Passagens sobre Compromisso

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Frases sobre compromisso, poemas sobre compromisso e outras passagens sobre compromisso para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Faltam-nos hoje n√£o apenas mestres da vida interior, mas simplesmente da vida, de uma vida total, de uma exist√™ncia digna de ser vivida. Faltam cart√≥grafos e testemunhas do cora√ß√£o humano, dos seus infindos e √°rduos caminhos, mas tamb√©m dos nossos quotidianos, onde tudo n√£o √© e √© extraordinariamente simples. Falta-nos uma nova gram√°tica que concilie no concreto os termos que a nossa cultura tem por inconcili√°veis: raz√£o e sensibilidade, efic√°cia e afetos, individualidade e compromisso social, gest√£o e compaix√£o, espiritualidade e sentidos, eternidade e instante. Ser√° que do instante dos sentidos podemos fazer uma m√≠stica? N√£o tenhamos d√ļvidas: o que est√° dito permanece ainda por dizer.

Os seres humanos serão sempre capazes de encontrar argumentos a favor da confrontação e do não compromisso. Porém, nós, os seres humanos, somos capazes de razão, compaixão e mudança.

Os Nossos Eus

Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados nas m√£os de um empregado de mesa, t√™m outros v√≠nculos, outras simpatias, pequenas constitui√ß√Ķes e direitos pr√≥prios – chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer t√™m nome) – de modo que um deles s√≥ comparece se chover, outro s√≥ numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones n√£o estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho – e assim por diante; pois cada indiv√≠duo poder√° multiplicar, a partir da sua experi√™ncia pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo – e alguns s√£o demasiado absurdos e rid√≠culos para figurarem numa obra impressa.

Há que fazer compromissos com respeito a todos os problemas, contanto que esse compromisso seja no interesse, não apenas de um grupo populacional mas do país no seu todo. Esta é a natureza dos compromissos.

Compromisso significa que ambas as partes envolvidas deviam abdicar de alguma coisa em favor da outra, significa ter capacidade para lidar com as exigências, os medos, da outra.

O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

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Em todas as disputas acaba-se por chegar a um ponto em que nenhuma das partes tem completa raz√£o nem completa falta dela, e o compromisso √© a √ļnica alternativa para aqueles que seriamente desejam a paz e a estabilidade.

Qual √© a responsabilidade do escritor para com a democracia e com os direitos humanos? √Č toda. Porque o compromisso maior do escritor √© com a verdade e com a liberdade. Para combater pela verdade o escritor usa uma inverdade: a literatura. Mas √© uma mentira que n√£o mente.

O Poeta não é um Pequeno Deus

O poeta n√£o √© um ¬ępequeno deus¬Ľ. N√£o, n√£o √© um ¬ępequeno deus¬Ľ. N√£o est√° amrcado por um destino cabal√≠stico superior ao de quem exerce outros misteres e of√≠cios. Exprimi ami√ļde que o melhor poeta √© o homem que nos entrega o p√£o de cada dia: o padeiro mais pr√≥ximo, que n√£o se julga deus. Cumpre a sua majestosa e humilde tarefa de amassar, levar ao forno, dourar e entregar o p√£o de cada dia, com uma obriga√ß√£o comunit√°ria. E se o poeta chega a atingir essa simples consci√™ncia, a simples consci√™ncia tamb√©m se pode converter em parte de uma artesania colossal, de uma constru√ß√£o simples ou complicada, que √© a constru√ß√£o da sociedade, a transforma√ß√£o das condi√ß√Ķes que rodeiam o homem, a entrega da mercadoria: p√£o, verdade, vinho, sonhos.

Se o poeta se incorpora nessa nunca consumida luta para cada um confiar nas mãos dos outros a sua ração de compromisso, a sua dedicação e a sua ternura pelo trabalho comum de cada dia e de todos os homens, participa no suor, no pão, no vinho, no sonho de toda a humanidade. Só por esse caminho inalienável de sermos homens comuns conseguiremos restituir à poesia o vasto espaço que lhe vão abrindo em cada época,

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As comodidades aniquilam-nos: o medo do sacrif√≠cio e do compromisso; a aten√ß√£o exclusiva a n√≥s mesmos e √†queles da nossa mais restrita cercania, mas n√£o mais al√©m; um estilo de vida em que conta mais o ¬ęestar bem¬Ľ do que ¬ęfazer o bem¬Ľ. √® tudo isto que adormece o esp√≠rito.

