Textos sobre Trabalhadores

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Textos de trabalhadores escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O √ďpio

…Havia ruas inteiras dedicadas ao √≥pio… Os fumadores deitavam-se sobre baixas tarimbas… Eram os verdadeiros lugares religiosos da √ćndia… N√£o tinham nenhum luxo, nem tape√ßarias, nem coxins de seda… Era tudo madeira por pintar, cachimbos de bambu e almofadas de lou√ßa chinesa… Pairava ali uma atmosfera de dec√™ncia e austeridade que n√£o existia nos templos… Os homens adormecidos n√£o faziam movimento ou ru√≠do… Fumei um cachimbo… N√£o era nada… Era um fumo caliginoso, morno e leitoso… Fumei quatro cachimbos e estive cinco dias doente, com n√°useas que vinham da espinha dorsal, que me desciam do c√©rebro… E um √≥dio ao sol, √† exist√™ncia… O castigo do √≥pio… Mas aquilo n√£o podia ser tudo… Tanto se dissera, tanto se escrevera, tanto se vasculhara nas maletas e nas malas, tentando apanhar nas alf√Ęndegas o veneno, o famoso veneno sagrado… Era preciso vencer a repugn√Ęncia… Devia conhecer o √≥pio, provar o √≥pio, afim de dar o meu testemunho… Fumei muitos cachimbos, at√© que conheci… N√£o h√° sonhos, n√£o h√° imagens, n√£o h√° paroxismos… H√° um enfraquecimento met√≥dico, como se uma nota infinitamente suave se prolongasse na atmosfera… Um desvanecimento, um v√°cuo dentro de n√≥s… Qualquer movimento do cotovelo, da nuca, qualquer som distante de carruagem,

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Democracia Representativa

Democracia representativa significa o funcionamento de √≥rg√£os de soberania eleitos e o pleno respeito pela a√ß√£o da oposi√ß√£o parlamentar. Mas significa, tamb√©m, que n√£o se transigir√° com quaisquer tentativas de, por meios n√£o parlamentares, derrubar o Governo, sejam elas o apelo √† insurrei√ß√£o, √† desobedi√™ncia e ao desrespeito da lei, sejam elas as tentativas de provocar afrontamentos entre √≥rg√£os de soberania, sejam elas as manipula√ß√Ķes dos leg√≠timos direitos dos trabalhadores.

De Palavras Está o País Farto

Governe-se com o parlamento, √© esse o meu maior desejo, mas para isso √© necess√°rio que ele tamb√©m fa√ßa alguma coisa. √Č preciso obras e n√£o palavras. De palavras, bem o sabemos, est√° o Pa√≠s farto. N√£o quer discuss√Ķes pol√≠ticas das quais pouco ou nenhum bem lhe vir√°, o que quer √© que se discuta administra√ß√£o, que se discutam medidas que lhe sejam √ļteis. Assim poder√° o Pa√≠s interessar-se pelo parlamento; com discuss√Ķes de mera pol√≠tica, interessar√° os amadores de esc√Ęndalos v√°rios, esses sim, mas far√° com que a parte sensata e trabalhadora do Pa√≠s se desinteresse por completo daquilo que para nada lhe servir√°. Por estes motivos √© que eu acho in√ļtil para n√£o dizer… perniciosa, uma nova abertura do parlamento.

Religião Cósmica

√Č muito dif√≠cil transmitir este sentimento a algu√©m completamente desprovido dele, especialmente porque n√£o lhe corresponde qualquer concep√ß√£o antropom√≥rfica de Deus.
Os g√©nios religiosos de todos os tempos distinguiram-se por possu√≠rem este tipo de sentimento religioso, que n√£o reconhece nenhum dogma nem nenhum deus concebido √† imagem do homem; por isso n√£o pode existir nenhuma igreja cujos ensinamentos centrais se baseiem nele. Logo, √© precisamente entre os her√©ticos de todos os tempos que encontramos homens cheios deste tipo de sentimento religioso e que foram olhados em muitos casos pelos seus contempor√Ęneos como ateus, por vezes tamb√©m como santos. A esta luz, homens como Dem√≥crito, Francisco de Assis e Spinoza s√£o muito parecidos entre si.
Como pode o sentimento religioso cósmico ser comunicado por uma pessoa a outra se não conduz a nenhuma noção definida de Deus e a nenhuma teologia? Na minha perspectiva, a função mais importante da arte e da ciência consiste em despertar e manter vivo este sentimento em todos os que sejam receptivos a ele.
Chegamos deste modo a uma concep√ß√£o da rela√ß√£o entre ci√™ncia e religi√£o muito diferente da habitual. Quando consideramos o assunto de um ponto de vista hist√≥rico, somos levados a olhar para a ci√™ncia e para a religi√£o como antagonistas irreconcili√°veis e por raz√Ķes bastante √≥bvias.

