Passagens sobre Seios

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Frases sobre seios, poemas sobre seios e outras passagens sobre seios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Cidade Bela

Quanto é bela Ulisseia! E quanto é grata
Dos sete montes seus ao longe a vista!
Das altas torres, pórticos soberbos
Quanto é grande, magnífico o prospecto!
Humilde e bonançoso o flavo Tejo,
Sobre areias auríferas correndo,
As praias lhe enriquece, as plantas beija.
Qu√£o denso bosque de cavalos pinhos
Sobre a esp√°dua sustenta! Do Oriente
Rubins acesos, fugidas safiras,
E da opulenta América os tesouros,
Cortando os mares líquidos, trouxeram.
Nela é mais puro o ar; e o Céu se esmalta
De mais sereno azul. O Sol brilhante,
Correndo o vasto Céu, se apraz de vê-la.
E quase se suspende, e, meigo, envia
Sobre ela o raio extremo, quando acaba
A l√ļcida carreira, a frente de ouro
No seio esconde das cer√ļleas ondas.

Consulta

Chamei em volta do meu frio leito
As memórias melhores de outra idade,
Formas vagas, que às noites, com piedade,
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito…

E disse-lhes: No mundo imenso e estreito
Valia a pena, acaso, em ansiedade
Ter nascido? Dizei-mo com verdade,
Pobres memórias que eu ao seio estreito.

Mas elas perturbaram-se – coitadas!
E empalideceram, contristadas,
Ainda a mais feliz, a mais serena…

E cada uma delas, lentamente,
Com um sorriso mórbido, pungente,
Me respondeu: – N√£o, n√£o valia a pena!

A Esperança da Humanidade

A vida política, porém, veio como um trovão desviar-me dos meus trabalhos. Regressei uma vez mais à multidão.
A multidão humana foi a maior lição da minha vida. Posso chegar a ela com a inerente timidez do poeta, com o receio do tímido; mas, uma vez no seu seio, sinto-me transfigurado. Sou parte da essencial maioria, sou mais uma folha da grande árvore humana.

Solid√£o e multid√£o continuar√£o a ser deveres elementares do poeta do nosso tempo. Na solid√£o, a minha vida enriqueceu-se com a batalha da ondula√ß√£o no litoral chileno. Intrigaram-me e apaixonaram-me as √°guas combatentes e os penhascos combatidos, a multiplica√ß√£o da vida oce√Ęnica, a impec√°vel forma√ß√£o dos ¬ęp√°ssaros errantes¬Ľ, o esplendor da espuma mar√≠tima.

Mas aprendi muito mais com a grande maré das vidas, com a ternura vista em milhares de olhos que me viam ao mesmo tempo. Pode esta mensagem não ser possível a todos os poetas, mas quem a tenha sentido guardá-la-á no coração, desenvolvendo-a na sua obra.
√Č memor√°vel e desvanecedor para o poeta ter encarnado para muitos homens, durante um minuto, a esperan√ßa.

N√£o sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, e depois de outra flor. Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma √ļnica rosa e vive nela at√© que ela feche as p√©talas sobre ele; e abafado neste aperto supremo, morre entre os bra√ßos da flor que elegeu.

A verdadeira religi√£o do mundo vem das mulheres muito mais que dos homens, das m√£es acima de tudo, que carregam a chave de nossas almas em seus seios.

