Passagens sobre Disciplina

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Frases sobre disciplina, poemas sobre disciplina e outras passagens sobre disciplina para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Liberdade √© disciplina, consci√™ncia e auto-limita√ß√£o. (…) Mas vamos juntar-lhe actualidade, t√©cnica, e um conceito mais humano e dial√©ctico de encarar os problemas. Teremos a nossa ordem, que n√£o h√°-de precisar de pistolas da ordenan√ßa, e teremos as nossas realiza√ß√Ķes. Desejamos coisas simples e poss√≠veis.

Escravizados ao Além

Acabar com a morte como agonia di√°ria da humanidade √© talvez o maior bem que se pode fazer hoje ao homem. O cristianismo transformou a vida numa cruz, porque lhe p√īs a consci√™ncia da morte √† cabeceira. E crentes e ateus vivem no mesmo terror. Ora a ideia terr√≠fica do fim n√£o √© uma condi√ß√£o fisiol√≥gica, nem mesmo intelectual do homem. Nem os Gregos, nem os Romanos, por exemplo, sentiam a morte com a irrepar√°vel ang√ļstia que nos r√≥i. √Č for√ßoso, pois, que se arranquem as ra√≠zes desta dor, custe o que custar. Escravizados ao al√©m, os nossos dias aqui n√£o podem ter liberdade nem alegria. Qualquer doutrina que nega ao homem o direito de ser pleno na sua f√≠sica dura√ß√£o, √© uma doutrina de castra√ß√£o e de aniquilamento. Ir buscar ao post-mortem as leis que devem limitar a expans√£o abusiva da personalidade, √© o artif√≠cio mais desgra√ßado que se podia inventar. Pregue-se e exija-se do indiv√≠duo medida e disciplina, mas que nas√ßam da sua pr√≥pria harmonia. Institua-se uma √©tica com ra√≠zes no mesmo ch√£o onde o homem caminha.

Uma Revolução Mental e Moral nos Portugueses

As ideias que, no modo de ver do Governo, devem constituir as bases do futuro estatuto constitucional n√£o s√£o s√≥ para ser aceites pela nossa intelig√™ncia, mas para ser sentidas, vividas, executadas. Passadas para uma Constitui√ß√£o, n√£o vamos julgar ter encontrado o rem√©dio de todos os males pol√≠ticos. Mortas, enterradas em textos de lei, podem ser inofensivas ‚ÄĒ o que √© j√° uma vantagem, porque outras o n√£o s√£o ‚ÄĒ mas n√£o ser√£o eficazes. As leis, verdadeiramente, fazem-nas os homens que as executam, e acabam por ser na pr√°tica, por debaixo do v√©u da sua pureza abstracta, o espelho dos nossos defeitos de entendimento e dos nossos desvios de vontade.
√Č este o motivo por que, sempre que olho para o futuro, para a consolida√ß√£o e prosseguimento do que se h√° feito em favor da ordem, da disciplina, da economia e do progresso do Pa√≠s, eu vejo nitidamente n√£o se estar construindo nada de s√≥lido fora de uma revolu√ß√£o mental e moral nos portugueses de hoje, e de uma cuidadosa prepara√ß√£o das gera√ß√Ķes de amanh√£. Eu pergunto se na alma dos que dizem acompanhar-nos h√° o amor da P√°tria at√© ao sacrif√≠cio, o desejo de bem servir, a vontade de obedecer ‚ÄĒ √ļnica escola para aprender a mandar ‚ÄĒ,

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Atingir a Felicidade

Embora seja poss√≠vel atingir a felicidade, a felicidade n√£o √© uma coisa simples. Existem muitos n√≠veis. O Budismo, por exemplo, refere-se a quatro factores de contentamento ou felicidade: os bens materiais, a satisfa√ß√£o mundana, a espiritualidade e a ilumina√ß√£o. O conjunto destes factores abarca a totalidade da busca pessoal de felicidade. Deixemos de lado, por ora, as aspira√ß√Ķes √ļltimas a n√≠vel religioso ou espiritual, como a perfei√ß√£o e a ilumina√ß√£o, e concentremo-nos unicamente sobre a alegria e a felicidade, tal como as concebemos a n√≠vel mundano. A este n√≠vel, existem certos elementos-chave que n√≥s reconhecemos convencionalmente como contribuindo para o bem-estar e a felicidade. A sa√ļde, por exemplo, √© considerada como um factor necess√°rio para o bem-estar. Um outro factor s√£o as condi√ß√Ķes materiais ou os bens que possu√≠mos. Ter amigos e companheiros, √© outro. Todos n√≥s concordamos que para termos uma vida feliz precisamos de um c√≠rculo de amigos com quem nos possamos relacionar emocionalmente e em quem possamos confiar.