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O Teatro do Trabalho

A maior parte da humanidade, sobretudo na Europa Central, simula trabalho, faz ininterruptamente teatro com o trabalho e aperfei√ßoa at√© √† idade avan√ßada esse trabalho teatralizado, que tem t√£o pouco a ver com o verdadeiro trabalho como o verdadeiro e aut√™ntico teatro com a vida real e verdadeira. No entanto, dado que as pessoas preferem sempre ver a vida como teatro a ver a pr√≥pria vida, que, em √ļltima an√°lise, lhes parece demasiado penosa e seca, como uma insolente humilha√ß√£o, preferem fazer teatro a viver, fazer teatro a trabalhar. (…) Mas n√£o √© s√≥ nas chamadas classes mais altas que hoje o trabalho √© geralmente j√° mais fingido que realmente feito, tamb√©m entre as pessoas ditas mais simples esse teatro est√° bastante divulgado, as pessoas fingem trabalho por toda a parte, simulam actividade, quando, na realidade, apenas passam o tempo a mandriar e n√£o fazem absolutamente nada e, em geral, em vez de se tornarem √ļteis, causam ainda por cima o maior preju√≠zo.
A maior parte dos trabalhadores e oper√°rios julga hoje que basta vestir o fato-macado azul, sem fazer seja o que for, para j√° n√£o falar numa actividade √ļtil, e faz do trabalho um teatro, e o seu traje √© o fato-macaco azul que ostenta enfaticamente durante todo o dia,

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O Dinheiro Tem uma Qualidade Detergente

O dinheiro tem, entre outras incont√°veis virtudes, uma qualidade detergente. E m√ļltiplas qualidades nutricionais. Alegra-te os belos olhos, engorda-te as bochechas, permite-te esse modo de ocupares uma poltrona, de pernas bem esticadas e jornal nas m√£os. D√°-te essas m√£os impolutas que emergem dos punhos de algod√£o branco da camisa. J√° n√£o √©s tu quem vagueia √† noite. Podes contratar quem capture, degole e esfole as presas que constituem os ingredientes indispens√°veis do cozido ou da paella dos domingos. Assim se fez sempre nas casas das boas fam√≠lias.

N√£o √© o senhor da casa que desfere o golpe fatal ao coelho, n√£o √© a senhora que crava a faca no pesco√ßo da galinha e a depena, com o pote de barro entre as pernas, cheio de p√£o migado que o sangue h√° de empapar como deve ser, para o rico ensopado. Aos senhores os animais chegam sempre j√° cozinhados, servidos numa bandeja coberta por uma reluzente camp√Ęnula de prata, ou na ca√ßarola, guarnecidos, irreconhec√≠veis de t√£o desfigurados e, por isso mesmo, apetitosos na sua aparente inoc√™ncia. Assim se fez sempre, assim se continua a fazer; n√≥s pr√≥prios adquirimos em poucos anos esse privilegiado estatuto, a ilus√£o de sermos todos senhores: em remotos pavilh√Ķes industriais,

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Rela√ß√Ķes de Poder entre Homens e Mulheres

Por cada mulher e rapariga atacadas com viol√™ncia, reduzimos a nossa humanidade. Por cada mulher for√ßada a ter sexo desprotegido por exig√™ncia do homem, destru√≠mos dignidade e orgulho. Cada mulher que tem de vender a sua vida por sexo, condenamos a pris√£o perp√©tua. Por cada mulher infectada pelo VIH, destru√≠mos uma gera√ß√£o. (…) Temos de ser honestos e sinceros sobre as rela√ß√Ķes de poder entre homens e mulheres na nossa sociedade, e temos de ajudar a construir um ambiente de maior capacita√ß√£o e apoio, que coloque o papel da mulher na ribalta desta luta. Cada um de n√≥s – irm√£ e irm√£o, m√£e e pai, professor e aluno, sacerdote e paroquiano, gerente e trabalhador, presidentes e primeiros-ministros – t√™m de juntar a sua voz a esta exig√™ncia de actua√ß√£o.

