Passagens sobre Consumo

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Frases sobre consumo, poemas sobre consumo e outras passagens sobre consumo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Infelicidade do Desejo

Um desejo é sempre uma falta, carência ou necessidade. Um estado negativo que implica um impulso para a sua satisfação, um vazio com vontade de ser preenchido.

Toda a vida é, em si mesma, um constante fluxo de desejos. Gerir esta torrente é essencial a uma vida com sentido. Cada homem deve ser senhor de si mesmo e ordenar os seus desejos, interesses e valores, sob pena de levar uma vida vazia, imoderada e infeliz. Os desejos são inimigos sem valentia ou inteligência, dominam a partir da sua capacidade de nos cegar e atrair para o seu abismo.
A felicidade √©, por ess√™ncia, algo que se sente quando a realidade extravasa o que se espera. A supera√ß√£o das expectativas. Ser feliz √© exceder os limites preestabelecidos, assim se conclui que quanto mais e maiores forem os desejos de algu√©m, menores ser√£o as suas possibilidades de felicidade, pois ainda que a vida lhe traga muito… esse muito √© sempre pouco para lhe preencher os vazios que criou em si pr√≥prio.

Na sociedade de consumo em que vivemos há cada vez mais necessidades. As naturais e todas as que são produzidas artificialmente. Hoje, criam-se carências para que se possa vender o que as preenche e anula.

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A Brevidade da Vida

MANIFESTA-SE A PR√ďPRIA BREVIDADE DA VIDA, SEM PENSAR E COM PADECER, ASSALTADA PELA MORTE

Foi sonho ontem: ser√° amanh√£ terra;
pouco antes, nada; pouco depois, fumo;
e destino ambi√ß√Ķes, at√© presumo
nem um momento o cerco que me encerra.

Breve combate de importuna guerra,
p’ra defender-me, sou perigo sumo;
quando com minhas armas me consumo,
menos me hospeda o corpo, que me enterra.

Foi-se o ontem; amanhã é esperado;
hoie passa, e é, e foi com movimento
que me conduz à morte despenhado.

Enxadas s√£o a hora e o momento;
pagas por minha pena e meu cuidado,
cavam em meu viver meu monumento.

Tradução de José Bento

O grande risco do mundo atual, com a sua m√ļltipla e opressiva oferta de consumo, √© uma tristeza individualista que brota do cora√ß√£o comodista e mesquinho, da busca doentia de prazeres superficiais, da consci√™ncia isolada.

Quando a comunicação tem como principal objetivo induzir ao consumo ou à manipulação das pessoa, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a sofrida pelo homem espancado por bandidos e abandonado na berma da estrada, como lemos na parábola. Corremos o risco, hoje em dia, de alguns meios de comunicação nos condicionarem ao ponto de nos fazerem ignorar o nosso verdadeiro próximo.

O Amor e o Vinho

Pense-se, por exemplo, na rela√ß√£o que existe entre o bebedor e o vinho. N√£o √© verdade que o vinho oferece sempre ao bebedor a mesma satisfa√ß√£o t√≥xica, que a poesia tem comparado com frequ√™ncia √† satisfa√ß√£o er√≥tica ‚ÄĒ compara√ß√£o, de resto, aceit√°vel do ponto de vista cient√≠fico? J√° alguma vez se ouviu dizer que o bebedor fosse obrigado a mudar sem descanso de bebida porque se cansaria rapidamente de uma bebida que permanecesse a mesma? Pelo contr√°rio, a habitua√ß√£o estreita cada vez mais o la√ßo entre o homem e a esp√©cie de vinho que ele bebe. Existir√° no bebedor uma necessidade de partir para um pa√≠s onde o vinho seja mais caro ou o seu consumo proibido, a fim de estimular por meio de semelhantes obst√°culos a sua satisfa√ß√£o decrescente? De modo nenhum. Basta escutarmos o que dizem os nossos grandes alco√≥licos, como B√≥cklin, da sua rela√ß√£o com o vinho: evocam a harmonia mais pura e como que um modelo de casamento feliz.

O consumo √© a √ļnica finalidade e o √ļnico prop√≥sito de toda produ√ß√£o.

