Cita√ß√Ķes sobre Empenho

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Frases sobre empenho, poemas sobre empenho e outras cita√ß√Ķes sobre empenho para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O que mais impede de ter um bom amigo é o empenho em ter muitos. A amizade quer ser antiga.

Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Civilização de Especialistas

A verdade √© que hoje vivemos numa civiliza√ß√£o de especialistas e que √© v√£o todo o empenho de que seja de outro modo. Sob pena de n√£o ser eficiente, o homem das artes, das ci√™ncias e das t√©cnicas tem de se especializar, para que domine aqueles segredos de bibliografia ou de pr√°tica, e para que obtenha os jeitos e a forte concentra√ß√£o de pensamento que se tornam necess√°rios para que se possa n√£o s√≥ manejar o que se herdou mas acrescentar patrim√≥nio para as gera√ß√Ķes futuras. E, se √© certo que por um lado o especialismo favorece aquela pregui√ßa de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas √ļteis indiv√≠duos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O pre√ßo, por√©m, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons l√≠deres, de homens com uma larga vis√£o de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na dif√≠cil arte de n√£o ter especialidade pr√≥pria sen√£o essa mesma do plano, da previs√£o e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes,

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O Acto Poético

O acto po√©tico √© o empenho total do ser para a sua revela√ß√£o. Este fogo do conhecimento, que √© tamb√©m fogo de amor, em que o poeta se exalta e consome, √© a sua moral. E n√£o h√° outra. Nesse mergulho do homem nas suas √°guas mais silenciadas, o que vem √† tona √© tanto uma singularidade como uma pluralidade. Mas, curiosamente, o esp√≠rito humano atenta mais facilmente nas diferen√ßas do que nas semelhan√ßas, esquecendo-se, e √© Goethe quem o lembra, que o particular e o universal coincidem, e assim a palavra do poeta, t√£o fiel ao homem, acaba por ser palavra de esc√Ęndalo no seio do pr√≥prio homem. Na verdade, ele nega onde outros afirmam, desoculta o que outros escondem, ousa amar o que outros nem sequer s√£o capazes de imaginar. Palavra de afli√ß√£o mesmo quando luminosa, de desejo apesar de serena, rumorosa at√© quando nos diz o sil√™ncio, pois esse ser sedento de ser, que √© o poeta, tem a nostalgia da unidade, e o que procura √© uma reconcilia√ß√£o, uma suprema harmonia entre luz e sombra, presen√ßa e aus√™ncia, plenitude e car√™ncia.

Regras Gerais da Arte da Guerra

Estou consciente de vos ter falado de muitas coisas que por vós mesmos haveis podido aprender e ponderar. Não obstante, fi-lo, como ainda hoje vos disse, para melhor vos poder mostrar, através delas, os aspectos formais desta matéria,e, ainda, para satisfazer aqueles Рse fosse esse o caso Рque não tivessem tido, como vós, a oportunidade de sobre elas tomar conhecimento. Parece-me que, agora, já só me resta falar-vos de algumas regras gerais, com as quais deveis estar perfeitamente identificados. São as seguintes:
– Tudo o que √© √ļtil ao inimigo √© prejudicial para ti, e, tudo o que te √© √ļtil prejudica o inimigo.
– Aquele que, na guerra, for mais vigilante a observar as inten√ß√Ķes do inimigo e mais empenho puser na prepara√ß√£o do seu ex√©rcito, menos perigos correr√° e mais poder√° aspirar √† vit√≥ria.
– Nunca leves os teus soldados para o campo de batalha sem, previamente, estares seguro do seu √Ęnimo e sem teres a certeza de que n√£o t√™m medo e est√£o disciplinados e convictos de que v√£o vencer.
– √Č prefer√≠vel vencer o inimigo pela fome do que pelas armas. A vit√≥ria pelas armas depende muito mais da fortuna do que da virtude.

