Passagens sobre Dissimulação

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A Adulação na Amizade

Pois que √© pr√≥prio da verdadeira amizade dar e receber conselhos, d√°-los com franqueza e sem azedume, receb√™-los com paci√™ncia e sem repugn√Ęncia, persuadamo-nos bem de que n√£o ha defeito maior na amizade que a lisonja, a adula√ß√£o, as baixas complac√™ncias. Com efeito, n√£o se poderia dar bastantes nomes ao v√≠cio desses homens fr√≠volos e enganadores, que falam sempre para agradar, e jamais para dizer a verdade.
A dissimula√ß√£o √© funesta em todas as coisas (pois corrompe e altera em n√≥s o sentimento da verdade) mas √©, sobretudo, contr√°ria √† amizade. Destr√≥i a sinceridade, sem a qual n√£o subsiste mesmo o pr√≥prio nome da amizade. Se a for√ßa da amizade consiste em fazer de v√°rias almas uma s√≥, como seria assim, se em cada homem a alma n√£o √© a mesma, n√£o √© constante, mas vari√°vel, mut√°vel, tomando mil formas? De facto, que h√° de mais mut√°vel, de mais vers√°til que a alma daquele que se transforma n√£o apenas segundo o sentimento e a vontade dum outro, mas a um pequeno sinal deste, a um m√≠nimo gesto seu? ¬ęEle diz n√£o? Eu digo n√£o; ele diz sim? eu digo sim: numa palavra, eu me impus a obriga√ß√£o de tudo aplaudir¬Ľ,

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Dissimular as Paix√Ķes

As paix√Ķes s√£o as seteiras do esp√≠rito. O mais pr√°tico consiste em dissimular. Corre o risco de perder quem joga jogo aberto. Que a deten√ßa do recatado compita com a aten√ß√£o do advertido; a linces da palavra, sibas de interioridade. Que n√£o lhe conhe√ßam o gosto, para que n√£o se previnam, uns para a contradi√ß√£o, outros para a lisonja.

Se você errou, reconheça o erro. Quem o ouve espera de você sinceridade. Não use o manto da dissimulação para camuflar a verdade. Ela pode ficar oculta, porém, mais dia menos dia brotará como a boa semente sob a terra fecunda.

A Mentira

Porque √© que, na maior parte das vezes, os homens na vida quotidiana dizem a verdade? Certamente, n√£o porque um deus proibiu mentir. Mas sim, em primeiro lugar, porque √© mais c√≥modo, pois a mentira exige inven√ß√£o, dissimula√ß√£o e mem√≥ria. Por isso Swift diz: ¬ęQuem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; √© que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte¬Ľ. Em seguida, porque, em circunst√Ęncias simples, √© vantajoso dizer directamente: quero isto, fiz aquilo, e outras coisas parecidas; portanto, porque a via da obriga√ß√£o e da autoridade √© mais segura que a do ardil. Se uma crian√ßa, por√©m, tiver sido educada em circunst√Ęncias dom√©sticas complicadas, ent√£o maneja a mentira com a mesma naturalidade e diz, involuntariamente, sempre aquilo que corresponde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugn√Ęncia ante a mentira em si, s√£o-lhe completamente estranhos e inacess√≠veis, e, portanto, ela mente com toda a inoc√™ncia.

(…) qualquer opera√ß√£o militar tem na dissimula√ß√£o sua qualidade b√°sica…

As nossas maiores dissimula√ß√Ķes s√£o desenvolvidas n√£o para esconder o que h√° de ruim e feio em n√≥s, mas o nosso vazio. A coisa mais dif√≠cil de esconder √© aquilo que n√£o existe.

