Cita√ß√Ķes sobre Identidade

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Frases sobre identidade, poemas sobre identidade e outras cita√ß√Ķes sobre identidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O inimigo é sempre inventado, construído. Precisamos dele para definir a nossa identidade.

O que julgamos, o que dizemos, o que fazemos, estabelece a nossa identidade. Cria a nossa essência. Define-nos. Esse é um dos nossos maiores talentos: a liberdade de nos escolhermos.

√Āfrica vive numa situa√ß√£o quase √ļnica: as gera√ß√Ķes vivas s√£o contempor√Ęneas da constru√ß√£o dos alicerces das na√ß√Ķes. O que √© o mesmo que dizer os alicerces das suas pr√≥prias identidades. √Č como se tudo se passasse no presente, como se todas as na√ß√Ķes se entrecruzassem no mesmo texto. Cada na√ß√£o √© assunto de todos, uma inadi√°vel urg√™ncia a que ningu√©m se pode alhear. Todos s√£o c√ļmplices dessa inf√Ęncia, todos deixam marcas num retrato que est√° em gesta√ß√£o.

Cada um de n√≥s √© um s√≠mbolo que lida com s√≠mbolos ‚Äď tudo ponto de apenas refer√™ncia ao real. Procuramos desesperadamente encontrar uma identidade pr√≥pria e a identidade do real. E se nos entendemos atrav√©s do s√≠mbolo √© porque temos os mesmos s√≠mbolos e a mesma experi√™ncia da coisa em si: mas a realidade n√£o tem sin√≥nimos.

Já então o pároco manifestava os primeiros sintomas do delírio senil que o levou a dizer, anos mais tarde, que provavelmente o diabo tinha ganho a rebelião contra Deus e que era aquele quem estava sentado no trono celeste sem revelar a sua verdadeira identidade para enganar os incautos.

Nada nos Faz Acreditar Mais do que o Medo

Nada nos faz acreditar mais do que o medo, a certeza de estarmos amea√ßados. Quando nos sentimos v√≠timas, todas as nossas ac√ß√Ķes e cren√ßas s√£o legitimadas, por mais question√°veis que sejam. Os nossos opositores, ou simplesmente os nossos vizinhos, deixam de estar ao nosso n√≠vel e transformam-se em inimigos. Deixamos de ser agressores para nos convertermos em defensores. A inveja, a cobi√ßa ou o ressentimento que nos movem ficam santificados, porque pensamos que agimos em defesa pr√≥pria. O mal, a amea√ßa, est√° sempre no outro. O primeiro passo para acreditar apaixonadamente √© o medo. O medo de perdermos a nossa identidade, a nossa vida, a nossa condi√ß√£o ou as nossas cren√ßas. O medo √© a p√≥lvora e o √≥dio o rastilho. O dogma, em √ļltima inst√Ęncia, √© apenas um f√≥sforo aceso.

A cidade n√£o √© apenas um espa√ßo f√≠sico mas uma foija de rela√ß√Ķes. √Č o centro de um tempo onde se fabricam e refabricam as identidades pr√≥prias.

Pornografia √© a destrui√ß√£o orquestrada de corpos e almas de mulheres; estupro, agress√£o, incesto, e prostitui√ß√£o a impulsionam; desumaniza√ß√£o e sadismo caracterizam-na; ela √© a guerra sobre as mulheres, viola√ß√Ķes em s√©rie na dignidade, identidade, e valor humano; ela √© tirania. Cada mulher que tem sobrevivido sabe da experi√™ncia de sua pr√≥pria vida que pornografia √© escravid√£o ‚ÄĒ a mulher presa na imagem usada sobre a mulher presa onde quer que ele tenha aprisionado ela.

Fazer as Pazes

Para fazer as pazes √© preciso haver uma guerra. Mas, quando n√£o h√° uma guerra ou s√≥ a suspeita, ou ci√ļme, de haver uma amea√ßa, ou uma desaten√ß√£o, de a paz que encanta e apaixona, se tornar num h√°bito, as pazes ficam feitas e celebra-se essa felicidade.
O conflito e a diferen√ßa de personalidades – a identidade pessoal de cada um e quanto estamos dispostos a sacrificarmo-nos por defend√™-la – s√£o grossamente exagerados. √Č a necessidade de se achar que se √© diferente – nos afectos, nas necessidades – que provoca todos os mal-entendidos e a maior parte das infelicidades.
Muito ganharíamos Рse perdêssemos só o que temos de perder e amargar -, se partíssemos do princípio que somos todos iguais, homens e mulheres, eu e tu, eles e nós. E que é o pouco que nos diferencia e distancia, por muito caro que nos saia, que consegue o milagre de tornarmo-nos mais atraentes uns aos outros.
As guerras imaginadas são mil vezes melhores do que as verdadeiras. A ilusão da diferença (de personalidades, sexos, sexualidades, culturas Рe tudo o mais que arranjamos para chegar à ficção vaidosa que cada um é como é) passou a ser o que apreciamos ser a nossa nociva e dispensável individualidade.

