Passagens sobre História

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Frases sobre hist√≥ria, poemas sobre hist√≥ria e outras passagens sobre hist√≥ria para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nada é Certo

Ningu√©m avan√ßa pela vida em linha recta. Muitas vezes, n√£o paramos nas esta√ß√Ķes indicadas no hor√°rio. Por vezes, sa√≠mos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como p√≥. As viagens mais incr√≠veis fazem-se √†s vezes sem se sair do mesmo lugar. No espa√ßo de alguns minutos, certos indiv√≠duos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem n√ļmero de vidas no decurso da sua estadia c√° em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelut√°velmente para tr√°s, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem √© para sempre insond√°vel. √Č absolutamente imposs√≠vel que algu√©m conte a hist√≥ria toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.

Desconfio dos discursos morais dos políticos, da religião. Se estudássemos as grandes frases morais de pessoas com poder, ao longo da História, veríamos que são muitas vezes prefácios a grandes tragédias.

Poema de Amor

Se te pedirem, amor, se te pedirem
que contes a velha história
da nau que partiu
e se perdeu,
n√£o contes, amor, n√£o contes
que o mar és tu
e a nau sou eu.

E se pedirem, amor, e se pedirem
que contes a velha f√°bula
do lobo que matou o cordeiro
e lhe roeu as entranhas,
n√£o contes, amor, n√£o contes
que o lobo é a minha carne
e o cordeiro a minha estrela
que sempre tu conheceste
e te guiou ‚ÄĒ mal ou bem.

Depois, sabes, estou enjoado
desta farsa.
Histórias, fábulas, amores
tudo me corre os ouvidos
a fugir.

Sou o guerreiro sem forças
para erguer a sua espada,
sou o piloto do barco
que a tempestade afundou.

N√£o contes, amor, n√£o contes
que eu tenho a alma sem luz.

…Quero-me s√≥, a sofrer e arrastar
a minha cruz.

Aprender hist√≥ria quer dizer procurar e encontrar as for√ßas que conduzem √†s causas das a√ß√Ķes do que vemos como acontecimentos hist√≥ricos.

Alguém disse que um ficcionista a partir de dado momento só devia ler biografias, e eu concordo. As histórias estão todas inventadas, as vidas estão todas inventadas, e uma biografia é tão inventada como um livro de memórias ou uma autobiografia.

√ą preciso confiar no povo portugu√™s. Eu confio no povo portugu√™s e no g√©nio do povo portugu√™s. E um povo que tem a hist√≥ria que tem Portugal e fez aquilo que fez, incluindo a revolu√ß√£o de sucesso que foi a revolu√ß√£o do 25 de Abril, que realizou todos os seus objectivos, um Pa√≠s que consegue ter a melhores rela√ß√Ķes com √Āfrica e com as antigas col√≥nias portuguesas como n√£o t√™m nem os franceses nem os ingleses.

Nada √© mais relaxante do que ser apenas um ser humano consciente das suas imperfei√ß√Ķes e limites. Nada √© t√£o stressante como querer ser o que n√£o somos. Quem n√£o tem contacto consigo pr√≥prio n√£o consegue reescrever a sua hist√≥ria. N√£o represente, seja voc√™ mesmo. A sua sa√ļde ps√≠quica agradece.

Essa história de confusão mental é típica dos reacionários, que acham necessário ter ideias claras sobre tudo, interpretar tudo de modo racional, sem precisar duvidar de nada.

Um Bom Pai

Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa. Costumo brincar e dizer que os melhores filhos para serem educados são os dos outros e não os nossos. E fácil educar os filhos dos outros, pois não temos vínculos nem dificuldades com eles. Sem vínculo, o amor não cresce, mas onde há vínculos há sempre problemas e atritos. Não acredite em manuais mágicos de educação. Acredite na sua sensibilidade.

A melhor educa√ß√£o que os pais podem dar aos seus filhos √© dividir a sua hist√≥ria com eles. O melhor treino da emo√ß√£o √© falar das suas frustra√ß√Ķes, dos seus momentos de hesita√ß√£o, das suas conquistas, dos seus sonhos, dos seus erros. Nunca houve tantos div√≥rcios, mas o ser humano n√£o deixa de se unir. Porqu√™? Porque viver em fam√≠lia √© uma das experi√™ncias mais prazerosas da exist√™ncia.