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Entendimento Influenciado pela Vontade

Na ci√™ncia de julgar, alguma vez √© desculp√°vel o erro do entendimento, o da vontade nunca; como se o entender mal n√£o fosse crime, erro sim; ou como se houvesse uma grande diferen√ßa entre o erro, e o crime: o entendimento pode errar, por√©m s√≥ a vontade pode delinquir. Assim se desculpam comummente os julgadores, mas √© porque n√£o v√™em, que o que dizem que procedeu do entendimento, se bem se ponderar, procedeu unicamente da vontade. √Č um parto suposto, cuja origem, n√£o √© aquela que se d√°. Querem os s√°bios enobrecer o erro, com o fazer vir do entendimento, e com lhe encobrir o v√≠cio que trouxe da vontade; mas quem √© que deixa de ver, que o nosso entendimento qu√°si sempre se sujeita ao que n√≥s queremos; e que o seu maior empenho, √© servir √† nossa inclina√ß√£o; por isso raras vezes se op√Ķe, e o mais em que se ocupa, √© em conformar-se de tal sorte ao nosso gosto, que ainda a n√≥s mesmos fique parecendo, que foi resolu√ß√£o do entendimento aquilo que n√£o foi sen√£o acto da vontade.
O entendimento é a parte que temos em nós mais lisonjeira; daqui vem que nem sempre segue a razão,

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Soneto 434 A Néstor Perlongher

Na frente esteve e est√°, depois ou antes.
Poeta j√° portento de portenho,
em Néstor o barroco ganha engenho
e os verbos reverberam mais brilhantes.

Da Frente mítico entre os militantes,
aqui tem maior campo seu empenho.
Da causa negra um dado a depor tenho:
tratou mais que os tratados dos tratantes.

Aos putos imputou novo valor.
Da língua tinha humor sempre na ponta.
Das classes, luta e amor, é professor.

Mediu o que a estatística não conta.
Territorializou do corpo a cor.
Deu tom de santa a tanta tinta tonta!

XXXV

Aquele, que enfermou de desgraçado,
N√£o espere encontrar ventura alguma:
Que o Céu ninguém consente, que presuma,
Que possa dominar seu duro fado.

Por mais, que gire o espírito cansado
Atr√°s de algum prazer, por mais em suma,
Que porfie, trabalhe, e se consuma,
Mudança não verá do triste estado.

N√£o basta algum valor, arte, ou engenho
A suspender o ardor, com que se move
A infausta roda do fatal despenho:

E bem que o peito humano as forças prove,
Que h√° de fazer o temer√°rio empenho,
Onde o raio é do Céu, a mão de Jove.

Em Portugal cada um Quer Tudo

E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos. Se Cleofas fora português, mais se havia de ofender da a metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba. Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos reis de Portugal: por isto mais, do que por nenhum outro empenho.
(…) Em nenhuns reis do mundo se v√™ isto mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das tr√™s partes do mundo a na√ß√Ķes estranhas, foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito f√°cil e muito felizmente; mas repartir tr√™s palmos de terra em Portugal aos vassalos com satisfa√ß√£o deles,

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O anci√£o merece respeito n√£o pelos cabelos brancos ou pela idade, mas pelas tarefas e empenhos, trabalhos e suores do caminho j√° percorrido na vida.

