Passagens sobre Corrupção

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A Fragilidade dos Valores

Todas as coisas ¬ęboas¬Ľ foram noutro tempo m√°s; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprud√™ncia de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, ben√©volos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os ¬ęvalores por excel√™ncia¬Ľ; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza.
A submiss√£o ao direito: oh! que revolu√ß√£o de consci√™ncia em todas as ra√ßas aristocr√°ticas quando tiveram de renunciar √† vingan√ßa para se submeterem ao direito! O ¬ędireito¬Ľ foi por muito tempo um vetitum, uma inova√ß√£o, um crime; foi institu√≠do com viol√™ncia e opr√≥bio.
Cada passo que o homem deu sobre a Terra custou-lhe muitos supl√≠cios intelectuais e corporais; tudo passou adiante e atrasou todo o movimento, em troca teve inumer√°veis m√°rtires; por estranho que isto hoje nos pare√ßa, j√° o demonstrei na Aurora, aforismo 18: ¬ęNada custou mais caro do que esta migalha de raz√£o e de liberdade, que hoje nos envaidece¬Ľ. Esta mesma vaidade nos impede de considerar os per√≠odos imensos da ¬ęmoraliza√ß√£o dos costumes¬Ľ que precederam a hist√≥ria capital e foram a verdadeira hist√≥ria,

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A Sabedoria é a Nossa Salvação

A nossa cultura √© hoje muito superficial, e os nossos conhecimentos s√£o muito perigosos, j√° que a nossa riqueza em mec√Ęnica contrasta com a pobreza de prop√≥sitos. O equil√≠brio de esp√≠rito que haur√≠amos outrora na f√© ardente, j√° se foi: depois que a ci√™ncia destruiu as bases sobrenaturais da moralidade o mundo inteiro parece consumir-se num desordenado individualismo, reflector da ca√≥tica fragmenta√ß√£o do nosso car√°cter.

Novamente somos defrontados pelo problema atormentador de S√≥crates: como encontrar uma √©tica natural que substitua as san√ß√Ķes sobrenaturais j√° sem influ√™ncia sobre a conduta do homem? Sem filosofia, sem esta vis√£o de conjunto que unifica os prop√≥sitos e estabelece a hierarquia dos desejos, malbaratamos a nossa heran√ßa social em corrup√ß√£o c√≠nica de um lado e em loucuras revolucion√°rias de outro; abandonamos num momento o nosso idealismo pac√≠fico para mergulharmos nos suic√≠dos em massa da guerra; vemos surgir cem mil pol√≠ticos e nem um s√≥ estadista; movemo-nos sobre a terra com velocidades nunca antes alcan√ßadas mas n√£o sabemos oara onde vamos, nem se no fim da viagem alcan√ßaremos qualquer esp√©cie de felicidade.
Os nossos conhecimentos destroem-nos. Embebedem-nos com o poder que nos d√£o. A √ļnica salva√ß√£o est√° na sabedoria.

A Distorção do Entendimento

Que dif√≠cil √© propor um problema ao entendimento alheio sem corromper esse entendimento pela maneira de propor! Se dizemos: acho isto belo, acho obscuro, ou outra coisa semelhante, arrastamos a imagina√ß√£o para este ju√≠zo, ou irritamo-la, levando-a ao ju√≠zo contr√°rio. Mais vale nada dizer, e ent√£o o outro julga segundo o que √©, ou segundo o que √© naquele momento, e de acordo com o que as outras circunst√Ęncias, de que n√£o somos respons√°veis, l√° tiverem posto. Mas pelo menos n√≥s n√£o pusemos nada; a n√£o ser que o nosso sil√™ncio tenha tamb√©m o seu efeito, segundo o sentido e a interpreta√ß√£o que ele estiver disposto a atribuir-lhe, ou segundo o que depreende dos movimentos e da express√£o do rosto, ou do tom de voz, conforme for melhor ou pior fisionomista: t√£o dif√≠cil √© n√£o deslocar um entendimento da sua base natural, ou antes, t√£o pouco um entendimento tem de firme e est√°vel!