Portanto, todos estes factores s√£o causas de felicidade. Mas para que um indiv√≠duo possa utiliz√°-los plenamente e gozar de uma vida feliz e preenchida, a chave √© o estado de esp√≠rito. √Č crucial. Se utilizarmos as condi√ß√Ķes favor√°veis que possu√≠mos,

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Para ser grande é preciso ter 99 por cento de talento, 99 por cento de disciplina e 99 por cento de trabalho.

A (Des)Vantagem do Casamento

A verdadeira desvantagem do casamento é que nos despoja do egoísmo. E as pessoas que não são egoístas são absolutamente desinteressantes. Falta-lhes individualidade. Contudo, há certos temperamentos que se tornam mais complexos com o casamento. Mantêm o egotismo e acrescentam-lhe muitos outros egos. São obrigados a ter mais que uma vida. Tornam-se mais eficientes na sua disciplina, e uma organização eficiente é, segundo creio, o objectivo da existência do homem. Além disso, toda a experiência é válida e, por mais que se fale contra o casamento, não deixa de ser uma experiência.

O que há é que impor uma disciplina de actuação do poder económico e dos investimentos, para que ele seja feito com proveito de todos nós e não apenas para os detentores desse poder.

Fugir ao Desconhecido

Existe, frequentemente, em suma, uma esp√©cie de humildade receosa, que, quando nos aflige, nos torna para sempre impr√≥prios para as disciplinas do conhecimento. Porque, no momento em que o homem que a transporta descobre uma coisa que o choca, d√° meia volta seja como for, e diz consigo: ¬ęEnganaste-te! Onde √© que tinhas a cabe√ßa? Isso n√£o pode ser verdade!¬Ľ. De forma que em vez de examinar mais de perto e de ouvir com mais aten√ß√£o, desata a fugir completamente aterrado, evita encontrar aquilo que o choca e procura esquec√™-lo o mais depressa poss√≠vel. Porque eis o que diz a sua lei: ¬ęN√£o quero dizer nada que contradiga a opini√£o corrente. Serei eu feito para descobrir novas verdades? J√° h√° demasiadas antigas¬Ľ.

O Companheiro de Viagem

A alma da tua m√£e flutua adiante.
A alma da tua mãe ajuda a noite a navegar, escolho após escolho.
A alma da tua m√£e fustiga os tubar√Ķes √† tua frente.

Esta palavra é a disciplina da tua mãe.
A discípula da tua mãe partilha o teu jazigo, pedra a pedra.
A discípula da tua mãe inclina-se para a migalha de luz.

Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

A Vida é um Contrato de Risco

Basta estar vivo para correr riscos. Risco de fracassar, ser rejeitado, frustrar-se consigo mesmo, decepcionar-se com os outros, ser incompreendido, ofendido, reprovado, adoecer. Não devemos correr riscos irresponsáveis, mas também não devemos temer andar por terrenos desconhecidos, respirar ares nunca antes aspirados.

Viver √© uma grande aventura. Quem ficar preso num casulo com medo dos acidentes da vida, al√©m de n√£o os eliminar, ser√° sempre frustrado. Quem n√£o tem aud√°cia e disciplina pode alimentar grandes sonhos, mas eles ser√£o enterrados nos solos da sua timidez e nos destro√ßos das suas preocupa√ß√Ķes. Estar√° sempre em desvantagem competitiva.

Eu creio que sou incapaz de odiar. Através de uma disciplina baseada na oração, faz pelo menos quarenta anos que procuro amar todos.

Para Que Serve a Filosofia?

