Cita√ß√Ķes sobre Exemplos

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Frases sobre exemplos, poemas sobre exemplos e outras cita√ß√Ķes sobre exemplos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Lembra-te de que as coisas mais belas do mundo s√£o tamb√©m as mais in√ļteis: os pav√Ķes e os l√≠rios, por exemplo.

O Desejo de Discutir

Se as discuss√Ķes pol√≠ticas se tornam facilmente in√ļteis, √© porque quando se fala de um pa√≠s se pensa tanto no seu governo como na sua popula√ß√£o, tanto no Estado como na no√ß√£o de Estado enquanto tal. Pois o Estado como no√ß√£o √© uma coisa diferente da popula√ß√£o que o comp√Ķe, igualmente diferente do governo que o dirige. √Č qualquer coisa a meio caminho entre o f√≠sico e o metaf√≠sico, entre a realidade e a ideia.
√ą a esse g√©nero de estirilidade que est√£o geralmente condenadas, tal como acontece com as discuss√Ķes pol√≠ticas, as que incidem sobre a religi√£o, pois a religi√£o pode ser sin√≥nima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posi√ß√Ķes pessoais do indiv√≠duo sobre quest√Ķes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arb√≠trio e da responsabilidade ou, como se diz tamb√©m: Deus.
E o mesmo acontece com as discuss√Ķes que t√™m a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a √©tica e os temas filos√≥ficos, mas tamb√©m com campos de an√°lise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as no√ß√Ķes s√£o tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

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A Inconst√Ęncia no Amor e na Amizade

N√£o pretendo justificar aqui a inconst√Ęncia em geral, e menos ainda a que vem s√≥ da ligeireza; mas n√£o √© justo imputar-lhe todas as transforma√ß√Ķes do amor. H√° um encanto e uma vivacidade iniciais no amor que passa insensivelmente, como os frutos; n√£o √© culpa de ningu√©m, √© culpa exclusiva do tempo. No in√≠cio, a figura √© agrad√°vel, os sentimentos relacionam-se, procuramos a do√ßura e o prazer, queremos agradar porque nos agradam, e tentamos demonstrar que sabemos atribuir um valor infinito √†quilo que amamos; mas, com o passar do tempo, deixamos de sentir o que pens√°vamos sentir ainda, o fogo desaparece, o prazer da novidade apaga-se, a beleza, que desempenha um papel t√£o importante no amor, diminui ou deixa de provocar a mesma impress√£o; a designa√ß√£o de amor permanece, mas j√° n√£o se trata das mesmas pessoas nem dos mesmos sentimentos; mant√™m-se os compromissos por honra, por h√°bito e por n√£o termos a certeza da nossa pr√≥pria mudan√ßa.
Que pessoas teriam começado a amar-se, se se vissem como se vêem passados uns anos? E que pessoas se poderiam separar se voltassem a ver-se como se viram a primeira vez? O orgulho, que é quase sempre senhor dos nossos gostos,

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Há pessoas que têm os defeitos das suas qualidades, mas outras têm as qualidades dos seus defeitos. Muita mulher honesta deverá, por exemplo, a virtude à sua falta de encantos; muita gente honesta deverá a lisura à falta de inteligência.

A Satisfação do Trabalho

Para não sofrer, trabalha. Sempre que puderes diminuir o teu tédio ou o teu sofrimento pelo trabalho, trabalha sem pensar. Parece simples à primeira vista. Eis um exemplo trivial: saí de casa e sinto que as roupas me incomodam, mas com a preguiça de voltar atrás e mudar de roupa continuo a caminhar. Existem contudo muitos outros exemplos. Se se aplicasse esta determinação tanto às coisas banais da existência como às coisas importantes, comunicar-se-ia à alma um fundo e um equilíbrio que constituem o estado mais propício para repelir o tédio.
Sentir que fazemos o que devemos fazer aumenta a considera√ß√£o que temos por n√≥s pr√≥prios; desfrutamos, √† falta de outros motivos de contentamento, do primeiro dos prazeres – o de estar contente consigo mesmo… √Č enorme a satisfa√ß√£o de um homem que trabalhou e que aproveitou convenientemente o seu dia. Quando me encontro nesse estado, gozo depois, deliciadamente, com o repouso e os mais pequenos lazeres. Posso mesmo encontrar-me no meio das pessoas mais aborrecidas, sem o menor desagrado; a recorda√ß√£o do trabalho feito n√£o me abandona e preserva-me do aborrecimento e da tristeza.

