Passagens sobre Diversidade

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Frases sobre diversidade, poemas sobre diversidade e outras passagens sobre diversidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Lei do Mais Forte

Durante muito tempo dissemos que a competi√ß√£o e a elimina√ß√£o dos mais fracos eram o motor da evolu√ß√£o natural. Sem querer, demos cr√©dito √† chamada lei do mais forte. Sancionamos o pecado da ira dos poderosos no exterm√≠nio dos chamados fracos. Sabemos hoje que a simbiose √© um dos mecanismos mais poderosos de evolu√ß√£o. Mas deix√°mos que isso ficasse no esquecimento. E continuamos ainda hoje vasculhando exemplos isolados de simbiose quando a Vida √© toda ela um processo de simbiose global. Sabemos hoje que a capacidade de criar diversidade foi o mais importante segredo da nossa √©poca como esp√©cie que se adaptou e sobreviveu. No entanto, vamo-nos contentando com o estatuto que a n√≥s mesmos conferimos: o sermos a esp√©cie ¬ęsabedora¬Ľ.

Alimentámo-nos de receios e essa será mais uma manifestação da gula. Temos medo de errar. Esse medo leva à proibição de experimentar outros caminhos, sufocados pelo cientificamente correcto, pelo estatisticamente provado, pelo laboratorialmente certificado. Deveríamos ser nós, biólogos, a mostrar que o erro é um dos principais motores da evolução. A mutação é um erro criativo que funciona, um erro que fabrica a diversidade.
Os avanços no domínio do conhecimento fazem-se através de caminhos paradoxais. A nossa ciência,

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A Instabilidade e Imprevisibilidade do Nosso Comportamento

N√£o deveis estranhar se hoje vedes poltr√£o aquele que ontem vistes t√£o intr√©pido: ou a c√≥lera, ou a necessidade, ou a companhia, ou o vinho, ou o som de uma trombeta, tinham-lhe incutido coragem. N√£o se trata de uma coragem que a raz√£o haja modelado; foram as circunst√Ęncias que lhe deram consist√™ncia; n√£o espanta, pois, que circunst√Ęncias contr√°rias a tenham transformado.
Esta t√£o flex√≠vel varia√ß√£o e estas contradi√ß√Ķes que em n√≥s se v√™em, fizeram com que alguns imaginassem termos duas almas, e que outros supusessem que dois poderes nos acompanham e agitam, cada qual √† sua maneira, um tendendo para o bem, o outro para o mal, j√° que t√£o brutal diversidade n√£o poderia atribuir-se a uma s√≥ entidade.
N√£o somente o vento dos acidentes me agita consoante a direc√ß√£o para que sopra, mas, ademais, eu agito-me e perturbo-me a mim pr√≥prio pela instabilidade da minha postura; e quem, antes do mais, se observar, nunca se achar√° duas vezes no mesmo estado. Confiro √† minha alma ora um rosto ora outro, conforme o lado sobre que a pousar. Se falo de mim de diferentes maneiras √© porque de maneiras diferentes me observo. Toda a sorte de contradi√ß√Ķes se podem encontrar em mim sob algum ponto de vista e sob alguma forma.

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Diversidade Condicionada

Se, como escrevi em ‘Ra√ßa e Hist√≥ria’, existe entre as sociedades humanas um certo √≥ptimo de diversidade al√©m do qual elas n√£o conseguiram prosseguir, mas abaixo do qual tampouco podem descer sem perigo, deve-se reconhecer que essa diversidade resulta em grande parte do desejo de cada cultura de se opor √†s que a cercam, de distinguir-se delas, em suma, de serem elas mesmas; n√£o se ignoram, imitam-se ocasionalmente, mas, para n√£o perecerem, √© necess√°rio que, sob outros aspectos, persista entre elas uma certa impermeabilidade.

N√£o Pode Existir Amor Sem Verdadeira Troca

Não te lembras de ter encontrado na vida aquela que se considera um ídolo? Que havia ela de receber do amor? Tudo, até a tua alegria de a encontrares, se torna homenagem para ela. Mas, quanto mais a homenagem custa, mais vale: ela saborearia melhor o teu desespero.
Ela devora sem se alimentar. Ela apodera-se de ti para te queimar à sua honra. Ela é semelhante a um forno crematório. Ela, na sua avareza, enriquece-se de várias capturas, julgando encontrar a alegria nessa acumulação. E não acumula mais do que cinzas. Porque o verdadeiro uso dos teus dons era caminho de um para o outro, e não captura.
Ela ver√° penhores nos teus dons e abster-se-√° de tos conceder em paga. Na falta de arrebatamentos que te satisfariam, a falsa reserva dela far-te-√° ver que a comunh√£o dispensa sinais. √Č marca da impot√™ncia para amar, n√£o eleva√ß√£o do amor. Se o escultor despreza a argila, ter√° de modelar o vento. Se o teu amor despreza os sinais do amor a pretexto de atingir a ess√™ncia, o teu amor n√£o passa de um palavreado. N√£o descuides as felicita√ß√Ķes, nem os presentes, nem os testemunhos.Serias capaz de amar a propriedade,

