Passagens sobre Construção

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Frases sobre constru√ß√£o, poemas sobre constru√ß√£o e outras passagens sobre constru√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Aqui n√£o andam s√≥ os vivos – andam tamb√©m os mortos. A humanidade √© povoada pelos que se agitam numa exist√™ncia transit√≥ria e ba√ßa, e pelos outros que se imp√Ķem como se estivessem vivos. Tudo est√° ligado e confundido. Sobre as casas h√° outra edifica√ß√£o, e uma trave ideal que o caruncho r√≥i une todas as constru√ß√Ķes vulgares. Debalde todos os dias repelimos os mortos – todos os dias os mortos se misturam √† nossa vida. E n√£o nos largam.

Você não pode construir uma reputação com base no que ainda vai fazer.

Construir a Realidade

A pura verdade √© que no mundo acontece a todo instante, e, portanto, agora, infinidade de coisas. A pretens√£o de dizer o que √© que acontece agora no mundo deve ser entendida, pois, como ironizando-se a si mesma. Mas assim como √© imposs√≠vel conhecer directamente a plenitude do real, n√£o temos outro rem√©dio sen√£o construir arbitrariamente uma realidade, supor que as coisas s√£o de certa maneira. Isto proporciona-nos um esquema, quer dizer, um conceito ou entretecido de conceitos. Com ele, como atrav√©s de uma quadr√≠cula, olhamos depois a efectiva realidade, e ent√£o, s√≥ ent√£o, conseguimos uma vis√£o aproximada dela. Nisto consiste o m√©todo cient√≠fico. Mais ainda: nisto consiste todo uso do intelecto. Quando ao ver chegar o nosso amigo pela vereda do jardim dizemos: ¬ęEste √© o Pedro¬Ľ, cometemos deliberadamente, ironicamente, um erro. Porque Pedro significa para n√≥s um esquem√°tico repert√≥rio de modos de se comportar f√≠sica e moralmente ‚Äď o que chamamos ¬ęcar√°cter¬Ľ ‚Äď, e a pura verdade √© que o nosso amigo Pedro n√£o se parece, em certos momentos, em quase nada √† ideia ¬ęo nosso amigo Pedro¬Ľ.
Todo o conceito, o mais vulgar como o mais técnico, vai incluso na ironia de si mesmo, nos entredentes de um sorriso tranquilo,

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O tempo √© uma constru√ß√£o artificial que sobrepomos a n√≥s e √† qual nos submetemos como a um boneco de horror ou lascivo que pint√°ssemos e que nos subjugasse na sua realidade exterior e inventada por n√≥s. √Č quando perdemos a no√ß√£o do tempo que medimos bem o seu artificialismo.

Ninguém Se Conhece a Si Mesmo

Julga que se conhece, se n√£o se construir de algum modo? E julga que eu posso conhec√™-lo, se n√£o o construir √† minha maneira? E julga que me pode conhecer, se n√£o me construir √† sua maneira? S√≥ podemos conhecer aquilo a que conseguimos dar forma. Mas que conhecimento pode ser esse? N√£o ser√° essa forma a pr√≥pria coisa? Sim, tanto para mim como para si; mas n√£o da mesma maneira para mim e para si: isso √© t√£o verdade que eu n√£o me reconhe√ßo na forma que voc√™ me d√°, nem voc√™ se reconhece na forma que eu lhe dou; e a mesma coisa n√£o √© igual para todos e mesmo para cada um de n√≥s pode mudar constantemente. E, contudo, n√£o h√° outra realidade fora desta, a n√£o ser na forma moment√Ęnea que conseguimos dar a n√≥s mesmos, aos outros e √†s coisas. A realidade que eu tenho para si est√° na forma que voc√™ me d√°; mas √© realidade para si, n√£o √© para mim. E, para mim mesmo, eu n√£o tenho outra realidade sen√£o na forma que consigo dar a mim pr√≥prio. Como? Construindo-me, precisamente.

Se soubesse que a Alemanha não teria sucesso na construção da bomba, não teria levantado um dedo.

A arquitetura √© a arte que disp√Ķe e adorna de tal forma as constru√ß√Ķes erguidas pelo homem, para qualquer uso, que v√™-las pode contribuir para sua sa√ļde mental, poder e prazer.

Ao se posicionar como Pai, Deus bradou que precisa de filhos. Mostrou que √© v√≠tima da mais complexa e po√©tica solid√£o. Ele pode apreciar a exist√™ncia de bilh√Ķes de planetas, pode admirar milh√Ķes de esp√©cies da natureza, mas tem uma dram√°tica necessidade ps√≠quica de se relacionar e construir la√ßos afetivos com filhos.

Um homem passa por tudo: coisas boas e coisas m√°s, casamentos e div√≥rcios, nascimentos e mortes – e n√£o consegue, no fim, construir um olhar suficientemente ir√≥nico que o livre do azedume? Ou √© est√ļpido ou a vida foi-lhe especialmente ingrata – e, como tr√™s quartos dos velhos maus que conhe√ßo s√£o pelo menos de classe m√©dia, portanto fundamentalmente ricos, eu come√ßava a confiar mais na primeira hip√≥tese.

Ao fixar o reflexo dos meus olhos no espelho, j√° me pareceu muitas vezes que est√° outra pessoa dentro deles. Observa-me, julga-me, mas n√£o tem voz para se exprimir. Ser√° talvez eu com outra idade, crian√ßa ou velho: inocente, magoado por me ver a destruir todos os seus sonhos; ou amargo, a culpar-me pela constru√ß√£o lenta dos seus ressentimentos. Seria melhor se tivesse palavras para dizer-me, mas n√£o. S√≥ aquele olhar lhe pertence. √Č l√° que est√° prisioneiro.