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A História é Sempre Fabricada

A história não está ligada ao homem, nem a qualquer objecto em particular. Consiste inteiramente no seu método; a experiência comprova que ele é indispensável para inventariar a integralidade dos elementos de uma estrutura qualquer, humana ou não humana. Longe portanto de a pesquisa da inteligibilidade resultar na história como o seu ponto de chegada, é a história que serve de ponto de partida para toda a busca de inteligibilidade. Assim como se diz de certas carreiras, a história leva a tudo, mas contanto que se saia dela.

Por mais estranho que isso possa parecer, as pessoas raramente mostram tanto entusiasmo como quando eles est√£o √† procura da prova de uma hist√≥ria fantasma – a alma re√ļne todo o tipo de coisas para o seu seio esfomeado.

Homero não inventou nada. Toda a história da literatura é uma espécie de passagem de testemunho, como nos Jogos Olímpicos, quando a tocha passa de mão em mão.

Por um Mundo Escutador

N√£o existe alternativa: a globaliza√ß√£o come√ßou com o primeiro homem. O primeiro homem (se √© que alguma vez existiu ¬ęum primeiro¬Ľ homem) era j√° a humanidade inteira. Essa humanidade produziu infinitas respostas adaptativas. O que podemos fazer, nos dias de hoje, √© responder √† globaliza√ß√£o desumanizante com uma outra globaliza√ß√£o, feita √† nossa maneira e com os nossos prop√≥sitos. N√£o tanto para contrapor. Mas para criar um mundo plural em que todos possam mundializar e ser mundializados. Sem hegemonia, sem domina√ß√£o. Um mundo que escuta as vozes diversas, em que todos s√£o, em simult√Ęneo, centro e periferia.

S√≥ h√° um caminho. Que n√£o √© o da imposi√ß√£o. Mas o da sedu√ß√£o. Os outros necessitam conhecer-nos. Porque at√© aqui ¬ęeles¬Ľ conhecem uma miragem. O nosso retrato – o retrato feito pelos ¬ęoutros¬Ľ – foi produzido pela sedimenta√ß√£o de estere√≥tipos. Pior do que a ignor√Ęncia √© essa presun√ß√£o de saber. O que se globalizou foi, antes de mais, essa ignor√Ęncia disfar√ßada de arrog√Ęncia. N√£o √© o rosto mas a m√°scara que se veicula como retrato.
A questão é, portanto, a de um outro conhecimento. Se os outros nos conhecerem, se escutarem a nossa voz e, sobretudo, se encontrarem nessa descoberta um motivo de prazer,

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Todas as pessoas t√™m coisas importantes para contar. Se criarmos um ambiente de confian√ßa, calmo, √≠ntimo, surgem grandes hist√≥rias. Pessoas sem import√Ęncia t√™m grandes hist√≥rias. Mas se fa√ßo uma pergunta banal, obtenho uma resposta banal. As pessoas t√™m uma grande necessidade de falar de coisas s√©rias. Mas acontece que n√£o lhes d√£o oportunidade. Ningu√©m as quer ouvir. Vivemos num mundo de banalidade. O trabalho do escritor √© resgatar as pessoas dessa banalidade.

Se Portugal teve valor na história do mundo, não foi no esforço da uniformização, igual a tantos outros. Não foi na imposição de uma língua, de uma religião, de uma raça. A glória do império português não foi o facto de ter sido português contra as nacionalidades que subjugou. Foi ter sido capaz de ser português sem deixar de ser outras coisas. No máximo, foi ter sido português por ter sido tudo menos português. Ou quase tudo.

