo os pardacentos nimbos…
Chovem da luz as nítidas faíscas
E no esplendor de irradia√ß√Ķes mouriscas,
Abrem-se as flores em gentis corimbos.

Muito mais lestas do que amigos fimbos,
Do Azul cortando as bordaduras priscas,
Pombas do mato esvoaçando, ariscas,
Do céu se perdem nos profundos limbos.

A natureza pulsa como a forja…
P√°ssaros vibram no clarim da gorja,
As retumbantes, fortes clarinadas.

A grande art√©ria dos assombros pula…
E do oxigênio, a força que regula
Enche os pulm√Ķes a largas baforadas.

Atravessaremos Juntos as Grandes Espirais

Que boca h√° de roer o tempo? Que rosto
H√° de chegar depois do meu? Quantas vezes
O tule do meu sopro h√° de pousar
Sobre a brancura fremente do teu dorso?

Atravessaremos juntos as grandes espirais
A artéria estendida do silêncio, o vão
O patamar do tempo?

Quantas vezezs dirás: vida, vésper, magna-marinha

E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas
Tardes, as largas luas, as madrugadas ag√īnicas
Sem poder tocar-te. Quantas vezes, amor

Uma nova vertente h√° de nascer em ti
E quantas vezes em mim h√° de morrer.

Poema Explicativo

In√ļteis s√£o os voos. In√ļteis s√£o os p√°ssaros.
Silenciosas sombras tudo extinguem.
Como as vagas de um mar longínquo e frio,
s√£o de in√ļteis palavras estes versos,
pois o calado tempo esmaga tudo.

Moro num rio in√ļtil que caminha
entre margens de musgo e subalternas
pontes e √°guas que reflectem
estrelas, lumin√°rias, desencanto.

Os peixes n√£o obstante j√° n√£o dormem.
S√£o in√ļteis os sonhos e as amarras
que nos prendem ao cais.
E o sangue que nos leva
em artérias eléctricas de desejo.

J√° somos todos poetas ‚ÄĒ e a poesia √© in√ļtil ‚ÄĒ
antepassados simples de um futuro
remoto onde seremos sinais na rocha, apenas.

Germinar√° o trevo entre os alexandrinos
e nenhum p√°ssaro compreender√° o sentido
das p√°ginas dispersas sobre a areia.

Estas palavras nuas se transformar√£o
em pó, em lodo, em traças e raízes.

Sou um crente – e por que n√£o o ser? A f√© desentope as art√©rias; a descren√ßa √© que d√° c√Ęncer!

A Nau

A Heitor Lima

S√īfrega, al√ßando o hirto espor√£o guerreiro,
Zarpa. A √≠ngreme cordoalha √ļmida fica. …
Lambe-lhe a quilha a esp√ļmea onda impudica
E √©brios trit√Ķes, babando, haurem-lhe o cheiro

Na glauca artéria equórea ou no estaleiro
Ergue a alta mastreação, que o éter indica,
E estende os braços de madeira rica
Para as popula√ß√Ķes do mundo inteiro!

Aguarda-a ampla reentr√Ęncia de angra horrenda
P√°ra e, a amarra agarrada √† √Ęncora, sonha!
M√°goas, se as tem, subjugue-as ou disfarce-as…

E n√£o haver uma alma que lhe entenda
A ang√ļstia transoce√Ęnica medonha
No rangido de todas as enx√°rcias!