Sociedade Cíclica

Um dos primeiros erros do mundo moderno √© presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram imposs√≠veis. Eis uma met√°fora pela qual os modernos s√£o apaixonados; sempre dizem: ¬ęN√£o se pode atrasar o p√™ndulo¬Ľ. A resposta √© clara e simples: ¬ęPode-se sim¬Ľ. Um p√™ndulo, que √© um objecto constru√≠do pelo homem, pode ser modificado por um dedo humano a qualquer hora. Assim, a sociedade, que √© um objecto de constru√ß√£o humana, pode ser reconstitu√≠do sob qualquer forma j√° experimentada.

A Import√Ęncia de Aprender v√°rias L√≠nguas

Pessoas com poucas capacidades n√£o conseguir√£o realmente assimilar com facilidade uma l√≠ngua estrangeira: embora aprendam as suas palavras, empregam-nas apenas no significado do equivalente aproximado da sua l√≠ngua materna e continuam a manter as constru√ß√Ķes e frases pr√≥prias desta √ļltima. Com efeito, esses indiv√≠duos n√£o conseguem assimilar o esp√≠rito da l√≠ngua estrangeira, que depende essencialmente do facto do seu pensamento n√£o se dar por meios pr√≥prios, mas, em grande parte, de ser emprestado pela l√≠ngua materna, cujas frases e locu√ß√Ķes habituais substituem os seus pr√≥prios pensamentos. Eis, portanto, a raz√£o de eles sempre se servirem, tamb√©m na pr√≥pria l√≠ngua, de express√Ķes idiom√°ticas desgastadas, combinando-as de modo t√£o in√°bil, que logo se percebe qu√£o pouco se d√£o conta do seu significado e qu√£o pouco todo o seu pensamento supera as palavras, de modo que tudo se reduz a um palrat√≥rio de papagaios. Pela raz√£o oposta, a originalidade das locu√ß√Ķes e a adequa√ß√£o individual de cada express√£o usada por algu√©m s√£o o sintoma inequivoc√°vel de um esp√≠rito preponderante.
Por conseguinte, de tudo isso resultam os seguintes factores: no aprendizado de toda a língua estrangeira, são formados novos conceitos para dar significado a novos signos; certos conceitos separam-se uns dos outros, enquanto antes constituíam juntos um conceito mais amplo e,

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Poema do Futuro

Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.

No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.

Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a p√°gina, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.

As Pessoas n√£o Sabem o que Querem Antes de lho Mostrarmos

A minha paix√£o tem sido construir uma empresa duradoura onde as pessoas se sintam motivadas para grandes produtos. Tudo o mais era secund√°rio. Claro que era bom ter lucros, pois s√≥ assim era poss√≠vel fazer grandes produtos. Mas o principal factor de motiva√ß√£o eram os produtos, n√£o o lucro. Sculley deslocou estas prioridades para o objectivo de fazer dinheiro. Trata-se de uma diferen√ßa subtil, mas que acaba por fazer toda a diferen√ßa: as pessoas que contratamos, quem √© promovido, os assuntos que discutimos nas reuni√Ķes.
Algumas pessoas dizem: ‚ÄúD√™em aos clientes o que eles querem.‚ÄĚ Mas essa n√£o √© a minha abordagem. A nossa miss√£o consiste em antecipar aquilo que eles v√£o querer. Penso que o Henri Ford teria dito uma vez que se perguntasse aos clientes aquilo que eles queriam, a resposta teria sido: ‚ÄúUm cavalo mais r√°pido!”. As pessoas n√£o sabem o que querem antes de lho mostrarmos. √Č por isso que n√£o confio nos estudos de mercado. A nossa miss√£o consiste em ler as coisas antes de elas terem sido escritas.

O Sentido de Possibilidade

Poderia definir-se o sentido de possibilidade como aquela capacidade de pensar tudo aquilo que tamb√©m poderia ser e de n√£o dar mais import√Ęncia √†quilo que √© do que √†quilo que n√£o √©. Como se v√™, as consequ√™ncias desta disposi√ß√£o criadora podem ser not√°veis; infelizmente, n√£o √© raro que fa√ßam aparecer como falso aquilo que as pessoas admiram e como l√≠cito aquilo que elas pro√≠bem, ou ent√£o as duas coisas como sendo indiferentes. Esses homens do poss√≠vel vivem, como se costuma dizer, numa trama mais subtil, numa teia de n√©voa, fantasia, sonhos e conjuntivos; se uma crian√ßa mostra tend√™ncias destas, acaba-se firmemente com elas, e diz-se-lhe que tais pessoas s√£o vision√°rios, sonhadores, fracos, gente que tudo julga saber melhor e em tudo p√Ķe defeito.
Quando se quer elogiar estes loucos, chama-se-lhes também idealistas, mas é claro que com isso só se alude à sua natureza débil, incapaz de compreender a realidade, ou que a evita por melancolia, uma natureza na qual a falta do sentido de realidade é um verdadeiro defeito. O possível, porém, não abarca apenas os sonhos dos neurasténicos, mas também os desígnios ainda adormecidos de Deus. Uma experiência possível ou uma verdade possível não são iguais a uma experiência real e uma verdade real menos o valor da sua realidade,

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A civilização é um sentimento e não uma construção: há mais civilização num beco de Paris do que em toda a vasta New York.

A verdadeira diferença entre a construção e a criação é esta: uma coisa construída só pode ser amada depois de construída, mas uma coisa criada ama-se mesmo antes de existir.

O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu. in A Paixão Segundo GH. 176

As lembranças têm mais poesia que as esperanças, assim como as ruínas são muito mais poéticas que as etapas de construção de um edifício.