Cita√ß√Ķes sobre Compromisso

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Frases sobre compromisso, poemas sobre compromisso e outras cita√ß√Ķes sobre compromisso para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Inconst√Ęncia no Amor e na Amizade

N√£o pretendo justificar aqui a inconst√Ęncia em geral, e menos ainda a que vem s√≥ da ligeireza; mas n√£o √© justo imputar-lhe todas as transforma√ß√Ķes do amor. H√° um encanto e uma vivacidade iniciais no amor que passa insensivelmente, como os frutos; n√£o √© culpa de ningu√©m, √© culpa exclusiva do tempo. No in√≠cio, a figura √© agrad√°vel, os sentimentos relacionam-se, procuramos a do√ßura e o prazer, queremos agradar porque nos agradam, e tentamos demonstrar que sabemos atribuir um valor infinito √†quilo que amamos; mas, com o passar do tempo, deixamos de sentir o que pens√°vamos sentir ainda, o fogo desaparece, o prazer da novidade apaga-se, a beleza, que desempenha um papel t√£o importante no amor, diminui ou deixa de provocar a mesma impress√£o; a designa√ß√£o de amor permanece, mas j√° n√£o se trata das mesmas pessoas nem dos mesmos sentimentos; mant√™m-se os compromissos por honra, por h√°bito e por n√£o termos a certeza da nossa pr√≥pria mudan√ßa.
Que pessoas teriam começado a amar-se, se se vissem como se vêem passados uns anos? E que pessoas se poderiam separar se voltassem a ver-se como se viram a primeira vez? O orgulho, que é quase sempre senhor dos nossos gostos,

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As Fraquezas dos Sistemas Partid√°rios

Com os que se intitulam democracias parlamentares ou partid√°rias, quem quer, examinando o funcionamento efectivo das institui√ß√Ķes, podo constituir tr√™s grupos. O primeiro √© daqueles muito raros Estados em que os partidos pouco numerosos permitem a forma√ß√£o de maiorias homog√©neas, que se sucedem no poder, sem impedir de agir, quando na oposi√ß√£o, o governo quo governa. O segundo √© o daqueles em que a vida partid√°ria √© t√£o intensa e intolerante que as muta√ß√Ķes governamentais se fazem frequentemente por meio de revolu√ß√Ķes ou golpes de Estado, no fundo a nega√ß√£o do mesmo princ√≠pio em que pretendem apoiar-se. H√° um terceiro grupo em que a parcela√ß√£o partid√°ria e a exig√™ncia constitucional da maioria parlamentar se conjugam para ter em permanente risco os minist√©rios, precipitar as demiss√Ķes, alongar as crises, paralisar os governos, condenados √† inac√ß√£o e √†s f√≥rmulas de compromisso que nem sempre ser√£o as mais convenientes ao interesse nacional. Assim, uns esperam as elei√ß√Ķes; outros, a revolu√ß√£o; os √ļltimos, as crises, como possibilidades de governo.

A Melhor Prova duma Real Amizade

A melhor prova duma real amizade est√° em evitar os compromissos entre aqueles que se estimam. Ainda que devendo muito aos que muito me louvam, eu n√£o quero ser-lhes obrigada pela gratid√£o. Mas sim grata porque estou com eles, devido a circunst√Ęncias que a todos n√≥s agradam e s√£o um la√ßo mais entre n√≥s, sem constitu√≠rem um dever. Eu pretendo dizer da amizade o que Di√≥genes dizia do dinheiro: que ele o reavia dos seus amigos, e n√£o que o pedia. Pois aquilo que os outros t√™m pelo sentimento comum n√£o se pede, √© patrim√≥nio comum. Neste caso, a amizade.