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Só se Cria na Diversidade

Todos os pensamentos que renunciam √† unidade exaltam a diversidade. E a diversidade √© o local da arte. O √ļnico pensamento que liberta o esp√≠rito √© aquele que o deixa s√≥, certo dos seus limites e do seu fim pr√≥ximo. Nenhuma doutrina o solicita. Ele espera o amadurecimento da obra e da vida. Separada dele, a primeira far√° ouvir, uma vez mais, a voz levemente ensurdecida de uma alma para todo o sempre liberta da esperan√ßa. Ou nada far√° ouvir, se o criador, cansado do seu jogo, pretende afastar-se. Tudo isso se equivale.

Femeeiro L√≠rico e Femeeiro √Čpico

Os homens que têm a mania das mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a ideia que eles próprios têm da mulher tal como ela lhe aparece em sonhos, o que é algo de subjectivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objectivo.
A obsess√£o dos primeiros √© uma obsess√£o l√≠rica; o que procuram nas mulheres n√£o √© sen√£o eles pr√≥prios, n√£o √© sen√£o o seu pr√≥prio ideal, mas, ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilus√£o, porque, como sabemos, o ideal √© precisamente o que nunca se encontra. Como a desilus√£o que os faz andar de mulher em mulher d√°, ao mesmo tempo, uma esp√©cie de desculpa melodram√°tica √† sua inconst√Ęncia, n√£o poucos cora√ß√Ķes sens√≠veis acham comovente a sua perseverante poligamia.
A outra obsessão é uma obsessão épica e as mulheres não vêem nela nada de comovente: como o homem não projecta nas mulheres um ideal subjecitvo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta impossibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do femeeiro épico não tem remissão (porque não é resgatada pela desilusão).

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A Dist√Ęncia Entre Gera√ß√Ķes

A solu√ß√£o de continuidade entre as gera√ß√Ķes depende da impossibilidade de transmitir a experi√™ncia, de fazer evitar aos outros os erros j√° cometidos por n√≥s. A verdadeira dist√Ęncia entre duas gera√ß√Ķes √© dada pelos elementos que t√™m em comum e que obrigam √† repeti√ß√£o c√≠clica das mesmas experi√™ncias, como nos comportamentos das esp√©cies animais transmitidos pela heran√ßa biol√≥gica; ao passo que os elementos da verdadeira diversidade existente entre n√≥s e eles s√£o, pelo contr√°rio, o resultado das modifica√ß√Ķes irrevers√≠veis que cada √©poca traz consigo, ou seja, dependem da heran√ßa hist√≥rica que n√≥s lhes transmitimos, a verdadeira heran√ßa de que somos respons√°veis, mesmo que por vezes o sejamos de forma inconsciente. Por isso n√£o temos nada a ensinar: sobre aquilo que mais se parece com a nossa experi√™ncia n√£o podemos influir; naquilo que traz o nosso cunho, n√£o sabemos reconhecer-nos.

Nunca Tomar Ninguém como Modelo

Para as nossas ac√ß√Ķes e omiss√Ķes, n√£o √© preciso tomar ningu√©m como modelo, visto que as situa√ß√Ķes, as circunst√Ęncias e as rela√ß√Ķes nunca s√£o as mesmas e porque a diversidade dos car√°cteres tamb√©m confere um colorido diverso a cada ac√ß√£o. Desse modo, duo cum faciunt idem, non est idem (quando duas pessoas fazem o mesmo, n√£o √© o mesmo). Ap√≥s pondera√ß√£o madura e racioc√≠nio s√©rio, temos de agir segundo o nosso car√°cter. Portanto, tamb√©m em termos pr√°ticos, a originalidade √© indispens√°vel; caso contr√°rio, o que se faz n√£o combina com o que se √©.

O Mal só nos Afecta na Medida em que o Deixarmos

Os homens (diz uma antiga máxima grega) são atormentados pelas ideias que têm das coisas, e não pelas próprias coisas. Haveria um grande ponto ganho para o alívio da nossa miserável condição humana se pudéssemos estabelecer essa asserção como totalmente verdadeira. Pois, se os males só entraram em nós pelo nosso julgamento, parece que está em nosso poder desprezá-los ou transformá-los em bem. Se as coisas se entregam à nossa mercê, por que não dispomos delas ou não as moldarmos para vantagem nossa? Se o que denominamos mal e tormento não é nem mal nem tormento por si mesmo, mas somente porque a nossa imaginação lhe dá essa qualidade, está em nós mudá-la. E, tendo essa escolha, se nada nos força, somos extraordinariamente loucos de bandear para o partido que nos é o mais penoso e dar às doenças, à indigência e ao desvalor um gosto acre e mau, se lhes podemos dar um gosto bom e se, a fortuna fornecendo simplesmente a matéria, cabe a nós dar-lhe a forma.
Porém vejamos se é possível sustentar que aquilo que denominamos por mal não o é em si mesmo, ou pelo menos que, seja ele qual for, depende de nós dar-lhe outro sabor e outro aspecto,

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A Realidade Histórica é Equívoca e Inesgotável

O historiador pertence ao devir que descreve. Está situado após os acontecimentos, mas na mesma evolução. A ciência histórica é uma forma de consciência que uma comunidade toma de si mesma, um elemento da vida colectiva, como o conhecimento de si um aspecto da consciência pessoal, um dos factores do destino individual. Não é ela função simultaneamente da situação actual, que por definição muda com o tempo, e da vontade que anima o sábio, incapaz de se destacar de si mesmo e do seu objecto?
Mas, por outro lado, ao contr√°rio, o historiador busca penetrar a consci√™ncia de outrem. √Č, em rela√ß√£o ao ser hist√≥rico, o outro. Psic√≥logo, estratega ou fil√≥sofo, observa sempre do exterior. N√£o pode nem pensar o seu her√≥i, como este se pensa a si mesmo, nem ver a batalha como o general a viu ou viveu, nem compreender uma doutrina do mesmo modo que o criador.
Finalmente, quer se trate de interpretar um acto ou uma obra, devemos reconstu√≠-los conceptualmente. Ora n√≥s temos sempre de escolher entre m√ļltiplos sistemas, pois a ideia √© ao mesmo tempo imanente e transcendente √† vida: todos os monumentos existem por eles mesmos num universo espiritual, a l√≥gica jur√≠dica e econ√≥mica √© interna √† realidade social e superior √† consci√™ncia individual.

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As telenovelas são muito ricas, muito bonitas, e eu gosto da diversidade. Não sou nada contra o filme comercial. A gente dos filmes comerciais é que é sempre contra o cinema como arte. Mas eu não. Sou apologista da variedade, mesmo no cinema artístico. Penso que a personalidade do realizador é que é a marca da originalidade. Não há outra.

A verdadeira unidade √© a unidade na liberdade e na diversidade, forjada na ac√ß√£o comum e que se baseia em op√ß√Ķes decorrentes do exerc√≠cio pleno das liberdades fundamentais.

Na Europa h√° um mito hist√≥rico e religioso. A Uni√£o Europeia tende para isso: um s√≥ comando gen√©rico e uma s√≥ f√© que √© posta na democracia. Tira-se a religi√£o um pouco para o lado e estabelece-se uma democracia generalizada, a uni√£o da Europa com um mesmo fim: um s√≥ rei e um s√≥ papa. √Č o mito que se est√° a tornar uma realidade actualmente com Bruxelas no centro da Uni√£o Europeia. Acho que √© √≥ptimo mas √© muito dif√≠cil porque h√° diferentes climas nas regi√Ķes, h√° diferentes idiossincrasias, diferentes l√≠nguas. √Č sempre muito dif√≠cil tornar uma coisa acess√≠vel a toda essa diversidade.

Na totalidade imensa da criação, observa-se que, apesar da sua diversidade, todas as criaturas têm uma tarefa particular a cumprir.

Só dogmáticos podem pretender explicar a vida social, na sua extrema riqueza, diversidade e complexa e irregular evolução, com a aplicação de fórmulas imutáveis ou com a citação de textos.

Literatura Eterna ou Temporal

Penso eu que a literatura pode responder a interroga√ß√Ķes, pode tentar responder-lhes, pode simplesmente p√ī-las e pode nem sequer p√ī-las. H√° a contar com a variedade dos temperamentos liter√°rios. Coisa dif√≠cil, sei-o por experi√™ncia pr√≥pria, embora deva estar na base de qualquer atitude cr√≠tica. Aceitemos, por√©m, que toda a grande literatura p√Ķe interroga√ß√Ķes, e lhes procura resposta. Pergunto: N√£o poder√° admitir-se que seja antes √†s interroga√ß√Ķes eternas do homem eterno que a literatura procura responder? N√£o envelhecer√° uma obra de arte precisamente na medida em que s√≥ responde √†s inquieta√ß√Ķes de uma √©poca? E n√£o perdurar√° na medida em que, atrav√©s, ou n√£o, de respostas provis√≥rias a interroga√ß√Ķes provis√≥rias, sugere uma resposta eterna a interroga√ß√Ķes eternas, exprime inquieta√ß√Ķes eternas embora de forma pessoal?
Entendamo-nos: H√° quem, no homem, antes considere o homem eterno, e quem antes considere o homem temporal. O leitor compreende que chamo homem eterno ao que, no homem, permanece atrav√©s da diversidade das √©pocas, dos meios, das circunst√Ęncias hist√≥ricas, das modalidades individuais; e que chamo homem temporal ao que nele depende destas coisas. Evidentemente, o homem que atrav√©s da literatura se nos revela √©, ao mesmo tempo, um e outro: o temporal e o eterno. Mas a quest√£o √© esta: Ser√° antes pelo que nos revela do homem temporal que uma obra dura por humana –

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O Verdadeiro é Simples

O verdadeiro, o bom, o inigual√°vel √© simples e √© sempre id√™ntico a si mesmo, seja qual for a forma sob a qual ocorre. Pelo contr√°rio, o erro, sobre o qual sempre recair√° a censura, √© de uma extrema diversidade, diferente em si mesmo, em luta n√£o apenas contra o verdadeiro e bom mas tamb√©m consigo mesmo, sempre em contradi√ß√£o consigo pr√≥prio. √Č por isso que em todas as literaturas as express√Ķes de censura h√£o-de ser sempre muito mais que as palavras destinadas aos louvores.

Apenas Conhecemos Fragmentos dos Outros

Quando te encontras na base de um importante maci√ßo montanhoso, est√°s longe de conhecer toda a sua diversidade, n√£o tens nenhuma ideia das alturas que se ergueram por tr√°s do seu cimo ou por tr√°s daquele que te parece ser o cimo, n√£o suspeitas nem o perigo dos abismos nem os confort√°veis assentos ocultos entre os rochedos. √Č apenas se sobes e se persegues o teu caminho que se revelam pouco a pouco a teus olhos os segredos da montanha, alguns que esperavas, outros que te surpreendem, uns essenciais, outros insignificantes, tudo isso sempre e unicamente em fun√ß√£o da direc√ß√£o que tomares; e nunca te revelar√£o todas.
O mesmo acontece quando te encontras diante de uma alma humana.
Aquilo que se te oferece ao primeiro olhar, por mais perto que estejas, est√° longe de ser a verdade e certamente nunca √© toda a verdade. √Č apenas no decurso do caminho, quando os teus olhos se tornam mais penetrantes e nenhuma bruma perturba o teu olhar, que a natureza √≠ntima dessa alma se revela a pouco a pouco e sempre por fragmentos. Aqui √© a mesma coisa: √† medida que te afastas da zona explorada, toda a diversidade que encontraste no caminho se esbate como um sonho,

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Essa habilidade em produzir diversidade, esse é o segredo da nossa vitalidade e das nossas artes de sobrevivência. Temos que saber manter essa capacidade Рagora no plano cultural e civilizacional Рpara respondermos às novas ameaças que sobre todos nós pesam. As saídas que nos restam pedem-nos não o olhar do lince mas o olho composto da mosca.

Palavras com Poucas Ideias

Os homens tomam as palavras como sendo as marcas regulares e constantes de no√ß√Ķes aceites, quando na verdade n√£o s√£o mais que sinais volunt√°rios e inst√°veis das suas pr√≥prias id√©ias. [… ] Esse abuso, que leva a confiar cegamente nas palavras, n√£o foi em nenhum lugar t√£o disseminado, nem ocasionou tantos efeitos mal√©ficos, como entre os homens de letras. A multiplica√ß√£o e obstina√ß√£o das disputas que t√™m devastado o mundo intelectual deve-se t√£o-s√≥ a esse mau uso das palavras. Pois, ainda que em geral se acredite existir grande diversidade de opini√Ķes nos volumes e variedade das controv√©rsias que agitam o mundo, o m√°ximo que posso constatar √© que, ao discutirem entre si, os doutos em contenda nas diferentes fac√ß√Ķes falam l√≠nguas distintas.