Passagens sobre Vales

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Frases sobre vales, poemas sobre vales e outras passagens sobre vales para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Pedra no charco

Caiu uma pedra no charco,
caiu um penedo no rio,
caiu mais um cabo da boa esperança no mar,
p’r√° gente se agarrar.

Deix√°mos de ver as nuvens
que nos tapavam o céu,
pudemos sentir de perto a meiguice do tempo
onde a gente se escondeu.

√Č que hoje
nasceu mais um dia.
√Č que hoje
nasceu mais alguém.
√Č que hoje
nasceu um poeta na serra com a estrela da manh√£.

Foi quando os lobos uivaram,
foi quando o lince miou,
as ovelhas n√£o tinham fome
e a alcateia repousou.

E entre os uivos e os miados
o poeta abriu o choro.
E entre os vales e os cabeços,
cavalgando uma alcateia
o poema deslizou.

A Despedida

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
– ¬ęAt√© logo¬Ľ; ¬ęat√© √† vista¬Ľ:
Ou ¬ęadeus¬Ľ ‚Äď √Č sempre assim.

¬ęAdeus¬Ľ, √© lindo, mas triste;
¬ęAdeus¬Ľ ‚Ķ A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

¬ęAt√© logo¬Ľ, √© j√° mais doce;
Tem distancia e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem t√£o-pouco algum deserto.

Vale mais ¬ęat√© √† vista¬Ľ,
Do que ¬ęat√© logo¬Ľ ou ¬ęadeus¬Ľ;
¬ę√Ä vista¬Ľ, lembra, voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes n√£o tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

L√°grimas Da Aurora, Poemas Cristalinos

L√°grimas da aurora, poemas cristalinos
Que rebentais das cobras do mistério!
Aves azuis do manto auri-sid√©rio…
Raios de luz, fant√°sticos, divinos!…

Astros di√°fanos, brandos, opalmos,
Brancas cecens do Paraíso etéreo,
Canto da tarde, límpido, aéreo,
Harpa ideal, dos encantados hinos!…

Brisas suaves, vira√ß√Ķes amenas,
Lírios do vale, roseirais do lago,
Bandos errantes de sutis falenas!…

Vinde do arcano n’um potente afago
Louvar o G√™nio das mans√Ķes serenas,
Esse Prod√≠gio singular e mago!!…

Ser Feliz

Ser feliz √© reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreens√Ķes e per√≠odos de crise. Ser feliz n√£o √© uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu pr√≥prio ser.

Ser feliz √© deixar de ser v√≠tima dos problemas e tornar-se autor da sua pr√≥pria hist√≥ria. √Č atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um o√°sis no rec√īndito da sua alma. √Č agradecer a Deus em cada manh√£ pelo milagre da vida.

Ser feliz √© n√£o ter medo dos pr√≥prios sentimentos. √Č saber falar de si mesmo. E ter a coragem de ouvir um ¬ęn√£o¬Ľ. √Č ter seguran√ßa para receber uma cr√≠tica, mesmo que injusta. √Č beijar os filhos, ter prazer com os pais e ter momentos po√©ticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz √© deixar viver a crian√ßa livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de n√≥s. √Č ter maturidade para dizer ¬ęeu errei¬Ľ. √Č ter ousadia para dizer ¬ęperdoa-me¬Ľ. √Č ter sensibilidade para expressar ¬ęeu preciso de ti¬Ľ. E ter capacidade de dizer ¬ęeu amo-te¬Ľ.

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades que lhe permita ser feliz…

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Amar Intensamente

De que vale no mundo ser-se inteligente, ser-se artista, ser-se alguém, quando a felicidade é tão simples! Ela existe mais nos seres claros, simples, compreensíveis e por isso a tua noiva de dantes, vale talvez bem mais que a tua noiva de agora, apesar dos versos e de tudo o mais. Ela não seria exigente, eu sou-o muitíssimo. Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os pensamentos do homem que me tiver. Preciso que ele viva mais da minha vida que da vida dele. Preciso que ele me compreenda, que me adivinhe. A não ser assim, sou criatura para esquecer com a maior das friezas, das crueldades. Eu tenho já feito sofrer tanto! Tenho sido tão má! Tenho feito mal sem me importar porque quando não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem.

Para a Salvação da Democracia

Ora a democracia cometeu, a meu ver, o erro de se inclinar algum tanto para Maquiavel, de ter apenas pluralizado os pr√≠ncipes e ter constitu√≠do em cada um dos cidad√£os um aspirante a opressor dos que ao mesmo tempo declarava seus iguais. Ser esmagada pelos condottieri que disp√Ķem das lan√ßas mercen√°rias ou pela coaliz√£o dos que manejam o boletim de voto √© para a consci√™ncia o mesmo choque violento e o mesmo intoler√°vel abuso; um tirano das ilhas vale os trinta de Atenas e os milhares de espartanos. Pode ser esta a origem de muita reac√ß√£o que parece incompreens√≠vel; h√° almas que se entregaram a outros campos porque se sentiam feridas pela prepot√™ncia de indiv√≠duos que defendiam atitudes morais s√≥ fundadas na utilidade social, na combina√ß√£o pol√≠tica. E de facto, o que se tem realizado √©, quase sempre, um arremedo de democracia sem verdadeira liberdade e sem verdadeira igualdade, exactamente porque se tomou como base do sistema uma rela√ß√£o do homem com o homem e n√£o uma rela√ß√£o do homem com o esp√≠rito de Deus. Por outras palavras: para que a democracia se salve e regenere √© urgente que se busque assent√°-la em fundamentos metaf√≠sicos e se procure a origem do poder n√£o nos caprichos e disposi√ß√Ķes individuais,

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Não Somos Capazes de Distinguir o que é Bom e o que é Mau

Quantas vezes um pretenso desastre n√£o foi a causa inicial de uma grande felicidade! Quantas vezes, tamb√©m, uma conjuntura saudada com entusiasmo n√£o constituiu apenas um passo em direc√ß√£o ao abismo ‚ÄĒ elevando um pouco mais ainda algu√©m em posi√ß√£o eminente, como se em tal posi√ß√£o pudesse estar certo de cair dela sem risco! A pr√≥pria queda, ali√°s, n√£o tem em si mesma nada de mal se tomares em considera√ß√£o o limite para l√° do qual a natureza n√£o pode precipitar ningu√©m. Est√° bem perto de n√≥s o termo de tudo quanto h√°, est√° bem perto, garanto-te, o limite desta exist√™ncia donde o venturoso se julga expulso e o desgra√ßado liberto; n√≥s √© que, ou por esperan√ßas ou por receios desmesurados, a fazemos mais extensa do que realmente √©. Se agires com sabedoria, medir√°s tudo em fun√ß√£o da condi√ß√£o humana, e assim limitar√°s o espa√ßo tanto das alegrias como dos receios. Vale bem a pena privarmo-nos de duradouras alegrias a troco de n√£o sentirmos duradouros receios!
Por que motivo procuro eu restringir este mal que √© o medo? √Č que n√£o h√° raz√£o v√°lida para temeres o que quer que seja; n√≥s, isso sim, deixamo-nos abalar e atormentar apenas por v√£s apar√™ncias.

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A Face Oculta dos Progressos Técnicos

Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.
O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre,

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Nada no mundo vale que nos afastemos daquilo que amamos. E, contudo, também eu me afasto, sem que possa saber porquê.