A Essência do Fanatismo

A ess√™ncia do fanatismo consiste em considerar determinado problema como t√£o importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do p√£o √°zimo na comunh√£o do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da pen√≠nsula indiana est√£o dispostos a precipitar o seu pa√≠s na ru√≠na por divergirem numa quest√£o importante: saber se o pecado mais detest√°vel consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reaccion√°rios amercianos prefiririam perder a pr√≥xima guerra do que empregar nas investiga√ß√Ķes at√≥micas qualquer indiv√≠duo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma regi√£o. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabat√°rios, a despeito da escassez de v√≠veres provocada pela actividade dos submarinos alem√£es, protestavam contra a planta√ß√£o de batatas ao domingo e diziam que a c√≥lera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que op√Ķem objec√ß√Ķes teol√≥gicas √† limita√ß√£o dos nascimentos, consentem que a fome, a mis√©ria e a guerra persistam at√© ao fim dos tempos porque n√£o podem esquecer um texto, mal interpretado, do G√©nese. Os partid√°rios entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a ra√ßa humana exterminada pela radioactividade do que chegar a um compromisso com o mal –

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No que diz respeito ao desempenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz.

O Vazio da Pressa e do Dinamismo

A pressa, o nervosismo, a instabilidade, observados desde o surgimento das grandes cidades, alastram-se nos dias de hoje de uma forma t√£o epid√©mica quanto outrora a peste e a c√≥lera. Nesse processo manifestam-se for√ßas das quais os passantes apressados do s√©culo XIX n√£o eram capazes de fazer a menor ideia. Todas as pessoas t√™m necessariamente algum projecto. O tempo de lazer exige que se o esgote. Ele √© planeado, utilizado para que se empreenda alguma coisa, preenchido com vistas a toda esp√©cie de espect√°culo, ou ainda apenas com locomo√ß√Ķes t√£o r√°pidas quanto poss√≠vel. A sombra de tudo isso cai sobre o trabalho intelectual. Este √© realizado com m√° consci√™ncia, como se tivesse sido roubado a alguma ocupa√ß√£o urgente, ainda que meramente imagin√°ria. A fim de se justificar perante si mesmo, ele d√°-se ares de uma agita√ß√£o febril, de um grande af√£, de uma empresa que opera a todo vapor devido √† urg√™ncia do tempo e para a qual toda a reflex√£o ‚ÄĒ isto √©, ele mesmo ‚ÄĒ √© um estorvo. Com frequ√™ncia tudo se passa como se os intelectuais reservassem para a sua pr√≥pria produ√ß√£o precisamente apenas aquelas horas que sobram das suas obriga√ß√Ķes, sa√≠das, compromissos, e divertimentos inevit√°veis.

At√© os poetas se armam, e um poeta desarmado √©, mesmo, um ser √† merc√™ de inspira√ß√Ķes f√°ceis, d√≥cil √†s moda e compromissos.

A Necessidade do Desarmamento

A realiza√ß√£o do plano de desarmamento tem sido prejudicada principalmente por ningu√©m se dar verdadeiramente conta da enorme dificuldade do problema em geral. A maior parte dos objectivos s√≥ s√£o atingidos a passos lentos. Basta pensar na substitui√ß√£o da Monarquia absoluta pela Democracia! √Č um objectivo que conv√©m atingir depressa.
Com efeito, enquanto n√£o for exclu√≠da a possibilidade de guerra, as na√ß√Ķes n√£o prescindir√£o de se prepararem militarmente o melhor poss√≠vel, para poderem enfrentar vitoriosamente a pr√≥xima guerra. Nem t√£o-pouco se prescindir√° de educar a juventude nas tradi√ß√Ķes guerreiras, de alimentar a comezinha vaidade nacional aliada √† glorifica√ß√£o do esp√≠rito guerreiro, enquanto for preciso contar com a possibilidade de vir a fazer uso desse esp√≠rito dos cidad√£os na resolu√ß√£o dos conflitos pelas armas. Armar-se significa precisamente afirmar e preparar a guerra e n√£o a paz! Portanto, n√£o interessa proceder ao desarmamento gradual mas radicalmente, de uma s√≥ vez, ou nunca.
A realiza√ß√£o de t√£o profunda modifica√ß√£o na vida dos povos tem como condi√ß√£o um enorme esfor√ßo moral e o abandono de tradi√ß√Ķes profundamente enraizadas. Quem n√£o estiver preparado para, em caso de conflito, fazer depender o destino da sua p√°tria incondicionalmente das decis√Ķes dum tribunal internacional de arbitragem,

