Passagens sobre Cinco

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Frases sobre cinco, poemas sobre cinco e outras passagens sobre cinco para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Criar Banalidades, até Chegar ao Génio

Um pouco de trabalho, repetido trezentas e sessenta e cinco vezes, dá trezentas e sessenta e cinco vezes um pouco de dinheiro, isto é, uma soma enorme. Ao mesmo tempo, a glória está feita.
Do mesmo modo, uma por√ß√£o de pequenos gozos comp√Ķem a felicidade. Criar uma banalidade, √© o g√©nio. Devo criar uma banalidade.

O homem não tem um corpo separado da alma. Aquilo que chamamos de corpo é a parte da alma que se distingue pelos seus cinco sentidos.

Alarga os Teus Horizontes

Por que é que combateis? Dir-se-á, ao ver-vos,
Que o Universo acaba aonde chegam
Os muros da cidade, e nem h√° vida
Além da órbita onde as vossas giram,
E além do Fórum já não há mais mundo!

Tal é o vosso ardor! tão cegos tendes
Os olhos de mirar a própria sombra,
Que dir-se-á, vendo a força, as energias
Da vossa vida toda, acumuladas

Sobre um s√≥ ponto, e a √Ęnsia, o ardente v√≥rtice,
Com que girais em torno de vós mesmos,
Que limitais a terra √† vossa sombra…
Ou que a sombra vos torna a terra toda!
Dir-se-√° que o oceano imenso e fundo e eterno,
Que Deus h√° dado aos homens, por que banhem
O corpo todo, e nadem à vontade,
E vaguem a sabor, com todo o rumo,
Com todo o norte e vento, v√£o e percam-se
De vista, no horizonte sem limites…
Dir-se-√° que o mar da vida √© gota d’√°gua
Escassa, que nas mãos vos há caído,
De avara nuvem que fugiu, largando-a…
Tamanho é o ódio com que a uns e a outros
A disputais,

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A Amizade Exercita-se

√Č um erro desejar ser compreendido antes de se ser elucidado por si mesmo a seus pr√≥prios olhos. √Č procurar prazeres na amizade, e n√£o m√©ritos. √Č qualquer coisa de mais corruptor ainda do que o amor. Venderias a tua alma por amor.
Aprende a repelir a amizade, ou melhor, o sonho da amizade. Desejar a amizade √© um grande erro. A amizade deve ser uma alegria gratuita como as que a arte ou a vida oferecem. √Č preciso recus√°-la para se ser digno de a receber: ela √© da categoria da gra√ßa (¬ęMeu Deus, afastai-vos de mim…¬Ľ). √Č dessas coisas que s√£o dadas por acr√©scimo. Toda a ilus√£o de amizade merece ser destru√≠da. N√£o √© por acaso que nunca foste amado… Desejar escapar √† solid√£o √© uma cobardia. A amizade n√£o se procura, n√£o se imagina, n√£o se deseja; exercita-se (√© uma virtude). Abolir toda esta margem de sentimento, impura e enevoada. Schluss!
Ou melhor (pois n√£o √© necess√°rio desbastar-se a si mesmo rigorosamente), tudo o que, na amizade, n√£o passe por altera√ß√Ķes efectivas deve passar por pensamentos ponderados. √Č absolutamente in√ļtil privar-se da virtude inspiradora da amizade. O que deve ser severamente proibido, √© sonhar com os prazeres do sentimento.

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Rumor dos Fogos

hoje à noite avistei sobre a folha de papel
o drag√£o em celul√≥ide da inf√Ęncia
escuro como o interior polposo das cerejas
antigo como a ins√≥nia dos meus trinta e cinco anos…

dantes eu conseguia esconder-me nas paisagens
podia beber a humidade aérea do musgo
derramar sangue nos dedos magoados
foi h√° muito tempo
quando corria pelas ruas sem saber ler nem escrever
o mundo reduzia-se a um berlinde
e as m√£os eram pequenas
desvendavam os nocturnos segredos dos pinhais

n√£o quero mais perceber as palavras nem os corpos
deixou de me pertencer o choro longínquo das pedras
prossigo caminho com estes ossos cor de malva
som a som o vegetal silêncio sílaba a sílaba o abandono
desta obra que fica por construir… o receio
de abrir os olhos e as rosas n√£o estarem onde as sonhei
e teu rosto ter desaparecido no fundo do mar

ficou-me esta m√£o com sua sombra de terra
sobre o papel branco… como √© louca esta m√£o
tentando aparar a tristeza antiga das l√°grimas

Eu acho que o sexo é uma coisa muito bonita entre duas pessoas. Entre cinco, então, é fantástico.