O leitor ocupado perguntar√° para que serve a filosofia. Pergunta vergonhosa, que n√£o fazemos √† po√©tica, essa outra constru√ß√£o imaginativa de um mundo mal conhecido. Se a poesia nos revela a beleza que os nossos olhos ineducados n√£o v√™em, e se a filosofia nos d√° os meios de compreender e perdoar, n√£o lhes pe√ßamos mais – isso vale todas as riquezas da Terra. A filosofia n√£o enche a nossa carteira, n√£o nos ergue √†s dignidades do Estado; √© at√© bastante descuidosa destas coisas. Mas de que vale engordar a carteira, subir a altos postos e permanecer na ignor√Ęncia ing√©nua, desapetrechado de esp√≠rito, brutal na conduta, inst√°vel no car√°cter, ca√≥tico nos desejos e cegamente infeliz?
A maturidade é tudo. Talvez que a filosofia nos dê, se lhe formos fiéis, uma sadia unidade de alma. Somos negligentes e contraditórios no nosso pensar; talvez ela possa classificar-nos, dar-nos coerência, libertar-nos da fé e dos desejos contraditórios.
Da unidade de espírito pode vir essa unidade de carácter e propósitos que faz a personalidade e dá ordem e dignidade à vida. Filosofia é conhecimento harmónico, criador da vida harmónica; é disciplina que nos leva à serenidade e à liberdade. Saber é poder, mas só a sabedoria é liberdade.

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As Escolas Filosóficas

Não seria mau que se tornassem a mostrar as almas e que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão. Velas incapazes de se deixarem arrastar por ventos de acaso, seguiriam sempre, indicariam aos outros o rumo ascensional da vida, não deixando que jamais se quebrasse o ténue fio que através de todos os labirintos a Humanidade tem seguido na sua marcha para Deus. Seriam poucos, sofreriam ataques dos próprios que simpatizassem com a atitude tomada, quase só encontrariam no caminho incompreensão e maldade; mas deles seria a vitória final; já hoje mesmo provocariam o respeito.

A Escrita Exige Sempre a Poesia

Sou escritor e cientista. Vejo as duas actividades, a escrita e a ci√™ncia, como sendo vizinhas e complementares. A ci√™ncia vive da inquieta√ß√£o, do desejo de conhecer para al√©m dos limites. A escrita √© uma falsa quietude, a capacidade de sentir sem limites. Ambas resultam da recusa das fronteiras, ambas s√£o um passo sonhado para l√° do horizonte. A Biologia para mim n√£o √© apenas uma disciplina cient√≠fica mas uma hist√≥ria de encantar, a hist√≥ria da mais antiga epopeia que √© a Vida. √Č isso que eu pe√ßo √† ci√™ncia: que me fa√ßa apaixonar. √Č o mesmo que eu pe√ßo √† literatura.

Muitas vezes jovens me perguntam como se redige uma peça literária. A pergunta não deixa de ter sentido. Mas o que deveria ser questionado era como se mantém uma relação com o mundo que passe pela escrita literária. Como se sente para que os outros se representem em nós por via de uma história? Na verdade, a escrita não é uma técnica e não se constrói um poema ou um conto como se faz uma operação aritmética. A escrita exige sempre a poesia. E a poesia é um outro modo de pensar que está para além da lógica que a escola e o mundo moderno nos ensinam.

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A √ļnica disciplina que a vida imp√Ķe, se formos capazes de a assumir, √© aceitar a vida sem a questionar.

A sinceridade √© o grande obst√°culo que o artista tem a vencer. S√≥ uma longa disciplina, uma aprendizagem de n√£o sentir sen√£o literariamente as coisas, podem levar o esp√≠rito a esta culmin√Ęncia.

Como vemos agonizar o capitalismo, veremos agonizar o socialismo ou o sistema que lhe suceda, afogado pela mediocridade: esta a luta real entre o herói, que sempre se arrisca a ser crucificado, e a maioria que tão facilmente se resigna à colmeia, com a sua comida assegurada, a sua temperatura constante, a sua perfeita disciplina, até com o sacrifício dos que fecundam no azul e morrem.