Com os Costumes andam os Aforismos

Com os costumes andam os aforismos. Assim, eis que eles tomam um car√°cter mais criticador e vibrante, isto na linguagem de Karl Kraus, homem sagaz e ventr√≠loquo de certas causas que a sociedade n√£o confia √† voz p√ļblica.
Ele diz, por exemplo: ¬ęAs mulheres, no Oriente, t√™m maior liberdade. Podem ser amadas¬Ľ. Ou ent√£o: ¬ęA vida de fam√≠lia √© um ataque √† vida privada¬Ľ. Ou ainda: ¬ęA democracia divide os homens em trabalhadores e pregui√ßosos. N√£o est√° destinada para aqueles que n√£o t√™m tempo para trabalhar¬Ľ. Tudo isto, como axioma, lembra Bernard Shaw, esse ingl√™s azedo e endiabrado cujo Manual do Revolucion√°rio fez o encanto da nossa adolesc√™ncia.
Todavia, o aforimo do homem de letras, se impressiona, quase nunca comove ningu√©m. O aut√™ntico aforismo n√£o √© uma arte – √© uma esp√©cie de pastor√≠cia cultural. N√£o est√° destinado a divertir nem a chocar as pessoas, mas, acima de tudo, prop√Ķe-se transmitir uma orienta√ß√£o. √Č uma li√ß√£o, e n√£o o pretexto para uma pirueta.
Os aforismos e paradoxos de Karl Kraus têm esse sabor irreverente que se diferencia da sabedoria, porque há algo de precipitado na sua confissão. Precisam de ser situados num estado de espírito, para serem aceites e compreendidos;

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Aprende a Ser como os Outros

N√£o precisamos de ler, estudar ou conhecer ningu√©m, quando produzimos n√≥s pr√≥prios. Pois n√£o basta que produzamos n√≥s pr√≥prios? E gostemos de n√≥s pr√≥prios? Que nos pode dar o esp√≠rito alheio, quando sobre o pr√≥prio nosso desceu em l√≠nguas de fogo a sabedoria de tudo? Melhor: A verdade √© que nem precisamos n√≥s pr√≥prios de produzir (toda a produ√ß√£o √© uma limita√ß√£o), ou mal precisamos de produzir, para usufruirmos as vantagens do criador e produtor. (…) Aprende a contar uma anedota; duas anedotas; tr√™s anedotas; quatro anedotas… uma anedota diverte muita gente; quatro anedotas divertem muito mais… aprende a polvilhar de blague todas essas ideias s√©rias, pesadas, profundas, obscuras, – ao cabo simplesmente ma√ßadoras – com que pretendes sufocar (…); aprende a cultivar aquele subtil esp√≠rito de futilidade que ligeiramente embriaga como um champanhe, e a toda a gente agrada, lisonjeia todos, por a todos nos dar a reconfortante impress√£o de pertencermos ao mesmo meio… estarmos ao mesmo n√≠vel; n√£o queiras ser nem sobretudo sejas mais inteligente ou mais sens√≠vel, mais honesto ou mais sincero, mais trabalhador ou mais culto, mais profundo ou mais agudo… numa palavra: superior. Sim, homem! aprende a ser como os outros, dizendo bem ou mal de tudo e todos –

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A √ānsia de Protagonismo Social

Qual o sentido de tamanha azáfama neste mundo? Qual a finalidade da avareza e da ambição, da perseguição de riqueza, do poder e da proeminência? Satisfazer as necessidades da natureza? O salário do mais humilde trabalhador pode satisfazê-las. Quais serão então as vantagens desse grande objectivo da vida humana a que chamamos melhorar a nossa condição?
Ser observado, ser correspondido, ser notado com simpatia, complac√™ncia e aprova√ß√£o, s√£o tudo vantagens que podemos propor-nos retirar da√≠. O homem rico compraz-se na sua riqueza porque sente que ela faz recair as aten√ß√Ķes do mundo sobre si. O homem pobre, pelo contr√°rio, envergonha-se da sua pobreza. Sente que ela o coloca fora do horizonte dos seus semelhantes. Sentir que n√£o somos notados representa necessariamente uma desilus√£o para os desejos mais candentes da natureza humana. O homem pobre sai e volta a entrar despercebido, e permanece na mesma obscuridade seja no meio de uma multid√£o seja no recato do seu covil. O homem de n√≠vel e distin√ß√£o, pelo contr√°rio, √© visto por todo o mundo. Toda a gente anseia por v√™-lo. As suas ac√ß√Ķes s√£o objecto de aten√ß√Ķes p√ļblicas. Raro ser√° o gesto, rara a palavra que ele deixe escapar que passe despercebida.