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Não há Descoberta sem Violência

Devemos a quase totalidade das nossas descobertas às nossas violências, à exacerbação do nosso desequilíbrio. Mesmo Deus, na medida em que nos intriga, não é no mais íntimo de nós que o discernimos, mas antes no limite exterior da nossa febre, no ponto preciso em que, confrontando-se a nossa ira com a sua, se produz um choque, um encontro tão ruinoso para Ele como para nós. Ferido pela maldição que se liga aos actos, o violento só força a sua natureza, só se ultrapassa a si próprio, para a ela regressar, furioso e agressor, seguido pelas suas empresas, que o punem por as ter feito nascer. Não há obra que não se volte contra o seu autor: o poema esmagará o poeta, o sistema o filósofo, o acontecimento o homem de acção. Destrói-se quem, respondendo à sua vocação e cumprindo-a, se agita no interior da história; apenas se salva aquele que sacrifica dons e talentos para, desprendido da sua qualidade de homem, poder repousar no ser. Se aspiro a uma carreira metafísica, não posso por preço algum conservar a minha identidade: terei de liquidar o menor resíduo que dela possa guardar; se, pelo contrário, escolho a aventura de um papel histórico,

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O Paradoxo da Liberdade

√Č porque eu sou a minha voz, √© porque ela existe minha no instante em que a estou erguendo, que me escapa a sua intelec√ß√£o. E todo o equ√≠voco do problema da liberdade est√° a√≠. Porque a liberdade experimenta-se e nada a pode demonstrar. Demonstr√°-la exigiria que estiv√©ssemos fora de n√≥s, porque na pr√≥pria demonstra√ß√£o estamos sendo o homem livre cuja liberdade desej√°vamos provar. Assim essa tentativa, como disse, √© t√£o absurda como pretender a intelec√ß√£o de uma l√≠ngua fora de uma qualquer l√≠ngua. Porque enquanto entendo uma l√≠ngua, estou sendo aquela l√≠ngua dentro da qual estou entendendo a outra. Quanto estou tentando entender a minha liberdade estou sendo quem sou na intelec√ß√£o disso que sou. Eis-nos pois remetidos para o limiar de n√≥s pr√≥prios, para o absoluto da escolha antes da escolha, para a identidade incompreens√≠vel entre o ser que √© o nosso e a escolha desse ser.
Que tem que fazer aqui a razão? Somos livres, como sabemos na consciente vivência do acto de ser consciente. Somos livres, como o sabemos da possibilidade de se ser e de se saber que se é, da infinita e infinitesimal diferença entre mim e mim, entre ser-se o que se é e o saber-se que se é esse ser,

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√Č por Ti que Escrevo

√Č por ti que escrevo que n√£o √©s musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
√Č porque amo a c√°lida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de √°gua iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a t√ļmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um o√°sis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

Escravo de Si Mesmo

A suposi√ß√£o de que a identidade de uma pessoa transcende, em grandeza e import√Ęncia, tudo o que ela possa fazer ou produzir √© um elemento indispens√°vel da dignidade humana. (…) S√≥ os vulgares consentir√£o em atribuir a sua dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescend√™ncia ser√£o ¬ęescravos e prisioneiros¬Ľ das suas pr√≥prias faculdades e descobrir√£o, caso lhes reste algo mais que mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo √© t√£o ou mais amargo e humilhante que ser escravo de outrem.

Os Laços Afetivos

Criar intimidade entre si e outra pessoa não implica perder a sua noção de Eu nem diluir-se no outro. Para criar efetivamente laços com outra pessoa, ambos têm de manter a sua integridade e individualidade. Caso contrário, o resultado será uma amálgama disfuncional. Para estabelecer uma analogia com o corpo humano, as células dos olhos criam uma ligação entre si para permitir a visão. Cada célula tem de se articular com todas as outras e isso implica que cada uma delas mantenha a sua estrutura e função individuais ao serviço da operação mais complexa da visão. Quando estabelecemos laços com outros, estamos simplesmente a ser aquilo que somos enquanto partilhamos um objetivo ou atividade comuns.