A f√© verdadeira consiste em acreditar que todas as coisas criadas por Deus s√£o perfeitas e que o homem, sendo filho de Deus, √© perfeito, goza de perfeita sa√ļde e felicidade, mesmo que esse aspecto n√£o esteja manifestado aos cinco sentidos. Quando alcan√ßamos essa f√©, logo a for√ßa curativa passa a se manifestar.

Toda venda tem cinco obstáculos básicos: falta de necessidade, falta de dinheiro, falta de pressa, falta de desejo e falta de confiança.

S√≥ as crian√ßas e os velhos conhecem a vol√ļpia de viver dia-a-dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem al√©m de cinco minutos…

O Prolongamento da Adolescência

No dia a seguir ao casamento os noivos est√£o mais velhos cinco anos. Biol√≥gicamente, a idade madura come√ßa com o casamento, porque o descuidoso brincar de at√© ali substitui-se pelo trabalho e pela responsabilidade, a paix√£o cede diante das limita√ß√Ķes da ordem social – a poesia passa a prosa. Esta mudan√ßa varia com os costumes e o clima; o casamento vem mui tardiamente nas cidades modernas, facto que prolonga a adolesc√™ncia; mas entre os povos do Sul e do Oriente realiza-se em idade bem verde. Os rapazes orientais, diz Stanley Hall, come√ßam a exercer as fun√ß√Ķes de marido aos treze anos, e aos trinta, j√° gastos, recorrem a afrodis√≠acos… Aos trinta anos as mulheres dos climas quentes j√° est√£o velhas. Est√° verificado que o dilatar da adolesc√™ncia prolonga a vida. Se pud√©ssemos retardar a nossa maturidade sexual de modo a coincidir com a nossa maturidade econ√≥mica, prolongando assim a adolesc√™ncia e a fase educativa, erguer√≠amos a civiliza√ß√£o a n√≠vel jamais alcan√ßado.

Posfácio à Toca do Lobo

РPai, vem da morte e vamos às perdizes.
Vejo a aurora, que tinge do seu rajo
de dente a dente a Serra de Soajo…
РCiprestes, desatai-o das raízes!

– Este Inverno as perdizes est√£o em barda:
criaram-se as ninhadas sem granizo.
Vamos chumbar dos perdig√Ķes o guizo,
anda matar securas da espingarda.

A tua Holland… O animal de presa…
O azul brunido… Velha e como nova…
Bem a merecias a alegrar-te a cova.
Penou-te de saudades, com certeza.

Aqui a tens. Porque era ver-te, olh√°-la,
sequer um dia que não fosse vê-la.
Olha deluz-se a derradeira estrela,
j√° folga a luz no lustra aqui da sala.

Trinta anos depois, caçar contigo,
e sempre conversando e √† chala√ßa…
Mais que perdizes, hoje, melhor caça
√Č matar fomes do ca√ßar antigo.

Ver-te sorrir à escapatória sonsa
da velha que n√£o viu ¬ęperdiz nem chasco!¬Ľ
E o Lorde a anunci√°-la sob o fasco,
e tu lambendo o cigarrinho de on√ßa…

√ď pai, se n√£o vivias h√° trinta anos,
também há trinta eu não vivia,

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Os Dias Bons

Os dias bons são os dias em que se acorda, tendo dormido oito, nove ou, melhor ainda, dez horas e, reflectindo naquela ronha de quem já não consegue dormir mais mas gosta de ficar na cama (porque a temperatura e a companhia são perfeitas), se lembra que não tem nada para fazer, senão tomar o pequeno-almoço, o almoço, o chá e o jantar. E, se quiser, entretanto, nalgum intervalo qualquer, trabalhar, tanto melhor. Mas não importa. Dias de domingos antigos: dias de prazer sem saber.
Os dias bons nunca acontecem. Acontecem, quando muito, cinco ou dez mil vezes numa vida. Três míseros anos já têm mais de mil. Domingo, daqui a uma semana, terei a sorte nunca tida de estar casado e feliz com a Maria João há 12 anos. Doze anos cheios de dias bons, impossíveis de contar.
O amor, para quem √© mais novo e n√£o sabe como fazer, n√£o √© uma t√©cnica ou uma t√°ctica. N√£o h√° segredo. N√£o h√° li√ß√Ķes. Ou se ama ou n√£o se ama. Ou se √© tamb√©m amado ou n√£o se √©. Esperar √© o melhor conselho. Experimentar √© o pior. O segredo n√£o √© ter paci√™ncia: √© conseguir manter a impaci√™ncia num estado de excelsitude.

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Há cinco artes Рa Literatura, a Engenharia, a Política, a Figuração (que inclui o drama, a dança, etc.) e a Decoração. (A Decoração vai desde a arte de arrumar bem as coisas em cima de uma mesa até à pintura e à escultura.

Canto

… e o vento,
o vento dos altos a que me dei,
a ti me trouxe
a ti me entregou.
Se em mim j√° estavas!
Pela boca, pelos olhos e pelas m√£os,
arreigado e voraz,
meu invasor enternecido.

Cinco vidas, nada menos,
cinco vidas querias ter.
Cinco vidas…
Mas uma, apenas, ardente, violenta e dissipada,
uma só não te bastaria?
Uma,
quintuplicada, centuplicada na hora inef√°vel,
no momento embriagado…
Uma, para me dares, para eu de ti receber,
vergada, sucumbida?
√Č primavera! sa√≠u-me da boca.
E tu sorriste.
Sorriste, creio.
Primavera e todas as esta√ß√Ķes‚Ķ
Chuva e sol, tempo sem idade.

Aqueles suaves, langues verdes, t√£o cariciosos;
os redondos troncos
e os musgos fofos;
os melros agrestes
e as campainhas roxas daquelas flores da minha inf√Ęncia,
de que me ensinaste o nome tão doce, tão estranho…
E as loucas nuvens corredias
e as pedras hier√°ticas
e as veredas am√°veis,
como se os ofereciam!
Amavam-nos,
N√£o o viste?
No passo certo em que ambos íamos
tudo,

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Haroun queria saber por que seus pais n√£o tinham tido mais filhos… Rashid explicou: “N√≥s gastamos todo o nosso material de fazer crian√ßas s√≥ com voc√™. Est√° tudo a√≠, daria pra mais umas quatro ou cinco criancinhas. Sim senhor, em voc√™ h√° mais coisas do que se v√™ num primeiro olhar.”

Cinco Sentidos

Cinco sentidos s√£o os cinco dedos
Com que o homem tacteia a escurid√£o,
Rodeado de sombras e segredos
De que busca, e não acha, a solução.

Mas decerto haver√° mundos mais ledos
Onde outros seres, de maior vis√£o,
Rompendo brumas, dissipando medos,
A treva finalmente vencer√£o.

E sendo sete as cores, e outros tantos
Os sons da escala, mas com mil matizes
Que prolongam seu eco e seus encantos,

Talvez nos seja um dia transmitido,
Por esses mundos fortes e felizes,
Um novo sexto e sétimo sentido!

O que Distingue um Amigo Verdadeiro

N√£o se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conhe√ßam pessoas de quem apetece ser amiga, n√£o se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupa√ß√£o da alma e a ocupa√ß√£o do espa√ßo, o tempo que se pode passar e a aten√ß√£o que se pode dar ‚ÄĒ todas estas coisas s√£o finitas e t√™m de ser partilhadas. N√£o chegam para mais de um, dois, tr√™s, quatro, cinco amigos. √Č preciso saber partilhar o que temos com eles e n√£o se pode dividir uma coisa j√° de si pequena (n√≥s) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém,

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O Constrangimento do Desejo

Para compreender o ar grave de uma mulher no meio de vários jovens, distante e desenvolta, embaraçada e constrangida, pensa no teu ar perante cinco ou seis prostitutas que te fitam e aguardam a tua escolha.