Cita√ß√Ķes sobre Desmedida

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Frases sobre desmedida, poemas sobre desmedida e outras cita√ß√Ķes sobre desmedida para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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… Em tempos idos, em nossa cidade (Floren√ßa) existiram costumes muitos lindos e louv√°veis dos quais hoje n√£o sobrou nenhum, e isso ocorre por causa da avareza desmedida.

arte poética

o poema n√£o tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que n√£o
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,

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O Desgaste da Inveja

De todas as caracter√≠sticas que s√£o vulgares na natureza humana a inveja √© a mais desgra√ßada; o invejoso n√£o s√≥ deseja provocar o infort√ļnio e o provoca sempre que o pode fazer impunemente, como tamb√©m se torna infeliz por causa da sua inveja. Em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros t√™m. Se puder, priva os outros das suas vantagens, o que para ele √© t√£o desej√°vel como assegurar as mesmas vantagens para si pr√≥prio. Se uma tal paix√£o toma propor√ß√Ķes desmedidas, torna-se fatal a todo o m√©rito e mesmo ao exerc√≠cio do talento mais excepcional.
Por que √© que o m√©dico deve ir ver os seus doentes de autom√≥vel quando o oper√°rio vai para o seu trabalho a p√©? Por que √© que o investigador cient√≠fico pode passar os dias num quarto aquecido, quando os outros t√™m de expor-se √† inclem√™ncia dos elementos? Por que √© que um homem que possui algum talento raro de grande import√Ęncia para o mundo deve ser dispensado do penoso trabalho dom√©stico? Para tais perguntas a inveja n√£o encontra resposta. Afortunadamente, por√©m, h√° na natureza humana um sentimento compensador, chamado admira√ß√£o. Todos os que desejm aumentar a felicidade humana devem procurar aumentar a admira√ß√£o e diminuir a inveja.

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O Perfeito Controle da Alegria e da Dor

Alegria desmedida e dor muito violenta acometem sempre e apenas a mesma pessoa: pois ambas se condicionam reciprocamente e s√£o tamb√©m condicionadas juntas por uma grande vivacidade do esp√≠rito. Ambas s√£o causadas, n√£o pelo simples presente, mas pela antecipa√ß√£o do futuro. No entanto, visto que a dor √© essencial √† vida e, pelo seu grau, √© tamb√©m determinada pela natureza do sujeito – o que implica que, na realidade, modifica√ß√Ķes repentinas, sendo sempre externas, n√£o podem mudar o seu grau -, na base do j√ļbilo ou da dor excessivos h√° sempre um erro e uma falsa cren√ßa: por conseguinte, essas duas exalta√ß√Ķes do esp√≠rito poderiam ser evitadas com o uso do ju√≠zo.

Todo o j√ļbilo desmedido repousa sempre na ilus√£o de ter encontrado na vida algo que n√£o se pode encontrar realmente, isto √©, uma satisfa√ß√£o dur√°vel dos desejos ou preocupa√ß√Ķes tormentosos e sempre renascentes. Mais tarde, √© inevit√°vel que nos separemos de cada ilus√£o dessa esp√©cie, pagando-a ent√£o, quando desaparece, com igual dor amarga, independentemente da alegria que o seu surgimento nos tenha proporcionado.
Nesse sentido, ela assemelha-se por completo a uma altura da qual o √ļnico momento de descer novamente √© a queda, de maneira que deveria ser evitada: e toda a dor repentina ou excessiva √© justamente apenas a queda de tal altura,

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Uma ira desmedida acaba em loucura; por isso, evita a ira, para conservares n√£o apenas o dom√≠nio de ti mesmo, mas tamb√©m a tua pr√≥pria sa√ļde.

Poema Quase Apostólico

Est√° sereno o poeta
Desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manh√£
N√£o pertencem ao dia os gestos que ele tem
n√£o morrer√£o na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a p√īr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favor√°vel ao senhor
E p√Ķe o rosto do senhor por tr√°s das suas palavras
Elas decerto o h√£o-de dar a quem as demandar

Czardas Para Serrotes Com Arcos De Violino E Berimbau De Lata

Esta anábase é de hora aberta desnudada
t√£o desmedida como foi a minha vida
de nada me arrependo apenas me perd√īo
por que meu v√īo nem sequer se iniciou

E dessas nuvens que me espaçam esgarçadas
trapos e cordas dissonantes dessa lira
s√£o acidentes de percurso em que recorro
como um Zen√£o o parafuso desse v√īo

Assim nessa colméia em ziper me percorro
como um zang√£o no zigue-zague nos hex√°gonos
ando à procura de uma abelha desvairada

que me acompanhe na aventura pelos p√Ęntanos
exorcizando a desrazão desses escorços
essa n√£o-ave desgarrada do meu nada

Soneto IV – A Uma Senhora

Dos meus lares, dos meus que choro ausente,
Me vieste acordar saudade ímpia,
Tu, amada do Anjo d’Harmonia,
Que te fazes ouvir t√£o docemente.

Do piano o teclado obediente
Ao teu tocar encheu-se de magia,
E l√° dos mortos na soid√£o sombria
Operou-se um milagre de repente.

A morte sobre a fouce, entristecida,
Amarguradas l√°grimas verteu,
Talvez do fero ofício arrependida!

Bellini do sepulcro a pedra ergueu;
E, cheio de alegria desmedida,
C’um sorriso de gl√≥ria um ‚ÄĒ bravo ‚ÄĒ deu.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pr√©-nupciais, discutem tudo de antem√£o, fazem planos e √† m√≠nima merdinha entram ‚Äúem di√°logo‚ÄĚ. O amor passou a ser pass√≠vel de ser combinado. Os amantes tornaram-se s√≥cios. Re√ļnem-se, discutem problemas, tomam decis√Ķes. O amor transformou-se numa variante psico-s√≥cio-bio-ecol√≥gica da camaradagem. A paix√£o, que deveria ser desmedida, √© na medida do poss√≠vel. O amor tornou-se uma quest√£o pr√°tica. O resultado √© que as pessoas em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente apaixonadas.