Cita√ß√Ķes sobre Cortejos

26 resultados
Frases sobre cortejos, poemas sobre cortejos e outras cita√ß√Ķes sobre cortejos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

l√Ęmpada votiva

1. teve longa agonia a minha m√£e

teve longa agonia a minha m√£e:
seu ser tornou-se um puro sofrimento
e a sua voz apenas um lamento
sombrio e lancinante, mas ninguém

podia fazer nada, era novembro,
levou-a o sol da tarde quando a face
lhe serenou, foi como se acordasse
outra espessura dela em mim. relembro

sombras e risos, coisas pequenas, nadas,
e horas graves da inf√Ęncia e idade adulta
que este silêncio oculta e desoculta
nessas pobres fei√ß√Ķes desfiguradas.

quanta canção perdida se procura,
quanta encontrada em l√°grimas murmura.

2. e n√£o queria ser vista e foi envolta

e n√£o queria ser vista e foi envolta
num lençol branco em suas dobras leves,
pus junto dela algumas rosas breves
e a lembrança represa ficou solta

e foi à desfilada. De repente,
a minha m√£e j√° n√£o estava morta:
era o vulto que à noite se recorta
na luz do corredor, se est√° doente

algum de nós, a mão que pousa e traz
algum sossego à fronte,

Continue lendo…

Expectativa: estado ou condi√ß√£o mental que, no cortejo das emo√ß√Ķes humanas, √© precedido pela esperan√ßa e seguido pelo desespero.

Noturno

Pesa o silêncio sobre a terra. Por extenso
Caminho, passo a passo, o cortejo funéreo
Se arrasta em dire√ß√£o ao negro cemit√©rio…
À frente, um vulto agita a caçoula do incenso.

E o cortejo caminha. Os cantos do saltério
Ouvem-se. O morto vai numa rede suspenso;
Uma mulher enxuga as lágrimas ao lenço;
Chora no ar o rumor de misticismo aéreo.

Uma ave canta; o vento acorda. A ampla mortalha
Da noite se ilumina ao resplendor da lua…
Uma estrige soluça; a folhagem farfalha.

E enquanto paira no ar esse rumor das calmas
Noites, acima dele em silêncio, flutua
O lausperene mudo e s√ļplice das almas.

Sidera√ß√Ķes

Para as Estrelas de cristais gelados
As √Ęnsias e os desejos v√£o subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplid√£o vestindo…

Num cortejo de c√Ęnticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo…

Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de Vis√Ķes levanta…

E as √Ęnsias e os desejos infinitos
V√£o com os arcanjos formulando ritos
Da Eternidade que nos Astros canta…

Silêncios

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos.

Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, l√°grima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.

√ď Sil√™ncios! √≥ c√Ęndidos desmaios,
V√°cuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais l√≠mpido cortejo…

Eu vos sinto os mistérios insondáveis,
Como de estranhos anjos inef√°veis
O glorioso esplendor de um grande beijo!

Carnal E Místico

Pelas regi√Ķes tenu√≠ssimas da bruma
Vagam as Virgens e as Estrelas raras…
Como que o leve aroma das searas
Todo o horizonte em derredor perfume.

N’uma evapora√ß√£o de branca espuma
V√£o diluindo as perspectives claras…
Com brilhos crus e f√ļlgidos de tiaras
As Estrelas apagam-se uma a uma.

E então, na treva, em místicas dormências
Desfila, com sidéreas lactescências,
Das Virgens o son√Ęmbulo cortejo…

√ď Formas vagas, nebulosidades!
Essência das eternas virgindades!
√ď intensas quimeras do Desejo…

Amor Verdadeiro

Tua frieza aumenta o meu desejo:
fecho os meus olhos para te esquecer,
mas quanto mais procuro n√£o te ver,
quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

Humildemente atr√°s de ti rastejo,
humildemente, sem te convencer,
enquanto sinto para mim crescer
dos teus desdéns o frígido cortejo.