Conselho De Amigo

Cigarra! Levo a ouvir-te o dia inteiro,
Gosto da tua frívola cantiga,
Mas vou dar-te um conselho, rapariga:
Trata de abastecer o teu celeiro.

Trabalha, segue o exemplo da formiga,
Aí vem o inverno, as chuvas, o nevoeiro,
E tu, n√£o tendo um pouso hospitaleiro,
Pedir√°s… e √© bem triste ser mendiga!

E ela, ouvindo os conselhos que eu lhe dava
(Quem d√° conselhos sempre se consome…)
Continuava cantando… continuava…

Parece que no canto ela dizia:
– Se eu deixar de cantar morro de fome…
Que a cantiga é o meu pão de cada dia.

Os combates codificados entre vertebrados são um belo exemplo de comportamento análogo à moral humana. Toda a organização desses combates parece ter por finalidade a função mais importante da luta entre rivais, ou seja, estabelecer quem é o mais forte sem prejudicar demasiadamente o mais fraco.

A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

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A Coragem no Gesto de Viver

O solit√°rio gesto de viver
n√£o demanda a coragem que h√° na faca,
na ponta do punhal e até no grito
de quem fala mais alto e est√° coberto
de raz√Ķes, de certezas, de verdades.
O gesto de viver se oculta em dobras
tão íntimas do ser, que o desfazê-las
é mais que indelicado, é violência
que nem sequer se pode conceber.
O gesto de viver é só coragem,
mas, de tal forma próprio e incomparável,
que não se exprime em verbo, imagem, mímica
ou qualquer outra forma conhecida
de contar, definir ou explicar.
A coragem no gesto de viver
est√° em coisas simples, por exemplo,
na di√°ria decis√£o de levantar.
E mais, em se vestir e trabalhar
por entre espadas, punhos e navalhas,
peito aberto, sem armas, passo firme,
e à noite, ainda intacto, regressar.

Ter Objetivos

Qualquer dia que comece sem um objetivo, est√°, √† partida, condenado ao ¬ęera melhor n√£o ter sa√≠do da cama¬Ľ; como tal, torna–se fundamental saberes o que queres, o que tens e o que podes fazer sempre que o Sol nasce. Um simples objetivo √©, na realidade, suficiente para te motivar a viver todo o dia que tens pela frente, pois aniquila todo e qualquer sentimento de inutilidade, ansiedade e frustra√ß√£o que possas estar a viver. T√£o simples e ao mesmo tempo t√£o complicado. T√£o complicado porque sei, por experi√™ncia pr√≥pria e pelo que oi√ßo nas minhas sess√Ķes e palestras, que nem sempre √© f√°cil ter um objetivo di√°rio. Ou melhor, muitas das vezes, at√© o temos, mas como estamos desprovidos de estrat√©gia, a a√ß√£o nunca ocorre.
Mas vamos por partes, um objetivo é algo nato, pois ainda que de uma forma inconsciente o objetivo de cada bebé, por exemplo, é tornar-se autónomo, gatinhando primeiro, agarrando-se às coisas depois até, finalmente, começar a andar. Esta sensação de querermos sempre mais ou melhor é algo que nasce connosco e que apenas deixa de fazer sentido quando o estado emocional da pessoa é tão depressivo que se opta por desistir. Ter objetivos é como ter fome e comer,

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A Memória

Quanto mais algo é inteligível, mais facilmente se retém, e, ao contrário, quanto menos, mais facilmente o esquecemos. Por exemplo, se eu transmitir a alguém uma porção de palavras soltas, muito mais dificilmente as reterá do que se apresentar as mesmas palavras em forma de narração. Reforçada também sem auxílio do intelecto, a saber, pela força mediante a qual a imaginação ou o sentido a que chamam comum é afectado por alguma coisa singular corpórea. Digo singular, pois a imaginação só é afectada por coisas singulares. Com efeito, se alguém ler, por exemplo, só uma novela de amor, retê-la-á muito bem enquanto não ler muitas outras desse género, porque então vigora sozinha na imaginação; mas, se são mais do género, imaginam-se todas juntas e facilmente são confundidas.
Digo também corpórea, pois a imaginação só é afectada por corpos. Como, portanto, a memória é fortalecida pelo intelecto e também sem ele, conclui-se que é algo diverso do intelecto e que não há nenhuma memória nem esquecimento a respeito do intelecto visto em si.
O que ser√°, pois, a mem√≥ria? Nada mais do que a sensa√ß√£o das impress√Ķes do c√©rebro junto com o pensamento de uma determinada dura√ß√£o da sensa√ß√£o;

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A história é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro.