A √önica Coisa Duradoura Que Podes Criar

A mam√£ costumava dizer-lhe que tinha muita pena. As pessoas tinham andado a trabalhar durante tantos anos para fazer do mundo um s√≠tio organizado e seguro. Ningu√©m percebera como ele se iria tornar aborrecido. Com todo o mundo dividido em propriedades, com os limites de velocidade e as divis√Ķes por zonas, com tudo regulado e tributado, com todas as pessoas analisadas e recenseadas e rotuladas e registadas. Ningu√©m tinha deixado muito espa√ßo para a aventura, exceptuando, talvez, a do g√©nero que se pode comprar. Numa montanha-russa. Num cinema. No entanto, isso seria sempre uma excita√ß√£o falsa. Sabes que os dinossauros n√£o v√£o comer os m√≠udos. Os referendos recusaram com os seus votos qualquer hip√≥tese de um desastre falso ainda maior. E porque n√£o existe a possibilidade de um desastre verdadeiro, ficamos sem nenhuma hip√≥tese de termos uma salva√ß√£o verdadeira. Entusiasmo verdadeiro. Excita√ß√£o a s√©rio. Alegria. Descoberta. Inven√ß√£o.
As leis que nos dão segurança, estas mesmas leis condenam-nos ao aborrecimento. Sem acesso ao verdadeiro caos, nunca teremos paz verdadeira.

A n√£o ser que tudo possa ficar pior, nunca poder√° ficar melhor.
Isto eram tudo coisas que a mam√£ lhe costumava dizer.
E dizia-lhe mais:

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Forças Constantes e Imutáveis Através da História

O uso da hist√≥ria n√£o traz surpresas. Ele (o historiador) j√° viu tudo. Sabe que for√ßas constantes e imut√°veis ir√£o resistir √† verdade e ao prop√≥sito superior. Qual a fraqueza, divis√£o, excesso que ir√° prejudicar a causa superior. A espl√™ndida plausibilidade do erro, o inebriante poder de atrac√ß√£o do pecado. E por for√ßa de que adapta√ß√£o a motiva√ß√Ķes inferiores as boas causas s√£o bem sucedidas […] A hist√≥ria n√£o √© uma teia tecida por m√£os inocentes. Entre todas as causas que degradam e desmoralizam os homens, o poder √© o mais constante e activo.

Intragável é Estar Parado

Intragável é estar parado. Não mudar. Aguentar. Sobreviver. Permanecer. Mesmo que seja pouco, mesmo que seja insuficiente. Manter tudo como está apenas para não correr o risco de ficar pior. Intragável é não perdoar, não ilibar. E só criticar, só apontar, só atacar. E não criar, não refazer, não imaginar. Intragável é não acreditar. Intragável é o que não é maravilhoso, o que não é delicioso, o que não é fantástico, monumental, abençoado, miraculoso, espantoso. Intragável é acordar para o dia a recusar o dia, a não querer o dia, a não apetecer o dia, a não pensar nas mil e uma maneiras de o tornar inesquecível. Deixar estar. Não mexer, não querer a ferida se for através da ferida que se chega à cura. Ser cauteloso, prevenido. Intragável é o que não é exagerado, o que não é desproporcionado, o que não parece incomportável. Se não parece incomportável, é insuportável. Não quero. Não admito. Não me admito. Intragável é repetir. Hoje como réplica exacta de ontem e como réplica exacta de amanhã. As mesmas coisas, as mesmas palavras, os mesmos actos, os mesmos movimentos. Sempre igual. Sempre o mesmo. Intragável é continuar por continuar, andar por andar, viver por viver.

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A Lusit√Ęnia

A terra mais ocidental de todas √© a Lusit√Ęnia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura porque vivem ali menos, ou morrem mais os homens? N√£o; sen√£o porque ali v√£o morrer, ali acabam, ali se sepultam e se escondem todas as luzes do firmamento. Sai no Oriente o Sol com o dia coroado de raios, como Rei e fonte da Luz: sai a Lua e as Estrelas com a noite, como tochas acesas e cintilantes contra a escuridade das trevas, sobem por sua ordem ao Z√©nite, d√£o volta ao globo do mundo resplandecendo sempre e alumiando terras e mares; mas em chegando aos Horizontes da Lusit√Ęnia, ali se afogam os raios, ali se sepultam os resplendores, ali desaparece e perece toda aquela pompa de luzes.
E se isto sucede aos lumes celestes e imortais; que nos lastimamos, Senhores, de ler os mesmos exemplos nas nossas Histórias? Que foi um Afonso de Albuquerque no Oriente? Que foi um Duarte Pacheco? Que foi um D. João de Castro? Que foi um Nuno da Cunha, e tantos outros Heróis famosos, senão uns Astros e Planetas lucidíssimos, que assim como alumiaram com estupendo resplendor aquele glorioso século, assim escurecerão todos os passados?

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