Sei que jamais hei de possuir-te, sei
que outro feliz, ditoso como um rei
enlaçará teu virgem corpo em flor.

Meu coração no entanto não se cansa:
amam metade os que amam com espr’an√ßa,
amar sem espr’an√ßa √© o verdadeiro amor.

Funeral: um cortejo atrav√©s do qual demonstramos o nosso respeito para com os mortos, enriquecendo o cangalheiro, e refor√ßamos a nossa dor com uma despesa que torna mais pungentes as nossas lam√ļrias e mais abundantes as nossas l√°grimas.

A Lua de Londres

√Č noite; o astro saudoso
Rompe a custo um pl√ļmbeo c√©u,
Tolda-lhe o rosto formoso
Alvacento, h√ļmido v√©u:
Traz perdida a cor de prata,
Nas √°guas n√£o se retrata,
N√£o beija no campo a flor,
N√£o traz cortejo de estrelas,
N√£o fala d’amor √†s belas,
N√£o fala aos homens d’amor.

Meiga lua! os teus segredos
Onde os deixaste ficar?
Deixaste-os nos arvoredos
Das praias d’al√©m do mar?
Foi na terra tua amada,
Nessa terra t√£o banhada
Por teu límpido clarão?
Foi na terra dos verdores,
Na p√°tria dos meus amores,
Pátria do meu coração?

Oh! que foi!… deixaste o brilho
Nos montes de Portugal,
L√° onde nasce o tomilho,
Onde h√° fontes de cristal;
L√° onde viceja a rosa,
Onde a leve mariposa
Se espaneja à luz do sol;
L√° onde Deus concedera
Que em noites de Primavera
Se escutasse o rouxinol.

Tu vens, ó lua, tu deixas
Talvez há pouco o país,
Onde do bosque as madeixas
Já têm um flóreo matiz;
Amaste do ar a doçura,

Continue lendo…

Aos Vencedores

Visto que tudo passa e as épicas memorias
Dos fortes, dos heroes, se v√£o cada vez mais,
Que tudo é luto e pó! ó vós que triumphaes
N√£o turbeis a raz√£o nos vinhos das v√£as glorias!

Não ergais alto a taça, á hora dos gemidos,
Esquecidos talvez nos gosos, nos regallos;
E não façaes jámais pastar vossos cavallos
Na herva que cobrir os ossos dos vencidos!

N√£o celebreis j√°mais as festas dos noivados,
N√£o encontreis na volta os lugubres cortejos!
– E se amardes, olhae que ao som dos vossos beijos
Não respondam da praça os ais dos fusilados!

Sim! – se venceste emfim, folgae todas as horas,
Mas deixae lastimar-se os orph√£os, as amantes,
Nem façaes, junto a nós, altivos, triumphantes,
Pelas ruas demais tinir vossas esporas!

Pois toda a gloria √© p√≥! toda a fortuna v√£! –
РE nós lassos emfim dos prantos dolorosos,
Reg√°mos j√° demais a terra–√≥ gloriosos
Vencedores! talvez, – vencidos d’amanh√£!

Tristissima

N’um paiz longe, secreto,
Lendaria ilha affastada,
Jaz todo o dia sentada
N’um throno de marmor preto.

No seu palacio esculpido
N√£o entram constella√ß√Ķes;
Os tectos dos seus sall√Ķes
S√£o todos d’ouro polido!

Nas largas escadarias
Sobem vassallos ao cento,
De noute suluça o vento
N’aquellas tape√ßarias.

E pelas largas janellas
Fechadas, sempre corridas,
Ha flores desconhecidas
Que n√£o olham as estrellas.

Na dextra segura um calix,
– Calix da D√īr e da Magoa!
Onde est√° contida a agoa
E o sangue dos nossos males!

Pelas florestas sosinhas
Escuras, sem rouxinoes,
Erram chorando os Heroes,
E as desgraçadas Rainhas.

