Passagens sobre Lógica

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Frases sobre l√≥gica, poemas sobre l√≥gica e outras passagens sobre l√≥gica para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Meus Livros

Os meus livros (que n√£o sabem que existo)
S√£o uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em v√£o vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha m√£o c√īncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estar√£o nessas folhas
Que n√£o sabem quem sou, n√£o nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-√£o para sempre.

A Melhor Maneira de Viajar é Sentir

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas s√£o, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a f√ļria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que s√£o as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como v√°rias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais an√°logo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d’Ele h√° s√≥ Ele, e Tudo para Ele √© pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

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A Ilus√£o Pol√≠tica das Grandes Manifesta√ß√Ķes Populares

Nisto de manifesta√ß√Ķes populares, o mais dif√≠cil √© interpret√°-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada √© como se d√°. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. √Č costume dizer-se que contra factos n√£o h√° argumentos. Ora s√≥ contra factos √© que h√° argumentos. Os argumentos s√£o, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A l√≥gica √© o nosso crit√©rio de verdade, e √© nos argumentos, e n√£o nos factos, que pode haver l√≥gica.
Nisto de manifesta√ß√Ķes ‚ÄĒ ia eu dizendo ‚ÄĒ o dif√≠cil √© interpret√°-las. Porque, por exemplo, uma manifesta√ß√£o conservadora √© sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifesta√ß√Ķes liberais sucede o contr√°rio. A raz√£o √© simples. O temperamento conservador √© naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifesta√ß√£o conservadora vai s√≥ um reduzido n√ļmero da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio ps√≠quico dos liberais √©, ao contr√°rio, expansivo e associador; as manifesta√ß√Ķes dos “avan√ßados” englobam, por isso, os pr√≥prios indiferentes de sa√ļde,

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O Amor pede Identidade com Diferença

O amor pede identidade com diferen√ßa, o que √© imposs√≠vel j√° na l√≥gica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e n√£o √©. Amar √© entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega tamb√©m a consci√™ncia do outro. O amor maior √© por isso a morte, ou o esquecimento, ou a ren√ļncia – os amores todos que s√£o os absurdiandos do amor.
(…) O amor quer a posse, mas n√£o sabe o que √© a posse. Se eu n√£o sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se n√£o possuo o meu pr√≥prio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou j√° diferente daquele de quem sou id√™ntico, como serei id√™ntico daquele de quem sou diferente? O amor √© um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que s√≥ √© sonhada como devendo ser realizada.

A escrita não é uma técnica e não se constrói um poema ou um conto como se faz uma operação aritmética. A escrita exige sempre a poesia. E a poesia é um outro modo de pensar que está para além da lógica que a escola e o mundo moderno nos ensinam.

Creio tamb√©m que, nisto como em tudo, as frases nos enganam, porque a linguagem nos imp√Ķe mais l√≥gica do que tem muitas vezes a vida; e que o que h√° de mais precioso em n√≥s √© o que permanece informulado.

Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos justificam, a si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a segura certeza da lucidez da minha lucidez.

Historiador Objectivo

A resolu√ß√£o de ignorar o sentido que os pr√≥prios homens forneceram √† sua ac√ß√£o e de reservar ao encadeamento dos factos toda a efic√°cia hist√≥rica – em suma, a idolatria da objectividade – encerra, segundo uma observa√ß√£o profunda de Trotsky, o ju√≠zo mais audacioso quando se trata de uma revolu√ß√£o, j√° que ela imp√Ķe √† priori ao homem de ac√ß√£o, que acredita numa l√≥gica da hist√≥ria e numa verdade do que faz, as categorias de historiador ¬ęobjecitvo¬Ľ, que nisso n√£o acredita.

A Escrita Exige Sempre a Poesia

Sou escritor e cientista. Vejo as duas actividades, a escrita e a ci√™ncia, como sendo vizinhas e complementares. A ci√™ncia vive da inquieta√ß√£o, do desejo de conhecer para al√©m dos limites. A escrita √© uma falsa quietude, a capacidade de sentir sem limites. Ambas resultam da recusa das fronteiras, ambas s√£o um passo sonhado para l√° do horizonte. A Biologia para mim n√£o √© apenas uma disciplina cient√≠fica mas uma hist√≥ria de encantar, a hist√≥ria da mais antiga epopeia que √© a Vida. √Č isso que eu pe√ßo √† ci√™ncia: que me fa√ßa apaixonar. √Č o mesmo que eu pe√ßo √† literatura.

Muitas vezes jovens me perguntam como se redige uma peça literária. A pergunta não deixa de ter sentido. Mas o que deveria ser questionado era como se mantém uma relação com o mundo que passe pela escrita literária. Como se sente para que os outros se representem em nós por via de uma história? Na verdade, a escrita não é uma técnica e não se constrói um poema ou um conto como se faz uma operação aritmética. A escrita exige sempre a poesia. E a poesia é um outro modo de pensar que está para além da lógica que a escola e o mundo moderno nos ensinam.

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O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

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A Armadilha da Identidade

A mais perigosa armadilha é aquela que possui a aparência de uma ferramenta de emancipação. Uma dessas ciladas é a ideia de que nós, seres humanos, possuímos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou criança, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condição inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa existência resultaria, assim, apenas de uma leitura de um código de bases e nucleótidos.

Esta biologização da identidade é uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente.

A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela n√£o nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se n√£o nos deixarmos dissolver por outras identidades e n√£o reacordarmos em outros corpos,

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A l√≥gica mais rigorosa n√£o passa de um invent√°rio das liga√ß√Ķes que fazem uma maneira de dizer depender de uma outra.

A descoberta não é afectada pelo raciocínio lógico, apesar de o produto final estar associado a uma forma lógica.

L√≥gica: a arte de pensar e raciocinar em estrita conformidade com as limita√ß√Ķes e incapacidades da incompreens√£o humana.

√Č sempre simples doar uma parte dos lucros, sem abra√ßar nem tocar as pessoas que recebem essas ¬ęmigalhas¬Ľ. Pelo contr√°rio, at√© bastam cinco p√£es e dois peixes para tirar a fome a multid√Ķes se forem a partilha de toda a nossa vida. Na l√≥gica do Evangelho, se n√£o d√° tudo, n√£o se d√° nunca o suficiente.