A Democracia Política Conduz à Ineficiência e Fraqueza de Direcção

Os defeitos da democracia pol√≠tica como sistema de governo s√£o t√£o √≥bvios, e t√™m sido tantas vezes catalogados, que n√£o preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia pol√≠tica foi criticada porque conduz √† inefici√™ncia e fraqueza de direc√ß√£o, porque permite aos homens menos desej√°veis obter o poder, porque fomenta a corrup√ß√£o. A inefici√™ncia e fraqueza da democracia pol√≠tica tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando √© preciso tomar e cumprir decis√Ķes rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milh√Ķes de eleitores em poucas horas √© uma impossibilidade f√≠sica. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decis√£o aos eleitores – em cujo caso todo o princ√≠pio da democracia pol√≠tica ter√° sido tratado com o desprezo que em circunst√Ęncias cr√≠ticas ela merece; ou ent√£o o povo √© consultado e perde-se tempo, frequentemente, com consequ√™ncias fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia pol√≠tica foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.

Divertimento Enganador

Os homens, tendo podido curar-se da morte, da mis√©ria, da ignor√Ęncia, lembraram-se, para se tornarem felizes, de n√£o pensar nisso. Foi tudo quanto inventaram para se consolarem de t√£o poucos males. Consola√ß√£o riqu√≠ssima. N√£o se dirige a curar o mal. Esconde-o por um pouco. Escondendo-o, faz com que se pense em cur√°-lo. Por uma leg√≠tima desordem da natureza do homem, n√£o se acha que o t√©dio, que √© o seu mal mais sens√≠vel, seja o seu maior bem. Pode contribuir mais do que qualquer outra coisa para lhe fazer procurar a sua cura. Eis tudo. O divertimento, que ele olha como o seu maior bem, √© o seu √≠nfimo mal. Aproxima-o, mais do que todas as outras coisas, de procurar o rem√©dio para os seus males. Um e outro s√£o contraprova da mis√©ria, da corrup√ß√£o do homem, excepto da sua grandeza. O homem aborrece-se, procura aquela multid√£o de ocupa√ß√Ķes. Tem a ideia da felicidade que conquistou; felicidade que, encontrando em si, procura nas coisas exteriores. Contenta-se.

A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.

Os Povos Felizes não têm História

‘Os povos felizes n√£o t√™m hist√≥ria’. De onde se infere que a supress√£o da hist√≥ria tornaria os povos mais felizes. O menor olhar sobre os acontecimentos deste mundo reencontra essa mesma conclus√£o. O esquecimento √© o benef√≠cio que a hist√≥ria quer corromper. Nada, na hist√≥ria, serve para ensinar aos homens a possibilidade de viverem em paz. √Č o ensino oposto que dela se destaca – e se faz acreditar.

A Cultura e a Corrupção

Qualquer um pode ser bom no campo. L√° n√£o h√° tenta√ß√Ķes. √Č por isso que as pessoas que n√£o vivem na cidade s√£o t√£o terrivelmente b√°rbaras. A civiliza√ß√£o n√£o √© de modo nenhum uma coisa f√°cil de atingir. H√° duas maneiras de um homem a alcan√ßar. Uma √© pela cultura e outra √© pela corrup√ß√£o. As pessoas do campo n√£o t√™m qualquer oportunidade de praticar nenhuma delas e, por conseguinte, estagnam.

Podemos e devemos julgar situa√ß√Ķes de pecado – viol√™ncia, corrup√ß√£o, explora√ß√£o… -, mas n√£o podemos julgar as pessoas. A nossa tarefa √© admoestar quem erra, denunciando as maldades e as injusti√ßas de certos comportamentos, a fim de libertar as v√≠timas e levantar quem caiu.

Política de Interesse

Em Portugal n√£o h√° ci√™ncia de governar nem h√° ci√™ncia de organizar oposi√ß√£o. Falta igualmente a aptid√£o, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento pol√≠tico das na√ß√Ķes.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A pol√≠tica √© uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contradit√≥rias; ali dominam as m√°s paix√Ķes; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali h√° a posterga√ß√£o dos princ√≠pios e o desprezo dos sentimentos; ali h√° a abdica√ß√£o de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores √°speros; h√° a tristeza e a mis√©ria; dentro h√° a corrup√ß√£o, o patrono, o privil√©gio. A refrega √© dura; combate-se, atrai√ßoa-se, brada-se, foge-se, destr√≥i-se, corrompe-se. Todos os desperd√≠cios, todas as viol√™ncias, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
√Ä escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (…) todos querem penetrar na arena,

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Penso nas pessoas que têm responsabilidades sobre os outros e se deixam corromper; pensais que uma pessoa corrupta será feliz no outro mundo? Não, todo o fruto do seu suborno corrompeu o seu coração e será difícil alcançar o Senhor.