O Autofagismo do Meio Urbano

O momento presente √© o momento do autofagismo do meio urbano. O rebentar das cidades sobre campos recobertos de ¬ęmassas informes de res√≠duos urbanos¬Ľ (Lewis Mumford) √©, de um modo imediato, presidido pelos imperativos do consumo. A ditadura do autom√≥vel, produto-piloto da primeira fase da abund√Ęncia mercantil, estabeleceu-se na terra com a prevalesc√™ncia da auto-estrada, que desloca os antigos centos e exige uma dispers√£o cada vez maior. Ao passo que os momentos de reorganiza√ß√£o incompleta do tecido urbano polarizam-se passageiramente em torno das ¬ęf√°bricas de distribui√ß√£o¬Ľ que s√£o os gigantescos supermercados, geralmente edificados em terreno aberto e cercados por um estacionamento; e estes templos de consumo precipitado est√£o, eles pr√≥prios, em fuga num movimento centr√≠fugo, que os repele √† medida que eles se tornam, por sua vez, centros secund√°rios sobrecarregados, porque trouxeram consigo uma recimposi√ß√£o parcial da aglomera√ß√£o. Mas a organiza√ß√£o t√©cnica do consumo n√£o √© outra coisa sen√£o o arqu√©tipo da dissolu√ß√£o geral que conduziu a cidade a consumir-se a si pr√≥pria.
A história económica, que se desenvolveu intensamente em torno da oposição cidade-campo, chegou a um tal grau de sucesso que anula ao mesmo tempo os dois termos. A paralisia actual do desenvolvimento histórico total, em proveito da exclusiva continuação do movimento independente da economia,

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Desperdício

Solidão, não te mereço,
pois que te consumo em v√£o.
Sabendo-te embora o preço,
calco teu ouro no ch√£o.

As Coisas Efémeras são as Mais Necessárias

Das coisas tang√≠veis, as menos dur√°veis s√£o as necess√°rias ao pr√≥prio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao acto da sua produ√ß√£o; no dizer de Locke, todas essas ¬ęboas coisas¬Ľ que s√£o ¬ęrealmente √ļteis √† vida do homem¬Ľ, √† ¬ęnecessidade de subsistir¬Ľ, s√£o ¬ęgeralmente de curta dura√ß√£o, de tal modo que – se n√£o forem consumidas pelo uso – se deteriorar√£o e perecer√£o por si mesmas¬Ľ.
Após breve permanência neste mundo, retomam ao processo natural que as produziu, seja através de absorção no processo vital do animal humano, seja através da decomposição; e, sob a forma que lhes dá o homem, através da qual adquirem um lugar efémero no mundo das coisas feitas pelas mãos do homem, desaparecem mais rapidamente que qualquer outra parcela do mundo.

O Esmagamento do Eu

O espectáculo (da sociedade de consumo) que é a extinção dos limites do eu e do mundo pelo esmagamento do eu que a presença-ausência do mundo assedia, é igualmente a supressão dos limites do verdadeiro e do falso pelo recalcamento de toda a verdade vivida sob a presença real da falsidade que a organização da aparência assegura. Aquele que sofre passivamente a sua sorte quotidianamente estranha é, pois, levado a uma loucura que reage ilusoriamente a essa sorte, ao recorrer a técnicas mágicas. O reconhecimento e o consumo das mercadorias estão no centro desta pseudo-resposta a uma comunicação sem resposta. A necessidade de imitação que o consumidor sente é precisamente uma necessidade infantil, condicionada por todos os aspectos da sua despossessão fundamental.

Somos, ao contrário do que é hábito dizer-se, não uma sociedade de consumo, visada ao consumidor, mas uma sociedade de produção, virada ao produtor e seus interesses.

A fun√ß√£o da juventude depende do lugar em que residem. Por exemplo: para que servem os rapazes e as mo√ßas da Am√©rica? Resposta: para consumirem maci√ßamente. E os corol√°rios desse tipo de consumo s√£o: comunica√ß√Ķes em massa, publicidade em massa. Narc√≥ticos em massa (sob a forma de televis√£o, tranquilizantes, pensamentos positivos e cigarro). Agora que a Europa tamb√©m ingressou na produ√ß√£o em massa, para que servir√£o os seus rapazes e mo√ßas? Para consumirem maci√ßamente, exatamente como a juventude da Am√©rica. [‚Ķ] O destino da mocidade deve ser apenas se desenvolver harmoniosamente e se transformar em adultos plenamente realizados.