Talento não é Sabedoria

Deixa-me dizer-te francamente o ju√≠zo que eu formo do homem transcendente em g√©nio, em estro, em fogo, em originalidade, finalmente em tudo isso que se inveja, que se ama, e que se detesta, muitas vezes. O homem de talento √© sempre um mau homem. Alguns conhe√ßo eu que o mundo proclama virtuosos e s√°bios. Deix√°-los proclamar. O talento n√£o √© sabedoria. Sabedoria √© o trabalho incessante do esp√≠rito sobra a ci√™ncia. O talento √© a vibra√ß√£o convulsiva de esp√≠rito, a originalidade inventiva e rebelde √† autoridade, a viagem ext√°tica pelas regi√Ķes inc√≥gnitas da ideia. Agostinho, F√©nelon, Madame de Sta√ęl e Bentham s√£o sabedorias. Lutero, Ninon de Lenclos, Voltaire e Byron s√£o talentos.
Compara as vicissitudes dessas duas mulheres e os servi√ßos prestados √† humanidade por esses homens, e ter√°s encontrado o antagonismo social em que lutam o talento com a sabedoria. Porque √© mau o homem de talento ? Essa bela flor porque tem no seio um espinho envenenado ? Essa espl√™ndida ta√ßa de brilhantes e ouro porque √© que cont√©m o fel, que abrasa os l√°bios de quem a toca ? Aqui tens um tema para trabalhos superiores √† cabe√ßa de uma mulher, ainda mesmo refor√ßada por duas d√ļzias de cabe√ßas acad√©micas !

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N√£o √Čs Tu

Era assim, tinha esse olhar,
A mesma graça, o mesmo ar,
Corava da mesma cor,
Aquela vis√£o que eu vi
Quando eu sonhava de amor,
Quando em sonhos me perdi.

Toda assim; o porte altivo,
O semblante pensativo,
E uma suave tristeza
Que por toda ela descia
Como um véu que lhe envolvia,
Que lhe adoçava a beleza.

Era assim; o seu falar,
Ingénuo e quase vulgar,
Tinha o poder da raz√£o
Que penetra, n√£o seduz;
N√£o era fogo, era luz
Que mandava ao coração.

Nos olhos tinha esse lume,
No seio o mesmo perfume ,
Um cheiro a rosas celestes,
Rosas brancas, puras, finas,
Viçosas como boninas,
Singelas sem ser agrestes.

Mas n√£o √©s tu… ai!, n√£o √©s:
Toda a ilus√£o se desfez.
Não és aquela que eu vi,
Não és a mesma visão,
Que essa tinha coração,
Tinha, que eu bem lho senti.

XVIII

Dormes… Mas que sussurro a umedecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, √† t√ļnica estendida?

S√£o meus versos! Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De meu seio, e que v√£o, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!

Dormes, com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro… e ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro

Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem, teu h√°lito sorvendo
Por que surge t√£o cedo a luz do dia?!

O Somno de Jo√£o

O Jo√£o dorme… (√ď Maria,
Dize √°quella cotovia
Que falle mais devagar:
N√£o v√° o Jo√£o, acordar…)

Tem só um palmo de altura
E nem meio de largura:
Para o amigo orangotango
O Jo√£o seria… um morango!
Podia engulil-o um le√£o
Quando nasce! As pombas s√£o
Um poucochinho maiores…
Mas os astros s√£o menores!

O Jo√£o dorme… Que regalo!
Deixal-o dormir, deixal-o!
Callae-vos, agoas do moinho!
√ď mar! falla mais baixinho…
E tu, M√£e! e tu, Maria!
Pede √°quella cotovia
Que falle mais devagar:
N√£o v√° o Jo√£o, acordar…

O Jo√£o dorme… Innocente!
Dorme, dorme eternamente,
Teu calmo somno profundo!
N√£o acordes para o mundo,
Póde affogar-te a maré:
Tu mal sabes o que isto √©…

√ď Mae! canta-lhe a can√ß√£o,
Os versos do teu irm√£o:
¬ęNa Vida que a Dor povoa,
Ha só uma coisa boa,
Que √© dormir, dormir, dormir…
Tudo vae sem se sentir.¬Ľ

Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho… at√© morrer!

E tu vel-o-√°s crescendo
A teu lado (estou-o vendo
Jo√£o!

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A Minha Ausência de Ti

Foi tal e qual o inverno a minha ausência
de ti, prazer dum ano fugitivo:
dias nocturnos, gelos, inclemência;
que nudez de dezembro o frio vivo.

E esse tempo de exílio era o do verão;
era a excessiva gravidez do outono
com a vol√ļpia de maio em cada gr√£o:
um seio vi√ļvo, sem senhor nem dono.

Essa posteridade em seu esplendor
uma esperança de órfãos me parecia:
contigo ausente, o ver√£o teu servidor

emudeceu as aves todo o dia.
Ou tanto as deprimiu, que a folha arfava
e no temor do inverno desmaiava.

Tradução de Carlos de Oliveira

Lubricidade

Quisera ser a serpe venenosa
Que d√°-te medo e d√°-te pesadelos
Para envolverem, ó Flor maravilhosa,
Nos flavos turbilh√Ķes dos teus cabelos.

Quisera ser a serpe veludosa
Para, enroscada em m√ļltiplos novelos,
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
E babuj√°-los e depois mord√™-los…

Talvez que o sangue impuro e flamejante
Do teu l√Ęnguido corpo de bacante,
Da langue ondulação de águas do Reno

Estranhamente se purificasse…
Pois que um veneno de √°spide vorace
Deve ser morto com igual veneno…

M√£e e Filho

Primícias do meu amor!
Meu filhinho do meu seio
Tenro fruto que à luz veio
Como à luz da aurora a flor!

Na tua face inocente,
De teu pai a face beijo,
E em teus olhos, filho, vejo
Como Deus é providente;

Via em l√Ęmina dourada
O meu rosto todo o dia,
E a minha alma n√£o havia
De a ver nunca retratada?

Quando o pai me unia à face
E em seus braços me apertava,
Pomba ou anjo nos faltava
Que ambos juntos abraçasse!

Felizmente Deus que o centro
Vê da Terra e vê do abismo,
Que bem sabe no que eu cismo,
Na minha alma um altar viu dentro:

Mas com l√Ęmpada sem brilho,
Sem o deus a que era feito…
Bafeja-me um dia o peito,
E eis feito o meu gosto, filho!

Como em l√°grimas se espalma
Dor íntima e se esvaece
De alma o resto quem pudesse
Vazar todo na tua alma!

Mas em ti minha alma habita!
Mas teu riso a vida furta…

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Clareira

Quando depois do amor
ela est√° estendida
para o céu
e as pernas
reluzem

e a boca
tem o ar
de uma bicicleta junto
a uma macieira

e seu corpo
se move
e os seios
est√£o no tanque
dentro da sombra

tomo-a
mil vezes
e lhe sopro na boca
o ar
que esfriou na dist√Ęncia
que separa
a fruteira de cristal
dos l√°bios
que a moldaram

O Misantropo

A boca, às vezes, o louvor escapa
E o pranto aos olhos; mas louvor e pranto
Mentem: tapa o louvor a inveja, enquanto
O pranto a vesga hipocrisia tapa.

Do louvor, com que espanto, sob a capa
Vejo tanta dobrez, ludíbrio tanto!
E o pranto em olhos vejo, com que espanto,
Que escarnecem dos mais, rindo à socapa!

Porque, desde que esse ódio atroz me veio,
S√≥ trai√ß√Ķes vejo em cada olhar venusto?
Perfídias só em cada humano seio?

Acaso as almas poderei sem custo
Ver, perspícuo e melhor, só quando odeio?
E é preciso odiar para ser justo?!

O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de ang√ļstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, √© a desconfian√ßa. O povo, simples e bom, n√£o confia nos homens que hoje t√£o espectaculosamente est√£o meneando a p√ļrpura de ministros; os ministros n√£o confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores n√£o confiam nos seus mandat√°rios, porque lhes bradam em v√£o: ¬ęSede honrados¬Ľ, e v√™em-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposi√ß√£o n√£o confiam uns nos outros e v√£o para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de amea√ßa. Esta desconfian√ßa perp√©tua leva √† confus√£o e √† indiferen√ßa. O estado de expectativa e de demora cansa os esp√≠ritos. N√£o se pressentem solu√ß√Ķes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discuss√Ķes aparatosas e sonoras; o pa√≠s, vendo os mesmos homens pisarem o solo pol√≠tico, os mesmos amea√ßos de fisco, a mesma gradativa decad√™ncia. A pol√≠tica, sem actos, sem factos, sem resultados, √© est√©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discuss√Ķes, as an√°lises reflectidas, as lentas cogita√ß√Ķes, o povo n√£o tem garantias de melhoramento nem o pa√≠s esperan√ßas de salva√ß√£o.

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Saint-Just

Quando à tribuna ele se ergueu, rugindo,
– Ao forte impulso das paix√Ķes audazes
Ardente o lábio de terríveis frases
E a luz do gênio em seu olhar fulgindo,

A tirania estremeceu nas bases,
De um rei na fronte ressumou, pungindo,
Um suor de morte e um terror infindo
Gelou o seio aos cortes√£os sequazes –

Uma alma nova ergueu-se em cada peito,
Brotou em cada peito uma esperança,
De um sono acordou, firme, o Direito –

E a Europa – o mundo – mais que o mundo, a Fran√ßa –
Sentiu numa hora sob o verbo seu
As como√ß√Ķes que em s√©culos n√£o sofreu!

Sacrilégio

Como a alma pura, que teu corpo encerra,
Podes, t√£o bela e sensual, conter?
Pura demais para viver na terra,
Bela demais para no céu viver.

Amo-te assim! – exulta, meu desejo!
√Č teu grande ideal que te aparece,
Oferecendo loucamente o beijo,
E castamente murmurando a prece!

Amo-te assim, à fronte conservando
A parra e o acanto, sob o alvor do véu,
E para a terra os olhos abaixando,
E levantando os braços para o céu.

Ainda quando, abraçados, nos enleva
O amor em que me abraso e em que te abrasas,
Vejo o teu resplandor arder na treva
E ouço a palpitação das tuas asas.

Em v√£o sorrindo, pl√°cidos, brilhantes,
Os céus se estendem pelo teu olhar,
E, dentro dele, os serafins errantes
Passam nos raios claros do luar:

Em v√£o! – descerras √ļmidos, e cheios
De promessas, os l√°bios sensuais,
E, à flor do peito, empinam-se-te os seios,
Ameaçadores como dois punhais.

Como é cheirosa a tua carne ardente!
Toco-a, e sinto-a ofegar, ansiosa e louca.

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√Č nas almas simples que o amor √© mais puro e mais forte. O manancial de √°guas claras que na plan√≠cie vai matar sedes e reverdecer os campos, jorra do seio das duras pedras das montanhas em s√≠tios agrestes, longe e alto!

Homem para Deus

Ele vai só ele não tem ninguém
onde morrer um pouco toda a morte que o espera
Se é ele o portador do grande coração
e sabe abrir o seio como a terra
temei n√£o partam dele as grandes nega√ß√Ķes
Que h√° de comum entre ele e quem na juventude foi
que m√£o estendem eles um ao outro
por sobre tanta morte que nos dias veio?
E no seu coração que todo o homem ri e sofre
√© l√° que as esta√ß√Ķes recolhem findo o fogo
onde aquecer as mãos durante a tentação
é lá que no seu tempo tudo nasce ou morre
N√£o leva mais de seu que esse pequeno orgulho
de saber que decerto qualquer coisa acabar√°
quando partir um dia para n√£o voltar
e que ent√£o finalmente uma atitude sua h√°-de implicar
embora diminuta uma qualquer consequência
O que deus ter√° visto nele para morrer por ele?
Oh que responsabilidade a sua
Que não dê como a árvore sobre a vida simples sombra
que faça mais do que crescer e ir perdendo vestes

Oh que difícil não é criar um homem para deus

Bendita

Bendita sejas, minha m√£e, bendito
Seja o teu seio, imaculado e santo,
Onde derrama as gotas de seu pranto
Meu dolorido coração aflito.

√ď minha m√£e, √≥ anjo sacrossanto,
Bendito seja o teu amor, bendito!
Ouve do Céu o amargurado grito
Cheio da dor de quem soluça tanto.

E deixa que repouse em teus joelhos
A minha fronte, ouvindo os teus conselhos
Longe do mundo, ó sempiterna dita!

Envia lá do céu no teu sorriso
A morte que levou-te ao Para√≠so…
Bendita sejas, minha m√£e, bendita!