√Č t√£o simples quanto isso. Talvez saia com um grupo de pessoas para garantir um parecer favor√°vel na reuni√£o da tarde e entretanto desenvolva um sentimento de camaradagem e acabem por ir jantar fora e partilhar as vossas hist√≥rias. Esta √© uma experi√™ncia de cria√ß√£o de la√ßos afetivos. Ao contr√°rio de certos medos que possamos ter do que possa levar-nos a perder a identidade, a cria√ß√£o de la√ßos afetivos saud√°veis fortalece a nossa confian√ßa e autoestima.

Amor n√£o Tem N√ļmero

Se voc√™ n√£o tomar cuidado vira n√ļmero at√© para si mesmo. Porque a partir do instante em que voc√™ nasce classificam-no com um n√ļmero. Sua identidade no F√©lix Pacheco √© um n√ļmero. O registro civil √© um n√ļmero. Seu t√≠tulo de eleitor √© um n√ļmero. Profissionalmente falando voc√™ tamb√©m √©. Para ser motorista, tem carteira com n√ļmero, e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte √© identificado com um n√ļmero. Seu pr√©dio, seu telefone, seu n√ļmero de apartamento ‚ÄĒ tudo √© n√ļmero.
Se √© dos que abrem credi√°rio, para eles voc√™ √© um n√ļmero. Se tem propriedade, tamb√©m. Se √© s√≥cio de um clube tem um n√ļmero. Se √© imortal da Academia Brasileira de Letras tem o n√ļmero da cadeira.
√Č por isso que vou tomar aulas particulares de Matem√°tica. Preciso saber das coisas. Ou aulas de F√≠sica. N√£o estou brincando: vou mesmo tomar aulas de Matem√°tica, preciso saber alguma coisa sobre c√°lculo integral.
Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.
Se √© contribuinte de qualquer obra de benefic√™ncia tamb√©m √© solicitado por um n√ļmero. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de neg√≥cio recebe um n√ļmero. Para tomar um avi√£o,

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Vou Voltar para Mim Mesma

Minha vida √© um grande desastre. √Č um desencontro cruel, √© uma casa vazia. Mas tem um cachorro dentro latindo. E eu ‚ÄĒ s√≥ me resta latir para Deus. Vou voltar para mim mesma. √Č l√° que eu encontro uma menina morta sem pec√ļlio. Mas uma noite vou √† Sec√ß√£o de Cadastro e ponho fogo em tudo e nas identidades das pessoas sem pec√ļlio. E s√≥ ent√£o fico t√£o aut√≥noma que s√≥ pararei de escrever depois de morrer. Mas √© in√ļtil, o lago azul da eternidade n√£o pega fogo. Eu √© que me incineraria at√© meus ossos. Virarei n√ļmero e p√≥. Que assim seja. Am√©n. Mas protesto. Protesto √† toa como um c√£o na eternidade da Se√ß√£o de Cadastro.

Eu bato o port√£o sem fazer alarde Eu levo a carteira de identidade Uma saideira, muita saudade E a leve impress√£o de que j√° vou tarde

Toda dominação pessoal, psicológica, social e institucionalizada nessa terra pode ser remetida a uma mesma fonte original: as identidades fálicas dos homens.

Eu Sou Nost√°lgica Demais

De s√ļbito a estranheza. Estranho-me como se uma c√Ęmera de cinema estivesse filmando meus passos e parasse de s√ļbito, deixando-me im√≥vel no meio de um gesto: presa em flagrante. Eu? Eu sou aquela que sou eu? Mas isto √© um doido faltar de sentido! Parte de mim √© mec√Ęnica e autom√°tica ‚ÄĒ √© neurovegetativa, √© o equil√≠brio entre n√£o querer e o querer, do n√£o poder e de poder, tudo isso deslizando em plena rotina do mecanicismo. A c√Ęmera fotogr√°fica singularizou o instante. E eis que automaticamente sa√≠ de mim para me captar tonta de meu enigma, diante de mim, que √© ins√≥lito e estarrecedor por ser extremamente verdadeiro, profundamente vida nua amalgamada na minha identidade. E esse encontro da vida com a minha identidade forma um min√ļsculo diamante inquebr√°vel e radioso indivis√≠vel, um √ļnico √°tomo e eu toda sinto o corpo dormente como quando se fica muito tempo na mesma posi√ß√£o e a perna de repente fica ¬ęesquecida¬Ľ.
Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando.