Passagens sobre Identidade

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Frases sobre identidade, poemas sobre identidade e outras passagens sobre identidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Para Além do Hoje

Cada vez mais se vive o momento. Fugimos do passado e temos medo do futuro, o que implica que somos forçados a viver um presente demasiado pequeno.

Os tempos de descanso devem ser ocasião de trabalho interior. Mas, vai sendo cada vez mais raro encontrar gente com memória, assim com também é raro encontrar pessoas com discernimento suficiente para se comprometerem em projetos a longo prazo.

Navega-se √† vista… sem riscos, sem sucessos nem fracassos… sem sentido. Vamos dando as respostas m√≠nimas ao mundo e aos outros, em vez de sermos protagonistas dos nossos sonhos e her√≥is apesar das nossas derrotas.
O passado e o futuro não são mentira. São partes da verdade. Sou o que fui e o que serei. Uma identidade que vive no tempo, uma coerência que se constrói através diferentes espaços e tempos, amando o que há de eterno em cada momento. Elevando o espírito acima da realidade concreta do mundo.

Uma exist√™ncia aut√™ntica ‚Äď uma vida com valor ‚Äď constr√≥i-se com uma estrutura s√≥lida, equilibrada e aberta a horizontes mais long√≠nquos em termos temporais. Um presente maior, com mais passado e mais futuro. Sermos quem somos, de olhos abertos.

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A Identidade é o Fundamental

Sempre pensei que a identidade √© o fundamental. (…) Sem identidade n√£o se √©. E a gente tem que ser, isso √© que √© importante. Mas a identidade obriga depois √† dignidade. Sem identidade n√£o h√° dignidade, sem dignidade n√£o h√° identidade, sem estas duas n√£o h√° liberdade. A liberdade imp√Ķe, logo de come√ßo, o respeito pelo pr√≥ximo. Isto pode explicar um pouco os limites da pr√≥pria vida. Quer dizer, √© prefer√≠vel morrer a perverter a dignidade.

Sem identidade n√£o se √©. E a gente tem que ser, isso √© que √© importante. Mas a identidade obriga depois √† dignidade. Sem identidade n√£o h√° dignidade, sem dignidade n√£o h√° identidade, sem estas duas n√£o h√° liberdade. A liberdade imp√Ķe, logo de come√ßo, o respeito pelo pr√≥ximo. Isto pode explicar um pouco os limites da pr√≥pria vida.

A masculinidade s√≥ pode ser experimentada, alcan√ßada, reconhecida, e personificada em oposi√ß√£o √† feminilidade. Quando os homens colocam sexo, viol√™ncia, e morte como verdades er√≥ticas elementares, eles pretendem dizer isto ‚ÄĒ que sexo, ou foder, √© o ato que os possibilita experimentarem sua pr√≥pria realidade, ou identidade, ou masculinidade o mais concretamente; que viol√™ncia, ou sadismo, √© o meio pelo qual ele efetiva essa realidade, ou identidade, ou masculinidade; e que a morte, ou a nega√ß√£o, ou a inexist√™ncia, ou a contamina√ß√£o pela f√™mea √© o que eles arriscam cada vez que penetram no que eles imaginam ser o vazio do buraco da f√™mea.

O Amor pede Identidade com Diferença

O amor pede identidade com diferen√ßa, o que √© imposs√≠vel j√° na l√≥gica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e n√£o √©. Amar √© entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega tamb√©m a consci√™ncia do outro. O amor maior √© por isso a morte, ou o esquecimento, ou a ren√ļncia – os amores todos que s√£o os absurdiandos do amor.
(…) O amor quer a posse, mas n√£o sabe o que √© a posse. Se eu n√£o sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se n√£o possuo o meu pr√≥prio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou j√° diferente daquele de quem sou id√™ntico, como serei id√™ntico daquele de quem sou diferente? O amor √© um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que s√≥ √© sonhada como devendo ser realizada.

Confundimos os nossos segredos com a nossa identidade, confundimos as nossas fraquezas connosco próprios e, sem que ninguém saiba, sem que ninguém possa saber ou ajudar-nos, transformamo-nos efectivamente nos nossos segredos e nas nossas fraquezas. A verdade existe no oposto desse medo. Quanto mais damos, mais nos permitimos ser. Quanto mais damos, mais somos.

Igualdade não é Identidade

Combaterei pelo primado do Homem sobre o indiv√≠duo – como do universal sobre o particular. Creio que o culto do universal exalta e liga as riquezas particulares – e funda a √ļnica ordem verdadeira, que √© a da vida. Uma √°rvore est√° em ordem, apesar das ra√≠zes que diferem dos ramos.

Creio que o culto do particular só leva à morte Рporque funda a ordem na semelhança. Confunde a unidade do Ser com a identidade das suas partes. E devasta a catedral para alinhar pedras. Combaterei, pois, todo aquele que pretenda impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça às outras raças, um pensamento aos outros pensamentos.

Creio que o primado do Homem fundamenta a √ļnica Igualdade e a √ļnica Liberdade que t√™m significado. Creio na Igualdade dos direitos do Homem atrav√©s de cada indiv√≠duo. E creio que a √ļnica liberdade √© a da ascens√£o do homem. Igualdade n√£o √© Identidade. A Liberdade n√£o √© a exalta√ß√£o do indiv√≠duo contra o Homem. Combaterei todo aquele que pretenda submeter a um indiv√≠duo – ou a uma massa de indiv√≠duos – a liberdade do Homem.
Creio que a minha civiliza√ß√£o denomina ¬ęCaridade¬Ľ o sacrif√≠cio consentido ao Homem para que este estabele√ßa o seu reino.

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O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

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A Armadilha da Identidade

A mais perigosa armadilha é aquela que possui a aparência de uma ferramenta de emancipação. Uma dessas ciladas é a ideia de que nós, seres humanos, possuímos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou criança, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condição inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa existência resultaria, assim, apenas de uma leitura de um código de bases e nucleótidos.

Esta biologização da identidade é uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente.

A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela n√£o nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se n√£o nos deixarmos dissolver por outras identidades e n√£o reacordarmos em outros corpos,

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H√° uma crise econ√≥mica e social de propor√ß√Ķes alarmantes para as nossas possibilidades efectivas de momento; h√° a pr√≥pria crise da nossa identidade como Povo.

No rito de acolhimento, pergunta-se o nome do candidato, porque o nome indica a identidade de uma pessoa. Quando nos apresentamos, dizemos imediatamente o nosso nome: ¬ęChamo-me assim¬Ľ, para sair do anonimato; an√≥nimo √© quem n√£o tem um nome. Para sair do anonimato dizemos imediatamente o nosso nome. Sem nome somos desconhecidos, sem direitos nem deveres. Deus trata cada um de n√≥s pelo nome, amando-nos individualmente, na realidade concreta da nossa hist√≥ria.

Renunciar à Sede de Poder

Quem n√£o conheceu a tenta√ß√£o de ser o primeiro na cidade nada compreender√° do jogo pol√≠tico, da vontade de submeter os outros para deles fazer objectos, nem adivinhar√° os elementos de que √© composta a arte do desprezo. A sede de poder, raros s√£o os que n√£o a tenham num grau ou noutro experimentado: √©-nos natural, e contudo, se a considerarmos melhor, assume todos os car√°cteres de um estado m√≥rbido do qual apenas nos curamos por acidente ou ent√£o por meio de um amadurecimento interior, aparentado com o que se operou em Carlos V quando, ao abdicar em Bruxelas, no topo da sua gl√≥ria, ensinou ao mundo que o excesso de cansa√ßo podia suscitar cenas t√£o admir√°veis como o excesso de coragem. Mas, anomalia ou maravilha, a ren√ļncia, desafio √†s nossas contantes, √† nossa identidade, sobrev√©m somente em momentos excepcionais, caso limite que satisfaz o fil√≥sofo e perturba profundamente o historiador.

Liberdade, Estado, Igualdade e Fraternidade, s√£o as bases da Sociedade

Politicamente falando, não há mais do que um princípio Рa soberania do homem sobre si mesmo. Essa soberania de mim e sobre mim chama-se Liberdade. Onde duas ou mais destas soberanias se associam principia o Estado. Nesta asssociação, porém, não se dá abdicação de qualidade nenhuma. Cada soberania concede certa quantidade de si mesma para formar o direito comum, quantidade que não é maior para uns do que para os outros. Esta identidade de concessão que cada um faz a todos chama-se Igualdade. O direito comum não é mais do que a protecção de todos dividida pelo direito de cada um. Esta protecção de todos sobre cada um chama-se Fraternidade. O ponto de intersecção de todas estas soberanias que se agregam chama-se Sociedade.
Ora, sendo essa intersec√ß√£o uma jun√ß√£o, por consequ√™ncia esse ponto √© um n√≥. Daqui vem o que n√≥s chamamos la√ßo social. Dizem alguns ¬ęcontrato social¬Ľ, o que vem a ser o mesmo, visto que a palavra contrato √© etimologicamanete formada com a ideia de la√ßo. Vejamos agora o que √© a igualdade, pois se a liberdade √© o cume, a igualdade √© a base. A igualdade, cidad√£os, n√£o √© o nivelamento de toda a vegeta√ß√£o;

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Contra este fundo escuro de bem-estar da civiliza√ß√£o contempor√Ęnea, at√© a arte tende a misturar-se, perdendo a sua identidade.

A Nostalgia da Europa

Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.
Mas, a qu√™ e a quem? Qual √© o dom√≠nio onde se realizaram valores supremos suscept√≠veis de unir a Europa? As conquistas t√©cnicas? O mercado? A pol√≠tica com o ideal de democracia, com o princ√≠pio da toler√Ęncia? Mas, essa toler√Ęncia, que j√° n√£o protege nenhuma cria√ß√£o rica nem nenhum pensamento forte, n√£o se tornar√° oca e in√ļtil? Ou ent√£o, ser√° que podemos entender a demiss√£o da cultura como uma esp√©cie de liberta√ß√£o √† qual nos devemos abandonar com euforia? N√£o sei. A √ļnica coisa que julgo saber √© que a cultura j√° cedeu o seu lugar. Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

A nossa identidade constr√≥i-se pelo que fazemos. Assim, quando nos deixamos prender e arrastar pelas algemas da monotonia, muitos de n√≥s perdem a oportunidade de uma exist√™ncia plena por n√£o ousarem remar contra as suas pr√≥prias mar√©s de costumes e tradi√ß√Ķes…

À Minha Filha

Vejo em ti repetida,
A anos de dist√Ęncia,
A minha própria vida,
A minha pr√≥pria inf√Ęncia.

√Č tal a semelhan√ßa,
√Č tal a identidade,
Que é só em ti, criança,
Que entendo a eternidade.

Todo o meu ser se exala,
Se reproduz no teu:
√Č minha a tua fala,
Quem vive em ti, sou eu.

Sorris como eu sorria,
Cismas do meu cismar,
O teu olhar copia,
Espelha o meu olhar.

√Čs como a emana√ß√£o,
Como o prolongamento,
Quer do meu coração,
Quer do meu pensamento.

Encarnas de tal modo
Minha alma fugitiva,
Que eu n√£o morri de todo
Enquanto sejas viva!

Por que mistério imenso
Se fez a transmiss√£o
De quanto sinto e penso
Para esse coração?

Foi como se eu andasse
Noutra alma a semear
Meu peito, minha face,
Meu riso, meu olhar…

Meus íntimos desejos,
Meus sonhos mais doirados,
Florindo com meus beijos
Os campos semeados.

Bendita é a colheita,
Deus confiou em n√≥s…

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O inimigo é sempre inventado, construído. Precisamos dele para definir a nossa identidade.

O que julgamos, o que dizemos, o que fazemos, estabelece a nossa identidade. Cria a nossa essência. Define-nos. Esse é um dos nossos maiores talentos: a liberdade de nos escolhermos.

√Āfrica vive numa situa√ß√£o quase √ļnica: as gera√ß√Ķes vivas s√£o contempor√Ęneas da constru√ß√£o dos alicerces das na√ß√Ķes. O que √© o mesmo que dizer os alicerces das suas pr√≥prias identidades. √Č como se tudo se passasse no presente, como se todas as na√ß√Ķes se entrecruzassem no mesmo texto. Cada na√ß√£o √© assunto de todos, uma inadi√°vel urg√™ncia a que ningu√©m se pode alhear. Todos s√£o c√ļmplices dessa inf√Ęncia, todos deixam marcas num retrato que est√° em gesta√ß√£o.