Cita√ß√Ķes sobre Cigarros

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Frases sobre cigarros, poemas sobre cigarros e outras cita√ß√Ķes sobre cigarros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Sinto na Ang√ļstia o Quem me Lembrasse

Sinto na ang√ļstia o quem me lembrasse
e do lembrar a mim como uma ponte
onde de noite já ninguém passasse
viesse a notícia desse outro horizonte

em que o meu grito preso na garganta
dissesse à voz que não ouvi e veio
quanto cansaço inverosímil, quanta
fadiga me enternece como um seio.

Vibr√°til voga vaga pela tarde
que em cigarros distrai o eu estar só
a chama obscura que visível arde
quando arde ao sol o pó.

L√†-bas, Je Ne Sais O√Ļ…

V√©spera de viagem, campainha…
N√£o me sobreavisem estridentemente!
Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho
Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro
Do comboio definitivo,
Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do est√īmago,
Antes de p√īr no estribo um p√©
Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir.
Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje,
Estar ainda um bocado agarrado à velha vida.
Vida in√ļtil, que era melhor deixar, que √© uma cela?
Que importa?
Todo o Universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela.

Sabe-me a n√°usea pr√≥xima o cigarro. O comboio j√° partiu da outra esta√ß√£o…
Adeus, adeus, adeus, toda a gente que n√£o veio despedir-se de mim,
Minha fam√≠lia abstrata e imposs√≠vel…
Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida!
Ficar como um volume rotulado esquecido,
Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha.
Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida ‚ÄĒ
“E esta? Ent√£o n√£o houve um tipo que deixou isto aqui?”

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A fun√ß√£o da juventude depende do lugar em que residem. Por exemplo: para que servem os rapazes e as mo√ßas da Am√©rica? Resposta: para consumirem maci√ßamente. E os corol√°rios desse tipo de consumo s√£o: comunica√ß√Ķes em massa, publicidade em massa. Narc√≥ticos em massa (sob a forma de televis√£o, tranquilizantes, pensamentos positivos e cigarro). Agora que a Europa tamb√©m ingressou na produ√ß√£o em massa, para que servir√£o os seus rapazes e mo√ßas? Para consumirem maci√ßamente, exatamente como a juventude da Am√©rica. [‚Ķ] O destino da mocidade deve ser apenas se desenvolver harmoniosamente e se transformar em adultos plenamente realizados.

homenagem a ces√°rio verde

Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um √ļltimo cigarro
um feij√£o branco em sangue e rolas cozidas

Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Ces√°rio Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!

Barrow-On-Furness III

Corre, raio de rio, e leva ao mar
A minha indiferença subjetiva!
Qual “leva ao mar”! Tua presen√ßa esquiva
Que tem comigo e com o meu pensar?

Lesma de sorte! Vivo a cavalgar
A sombra de um jumento. A vida viva
Vive a dar nomes ao que n√£o se ativa,
Morre a p√īr etiquetas ao grande ar…

Escancarado Furness, mais três dias
Te, aturarei, pobre engenheiro preso
A sucessibil√≠ssimas vistorias…

Depois, ir-me-ei embora, eu e o desprezo
(E tu ir√°s do mesmo modo que ias),
Qualquer, na gare, de cigarro aceso…

Versos √ćntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua √ļltima quimera.
S√≥mente a Ingratid√£o – esta pantera –
Foi tua companheira insepar√°vel!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miser√°vel,
Mora, entre feras, sente inevit√°vel
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa m√£o vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Ao Sol Do Meio-Dia Eu Vi Dormindo

Ao sol do meio-dia eu vi dormindo
Na calçada da rua um marinheiro,
Roncava a todo o pano o tal brejeiro
Do vinho nos vapores se expandindo!

Além um espanhol eu vi sorrindo,
Saboreando um cigarro feiticeiro,
Enchia de fuma√ßa o quarto inteiro…
Parecia de gosto se esvaindo!

Mais longe estava um pobret√£o careca
De uma esquina lodosa no retiro
Enlevado tocando uma rabeca!…

Venturosa indolência! não deliro
Se morro de pregui√ßa… o mais √© seca!
Desta vida o que mais vale um suspiro?

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os √°cidos, os gumes
E os √Ęngulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulm√Ķes doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas…

O obst√°culo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, h√° dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

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Tabacaria

N√£o sou nada.
Nunca serei nada.
N√£o posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milh√Ķes do mundo que ningu√©m sabe quem √©
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a p√īr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje l√ļcido, como se estivesse para morrer,
E n√£o tivesse mais irmandade com as coisas
Sen√£o uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.

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Grandes São os Desertos, e Tudo é Deserto

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
N√£o s√£o algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes s√£o os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque n√£o passa por elas sen√£o elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes s√£o os desertos, minha alma!
Grandes s√£o os desertos.

N√£o tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
N√£o houve vontade ou ocasi√£o que eu n√£o perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que n√£o cabem,
Hoje n√£o me resta (√† parte o inc√īmodo de estar assim sentado)
Sen√£o saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,

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Um cigarro e uma caixa de fósforos contêm uma vida secreta muito mais intensa que certos seres humanos.

A Raiz do Vício

Um v√≠cio, apesar de ser uma terr√≠vel depend√™ncia e um p√©ssimo h√°bito, √© um escape maravilhoso e uma profunda ilus√£o acerca do ¬ęsentir bem¬Ľ. Quando n√£o tens nada para fazer ou n√£o sabes como te acalmar fumas uns cigarros ou coisas do g√©nero, entopes-te de comida, bebes uns copos e assim andas sempre ocupado e falsamente tranquilo, pois ap√≥s o efeito seja do que for voltas ao mesmo estado em que te encontravas. Perd√£o, n√£o me fiz entender bem: fumas sem vontade de fumar, comes sem vontade de comer e bebes sem vontade de beber. Isto √© ser viciado, √© pura polui√ß√£o, sobretudo quando n√£o existe um desejo natural de faz√™-lo. Esclarecido? √ďtimo. J√° percebeste o teu desafio? N√£o, n√£o √© deixares de ser um viciado, isso n√£o √© um problema porque tens consci√™ncia que o √©s, logo, podes mudar quando entenderes apaixonar-te por ti, o problema √© outro e, se queres saber, bem mais s√©rio. Consegues descobri-lo? Era excelente se o dissesses antes de me leres: significaria que tamb√©m j√° estarias consciente disso e, nesse sentido, deixaria de ser mais um problema na tua vida. Os problemas s√£o, √ļnica e exclusivamente, fruto da inconsci√™ncia, pois quando se tem consci√™ncia do que se passa j√° n√£o √© um problema,

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de profundis amamus

Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
fic√°mos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

And√°mos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes

O P√ļblico
o vinco das tuas calças
est√° cheio de frio
e h√° quatro mil pessoas interessadas
nisso

N√£o faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas n√£o te importes
n√£o te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos √ļnicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

Projecto de Sucess√£o

Para o M√°rio Henrique

Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra

Arrancar os cabelos e n√£o morrer numa rua solit√°ria
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer √Ęngulos rectos

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
por-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitro-glicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se índias.

Projecto de Bodas

Hoje apetece que uma rosa seja
o coração exterior do dia
e a tua adolescência de cereja
no meu bico de Isolda cotovia.

Hoje apetece a intuição dum cais
para a lucidez de n√£o chegar a tempo
e ficarmos violetas nupciais
com a lua a celebrar o casamento.

Apetece uma casa cor-de-rosa
com um galo vermelho no telhado
e os degraus duma seda vagarosa
que nunca chegue à varanda do noivado.

Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois à nossa boda.

Hoje apetece um interior de esponja
E como est√°tua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.

Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.

Hoje apetece que a cor dum automóvel
Seja o Egipto de novo em movimento;
E que no espaço duma gota imóvel
Caiba a possível capital do vento.

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Barrow-on-Furness

I

Sou vil, sou reles, como toda a gente
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.

√Č com a imagina√ß√£o que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
√Čbrio, por intervalos, de um Al√©m.

Como todos n√£o creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto n√£o morro, falo e leio.

Justificar-me? Sou quem todos s√£o…
Modificar-me? Para meu igual?…
‚ÄĒ Acaba j√° com isso, √≥ cora√ß√£o!

II

Deuses, forças, almas de ciência ou fé,
Eh! Tanta explicação que nada explica!
Estou sentado no cais, numa barrica,
E não compreendo mais do que de pé.

Por que o havia de compreender?
Pois sim, mas também por que o não havia?
√Āgua do rio, correndo suja e fria,
Eu passo como tu, sem mais valer…

√ď universo, novelo emaranhado,
Que paciência de dedos de quem pensa
Em outras cousa te p√Ķe separado?

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Um Grande Utensílio de Amor

um grande utensílio de amor
meia laranja de alegria
dez toneladas de suor
um minuto de geometria

quatro rimas sem coração
dois desastres sem novidade
um preto que vai para o sert√£o
um branco que vem à cidade

uma meia-tinta no sol
cinco dias de ang√ļstia no foro
o cigarro a descer o paiol
a trepanação do touro

mil bocas a ver e a contar
uma altura de fazer turismo
um arranha-céus a ripar
meia-quarta de cristianismo

uma prancha sem porta sem escada
um grifo nas linhas da m√£o
uma Ibéria muito desgraçada
um Rossio de solid√£o

Família

Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.