Pensar Custa

Pensar √© a todo momento e a todo custo. Pensar d√≥i, cansa e s√≥ traz aborrecimentos. Melhor √© n√£o pensar. Mas pensar n√£o √© facultativo. Se o c√©rebro, a m√≠nima parte dele que seja, deixa de estar alerta por um momento, penetram l√°, como parasitas dif√≠ceis de erradicar, ¬ęideias¬Ľ vindas da imprensa, do r√°dio, da televis√£o, da propaganda geral, dos produtos em s√©rie, do consumo degenerado, dos doutores em lei, arte, literatura, ci√™ncia, pol√≠tica, sociologia. Essa massa de desinforma√ß√£o, n√£o s√≥ in√ļtil como nociva, nos √©, ali√°s, imposta de maneira criminosa nos primeiros anos de nossa vida. E se, algum dia, chegamos a pensar no verdadeiro sentido do termo, todo o restante esfor√ßo da exist√™ncia √© para nos livrarmos de uma lament√°vel heran√ßa cultural. Pois, infelizmente, o c√©rebro humano √© um dos poucos √≥rg√£os do corpo que n√£o t√™m uma v√°lvula excretora. E as fezes culturais ficam l√°, nos envenenando pelo resto da vida, transformando o mais complexo e mais nobre √≥rg√£o do corpo numa imensa fossa, imunda e fedorenta. Um lament√°vel erro da Cria√ß√£o.

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo

Nos pa√≠ses subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder institu√≠do, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, origin√°rio por via de regra da m√©dia e da pequena burguesia ou mais raramente das classes prolet√°rias, contesta o statu quo, prop√Ķe solu√ß√Ķes revolucion√°rias ou, quando estas n√£o podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar faz√™-lo pela cr√≠tica, violenta ou ir√≥nica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os benefici√°rios do sistema de produ√ß√£o ergueram contra as aspira√ß√Ķes da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude id√™ntica de inconformismo; por√©m, os resultados da sua actividade de cria√ß√£o e reflex√£o tornam-se mat√©ria vend√°vel e, nalguns casos, mat√©ria integr√°vel.
O consumo do objecto art√≠stico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opini√£o, que os meios de comunica√ß√£o de massa, em escala largu√≠ssima , exercem, torna-se, sen√£o totalmente in√≥cuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conte√ļdo cr√≠tico. Despotencializa-se. Amolece. √Č o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve,

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A alma não cabe na memória dos computadores nem se enquadra no paraíso do consumo. O mistério do Ser escapa às tecnocracias.

Eu me utilizo de todos os meios da Sociedade de consumo, penetro no Sistema, mas como um veneno.

Um Calculador de Improbabilidades

O poeta é
um calculador de improbabilidades limita
a informação quantitativa fornecendo
reforçada informação estésica.
√Č uma m√°quina eta-er√≥tica em que as discrep√Ęncias
s√£o a fulgur√Ęncia da m√°quina.
A crueldade elegante da m√°quina resulta da
competição pirotécnica da circulação íntima
e fulgurante do seu maquinismo erótico.
A psicologia do maquinal sabe que basta
que se crie um pólo positivo para que o pólo
negativo surja
ou vice-versa
e as evolu√ß√Ķes telecin√©ticas pela for√ßa
das cat√°strofes desenvolvem suas faculdades
latentes ou absorvem-nas como a esponja absorve
as √°guas vari√°veis dos humores
que transforma em polaridade.
O maquinal eta-erótico está em astrogação
curso hipnótico dos polímeros.
Digo com precisão fenomenológica: o maquinal
circula em sua hiperesfera da maneira mais
excêntrica.
Digo e garanto:
o maquinal absolutamente absorve suas √°guas
variáveis e isso é o seu amplexo.
O maquinal eta-erótico é tu-eu.
O maquinal tu-eu
cuja tarefa árdua não é
definir a verdade est√° no meio da profus√£o
dos objectos
e considera o consumo a verdade deslocada
deslocação de grande tonelagem
laboriosa alfaiataria de eros
constante moribunda
e esse opróbrio dispersivo e vexável
indifere a vida esponjosa.

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Confiss√£o

Vivo um drama interior.
J√° nele pouco a pouco me consumo.
E de tanto te buscar,
Mas sem nunca te encontrar,
Sou como um barco sem leme,
Que perdesse o rumo,
No alto mar.

Da minha vida, assim,
O que vai ser nem sei!
Dias alegres houvesse…
E os dias s√£o para mim
Rosas mortas de um jardim
Que um vendaval desfizesse.

Tenho horas bem amargas.
Eu o confesso,
Eu o digo.
E se tudo passa e esqueço,
Esquecer o teu perfil
√Č coisa que eu n√£o consigo.

Sofro por ti. O frio do que morre
Amortalha a minha alma em saudade.
Atr√°s de uma ilus√£o a minha vida corre,
Como se fora atr√°s de uma verdade.

A Deus peço, por fim, o meu sossego antigo.
N√£o me persiga mais o teu busto delgado.
Passo os dias e as noites a sonhar contigo,
Na cruz da tua ausência estou crucificado.

A tua falta sinto. N√£o o oculto.
Ocult√°-lo seria uma mentira.
Vejo por toda a parte a sombra do teu vulto,

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