Trazer a Paix√£o de Volta

Se te encontras numa rela√ß√£o, e parto do princ√≠pio que se l√° est√°s √© porque ainda a queres, a √ļnica via para trazeres a paix√£o de volta ao seio do vosso quotidiano passa por romp√™-lo. Sim, acabar com os h√°bitos, com as rotinas doentias e enfadonhas e com tudo aquilo que est√°, deem conta ou n√£o, a acabar convosco e a consumir-vos lentamente. Daqui a pouco, se √© que j√° n√£o se encontram nesse estado, j√° nem podem olhar um para o outro, ouvir-se, cheirar-se e muito menos tocar-se e, por incr√≠vel que pare√ßa, nada disto significa que o amor tenha desaparecido. O que se escafedeu foi mesmo a paix√£o, a ponte que passa por cima de todas as diferen√ßas, conflitos e afins. Uma noite de sexo ou uma conchinha ao dormir, por exemplo, conseguem salvar a turbul√™ncia de uma semana inteira. √Č a magia dos sentidos.

Portanto, e retomando a nossa conversa, se queres despertar novamente o fogo entre ti e a pessoa com quem estás, não esperes mais pelo trágico e anunciado fim nem por uma eventual iniciativa que o outro possa tomar, agarra tu nas rédeas da tua vida e convida a pessoa para um jantar ou um outro programa qualquer num lugar diferente,

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Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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A Imaginação é a Base do Homem

De tal modo a imagina√ß√£o √© a base do homem ‚ÄĒ Joana de novo ‚ÄĒ que todo o mundo que ele tem constru√≠do encontra sua justificativa na beleza da cria√ß√£o e n√£o na sua utilidade, n√£o em ser o resultado de um plano de fins adequados √†s necessidades. Por isso √© que vemos multiplicarem-se os rem√©dios destinados a unir o homem √†s ideias e institui√ß√Ķes existentes ‚ÄĒ a educa√ß√£o, por exemplo, t√£o dif√≠cil ‚ÄĒ e vemo-lo continuar sempre fora do mundo que ele construiu. O homem levanta casas para olhar e n√£o para nelas morar. Porque tudo segue o caminho da inspira√ß√£o. O determinismo n√£o √© um determinismo de fins, mas um estreito determinismo de causas. Brincar, inventar, seguir a formiga at√© seu formigueiro, misturar √°gua com cal para ver o resultado, eis o que se faz quando se √© pequeno e quando se √© grande. √Č erro considerar que chegamos a um alto grau de pragmatismo e materialismo. Na verdade o pragmatismo ‚ÄĒ o plano orientado para um dado fim real ‚ÄĒ seria a compreens√£o, a estabilidade, a felicidade, a maior vit√≥ria de adapta√ß√£o que o homem conseguisse. No entanto fazer as coisas ¬ępara qu√™¬Ľ parece-me, perante a realidade,

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A Minha Religião é o Novo

A minha Religião é o Novo.
Este dia, por exemplo; o p√īr do Sol,
estas inven√ß√Ķes habituais: o Mar.
Ainda:
os cisnes a Ralhar com a √°gua. A Rapariga mais bonita que
ontem.
Deus como habitante √ļnico.
Todos somos estrangeiros a esta Regi√£o, cujo √ļnico habitante
verdadeiro é Deus (este bem podia ser o Rótulo do nosso
Frasco).
Dele também se podia dizer, como homenagem:
Hóspede discreto.
Ou mais pomposamente:
O Enorme Hóspede discreto.
Ou dizer ainda, para demorar Deus mais tempo nos l√°bios ou
neste caso no papel, na escrita, dizer ainda, no seu epit√°fio que
nunca chega, que nunca ser√° √ļtil, dizer dele:
em todo o lado é hóspede,
e em todo o lado é Discreto.

Eu Nunca Guardei Rebanhos

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela m√£o das Esta√ß√Ķes
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um p√īr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando j√° pensa que existe
E as m√£os colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos s√£o contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o n√£o soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

N√£o tenho ambi√ß√Ķes nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
√Č a minha maneira de estar sozinho.

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