A √ļnica via para sair da corrup√ß√£o, a √ļnica via para vencer a tenta√ß√£o √© o servi√ßo. Porque a corrup√ß√£o vem do orgulho, da soberba, e o servi√ßo humilha-nos: √© justamente a caridade humilde a ajudar os outros.

Pensemos: qual √© a parte do cora√ß√£o que se pode corromper, porque estou amarrado aos pecados ou a algum pecado? Devemos remover a pedra tumular do mal e do maligno, remover a pedra da vergonha e deixar que o Senhor nos diga, como disse a L√°zaro: ¬ęSai c√° para fora!¬Ľ

A Amizade Exercita-se

√Č um erro desejar ser compreendido antes de se ser elucidado por si mesmo a seus pr√≥prios olhos. √Č procurar prazeres na amizade, e n√£o m√©ritos. √Č qualquer coisa de mais corruptor ainda do que o amor. Venderias a tua alma por amor.
Aprende a repelir a amizade, ou melhor, o sonho da amizade. Desejar a amizade √© um grande erro. A amizade deve ser uma alegria gratuita como as que a arte ou a vida oferecem. √Č preciso recus√°-la para se ser digno de a receber: ela √© da categoria da gra√ßa (¬ęMeu Deus, afastai-vos de mim…¬Ľ). √Č dessas coisas que s√£o dadas por acr√©scimo. Toda a ilus√£o de amizade merece ser destru√≠da. N√£o √© por acaso que nunca foste amado… Desejar escapar √† solid√£o √© uma cobardia. A amizade n√£o se procura, n√£o se imagina, n√£o se deseja; exercita-se (√© uma virtude). Abolir toda esta margem de sentimento, impura e enevoada. Schluss!
Ou melhor (pois n√£o √© necess√°rio desbastar-se a si mesmo rigorosamente), tudo o que, na amizade, n√£o passe por altera√ß√Ķes efectivas deve passar por pensamentos ponderados. √Č absolutamente in√ļtil privar-se da virtude inspiradora da amizade. O que deve ser severamente proibido, √© sonhar com os prazeres do sentimento.

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A Corrupção é Proporcional à Democracia

Os homens são atormentados pelo pecado original dos seus instintos anti-sociais, que permanecem mais ou menos uniformes através dos tempos. A tendência para a corrupção está implantada na natureza humana desde o princípio. Alguns homens têm força suficiente para resistir a essa tendência, outros não a têm. Tem havido corrupção sob todo o sistema de governo. A corrupção sob o sistema democrático não é pior, nos casos individuais, do que a corrupção sob a autocracia. Há meramente mais, pela simples razão de que onde o governo é popular, mais gente tem oportunidade para agir corruptamente à custa do Estado do que nos países onde o governo é autocrático. Nos estados autocraticamente organizados, o espólio do governo é compartilhado entre poucos. Nos estados democráticos há muito mais pretendentes, que só podem ser satisfeitos com uma quantidade muito maior de espólio que seria necessário para satisfazer os poucos aristocratas. A experiência demonstrou que o governo democrático é geralmente muito mais dispendioso do que o governo por poucos.

Correspondências

A natureza é um templo augusto, singular,
Que a gente ouve exprimir em língua misteriosa;
Um bosque simbolista onde a √°rvore frondosa
Vê passar os mortais, e segue-os com o olhar.

Como distintos sons que ao longe v√£o perder-se,
Formando uma só voz, de uma rara unidade,
Tem vasta como a noite a claridade,
Sons, perfumes e cor logram corresponder-se

H√° perfumes subtis de carnes virginais,
Doces como o oboé, verdes como o alecrim,
E outros, de corrupção, ricos e triunfais

Como o √Ęmbar e o musgo, o incenso e o benjoim,
Entoando o louvor dos arroubos ideais,
Com a larga expans√£o das notas d’um clarim.

Tradução de Delfim Guimarães