Cita√ß√Ķes sobre Pr√°tica

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Frases sobre pr√°tica, poemas sobre pr√°tica e outras cita√ß√Ķes sobre pr√°tica para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Felicidade é tão Cansativa como a Infelicidade

Toda a gente tem o seu m√©todo de interpretar a seu favor o balan√ßo das suas impress√Ķes, para que da√≠ resulte de algum modo aquele m√≠nimo de prazer necess√°rio √†s suas exist√™ncias quotidianas, o suficiente em tempos de normalidade. O prazer da vida de cada um pode ser tamb√©m constitu√≠do por desprazer, essas diferen√ßas de ordem material n√£o t√™m import√Ęncia; sabemos que existem tantos melanc√≥licos felizes como marchas f√ļnebres, que pairam t√£o suavemente no elemento que lhes √© pr√≥prio como uma dan√ßa no seu. Talvez tamb√©m se possa afirmar, ao contr√°rio, que muitas pessoas alegres de modo nenhum s√£o mais felizes do que as tristes, porque a felicidade √© t√£o cansativa como a infelicidade; mais ou menos como voar, segundo o princ√≠pio do mais leve ou mais pesado do que o ar. Mas haveria ainda uma outra objec√ß√£o: n√£o ter√° raz√£o aquela velha sabedoria dos ricos segundo a qual os pobres n√£o t√™m nada a invejar-lhes, j√° que √© pura fantasia a ideia de que o seu dinheiro os torna mais felizes? Isso s√≥ lhes imporia a obriga√ß√£o de encontrar um sistema de vida diferente do seu, cujo or√ßamento, em termos de prazer, fecharia apenas com um m√≠nimo excedente de felicidade,

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A atitude artística se distingue da atitude prática do desejo no sentido de que a arte deixa subsistir seu objeto em liberdade total, enquanto o desejo emprega seu objeto para seu próprio uso, destruindo-o.

Sempre houve duas religi√Ķes, uma das quais nos puxa para fora e para as pr√°ticas, e a outra, pelo contr√°rio, que nos reconduz a algo de indom√°vel em n√≥s mesmos.

A Inconsistência Humana

Que todos os homens s√£o iguais √© uma proposi√ß√£o √† qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento. Um homem que tem de se submeter a uma opera√ß√£o perigosa n√£o age sob a presun√ß√£o de que t√£o bom √© um m√©dico como outro qualquer. Os editores n√£o imprimem todas as obras que lhes chegam √†s m√£os. E quando s√£o precisos funcion√°rios p√ļblicos, at√© os governos mais democr√°ticos fazem uma selec√ß√£o cuidadosa entre os seus s√ļbditos teoricamente iguais.
Em tempos normais, portanto, estamos perfeitamente certos de que os Homens não são iguais. Mas quando, num país democrático, pensamos ou agimos politicamente, não estamos menos certos de que os Homens são iguais. Ou, pelo menos Рo que na prática vem ser a mesma coisa Рprocedemos como se estivéssemos certos da igualdade dos Homens.
Identicamente, o piedoso fidalgo medieval que, na igreja acreditava em perdoar aos inimigos e oferecer a outra face, estava pronto, logo que mergia novamente à luz do dia, a desembainhar a sua espada à mínima provocação. A mente humana tem uma capacidade quase infinita para ser inconsistente.

Tenho dois livros: um de prosa, outro de versos, na gaveta, onde provavelmente ficarão todo o resto da minha vida, pois a minha incapacidade perante a vida prática é cada vez maior, e a minha triste qualidade de inadaptável é cada vez mais forte.

O Estilo é um Reflexo da Vida

Qual a causa que provoca, em certas √©pocas, a decad√™ncia geral do estilo ? De que modo sucede que uma certa tend√™ncia se forma nos esp√≠ritos e os leva √† pr√°tica de determinados defeitos, umas vezes uma verborreia desmesurada, outras uma linguagem sincopada quase √† maneira de can√ß√£o? Porque √© que umas vezes est√° na moda uma literatura altamente fantasiosa para l√° de toda a verosimilhan√ßa, e outras a escrita em frases abruptas e com segundo sentido em que temos de subentender mais do que elas dizem? Porque √© que nesta ou naquela √©poca se abusa sem restri√ß√Ķes do direito √† met√°fora? Eis o rol dos problemas que me p√Ķes. A raz√£o de tudo isto √© t√£o bem conhecida que os Gregos at√© fizeram dela um prov√©rbio: o estilo √© um reflexo da vida! De facto, assim como o modo de agir de cada pessoa se reflecte no modo como fala, tamb√©m sucede que o estilo liter√°rio imita os costumes da sociedade sempre que a moral p√ļblica √© contestada e a sociedade se entrega a sofisticados prazeres. A corrup√ß√£o do estilo demonstra plenamente o estado de dissolu√ß√£o social, caso, evidentemente, tal estilo n√£o seja apenas a pr√°tica de um ou outro autor,

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Meu Coração é um Enorme Estrado

Conclus√£o a sucata !… Fiz o c√°lculo,
Saiu-me certo, fui elogiado…
Meu coração é um enorme estrado
Onde se exp√Ķe um pequeno anim√°lculo…

A microsc√≥pio de desilus√Ķes
Findei, prolixo nas min√ļcias f√ļteis…
Minhas conclus√Ķes pr√°ticas, in√ļteis…
Minhas conclus√Ķes te√≥ricas, confus√Ķes…

Que teorias h√° para quem sente
O cérebro quebrar-se, como um dente
Dum pente de mendigo que emigrou ?