Seguida, √° noute, de servas,
Caminha, em cortejo mudo,
Rojando o negro velludo
De seu cabello nas hervas.

Sómente ao vel-a passar
Ficam as almas surprezas;
– Ha todo um mar de tristezas
No abismo do seu olhar!

Certa Velhinha

1

Além, na tapada das Quatorze Cruzes,
Que triste velhinha que vae a passar!
N√£o leva candeia; hoje, o c√©u n√£o tem luzes…
Cautella, velhinha, não vás tropeçar!

Os ventos entoam cantigas funestas,
Relampagos tingem de vermelho o Azul!
Aonde ir√° ella, n’uma noite d’estas,
Com vento da Barra puxado do sul?

Aonde ir√° ella, pastores! boieiras!
Aonde ir√° ella, n’uma noite assim?
Se for un phantasma, fazei-lhe fogueiras,
Se for uma bruxa, queimae-lhe alecrim!

Contava-me aquella que a tumba j√° cerra,
Que Nossa Senhora, quando a chama alguem,
Escolhe estas noites p’ra descer √° Terra,
Porque em noites d’estas n√£o anda ninguem…

Além, na tapada das Quatorze Cruzes,
Que linda velhinha que vem a passar!
E que olhos aquelles que parecem luzes!
Quaes velas accezas que a v√™m a guiar…

Que pobre capinha que leva de rastros,
T√£o velha, t√£o r√īta! Que triste viuvez!
Mas se lhe d√° vento, meu Deus! tantos astros!
√Č o c√©u estrellado vestido do envez…

Seu alvo cabello, molhado das chuvas,
Parece uma vinha de luar em flor…

Continue lendo…

Rodopio

Volteiam dentro de mim,
Em rodopio, em novelos,
Milagres, uivos, castelos,
Forcas de luz, pesadelos,
Altas t√īrres de marfim.

Ascendem h√©lices, rastros…
Mais longe coam-me sois;
Há promontórios, farois,
Upam-se est√°tuas de herois,
Ondeiam lanças e mastros.

Zebram-se armadas de c√īr,
Singram cortejos de luz,
Ruem-se braços de cruz,
E um espelho reproduz,
Em treva, todo o esplendor…

Cristais retinem de mêdo,
Precipitam-se estilhaços,
Chovem garras, manchas, la√ßos…
Planos, quebras e espaços
Vertiginam em segrêdo.

Luas de oiro se embebedam,
Rainhas desfolham lirios;
Contorcionam-se círios,
Enclavinham-se delírios.
Listas de som enveredam…

Virgulam-se aspas em vozes,
Letras de fogo e punhais;
H√° missas e bacanais,
Execu√ß√Ķes capitais,
Regressos, apoteoses.

Silvam madeixas ondeantes,
Pungem l√°bios esmagados,
H√° corpos emmaranhados,
Seios mordidos, golfados,
Sexos mortos de anseantes…

(H√° incenso de esponsais,
H√° m√£os brancas e sagradas,
H√° velhas cartas rasgadas,
H√° pobres coisas guardadas –
Um len√ßo, fitas, dedais…)