[Futebol] √Č uma f√≥rmula, o pen√°lti. Uma equa√ß√£o com tr√™s parcelas: for√ßa, coloca√ß√£o e dissimula√ß√£o. Observar duas delas √© sempre suficiente para penetrar nos jardins do Olimpo. Um pen√°lti marcado com for√ßa, bem colocado, e em que o guarda-redes seja enganado, entra sempre. Mas um pen√°lti forte e colocado tamb√©m entra, mesmo sem dissimula√ß√£o. Um pen√°lti dissimulado e forte sobreviver√° sem coloca√ß√£o. E um pen√°lti colocado e dissimulado √© sempre golo, ainda que n√£o tenha muita for√ßa. √Č a ci√™ncia ao servi√ßo da arte. Sim: o pen√°lti √© o m√≠nimo m√ļltiplo comum entre arte e ci√™ncia.

O Mais Fundo de Nós Mesmos

A uma certa altura do auto-conhecimento, quando est√£o presentes outras circunst√Ęncias que favorecem a auto-seguran√ßa, invariavelmente e sem outra hip√≥tese sentimo-nos execr√°veis. Todas as medidas do bem ‚ÄĒ por muito que as opini√Ķes possam diferir sobre isto ‚ÄĒ parecer√£o demasiado altas. Vemos que n√£o passamos de um ninho de ratos feito de dissimula√ß√Ķes miser√°veis. O mais insignificante dos nossos actos n√£o deixa de estar contaminado por estas dissimula√ß√Ķes. Estas inten√ß√Ķes dissimuladas s√£o t√£o horr√≠veis que no decurso do nosso exame de consci√™ncia n√£o vamos querer ponder√°-las de perto, mas, pelo contr√°rio, ficaremos contentes de as avistar de longe. Estas inten√ß√Ķes n√£o s√£o todas elas feitas apenas de ego√≠smo, o ego√≠smo em compara√ß√£o parece um ideal do bem e do belo. A porcaria que vamos encontrar existe por si s√≥; reconheceremos que viemos ao mundo pingando este fardo e sairemos outra vez irreconhec√≠veis, ou ent√£o demasiado reconhec√≠veis, por causa dela. Esta porcaria √© o fundo mais profundo que encontraremos; nos fundos mais profundos n√£o haver√° lava, n√£o, mas porcaria. √Č o mais fundo e o mais alto e at√© as d√ļvidas que o exame de consci√™ncia origina em breve enfraquecer√£o e se tornar√£o complacentes como o espojar de um porco na imund√≠cie.

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As mais belas civiliza√ß√Ķes tiveram um r√°pido decl√≠nio, exactamente porque elas foram demasiado longe na dissimula√ß√£o.

O segredo da nossa vida moral não reside na etérea consciência, mas nas profundas da inconsciência, onde rastejam a dissimulação, a crueldade, o medo e outras virtudes adquiridas nos combates.

√Č Virtude Dissimular a Virtude

– Vede, caro Roberto, o senhor de Salazar n√£o diz que o sensato deve simular. Sugere-vos, se bem entendi, que deve aprender a dissimular. Simula-se o que n√£o se √©, dissimula-se o que se √©. Se vos gabardes do que n√£o fizestes, sois um simulador. Mas se evitardes, sem faz√™-lo notar, mostrar em pleno o que fizestes, ent√£o dissimulais. √Č virtude acima de todas as virtudes dissimular a virtude. O senhor de Salazar est√° a ensinar-vos um modo prudente de ser virtuoso, ou de ser virtuoso de acordo com a prud√™ncia. Desde que o primeiro homem abriu os olhos e soube que estava nu, procurou cobrir-se at√© √† vista do seu Fazedor: assim a dilig√™ncia no esconder quase nasceu com o pr√≥prio mundo. Dissimular √© estender um v√©u composto de trevas honestas, do qual n√£o se forma o falso mas sim d√° algum repouso ao verdadeiro.
A rosa parece bela porque à primeira vista dissimula ser coisa tão caduca, e embora da beleza mortal costume dizer-se que não parece coisa terrena, ela não é mais do que um cadáver dissimulado pelo favor da idade. Nesta vida nem sempre se deve ser de coração aberto, e as verdades que mais nos importam dizem-se sempre até meio.

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A sinceridade é uma abertura do coração. Encontramo-la em muito poucas pessoas, e essa que vulgarmente por aí se vê não passa de uma astuta dissimulação para atrair a confiança alheia.