Passagens sobre Espirituais

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Talento não é Sabedoria

Deixa-me dizer-te francamente o ju√≠zo que eu formo do homem transcendente em g√©nio, em estro, em fogo, em originalidade, finalmente em tudo isso que se inveja, que se ama, e que se detesta, muitas vezes. O homem de talento √© sempre um mau homem. Alguns conhe√ßo eu que o mundo proclama virtuosos e s√°bios. Deix√°-los proclamar. O talento n√£o √© sabedoria. Sabedoria √© o trabalho incessante do esp√≠rito sobra a ci√™ncia. O talento √© a vibra√ß√£o convulsiva de esp√≠rito, a originalidade inventiva e rebelde √† autoridade, a viagem ext√°tica pelas regi√Ķes inc√≥gnitas da ideia. Agostinho, F√©nelon, Madame de Sta√ęl e Bentham s√£o sabedorias. Lutero, Ninon de Lenclos, Voltaire e Byron s√£o talentos.
Compara as vicissitudes dessas duas mulheres e os servi√ßos prestados √† humanidade por esses homens, e ter√°s encontrado o antagonismo social em que lutam o talento com a sabedoria. Porque √© mau o homem de talento ? Essa bela flor porque tem no seio um espinho envenenado ? Essa espl√™ndida ta√ßa de brilhantes e ouro porque √© que cont√©m o fel, que abrasa os l√°bios de quem a toca ? Aqui tens um tema para trabalhos superiores √† cabe√ßa de uma mulher, ainda mesmo refor√ßada por duas d√ļzias de cabe√ßas acad√©micas !

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A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática.

Um grande poeta n√£o √© uma constru√ß√£o de acaso, feita de blocos discordantes; a miss√£o do cr√≠tico n√£o est√° em inventar falhas que n√£o existem, mas em encontrar o nexo √≠ntimo, a espiritual cadeia de v√©rtebras que liga e sustenta todas as fases, todas as produ√ß√Ķes da sua vida. Depois, √© sempre de bom conselho verificar se as manchas da prepara√ß√£o se n√£o encontram nas lentes do microsc√≥pio.

Trabalho e empregado são coisas distintas. Trabalho existe sempre, em toda parte, mas emprego pode escassear. O trabalho remunerado por Deus com a evolução espiritual existe sempre, em toda parte, mas o emprego remunerado pelos homens pode faltar.

A vida espiritual dos homens, os seus impulsos profundos, o seu estímulo à acção são as coisas mais difíceis de prever, mas é justamente delas que depende a morte ou a salvação da humanidade.

Como Vemos os Outros

N√≥s temos em toda a vida, especialmente na esfera da comunica√ß√£o espiritual, o h√°bito errado de emprestarmos √†s outras pessoas muito daquilo que nos √© pr√≥prio, como se tivesse de ser mesmo assim. Mas como elas, al√©m disso, nos mostram tamb√©m o que t√™m de si pr√≥prias, da√≠ resultam, dado que n√≥s procuramos criar uma unidade com as duas partes, aut√™nticos monstros, semelhantes √†queles que, numa casa com muitos cantos, a luz de uma lanterna produz com uma parte de sombras e uma parte de objectos reais. N√£o h√° nenhuma opera√ß√£o mais √ļtil mas, ao mesmo tempo, mais dif√≠cil que deduzir da imagem do outro aquilo que inconscientemente lhe foi emprestado. No entanto, s√≥ assim fazemos dos outros verdadeiras pessoas – ou, dito de uma forma mais breve: o homem julga compreender os homens quando acrescenta a uma suposta e ilimitada analogia com o seu pr√≥prio eu ainda alguma coisa que √© contr√°ria a esse eu. √Č a experi√™ncia que leva cada um a poder lidar com pessoas que tem de imaginar, na sua ess√™ncia, diferentes de si mesmo.

Assim Choram os Deuses

Os deuses desterrados.
Os irm√£os de Saturno,
√Äs vezes, no crep√ļsculo
Vêm espreitar a vida.

Vêm então ter conosco
Remorsos e saudades
E sentimentos falsos.
√Č a presen√ßa deles,
Deuses que o destron√°-los
Tornou espirituais,
De matéria vencida,
Longínqua e inativa.