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√Č a Vaidade e n√£o o Prazer que nos Interessa

Qual a finalidade da avareza e da ambi√ß√£o, da busca de riqueza, poder e preemin√™ncia? Ser√° para suprir as necessidades da natureza? O sal√°rio do mais pobre trabalhador pode supri-las. Vemos que esse sal√°rio lhe permite ter comida e roupas, o conforto de uma casa e de uma fam√≠lia. Se examin√°ssemos a sua economia com rigor, constatar√≠amos que ele gasta grande parte do que ganha com conveni√™ncias que podem ser consideradas sup√©rfluas. […] Qual √©, ent√£o, a causa da nossa avers√£o √† sua situa√ß√£o, e por que os que foram educados nas camadas mais elevadas consideram pior que a morte serem reduzidos a viver, mesmo sem trabalhar, compartilhando com ele a mesma comida simples, a habitar o mesmo tecto modesto e a vestir-se com os mesmos trajes humildes? Por acaso imaginam que t√™m um est√īmago superior ou que dormem melhor num pal√°cio do que numa cabana? [… ] De onde, portanto, nasce a emula√ß√£o que permeia todas as diferentes classes de homens, e quais s√£o as vantagens que pretendemos com esse grande prop√≥sito da vida humana a que chamamos melhorar nossa condi√ß√£o? Ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia e afabilidade e ser visto com aprova√ß√£o s√£o todas as vantagens que se pode pretender obter com isso.

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O Empregado Modelo

Um excelente trabalhador pode ser um grande poltr√£o? Alvaro √© a prova evidente que sim. Matas-te a trabalhar por pura burrice, por comodidade ou abulia, para n√£o teres de procurar um emprego mais instrutivo, mais estimulante, com mais perspetivas de carreira e at√© melhor sal√°rio. Eram os chamados trabalhadores fi√©is de antigamente, os empregados modelo; quando se reformavam, davam-lhes uma medalha de ouro alem√£o: cinquenta anos na mesma empresa, fita ao pesco√ßo e medalha ao peito. Grande m√©rito, n√£o haja d√ļvida. Um pobre tolo que passou cinco dec√©nios de cu sentado na mesma cadeira e cotovelos apoiados na mesma mesa. Hoje em dia, pelo contr√°rio, premeia-se a mobilidade. A fidelidade √© entendida como apatia e falta de ambi√ß√£o; √©s encorajado a atrai√ßoar os teus sucessivos chefes, e espera-se que cada uma dessas trai√ß√Ķes te granjeie vantagens econ√≥micas e promo√ß√Ķes.

Encaminhamo-nos para uma Grave Crise

A situa√ß√£o econ√≥mica tem-se agravado e tender√° a agravar-se. Tendo causas estruturais, as dificuldades da economia n√£o podem ser vencidas por medidas atrav√©s das quais o governo procura fazer face aos mais agudos problemas de conjuntura. O afrouxamento do ritmo de desenvolvimento, a baixa da produ√ß√£o agr√≠cola, os d√©fices sempre crescentes, do com√©rcio externo, a inflac√ß√£o, a acentua√ß√£o do atraso relativo da economia portuguesa em rela√ß√£o √†s economias dos outros pa√≠ses europeus, mostram a incapacidade do regime para promover o aproveitamento dos recursos nacionais, o fracasso da ¬ęreconvers√£o agr√≠cola¬Ľ e a asfixia da economia portuguesa pela domina√ß√£o monopolista, pelas limita√ß√Ķes do mercado interno provocadas pela pol√≠tica de explora√ß√£o e mis√©ria das massas e pela subjuga√ß√£o ao imperialismo estrangeiro. (…) O processo de integra√ß√£o europeia, dado o atraso da economia portuguesa, agravar√° a situa√ß√£o.

Os monop√≥lios dominantes e o seu governo procuram sair das contradi√ß√Ķes e dificuldades, assegurar altos lucros, apressar a acumula√ß√£o, conseguir uma capacidade competitiva no mercado internacional: 1) intensificando ainda mais a explora√ß√£o da classe oper√°ria e das massas trabalhadoras; 2) aumentando os impostos; 3) dando curso √† subida dos pre√ßos; 4) apressando a centraliza√ß√£o e a concentra√ß√£o; 5) pondo de forma crescente os recursos do Estado ao servi√ßo dos monop√≥lios;

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O Elogio do Trabalho

H√° no trabalho, segundo a natureza da obra e a capacidade do trabalhador, todas as grada√ß√Ķes, desde o simples al√≠vio do t√©dio √†s satisfa√ß√Ķes mais profundas. Na maior parte dos casos, o trabalho que as pessoas t√™m de executar n√£o √© interessante, mas ainda em tais circunst√Ęncias oferece grandes vantagens. Em primeiro lugar, preenche uma boa parte do dia sem haver necessidade de decidir sobre o que se h√°-de fazer. A maioria das pessoas, quando est√£o em condi√ß√Ķes de escolher livremente o emprego do seu tempo, t√™m dificuldade em encontrar o que quer que seja suficientemente agrad√°vel para as ocupar. E tudo o que decidam deixa-as atormentadas pela ideia de que qualquer outra coisa seria mais agrad√°vel.
Ser capaz de utilizar inteligentemente os momentos de lazer √© o √ļltimo degrau da civiliza√ß√£o, mas presentemente muito poucas pessoas o atingiram. Al√©m disso, a ac√ß√£o de escolher √© fatigante. Excepto para os indiv√≠duos dotados de extraordin√°rio esp√≠rito de iniciativa, √© muito c√≥modo ser-se informado do que se tem a fazer em cada hora do dia, desde que tais ordens n√£o sejam desagrad√°veis em demasia.

A maior parte dos ricos occiosos sofrem de um inexprimível aborrecimento em paga de se terem libertado dum trabalho penoso.

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Sucesso é Realização

O sucesso é a realização de qualquer coisa valiosa para si. Pode ser a paz de espírito e felicidade; união no lar e na família; o gosto pelo trabalho; independência financeira; alegria e satisfação por servir os outros; o desenvolvimento das forças construtivas inerentes ao homem; amar a vida e sentir-se satisfeito com o seu carácter, os seus ideais e os trabalhos realizados.
¬ęTalvez ainda se n√£o tivesse encontrado uma defini√ß√£o de sucesso aplic√°vel a todas as pessoas¬Ľ – escreveu Zu Tavern – ¬ęCada um de n√≥s tem a sua ideia pessoal de sucesso, e essa mesma ideia vai-se modificando com a passagem do tempo. Para alguns, sucesso √© igual a fama; para outros, riqueza em dinheiro; para outros ainda, apenas amor e felicidade.¬Ľ
√Č uma lei da natureza humana realizar, ganjear respeito, ser um trabalhador e construtor activo, deixar o mundo um pouco melhor que o encontrado. O homem foi feito para realizar. A maior satisfa√ß√£o da vida prov√©m da realiza√ß√£o. Isto prova-se pela sua estrutura f√≠sica, mental e moral.
Quando faz qualquer coisa – para os outros ou para o seu pr√≥prio bem – √© feliz e sente-se √ļtil.
O desejo de realizar nasce connosco.

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Povos Sem Sorte

As pessoas podem sentir pena de um homem que est√° a passar por tempos dif√≠ceis, mas quando um pa√≠s inteiro √© pobre, o resto do mundo assume que todos os seus cidad√£os s√£o desmiolados, pregui√ßosos, sujos, tolos e desajeitados. Em vez de pena, provocam o riso. √Č tudo uma anedota: a sua cultura, os seus costumes, as suas pr√°ticas. Com o tempo o resto do mundo pode, parte dele, come√ßar a ficar envergonhado por ter pensado dessa maneira, e quando olham em volta e v√™em os imigrantes desse pobre pa√≠s a esfregar o ch√£o e a fazerem os trabalhos pior pagos, eles naturalmente preocupam-se sobre o que poderia acontecer se um dia estes trabalhadores se insurgissem contra eles. Assim, para manter as apar√™ncias agrad√°veis, come√ßam a interessar-se pela cultura dos imigrantes e √†s vezes at√© fingem que pensam neles como se fossem seus iguais.

O Amor entre o Trigo

Cheguei ao acampamento dos Hern√°ndez antes do meio-dia, fresco e alegre. A minha cavalgada solit√°ria pelos caminhos desertos, o repouso do sono, tudo isso refulgia na minha taciturna juventude.
A debulha do trigo, da aveia, da cevada, fazia-se ainda com éguas. Nada no mundo é mais alegre que ver rodopiar as éguas, trotando à volta do calcadouro do cereal, sob o grito espicaçante dos cavaleiros. Brilhava um sol esplêndido e o ar era um diamante silvestre que fazia brilhar as montanhas. A debulha é uma festa de ouro. A palha amarela acumula-se em montanhas douradas. Tudo é actividade e bulício, sacos que correm e se enchem, mulheres que cozinham, cavalos que tomam o freio nos dentes, cães que ladram, crianças que a cada momento é preciso livrar, como se fossem frutos da palha, das patas dos cavalos.

Oe Hernández eram uma tribo singular. Os homens, despenteados e por barbear, em mangas de camisa e com revólver à cinta, andavam quase sempre besuntados de óleo, de poeiras, de lama, ou molhados até aos ossos pela chuva. Pais, filhos, sobrinhos, primos, eram todos da mesma catadura. Estavam horas inteiras ocupados debaixo de um motor, em cima de um tecto,

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