Passagens sobre Disciplina

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Frases sobre disciplina, poemas sobre disciplina e outras passagens sobre disciplina para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Para ser grande é preciso ter 99 por cento de talento, 99 por cento de disciplina e 99 por cento de trabalho.

A (Des)Vantagem do Casamento

A verdadeira desvantagem do casamento é que nos despoja do egoísmo. E as pessoas que não são egoístas são absolutamente desinteressantes. Falta-lhes individualidade. Contudo, há certos temperamentos que se tornam mais complexos com o casamento. Mantêm o egotismo e acrescentam-lhe muitos outros egos. São obrigados a ter mais que uma vida. Tornam-se mais eficientes na sua disciplina, e uma organização eficiente é, segundo creio, o objectivo da existência do homem. Além disso, toda a experiência é válida e, por mais que se fale contra o casamento, não deixa de ser uma experiência.

O que há é que impor uma disciplina de actuação do poder económico e dos investimentos, para que ele seja feito com proveito de todos nós e não apenas para os detentores desse poder.

Fugir ao Desconhecido

Existe, frequentemente, em suma, uma esp√©cie de humildade receosa, que, quando nos aflige, nos torna para sempre impr√≥prios para as disciplinas do conhecimento. Porque, no momento em que o homem que a transporta descobre uma coisa que o choca, d√° meia volta seja como for, e diz consigo: ¬ęEnganaste-te! Onde √© que tinhas a cabe√ßa? Isso n√£o pode ser verdade!¬Ľ. De forma que em vez de examinar mais de perto e de ouvir com mais aten√ß√£o, desata a fugir completamente aterrado, evita encontrar aquilo que o choca e procura esquec√™-lo o mais depressa poss√≠vel. Porque eis o que diz a sua lei: ¬ęN√£o quero dizer nada que contradiga a opini√£o corrente. Serei eu feito para descobrir novas verdades? J√° h√° demasiadas antigas¬Ľ.

O Companheiro de Viagem

A alma da tua m√£e flutua adiante.
A alma da tua mãe ajuda a noite a navegar, escolho após escolho.
A alma da tua m√£e fustiga os tubar√Ķes √† tua frente.

Esta palavra é a disciplina da tua mãe.
A discípula da tua mãe partilha o teu jazigo, pedra a pedra.
A discípula da tua mãe inclina-se para a migalha de luz.

Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

A Vida é um Contrato de Risco

Basta estar vivo para correr riscos. Risco de fracassar, ser rejeitado, frustrar-se consigo mesmo, decepcionar-se com os outros, ser incompreendido, ofendido, reprovado, adoecer. Não devemos correr riscos irresponsáveis, mas também não devemos temer andar por terrenos desconhecidos, respirar ares nunca antes aspirados.

Viver √© uma grande aventura. Quem ficar preso num casulo com medo dos acidentes da vida, al√©m de n√£o os eliminar, ser√° sempre frustrado. Quem n√£o tem aud√°cia e disciplina pode alimentar grandes sonhos, mas eles ser√£o enterrados nos solos da sua timidez e nos destro√ßos das suas preocupa√ß√Ķes. Estar√° sempre em desvantagem competitiva.

Eu creio que sou incapaz de odiar. Através de uma disciplina baseada na oração, faz pelo menos quarenta anos que procuro amar todos.

Para Que Serve a Filosofia?

O leitor ocupado perguntar√° para que serve a filosofia. Pergunta vergonhosa, que n√£o fazemos √† po√©tica, essa outra constru√ß√£o imaginativa de um mundo mal conhecido. Se a poesia nos revela a beleza que os nossos olhos ineducados n√£o v√™em, e se a filosofia nos d√° os meios de compreender e perdoar, n√£o lhes pe√ßamos mais – isso vale todas as riquezas da Terra. A filosofia n√£o enche a nossa carteira, n√£o nos ergue √†s dignidades do Estado; √© at√© bastante descuidosa destas coisas. Mas de que vale engordar a carteira, subir a altos postos e permanecer na ignor√Ęncia ing√©nua, desapetrechado de esp√≠rito, brutal na conduta, inst√°vel no car√°cter, ca√≥tico nos desejos e cegamente infeliz?
A maturidade é tudo. Talvez que a filosofia nos dê, se lhe formos fiéis, uma sadia unidade de alma. Somos negligentes e contraditórios no nosso pensar; talvez ela possa classificar-nos, dar-nos coerência, libertar-nos da fé e dos desejos contraditórios.
Da unidade de espírito pode vir essa unidade de carácter e propósitos que faz a personalidade e dá ordem e dignidade à vida. Filosofia é conhecimento harmónico, criador da vida harmónica; é disciplina que nos leva à serenidade e à liberdade. Saber é poder, mas só a sabedoria é liberdade.

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As Escolas Filosóficas

Não seria mau que se tornassem a mostrar as almas e que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão. Velas incapazes de se deixarem arrastar por ventos de acaso, seguiriam sempre, indicariam aos outros o rumo ascensional da vida, não deixando que jamais se quebrasse o ténue fio que através de todos os labirintos a Humanidade tem seguido na sua marcha para Deus. Seriam poucos, sofreriam ataques dos próprios que simpatizassem com a atitude tomada, quase só encontrariam no caminho incompreensão e maldade; mas deles seria a vitória final; já hoje mesmo provocariam o respeito.

A Escrita Exige Sempre a Poesia

Sou escritor e cientista. Vejo as duas actividades, a escrita e a ci√™ncia, como sendo vizinhas e complementares. A ci√™ncia vive da inquieta√ß√£o, do desejo de conhecer para al√©m dos limites. A escrita √© uma falsa quietude, a capacidade de sentir sem limites. Ambas resultam da recusa das fronteiras, ambas s√£o um passo sonhado para l√° do horizonte. A Biologia para mim n√£o √© apenas uma disciplina cient√≠fica mas uma hist√≥ria de encantar, a hist√≥ria da mais antiga epopeia que √© a Vida. √Č isso que eu pe√ßo √† ci√™ncia: que me fa√ßa apaixonar. √Č o mesmo que eu pe√ßo √† literatura.

Muitas vezes jovens me perguntam como se redige uma peça literária. A pergunta não deixa de ter sentido. Mas o que deveria ser questionado era como se mantém uma relação com o mundo que passe pela escrita literária. Como se sente para que os outros se representem em nós por via de uma história? Na verdade, a escrita não é uma técnica e não se constrói um poema ou um conto como se faz uma operação aritmética. A escrita exige sempre a poesia. E a poesia é um outro modo de pensar que está para além da lógica que a escola e o mundo moderno nos ensinam.

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A √ļnica disciplina que a vida imp√Ķe, se formos capazes de a assumir, √© aceitar a vida sem a questionar.

A sinceridade √© o grande obst√°culo que o artista tem a vencer. S√≥ uma longa disciplina, uma aprendizagem de n√£o sentir sen√£o literariamente as coisas, podem levar o esp√≠rito a esta culmin√Ęncia.

Como vemos agonizar o capitalismo, veremos agonizar o socialismo ou o sistema que lhe suceda, afogado pela mediocridade: esta a luta real entre o herói, que sempre se arrisca a ser crucificado, e a maioria que tão facilmente se resigna à colmeia, com a sua comida assegurada, a sua temperatura constante, a sua perfeita disciplina, até com o sacrifício dos que fecundam no azul e morrem.

Sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, e disciplina sem sonhos produz pessoas aut√īmatas, que s√≥ sabem obedecer a ordens.

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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O Subjectivo é Objectivo, e o Objectivo é Subjectivo

Assaz dif√≠cil √© decidir o que seja objectivamente a verdade, mas, no trato com os homens, n√£o h√° que se deixar aterrorizar por isso. Existem crit√©rios que para o primeiro s√£o suficientes. Um dos mais seguros consiste em objectar a algu√©m que uma asser√ß√£o sua √© “demasiado subjectiva”. Se se utilizar, e com aquela indigna√ß√£o em que ressoa a furiosa harmonia de todas as pessoas sensatas, ent√£o h√° motivo para se ficar alguns instantes em paz consigo. Os conceitos do subjectivo e objectivo inverteram-se por completo. Diz-se objectiva a parte incontroversa do fen√≥meno a sua ef√≠gie inquestionavelmente aceite, a fachada composta de dados classificados, portanto, o subjectivo; e denomina-se subjectivo o que tal desmorona, acede √† experi√™ncia espec√≠fica da coisa, se livra das opini√Ķes convencionais a seu respeito e instaura a rela√ß√£o com o objecto em substitui√ß√£o da decis√£o maiorit√°ria daqueles que nem sequer chegam a intu√≠-lo, e menos ainda a pens√°-lo – logo, o objectivo.
A futilidade da objecção formal da relatividade subjectiva patenteia-se no seu próprio terreno, o dos juízos estéticos. Quem alguma vez, pela força da sua precisa reacção em face da seriedade da disciplina de uma obra artística, se submete à sua lei formal imanente,

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DEVE-SE FALAR somente quando não se pode calar e falar somente do que se superou: tudo o mais é tagarelice, literatura, falta de disciplina.