Citação de

O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico, manifestando-se em todas as a√ß√Ķes que procuram construir um mundo melhor. O amor √† sociedade e o compromisso pelo bem comum s√£o uma forma eminente de caridade, que toca n√£o s√≥ as rela√ß√Ķes entre os indiv√≠duos mas tamb√©m ¬ęas macrorrela√ß√Ķes como relacionamentos sociais, econ√≥micos, pol√≠ticos¬Ľ (Papa Bento XVI) . Por isso, a Igreja prop√īs ao mundo o ideal de uma ¬ęciviliza√ß√£o do amor¬Ľ (Papa Paulo VI). O amor social √© a chave para um desenvolvimento aut√™ntico: ¬ęPara tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, √© necess√°rio revalorizar o amor na vida social ‚ÄĒ nos planos pol√≠tico, econ√≥mico, cultural ‚ÄĒ, fazendo dele a norma constante e suprema do agir¬Ľ (Pontif√≠cio Conselho Justi√ßa e Paz). Neste contexto, juntamente com a import√Ęncia dos pequenos gestos di√°rios, o amor social impele-nos a pensar em grandes estrat√©gias que detenham eficazmente a degrada√ß√£o ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade. Quando algu√©m reconhece a voca√ß√£o de Deus para intervir juntamente com os outros, nestas din√Ęmicas sociais, deve lembrar-se que isto faz parte da sua espiritualidade, √© exerc√≠cio da caridade e, deste modo, amadurece e se santifica.

Nem todos s√£o chamados a trabalhar de forma direta na pol√≠tica, mas no seio da sociedade floresce uma variedade inumer√°vel de associa√ß√Ķes que interv√™m em prol do bem comum, defendendo o meio ambiente natural e urbano. Por exemplo, preocupam-se com um lugar p√ļblico (um edif√≠cio, uma fonte, um monumento abandonado, uma paisagem, uma pra√ßa) para proteger, sanar, melhorar ou embelezar algo que √© de todos. Ao seu redor, desenvolvem-se ou recuperam-se v√≠nculos, fazendo surgir um novo tecido social local. Assim, uma comunidade liberta-se da indiferen√ßa consumista. Isto significa tamb√©m cultivar uma identidade comum, uma hist√≥ria que se conserva e transmite. Desta forma cuida-se do mundo e da qualidade de vida dos mais pobres, com um sentido de solidariedade que √©, ao mesmo tempo, consci√™ncia de habitar numa casa comum que Deus nos confiou. Estas a√ß√Ķes comunit√°rias, quando exprimem um amor que se doa, podem transformar-se em experi√™ncias espirituais intensas.