V√™m, in√ļteis for√ßas,
Solicitar em nós
As dores e os cansaços,
Que nos tiram da m√£o,
Como a um bêbedo mole,
A taça da alegria.

Vêm fazer-nos crer,
Despeitadas ruínas
De primitivas forças,
Que o mundo é mais extenso
Que o que se vê e palpa,
Para que ofendamos
A J√ļpiter e a Apolo.

Assim até à beira
Terrena do horizonte
Hiperion no crep√ļsculo
Vem chorar pelo carro
Que Apolo lhe roubou.

E o poente tem cores
Da dor dum deus longínquo,
E ouve-se soluçar
Para al√©m das esferas…
Assim choram os deuses.

N√£o Existe Prosa

N√£o existe prosa. A menos que se refiram os escritos, em prosa ou verso, que pretendem ensinar. N√£o h√° nada a ensinar embora haja tudo a aprender. Aquilo que se aprende vem do nosso pr√≥prio ensino, vem da pergunta; v√£o-se aprendendo, pelas esperas, pela imobilidade √†s portas, pela invisibilidade dos rostos depois de vistos t√£o prometedoramente, pela emenda sucessiva, pela ins√≥nia sucessiva dos olhos e das figura√ß√Ķes, sempre, v√£o-se aprendendo sempre as maneiras da pergunta. Uma pergunta em perguntas, um poema em poemas, uma rebarbativa constela√ß√£o de objectos ofuscantes. Aprende-se que a pergunta se desloca com a luz inerente; ilumina-se a si mesma, a pergunta constelar; ensina a si mesma, ao longo de si mesma, os estilos de ser dotada dessa luz para fora e para dentro. Leio romances desde que perceba que n√£o est√£o a responder. Alguns s√£o extraordin√°rias m√°quinas interrogativas: “Ulisses”, “Filhos e Amantes”, “O Doutor Fausto”, “O Processo”, “A Morte de Virg√≠lio”, “O Som e a F√ļria”, “Debaixo do Vulc√£o”, “A Obra ao Negro”, “Lolita”, “Di√°rio do Ladr√£o”, todos os romances de C√©line como se fossem um s√≥, alguns outros, antes, agora. Os romances de Agustina Bessa-Lu√≠s, porventura os menos amados, s√£o entre n√≥s as quase √ļnicas m√°quinas vivas de perguntar.

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Abandonar o ‚Äėvelho eu‚Äô √© uma tarefa impreter√≠vel. A vida n√£o ser√° verdadeira enquanto n√£o houver a substitui√ß√£o dos valores materiais pelos espirituais.

Quem tem a mente alegre não precisa recorrer especialmente ao método de sorrir diante de um espelho. Basta contemplar a própria alegria interior. Assim, finalmente conseguirá ver com os olhos da mente a sua própria imagem plena de luz. Este é o estado espiritual mais elevado.

Em matéria de reformas, os benfeitores espirituais me ensinam que não devo esquecer primeiramente as que se referem à melhoria de mim mesmo.

A Grandiosidade do Homem Depende da Mulher, mas S√≥ Enquanto n√£o a Possui…

O homem deve √† mulher tudo quanto fez de belo, de insigne, de espantoso, porque da mulher recebeu o entusiasmo; ela √© o ser que exalta. Quantos mo√ßos imberbes, tocadores de flauta, n√£o celebraram j√° o tema? E quantas pastoras ing√©nuas n√£o o ouviram tamb√©m? Confesso a verdade quando digo que a minha alma est√° isenta de inveja e cheia de gratid√£o para com Deus; antes quero ser homem pobre de qualidades, mas homem, do que mulher – grandeza imensur√°vel, que encontra a sua felicidade na ilus√£o. Vale mais ser uma realidade, que ao menos possui uma significa√ß√£o precisa, do que ser uma abstrac√ß√£o suscept√≠vel de todas as interpreta√ß√Ķes. √Č, pois, bem verdade: gra√ßas √† mulher √© que a idealidade aparece na vida; que seria do homem, sem ela? Muitos chegaram a ser g√©nios, her√≥is, e outros santos, gra√ßas √†s mulheres que amaram; mas nenhum homem chegou a ser g√©nio por gra√ßa da mulher com quem casou; por essa, quando muito, consegue o marido ser conselheiro de Estado; nenhum homem chegou a ser her√≥i pela mulher que conquistou, porque essa apenas conseguiu que ele chegasse a general; nenhum homem chegou a ser poeta inspirado pela companheira de seus dias, porque essa apenas conseguiu que ele fosse pai;