H√° uma bondade natural e profunda nas amizades. S√£o compromissos de aceita√ß√£o. S√£o fortes, s√≥lidas e duradouras. N√£o t√™m pressas, t√£o-pouco s√£o instant√Ęneas. O amor encerra infinitos mist√©rios, mas para que surja e possa crescer √© preciso que o aceitem e que nele se queira investir e trabalhar.

A Beleza ou a Excitação Aparecem no Mundo por Omissão

O que faz quando l√™? Vou dar-lhe j√° a resposta: a sua leitura deixa de lado aquilo que n√£o lhe conv√©m. O mesmo fez j√° o autor antes. Omitem-se tamb√©m coisas nos sonhos e na imagina√ß√£o. Daqui concluo: a beleza ou a excita√ß√£o aparecem no mundo por omiss√£o. Parece evidente que o modo como nos situamos na realidade corresponde a um compromisso, um estado interm√©dio em que os sentimentos se impedem mutuamente de chegar a paix√Ķes e se misturam em tons de cinzento. As crian√ßas que desconhecem este modo de estar no mundo s√£o, por isso, mais e menos felizes do que os adultos. E acrescento j√°: tamb√©m as pessoas est√ļpidas omitem; como se sabe, a estupidez faz-nos felizes.

No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado; Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada n√£o apenas como dor, mas tamb√©m como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuport√°vel; mas tamb√©m aceit√°-la desportivamente, como um obst√°culo que n√£o nos intimidar√° nem nos arrastar√° para uma ira cega, e ent√£o n√£o √© raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, por√©m, o que aconteceu foi apenas que integr√°mos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em fun√ß√£o disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fen√≥meno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conte√ļdo, mediante a sua inser√ß√£o numa cadeia de ac√ß√Ķes consequentes, produz-se em todos os indiv√≠duos que n√£o o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio √† sua capacidade intelectual.
Tamb√©m ele ser√° mais superficialmente afectado nas suas emo√ß√Ķes pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se v√™ como sinal de intelig√™ncia superior num pugilista √© visto como frieza e insensibilidade em pessoas que n√£o sabem de boxe e nas quais isso se deve √† sua inclina√ß√£o para uma determinada forma de vida intelectual.

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Só a Morte Desperta os Nossos Sentimentos

Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres.

√Č assim o homem, caro senhor, tem duas faces. N√£o pode amar sem se amar. Observe os seus vizinhos, se calha de haver um falecimento no pr√©dio. Dormiam na sua vida mon√≥tona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaix√£o. Um morto no prelo, e o espect√°culo come√ßa, finalmente. T√™m necessidade de trag√©dia, que √© que o senhor quer?, √© a sua pequena transcend√™ncia, √© o seu aperitivo.
√Č preciso que algo aconte√ßa, eis a explica√ß√£o da maior parte dos compromissos humanos. √Č preciso que algo aconte√ßa, mesmo a servid√£o sem amor, mesmo a guerra ou a morte.

Antes de se submeter a uma cirurgia, organize os compromissos pessoais. Pode ser que você sobreviva.

A Inconst√Ęncia no Amor e na Amizade

N√£o pretendo justificar aqui a inconst√Ęncia em geral, e menos ainda a que vem s√≥ da ligeireza; mas n√£o √© justo imputar-lhe todas as transforma√ß√Ķes do amor. H√° um encanto e uma vivacidade iniciais no amor que passa insensivelmente, como os frutos; n√£o √© culpa de ningu√©m, √© culpa exclusiva do tempo. No in√≠cio, a figura √© agrad√°vel, os sentimentos relacionam-se, procuramos a do√ßura e o prazer, queremos agradar porque nos agradam, e tentamos demonstrar que sabemos atribuir um valor infinito √†quilo que amamos; mas, com o passar do tempo, deixamos de sentir o que pens√°vamos sentir ainda, o fogo desaparece, o prazer da novidade apaga-se, a beleza, que desempenha um papel t√£o importante no amor, diminui ou deixa de provocar a mesma impress√£o; a designa√ß√£o de amor permanece, mas j√° n√£o se trata das mesmas pessoas nem dos mesmos sentimentos; mant√™m-se os compromissos por honra, por h√°bito e por n√£o termos a certeza da nossa pr√≥pria mudan√ßa.
Que pessoas teriam começado a amar-se, se se vissem como se vêem passados uns anos? E que pessoas se poderiam separar se voltassem a ver-se como se viram a primeira vez? O orgulho, que é quase sempre senhor dos nossos gostos,

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