Há elmos, troféus, mortalhas,
Emana√ß√Ķes fugidias,

Continue lendo…

A Mentira é mais Interessante que a Verdade

¬ęO que √© a verdade¬Ľ? Perguntava Pilatos gracejando, talvez que n√£o esperasse pela resposta. H√° quem se delicie com a inconst√Ęncia, e considere servid√£o o fixar-se numa cren√ßa; h√° quem se afei√ßoe ao livre-arb√≠trio tanto no pensar como no agir. E se bem que as seitas de fil√≥sofos desta esp√©cie hajam desaparecido, sobrevivem alguns representantes da mesma fam√≠lia, apesar de nas veias n√£o lhes correr tanto sangue como nas dos antigos. N√£o √© somente a dificuldade e a canseira que o homem experimenta ao perseguir a verdade, nem sequer o facto de, uma vez encontrada, se impor aos pensamentos humanos, o que leva a conceder √†s mentiras os maiores favores; √© sim, um natural mas corrompido amor da pr√≥pria mentira. Uma das √ļltimas escolas dos Gregos examinou esta quest√£o, mas deteve-se a pensar no que leva o homem a armar as mentiras, quando n√£o o faz por prazer, como os poetas, ou por utilidade, como os mercadores, mas pelo pr√≥prio mentir.
Não sei como dizê-lo, mas a verdade é uma luz nua e crua que não mostra as máscaras, as cegadas e os cortejos do mundo com metade da altivez e da graciosidade com que aparecem iluminados pelos candelabros.

Continue lendo…

Velho Tema III

Belas, airosas, p√°lidas, altivas,
Como tu mesma, outras mulheres vejo:
S√£o rainhas, e segue-as num cortejo
Extensa multid√£o de almas cativas.

Tem a alvura do m√°rmore; lascivas
Formas; os l√°bios feitos para o beijo;
E indiferente e desdenhoso as vejo
Belas, airosas, p√°lidas, altivas…

Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
Mesmo às que são mais puras e mais belas,
Um detalhe sutil, um quase nada:

Falta-lhes a paix√£o que em mim te exalta,
E entre os encantos de que brilham, falta
O vago encanto da mulher armada.

O Poema Pouco Original do Medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambul√Ęncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
m√£ozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murm√ļrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sess√Ķes cont√≠nuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
oper√°rios
(assim assim)
escritur√°rios
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

*

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

À Janela De Garcia De Resende

Janela antiga sobre a rua plana…
Ilumina-a o luar com seu clar√£o…
Dantes, a descansar de luta insana,
Fui, talvez, flor no po√©tico balc√£o…

Dantes! Da minha glória altiva e ufana,
Talvez…Quem sabe?…Tonto de ilus√£o,
Meu rude coração de alentejana
Me palpitasse ao luar nesse balc√£o…

Mística dona, em outras Primaveras,
Em refulgentes horas de outras eras,
Vi passar o cortejo ao sol doirado…

Bandeiras! Pajens! O pend√£o real!
E na tua m√£o, vermelha, triunfal,
Minha divisa: um cora√ß√£o chagado!…

Aleluia! Aleluia!

Dentre um cortejo de harpas e ala√ļdes
√ď Arcanjo sereno, Arcanjo n√≠veo,
Baixas-te √† terra, ao mundanal conv√≠vio…
Pois que a terra te ajude, e tu me ajudes.

Que tu me alentes nas batalhas rudes,
Que me tragas a flor de um doce alívio
Aos báratros, às brenhas, ao declívio
Deste caminho de √Ęnsias e ata√ļdes…

J√° que desceste das regi√Ķes celestes,
Nesse clarão flamívomo das vestes,
Através dos troféus da Eternidade

Traz-me a Luz, traz-me a Paz, traz-me a Esperança
Para a minh’alma que de ang√ļstias cansa,
Errando pelos claustros da Saudade!

A uma Mulher

Pra vós são estes versos, pla consoladora
Graça dos olhos onde chora e ri um sonho
Doce, pla vossa alma pura e sempre boa,
Versos do fundo desta aflição opressora.

Porque, ai! o pesadelo hediondo que me assombra
Não dá tréguas e, louco, furioso, ciumento,
Multiplica-se como um cortejo de lobos
E enforca-se com o meu destino que ensanguenta!

Ah! sofro horrivelmente, ao ponto de o gemido
Desse primeiro homem expulso do Paraíso
Não passar de uma écloga à vista do meu!

E os cuidados que vós podeis ter são apenas
Andorinhas voando à tarde pelo céu
‚ÄĒ Querida ‚ÄĒ num belo dia de um Setembro ameno.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral