Cita√ß√Ķes sobre Desinteresse

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Frases sobre desinteresse, poemas sobre desinteresse e outras cita√ß√Ķes sobre desinteresse para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Mal da Nossa Literatura

O mal da nossa literatura é não ser bastante forte para enfrentar o desafio dos casos solitários. Há momentos históricos em que a solidão pode passar por desinteresse da sociedade de que se participa. Atravessamos um desses momentos e a crise explica que ninguém queira expor-se ao risco de atraiçoar um pacto com uma literatura empenhada numa só direcção. Esquece-se todavia que ser-se solitário é, na mais íntegra acepção, a forma mais fecunda de se ser solidário. Na grande solidão de Kafka formou-se um processo que envolvia o problema da liberdade intrínseca de cada um.

Amar ou Ser Amado?

Que √© o que mais deseja e mais estima o amor: ver-se conhecido ou ver-se pago? √Č certo que o amor n√£o pode ser pago, sem ser primeiro conhecido; mas pode ser conhecido, sem ser pago. E considerando divididos estes dois termos, n√£o h√° d√ļvida que mais estima o amor e melhor lhe est√° ver-se conhecido que pago. Porque o que o amor mais pretende, √© obrigar; o conhecimento obriga, a paga desempenha. Logo muito melhor lhe est√° ao amor ver-se conhecido que pago; porque o conhecimento aperta as obriga√ß√Ķes, a paga e o desempenho desata-as. O conhecimento √© satisfa√ß√£o do amor pr√≥prio; a paga √© satisfa√ß√£o do amor alheio. Na satisfa√ß√£o do que o amor recebe, pode ser o afecto interessado; na satisfa√ß√£o do que comunica, n√£o pode ser sen√£o liberal. Logo, mais deve estimar o amor ter segura no conhecimento a satisfa√ß√£o da sua liberalidade, que ver duvidosa na paga a fidalguia do seu desinteresse. O mais seguro cr√©dito de quem ama, √© a confiss√£o da d√≠vida no amado; mas como h√°-de confessar a d√≠vida, quem a n√£o conhece? Mais lhe importa logo ao amor o conhecimento que a paga; porque a sua maior riqueza √© ter sempre individado a quem ama.

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A Moralidade dos Homens Exaustos

Parte do conservantismo da idade madura decorre da intelig√™ncia, que afinal percebe a complexidade das institui√ß√Ķes e as imperfei√ß√Ķes do desejo; e parte vem do enfraquecimento das energias, o que explica a imaculada moralidade dos homens exaustos. A princ√≠pio com incredulidade, depois com desepero, vamos percebendo que o nosso reservat√≥rio de energia j√° n√£o se enche com a facilidade antiga; ou, como disse Schopenhauer, come√ßamos a consumir o capital em vez da renda do capital. Essa descoberta anuvia por alguns anos o homem maduro e indu-lo a deblaterar contra a brevidade da vida e a impossibilidade de realiza√ß√£o de grandes obras. Est√° ele j√° no alto da colina, de onde v√™, l√° no fundo, o fim inevit√°vel – a morte. At√© aquele momento n√£o admitia a morte, s√≥ pensando nela como um tema acad√©mico, de desinteresse para os cofres. Subitamente tudo muda e come√ßa a v√™-la de perto, e por mais que se esforce para n√£o descer a colina, h√° que desc√™-la. Os seus olhos voltam-se para o passado, para os dias em que tudo era ascens√£o descuidosa; e compraz-se na companhia dos mo√ßos e crian√ßas porque deles haure, passageira e incompletamente embora, um pouco do divino esquecimento da morte.

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Sabedoria é não Entender

N√£o entendo. Isso √© t√£o vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender √© sempre limitado. Mas n√£o entender pode n√£o ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando n√£o entendo. N√£o entender, do modo como falo, √© um dom. N√£o entender, mas n√£o como um simples de esp√≠rito. O bom √© ser inteligente e n√£o entender. √Č uma ben√ß√£o estranha, como ter loucura sem ser doida. √Č um desinteresse manso, √© uma do√ßura de burrice. S√≥ que de vez em quando vem a inquieta√ß√£o: quero entender um pouco. N√£o demais: mas pelo menos entender que n√£o entendo.

O Primitivo Reina na Civilização Actual

Todo o crescimento de possibilidades concretas que a vida experimentou corre risco de se anular a si mesmo ao topar com o mais pavoroso problema sobrevindo no destino europeu e que de novo formulo: apoderou-se da dire√ß√£o social um tipo de homem a quem n√£o interessam os princ√≠pios da civiliza√ß√£o. N√£o os desta ou os daquela, mas ‚Äď ao que hoje pode julgar-se ‚Äď os de nenhuma. Interessam-lhe evidentemente os anest√©sicos, os autom√≥veis e algumas coisas mais. Mas isto confirma o seu radical desinteresse pela civiliza√ß√£o. Pois estas coisas s√£o s√≥ produtos dela, e o fervor que se lhes dedica faz ressaltar mais cruamente a insensibilidade para os princ√≠pios de que nascem. Baste fazer constar este fato: desde que existem as nuove scienze, as ci√™ncias f√≠sicas ‚Äď portanto, desde o Renascimento ‚Äď, o entusiasmo por elas havia aumentado sem colapso, ao longo do tempo. Mais concretamente: o n√ļmero de pessoas que em propor√ß√£o se dedicavam a essas puras investiga√ß√Ķes era maior em cada gera√ß√£o. O primeiro caso de retrocesso ‚Äď repito, proporcional ‚Äď produziu-se na gera√ß√£o que hoje vai dos vinte aos trinta anos. Nos laborat√≥rios de ci√™ncia pura come√ßa a ser dif√≠cil atrair disc√≠pulos. E isso acontece quando a ind√ļstria alcan√ßa o seu maior desenvolvimento e quando as pessoas mostram maior apetite pelo uso de aparelhos e medicinas criados pela ci√™ncia.

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De Palavras Está o País Farto

Governe-se com o parlamento, √© esse o meu maior desejo, mas para isso √© necess√°rio que ele tamb√©m fa√ßa alguma coisa. √Č preciso obras e n√£o palavras. De palavras, bem o sabemos, est√° o Pa√≠s farto. N√£o quer discuss√Ķes pol√≠ticas das quais pouco ou nenhum bem lhe vir√°, o que quer √© que se discuta administra√ß√£o, que se discutam medidas que lhe sejam √ļteis. Assim poder√° o Pa√≠s interessar-se pelo parlamento; com discuss√Ķes de mera pol√≠tica, interessar√° os amadores de esc√Ęndalos v√°rios, esses sim, mas far√° com que a parte sensata e trabalhadora do Pa√≠s se desinteresse por completo daquilo que para nada lhe servir√°. Por estes motivos √© que eu acho in√ļtil para n√£o dizer… perniciosa, uma nova abertura do parlamento.

A Timidez

A verdade é que vivi muitos dos meus primeiros anos, e talvez os segundos e os terceiros, como uma espécie de surdo-mudo.
Ritualmente vestido de negro desde muito novinho, tal como se vestiam os verdadeiros poetas do s√©culo passado, tinha uma vaga impress√£o de n√£o me apresentar muito mal. Mas, em vez de me aproximar das raparigas, ciente de que gaguejaria ou coraria diante delas, preferia passar de lado e afastar-me, ostentando um desinteresse que estava longe de sentir. Todas eram, para mim, um grande mist√©rio. Preferiria morrer queimado naquela fogueira secreta, afogar-me naquele po√ßo de enigm√°tica profundidade, mas n√£o me atrevia a atirar-me ao fogo ou √† √°gua. Ora, como n√£o encontrava ningu√©m que me desse um empurr√£o, passava pelas margens dessas fascina√ß√Ķes sem olhar sequer e muito menos sorrir.

Acontecia outro tanto com os adultos, gente m√≠nima, funcion√°rios de caminho-de-ferro e de correios e suas ¬ęsenhoras esposas¬Ľ, assim intituladas porque a pequena burguesia se escandaliza, intimidada, diante da palavra mulher. Eu escutava as conversas √† mesa do meu pai. Mas, no dia seguinte, se esbarrava na rua com quem tinha comido na noite anterior em minha casa, n√£o me atrevia a cumprimentar e at√© mudava de rumo para evitar o mau bocado.

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O Amor ao Próximo

Vós outros andais muito solícitos em redor do próximo, e a vossa solicitude exprime-se em belas palavras. Mas eu vos digo: o vosso amor ao próximo é apenas o vosso mau amor por vós próprios.
√Č para fugirdes de v√≥s que andais em volta do pr√≥ximo, e querer√≠eis converter isso numa virtude; mas pus a claro o vosso ¬ędesinteresse¬Ľ.
(…) N√£o suportais a vossa pr√≥pria companhia, e n√£o vos amais o suficiente; procurais ent√£o seduzir o pr√≥ximo com o vosso amor e doirar-vos com o seu erro.
Eu quisera que todos os próximos e aqueles que se seguem se vos tornassem intoleráveis: assim teríeis de extrair de vós mesmos o amigo de coração transbordante.
Convocais uma testemunha quando quereis dizer bem de vós; e logo que a haveis induzido a pensar bem da vossa pessoa, vós mesmos pensais bem da vossa pessoa.
√Č mentiroso n√£o s√≥ o que fala contra a sua consci√™ncia, mas tamb√©m o que fala contra a sua inconsci√™ncia. Ora √© assim que falais de v√≥s no tr√Ęnsito di√°rio, e que enganais o pr√≥ximo e a v√≥s mesmos.
Assim fala o louco: ‘O conv√≠vio dos homens estraga o car√°cter, sobretudo quando n√£o tem car√°cter’.

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O Homem Ponderado Governa

Cultive a pondera√ß√£o. √Č poder controlado. Armazena energia para ser usada em circunst√Ęncias especiais. Pondera√ß√£o √© a arte de erguer as sobrancelhas em vez de deitar o telhado abaixo. Conserva-o calmo e acautelado em diferentes circunst√Ęncias. N√£o significa fraqueza, nem estupidez, ou indiferen√ßa ou desinteresse. Na sua forma mais alta sugere autoconfian√ßa, independ√™ncia e dom√≠nio perfeito. O homem ponderado governa. O trabalho feito com pondera√ß√£o √© mais prof√≠cuo porque √© bem feito, meticuloso e inteligente. Exerce uma grande influ√™ncia sobre as outras pessoas. Sugere a exist√™ncia de largas reservas de energia. Pondera√ß√£o √© poder bem controlado e dirigido. Evita desperdi√ßar energias vitais, e d√° o equil√≠brio necess√°rio a todas as nossas for√ßas.

Não és Bom, nem és Mau

N√£o √©s bom, nem √©s mau: √©s triste e humano…
Vives ansiando, em maldi√ß√Ķes e preces,
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal padeces;
E rolando num vórtice insano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.
Capaz de horrores e de a√ß√Ķes sublimes,
N√£o ficas com as virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:
E no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um dem√īnio que ruge e um deus que chora.

A Fonte do Interesse

E de vez em quando √© assim: vivo numa suspens√£o de tudo, de interesses, de leituras, de escrita. Possivelmente √© um erro supor-se que um interesse, seja qual for, reside nisso mesmo em que se est√° interessado. N√£o est√°. Um interesse remete sempre para outro e outro, at√© ao interesse final que tem que ver com a pr√≥pria vida, o motivo global que nos impulsiona. H√° pelo menos que haver uma raz√£o final e gen√©rica para que as raz√Ķes circunstanciais ou ocasionais tenham um efeito propulsor. H√° que termos essa raz√£o, mesmo inconsciente, para que todas as outras actuem em n√≥s. E o que n√£o acontece quando por exemplo dizemos que estamos sem interesse. N√£o nos apetece ler, n√£o nos apetece escrever, n√£o nos apetece ir ao cinema, ouvir m√ļsica etc, quando falta uma raz√£o global em que isso se inscreva. E ent√£o dizemos sumariamente isso mesmo: que n√£o nos apetece. Se temos um grande desgosto, se estamos condenados por uma doen√ßa etc. justifica-se o desinteresse por essa raz√£o. Significa isso que essa raz√£o √© o fundamento global que nos falhou para qualquer outro interesse subsistir. Os que superam esse estado s√£o excepcionais, ou loucos ou de for√ßa de vontade ou obsessivos,

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