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Ultrapassar obst√°culos √© o prazer pleno da exist√™ncia, sejam eles de tipo material, como nas ac√ß√Ķes e nos exerc√≠cios, sejam de tipo espiritual, como nos estudos e nas investiga√ß√Ķes. A luta contra as adversidades e a vit√≥ria tornam o homem feliz. Se lhe faltar a oportunidade, ir√° cri√°-la como puder.

O Romancista e o Escritor

Releio o curto ensaio de Sartre O Que é Escrever?. Nem uma vez ele utiliza as palavras romance, romancista. Fala apenas do escritor da prosa. Distinção justa. O escritor tem ideias originais e uma voz inimitável. Pode servir-se de qualquer forma (romance incluído) e tudo o que escreve, já que marcado pelo seu pensamento, levado pela sua voz, faz parte da sua obra. Rouseau, Goethe, ChateauBriand, Gide, Malraux, Camus, Montherland.
O romancista n√£o liga muito √†s suas ideias. √Č um descobridor que, tacteando, se esfor√ßa por desvendar um aspecto desconhecido da exist√™ncia. N√£o est√° fascinado pela sua voz mas por uma forma que persegue, e s√≥ as formas que respondem √†s exig√™ncias do seu sonho fazem parte da sua obra. Fielding, Sterne, Flaubert, Proust, Faulkner, C√©line, Calvino.
O escritor inscreve-se na carta espiritual do seu tempo, da sua na√ß√£o, na da hist√≥ria das ideias. O √ļnico contexto em que se pode apreender o valor de um romance √© o da hist√≥ria do romance europeu. O romancista n√£o tem contas a prestar a ningu√©m, excepto a Cervantes.

Toda a rudeza é, na verdade, um apelo à animalidade, na medida em que declara a incompetência da luta das forças espirituais ou do direito moral, substituindo-a por aquela da força física.

Se eu fosse esperar melhores condi√ß√Ķes espirituais para servir, at√© o presente momento eu n√£o teria come√ßado.

Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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Sinto que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para a satisfação de nossos desejos corpóreos.

√Č detest√°vel essa avareza espiritual que t√™m os que, sabendo algo, n√£o procuram a transmiss√£o desses conhecimentos.

√Čs como o Ar que Respiro

Qual √© a for√ßa extraordin√°ria que possuis? ‚ÄĒ pergunto muitas vezes a mim mesmo. Dois ou tr√™s princ√≠pios crist√£os inabal√°veis ‚ÄĒ e por tr√°s milhares de seres que desapareceram ignorados, cumprindo a vida ignorada. Nem sequer se debateram. Entregaram-se. Confiaram. A mulher portuguesa comunica ao lar a ternura com que os p√°ssaros aquecem o ninho. Sua vida d√° luz, para alumiar os outros. Foi assim com t√£o pequenos meios, que me ensinaste. Com uma palavra e mais nada, com um simples olhar, com sil√™ncio e mais nada. Uma atitude fazia-me pensar. E mal sabes tu quando Os teus dedos √°geis trabalhavam a meu lado, teciam ao mesmo tempo o pano grosso de casa e a nossa vida espiritual.

E como tu milhares de seres t√™em cumprido a vida em sil√™ncio, aceitando-a sem exageros. Nas m√£os das mulheres at√© as coisas vulgares que se fazem na aldeia, cozer o p√£o, lan√ßar a teia ‚ÄĒ assumem um car√°cter sagrado. Elas passam desconhecidas e disp√Ķem dum poder extraordin√°rio. Mant√™em a vida ordenada com um sorriso t√≠mido. A mulher est√° mais perto que n√≥s da natureza e de Deus.

Cada vez me aproximo mais de ti. O que h√° de puro em mim a ti o devo.

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