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Contento-me com a Simpatia

Eu aprendi a contentar-me com a simpatia. Encontra-se mais facilmente e, depois, n√£o nos imp√Ķe nenhum compromisso. ¬ęCreia na minha simpatia¬Ľ, no discurso interior precede imediatamente ¬ęe agora ocupemo-nos de outra coisa¬Ľ. √Č um sentimento de presidente de Conselho: obt√©m-se muito barato, depois das cat√°strofes. A amizade √© menos simples. A sua aquisi√ß√£o √© longa e dif√≠cil, mas, quando se obt√©m, j√° n√£o h√° meio de nos desembara√ßarmos dela, temos de fazer frente.

De tenta√ß√£o em tenta√ß√£o, de fraqueza em fraqueza, os compromissos de consci√™ncia levam um homem honrado √† pr√°tica de todos os crimes…

O amor n√£o √© um h√°bito, um compromisso, ou uma divida. N√£o √© aquilo que nos ensinam as m√ļsicas rom√Ęnticas, o amor √© indefini√ß√Ķes. Ame e n√£o pergunte muito. Apenas ame.

Quem é Eleito não Pode Pensar em Desistir

Ao aceitar a candidatura, fiz uma op√ß√£o, assumi um risco: aquela, a de trabalhar para as reformas, que entendo necess√°rias, atrav√©s dos meios legais ao dispor dos deputados, cuja limita√ß√£o conhecia. O risco era o de n√£o conseguir alcan√ßar o fim pretendido, o de ser invariavelmente vencido, o de nem sequer conseguir alargar os limites conhecidos. (…) Porque quem √© eleito n√£o pode pensar em desistir, n√£o tem o direito de abandonar: assumiu o compromisso de lutar durante quatro anos como representante da na√ß√£o neste √≥rg√£o de soberania, e h√° de, perante ela, procurar desempenhar-se o melhor poss√≠vel do cargo que lhe confiaram. Eis porque entendo que, embora n√£o valha a pena, continuo a trabalhar o melhor que posso e sei at√© ao fim do mandato.

Os Amantes

Encheram profunda taça e envolveram-se em fervor.
Ficou-lhes na boca ‚ÄĒ presa ao crescente desejo
de mais beberem, de mais conhecerem ‚ÄĒ o sabor
da outra Vida maior, onde os levara o ensejo
de ultrapassarem a carne. Em solid√£o limitados,
num barco sem dia a dia, compromissos ou tratados,
singram velozes sem tempo, definidos pela estrela
que lhes indica, serena e nitidamente, o norte.

Encheram de novo a taça; incha mais a panda vela.
E para serem iguais, apenas lhes falta a Morte!

Campo de Refugiados

Alguns não os víamos há anos
faziam parte da nossa mais salubre
juventude
no trabalho ainda havia escape
no amor ainda havia perigo
banquetes celebravam extors√Ķes
compromissos sagrados aluíam
amores mais indeléveis
sucumbiam aos uivos
nas coutadas
frente à horda não havia defesa
aquele vírus jovem não cedia
pisava ameaças ignorava apelos
qualquer moderação nos parecia funesta.
(…) Os poucos resistentes engordaram
sofrem do coração bebem cerveja
têm a pasta surrada de desgostos
outros alistam-se na cave do comércio
mirram no pó as caudas abanadas
à cintura as facas do açougue,
sabujos escrevem coisas irrisórias
enquanto a terra se torna combustível.