Passagens sobre Descobertas

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Frases sobre descobertas, poemas sobre descobertas e outras passagens sobre descobertas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Talento na Juventude e na Velhice

Nada menos exacto do que supor que o talento constitui privilégio da mocidade. Não. Nem da mocidade, nem da velhice. Não se é talentoso por se ser moço, nem genial por se ser velho. A certidão de idade não confere superioridade de espírito a ninguém. Nunca compreendi a hostilidade tradicional entre velhos e moços (que aliás enche a história das literaturas); e não percebo a razão por que os homens se lançam tantas vezes recíprocamente em rosto, como um agravo, a sua velhice ou a sua juventude.
Ser idoso não quer dizer que se seja necessáriamente intolerante e retrógado; e engana-se quem supuser que a mocidade, por si só, constitui garantia de progresso ou de renovação mental. As grandes descobertas que ilustram a história da ciência e contribuiram para o progresso humano são, em geral, obra dos velhos sábios; e a mocidade literária, negando embora sistemáticamente o passado, é nele que se inspira, até que o escritor adquire (quando adquire) personalidade própria.
(…) A mocidade, em geral, n√£o cria; utiliza, transformando-o, o legado que recebeu. Juventude e velhice n√£o se op√Ķem; completam-se na harmonia universal dos seres e das coisas. A vida n√£o √© s√≥ o entusiasmo dos mo√ßos;

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Opi√°rio

Ao Senhor M√°rio de S√°-Carneiro

√Č antes do √≥pio que a minh’alma √© doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo h√°-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
j√° n√£o encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os pr√≥prios gozos g√Ęnglios do meu mal.

√Č por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre vis√Ķes de cadafalsos
Num jardim onde h√° flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impress√£o de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um av√ī meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

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As coisas são descobertas por meio das lembranças que se têm delas. Relembrar uma coisa significa vê-la Рapenas agora Рpela primeira vez.

√Č sempre assim: se for√ßas uma descoberta interna, a mente obstrui-te logo a seguir. Tudo o que √© sentido tem um momento certo, se ainda n√£o chegou √© porque ainda n√£o √© suposto chegar e de nada adianta for√ßar, pois ficar√°s cada vez mais e mais confuso.

Faça a descoberta de si mesmo, e aos poucos você descobrirá que é mais seguro e compensador valorizar-se.

At√© hoje eu por assim dizer n√£o sabia que se pode n√£o escrever. Gradualmente, gradualmente at√© que de repente a descoberta t√≠mida: quem sabe, tamb√©m eu j√° poderia n√£o escrever. Como √© infinitamente mais ambicioso. √Č quase inalcan√ß√°vel.

Um Mundo Melhor

Tal como existem muitas formas de vida, tamb√©m existem in√ļmeras formas de viver. A minha predileta e aquela onde, por incr√≠vel que pare√ßa, assento a minha paz, cont√©m o ingrediente que mais potencia as emo√ß√Ķes, o risco. O risco √© a gra√ßa da vida, √© aventura, √© o desconhecido, √© a busca e a mais valiosa oportunidade para cresceres e te desenvolveres como ser consciente.

Quando foi a √ļltima vez que arriscaste?
O que é que sentiste?
Percebeste que, correndo bem ou mal, o risco é a viagem e nunca o resultado?
Continuaste a arriscar nessa ou noutras √°reas da tua vida?
O risco est√° associado √† a√ß√£o, √† coragem, ao prazer, √† paix√£o pela vida, √† entrega no ¬ęAgora¬Ľ e implica o abandono do sof√°, da rotina doentia em que escolheste movimentar-te e dos padr√Ķes em que cresceste.

Chamam-me louco, eu respondo-lhes que vivem pouco. Sou um homem feliz, ainda que, como qualquer ser humano, viva com alguns preconceitos espont√Ęneos, medos s√ļbitos e frustra√ß√Ķes pontuais. Sou, tamb√©m, algu√©m com experi√™ncia em ajudar pessoas… humm, ajudar, n√£o! Dirigir soa melhor e √©, igualmente, mais real. Promovo-lhes, atrav√©s da minha experi√™ncia em coaching,

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Os génios não cometem erros. Os seus erros são sempre voluntários e dão origem a alguma descoberta.

A educa√ß√£o √© uma descoberta progressiva da nossa pr√≥pria ignor√Ęncia.

Educa√ß√£o √© uma descoberta progressiva de nossa pr√≥pria ignor√Ęncia.

Dá Tempo à Tua Vocação

Nunca d√™s ouvidos √†queles que, no desejo de te servir, te aconselham a renunciar a uma das tuas aspira√ß√Ķes. Tu bem sabes qual √© a tua voca√ß√£o, pois a sentes exercer press√£o sobre ti. E, se a atrai√ßoas, √© a ti que desfiguras. Mas fica sabendo que a tua verdade se far√° lentamente, pois ela √© nascimento de √°rvore e n√£o descoberta de uma f√≥rmula. O tempo √© que desempenha o papel mais importante, porque se trata de te tornares outro e de subires uma montanha dif√≠cil. Porque o ser novo, que √© unidade libertada no meio da confus√£o das coisas, n√£o se te imp√Ķe como a solu√ß√£o de um enigma, mas como um apaziguamento dos lit√≠gios e uma cura dos ferimentos. E s√≥ vir√°s a conhecer o seu poder, uma vez que ele se tiver realizado. Nada me pareceu t√£o √ļtil ao homem como o sil√™ncio e a lentid√£o. Por isso os tenho honrado sempe como deuses por demais esquecidos.

Assim como a leitura, a mera experiência não pode substituir o pensamento. A pura empiria está para o pensamento como o ato de comer está para a digestão e a assimilação. Quando a experiência se vangloria de que somente ela, por meio de suas descobertas, fez progredir o saber humano, é como se a boca quisesse se gabar por sustentar sozinha a existência do corpo.

As descobertas já conseguidas se devem ao acaso e à experiência vulgar mais do que à ciência.

F√°bula

Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante.
Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seio de Maria ca√≠am nus da blusa. Uma das m√£os do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo d√® homem: r√≠gido e fremente, ao mesmo tempo, √† for√ßa de concentrar todo o √≠mpeto nas n√°degas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas da rapariga. Parecia um cavalo ofegante ‚ÄĒ os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espa-lhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o c√©u branco de agosto. Mas a terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante.

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As paix√Ķes s√£o como ventanias que sopram as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem faz√™-los naufragar, mas se n√£o fossem elas, n√£o haveriam viagens, nem aventuras, nem novas descobertas.

A Essência do Progresso

РLá porque vivemos em erectos edifícios não quer dizer que não vivamos afinal em cavernas. De resto cada homem vive mergulhado na penumbra da caverna que ele próprio é. E somos todos primitivos porque como o futuro está constantemente a cumprir-se, para os que vierem depois de nós seremos sempre velhos, depois antigos e depois primitivos. A essência do progresso consiste no eterno insistir sobre um mesmo esquema.
РMas que progresso é esse que se baseia na eterna repetição de si próprio?
РA descoberta gradual da permanência do esquema.