Fecho o caderno dos apontamentos
E faço riscos moles e cinzentos
Nas costas do envelope do que sou…

Um Dia Bem Passado

De vez em quando acontece, um dia bem passado. Um dia que √© o contr√°rio da vida, porque desde o primeiro ao √ļltimo momento acordado, passa-se bem, como antigamente se dizia em Angola e c√°.
Um dia bem passado não pode ser planeado. Mas tem de ser protegido. Um dia bem passado é um dia que se passa quase às escondidas. Parece mais roubado do que um beijo Рe tem razão.
Um dia bem passado, como foi o √ļltimo dia de Setembro para a minha mulher e para mim, tem de meter pargos, lavagantes, ostras e beijinhos.
Na Praia das Ma√ß√£s, nos bon√≠ssimos restaurantes Neptuno e B√ļzio, as ostras s√£o sumptuosas. Mas n√£o as vendem √† d√ļzia e √† meia-d√ļzia, comme il faut. √Č ao peso, a granel, como eles as compram. √Č uma pr√°tica que irrita. Mas com toda a delicadeza, claro. Como uma p√©rola, formada pela irrita√ß√£o de um gr√£o de areia dentro de uma ostra. O peso de uma ostra (a concha mais a carne) nada diz sobre o peso do molusco. H√° ostras gordas e suculentas escondidas por conchas minimais e esguias e h√° ostras minimais e esguias escondidas por conchas gordas e suculentas.

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O amor, em si mesmo, n√£o √© complexo mas n√£o existe maior complexidade do que exercit√°-lo… p√ī-lo em pr√°tica.

Na pr√°tica, os partidos t√™m privilegiado as √°reas de diverg√™ncia, de combate e diferencia√ß√£o, esquecendo as outras. Um pa√≠s que carece de altera√ß√Ķes profundas deve procurar, em determinadas quest√Ķes essenciais, a concerta√ß√£o e o consenso.

A Trágica Necessidade de Conquista e de Mudança

Em todos os tempos os homens, por algum pedaço de terra de mais ou de menos, combinaram entre si despojarem-se, queimarem-se, trucidarem-se, esganarem-se uns aos outros; e para fazê-lo mais engenhosamente e com maior segurança, inventaram belas regras às quais se deu o nome de arte militar; ligaram à prática dessas regras a glória, ou a mais sólida reputação; e depois ultrapassaram-se uns aos outros na maneira de se destruirem mutuamente.
Da injusti√ßa dos primeiros homens, como da sua origem comum, veio a guerra, assim como a necessidade em que se acharam de adoptar senhores que fixassem os seus direitos e pretens√Ķes. Se, contente com o que se tinha, se tivesse podido abster-se dos bens dos vizinhos, ter-se-ia para sempre paz e liberdade.
O povo tranquilo nos lares, nas famílias e no seio de uma grande cidade onde nada tem a temer para os seus bens nem para a vida, anseia por fogo e sangue, ocupa-se de guerras, ruínas, braseiros e matanças, suporta impacientemente que os exércitos que mantêm a campanha não tenham recontros, ou se já se encontraram e não sustentem combate, ou se enfrentam e não seja sangrento o combate, e haja menos de dez mil homens no local.

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A Vis√£o do Universo

Existem certas pessoas – e eu sou uma delas – que pensam que a coisa mais pr√°tica e importante acerca de um homem ainda √© a sua vis√£o do universo. Pensamos que, para uma senhoria considerando se deve aceitar um pensionista, √© importante saber a sua renda, por√©m mais importante ainda √© conhecer a sua filosofia. Pensamos que, para um general prestes a combater um inimigo, √© importante saber os n√ļmeros do inimigo, por√©m mais importante √© conhecer a filosofia do inimigo. Pensamos que a quest√£o n√£o √© saber se a teoria do cosmos afecta ou n√£o as coisas, mas se, no longo prazo, qualquer outra coisa as afecta.

Trabalho e Descanso na Justa Medida

A mente n√£o se deve manter sempre na mesma inten√ß√£o ou tens√£o, antes deve dar-se tamb√©m √† divers√£o. S√≥crates n√£o se envergonhava de brincar com as crian√ßas, Cat√£o aliviava com vinho o seu √Ęnimo fatigado dos cuidados p√ļblicos e Cipi√£o dan√ßava com aquele corpo triunfante e militar (…) O nosso esp√≠rito deve relaxar: ficar√° melhor e mais apto ap√≥s um descanso. Tal como n√£o devemos for√ßar um terreno agr√≠cola f√©rtil com uma produtividade ininterrupta que depressa o esgotaria, tamb√©m o esfor√ßo constante esvaziar√° o nosso vigor mental, enquanto um curto per√≠odo de repouso restaurar√° o nosso poder. O esfor√ßo continuado leva a um tipo de torpor mental e letargia. Nem os desejos dos homens devem encaminhar-se t√£o depressa nesta direc√ß√£o se o desporto e o jogo os envolvem numa esp√©cie de prazer natural; embora uma repetida pr√°tica destrua toda a gravidade e for√ßa do nosso esp√≠rito. Afinal, o sono tamb√©m √© essencial para nos restaurar, mas se o prolong√°ssemos constantemente, dia e noite, seria a morte.

Os Amigos S√£o Pessoas que se Preferem

Se h√° um lugar onde a integridade pr√≥pria n√£o √© amea√ßada pela falta de verdade e pela aus√™ncia de liberdade, ele √©, sem d√ļvida, a amizade. Os amigos s√£o pessoas que se preferem. Cada amigo √©, por isso, uma rejei√ß√£o de muitas outras. Querer ser ¬ęamigo de toda a gente¬Ľ, usar indeliberadamente as palavras amigo e amiga para descrever todos os conhecimentos indistintivamente, prezar a amizade como valor abstracto sem investir energicamente numa pr√°tica particular – tudo isto √© um ego√≠smo guloso, escondendo a frieza e o interesse em reifica√ß√Ķes abstrusas de conceitos demasiado gerais, inevitavelmente presos a vis√Ķes fraudulentas da ¬ęhumanidade¬Ľ.

Recear a cria√ß√£o de inimigos √© querer impedir, logo √† partida, a cria√ß√£o de uma amizade. Uma das trag√©dias da nossa idade √© a invas√£o do dom√≠nio pessoal por valores que pertencem apenas ao dom√≠nio social. Assim, a liberdade, por exemplo, passou a ser um verdadeiro constrangimento do amor, da amizade. Certas no√ß√Ķes de autonomia acabam por destruir a base profunda de uma rela√ß√£o humana s√©ria e sentida: a lealdade. N√£o se pode querer amar e ser amado sem prescindir daquilo que se preza ser a ¬ęliberdade¬Ľ. A lealdade √© um constrangimento que se aceita e que se cumpre em nome de algo (de algu√©m) que se julga (porque se ama) mais precioso que a liberdade.

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A Miss√£o da Assembleia da Rep√ļblica

Se ontem se podia afirmar que a miss√£o hist√≥rica da Assembleia Constituinte consistia em dar viabilidade √† democracia em Portugal, hoje podemos dizer que sobre a Assembleia da Rep√ļblica recai o essencial da tarefa de a concretizar na pr√°tica do Estado que a recente Constitui√ß√£o reformulou. (…) A Assembleia da Rep√ļblica tem de vir a ser a consci√™ncia pol√≠tica vis√≠vel deste Povo, tornando-se num espelho fiel das suas necessidades e anseios, das suas dificuldades e esperan√ßas e, ao mesmo tempo, no centro impulsionador da ac√ß√£o colectiva. (…) A Assembleia da Rep√ļblica tem de ser o espa√ßo da cr√≠tica justa e l√ļcida ao Governo e √† administra√ß√£o p√ļblica e da den√ļncia oportuna das situa√ß√Ķes que intoleravelmente oprimem, exploram e alienam a pessoa humana, lembrando tamb√©m a cada momento o que, sendo exequ√≠vel, ainda n√£o foi feito no dom√≠nio da a√ß√£o do Estado e dos poderes locais.

Civilização de Especialistas

A verdade √© que hoje vivemos numa civiliza√ß√£o de especialistas e que √© v√£o todo o empenho de que seja de outro modo. Sob pena de n√£o ser eficiente, o homem das artes, das ci√™ncias e das t√©cnicas tem de se especializar, para que domine aqueles segredos de bibliografia ou de pr√°tica, e para que obtenha os jeitos e a forte concentra√ß√£o de pensamento que se tornam necess√°rios para que se possa n√£o s√≥ manejar o que se herdou mas acrescentar patrim√≥nio para as gera√ß√Ķes futuras. E, se √© certo que por um lado o especialismo favorece aquela pregui√ßa de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas √ļteis indiv√≠duos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O pre√ßo, por√©m, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons l√≠deres, de homens com uma larga vis√£o de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na dif√≠cil arte de n√£o ter especialidade pr√≥pria sen√£o essa mesma do plano, da previs√£o e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes,

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