Quando a Fortuna Encetou com Desgraças

Quando a Fortuna, de inconstante aviso,
Encetou com desgraças
O var√£o que n√£o veio humilde, abjecto
Adorar o seu Nume,
Na refalsada Corte, ou ante os cofres
Chapeados de Pluto;
Levando avante, o seu empenho, e acinte,
Maléfica lhe emborca
Sobre a cabeça a mágoas devotada,
Toda a Urna infelice,
Que Jove encheu col√©rico co’as penas
De atormentado inferno.
Dos ombros do Var√£o constante e justo
Resvalam debruçadas
Perdas de bens, desonras mal sofridas
A lhe aferrar o peito
Co’as garras afaimadas da pobreza;
Logo os tristes Pesares
Em torno ao coração serpeiam, mordem,
Trajando a rojo lutos.
Vem a m√° nova, de agouradas falas,
Que se comp√Ķe sequela
De tibiezas, sen√Ķes, desconfian√ßas,
Desamparo de amigos.
A Doença, com mão finada abrange
Os fatigados membros
E no √Ęmago do peito as amargaras
V√£o assentar morada.
Com índice maligno a Providência
Lhe aponta no futuro,
Em nebuloso quadro hórridas formas
De sinistros sucessos.
Quem n√£o quisera, com melhor semblante
Despedir-se do dia,
E fraudar, com as sombras do jazigo,

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Formar Conceito

Formar conceito, e mais do que mais importa. Por não pensarem perdem-se todos os néscios: nunca concebem nas coisas nem a metade; e, como não percebem o dano nem a conveniência, tampouco aplicam a diligência. Alguns fazem muito caso do que pouco importa, e pouco caso do que importa muito, ponderando sempre às avessas. Muitos, por serem faltos de senso, não o perdem. Coisas há que se deveriam observar com todo o empenho, e conservar na profundidade da mente. O sábio forma conceito de tudo, ainda que, discernindo, cave onde haja fundo e reparo, pensando às vezes que haja mais do que pensa; de tal sorte que a reflexão chega aonde não chegou a apreensão.

Não Peças o que na Realidade não Pretendes Obter

“N√£o te ponhas a pedir o que n√£o pretendes obter!” √Č que sucede muitas vezes n√≥s pedirmos com empenho coisas que recusar√≠amos se algu√©m no-las oferecesse. Por ligeireza? Por excesso de gentileza? Seja qual for a raz√£o, apliquemos-lhe um castigo: acedamos largamente ao pedido. Muitas coisas n√≥s desejamos parecer querer quando de facto as n√£o queremos. Numa leitura p√ļblica, um autor levou uma vez uma obra hist√≥rica enorme, escrita em letra miudinha, num volume dens√≠ssimo, e, depois de ler a maior parte, disse: “Se querem, fico por aqui.” Ora os auditores, embora o seu √ļnico desejo fosse que o homem se calasse imediatamente, gritaram em coro: “Continua a leitura, continua!” Muitas vezes, tamb√©m, queremos uma coisa mas escolhemos outra, e nem sequer aos deuses confessamos a verdade; o que vale √© que os deuses ou n√£o nos atendem ou t√™m pena de n√≥s!

A Armadilha do Empenho

Fugir dos empenhos √© das primeiras m√°ximas da prud√™ncia. Nas grandes capacidades h√° sempre grandes dist√Ęncias, at√© aos √ļltimos detalhes do t√©rmino. H√° muito para andar de um extremo ao outro, e eles est√£o sempre inebriados pela sua boa conduta: chegam tarde ao rompimento, pois √© mais f√°cil furtar-se √† ocasi√£o perigosa do que se sair bem dela. Nas tenta√ß√Ķes do ju√≠zo, mais seguro √© fugir do que vencer. Um empenho traz outro maior e est√° perto do despenho. H√° homens que, por g√©nio e mesmo por inclina√ß√£o, metem-se em obriga√ß√Ķes, mas quem caminha √† luz da raz√£o sempre vai com muita considera√ß√£o. Estima-se ter mais valor o n√£o se empenhar que o vencer, e, j√° que h√° um tolo profiado, escusa-se que com ele sejam dois.

À Cruz

Se em golfo de sereias proceloso,
Empenho repetido do cuidado,
O s√°bio grego, ao duro mastro atado,
As sereias escapa cauteloso;

Eu, no mar deste mundo tormentoso,
De sirtes e sereias povoado,
À vossa cruz, Senhor, sempre abraçado,
Os perigos escape venturoso.

Oh! Livrai-me, meu Deus, de tanto astuto
Labirinto, de tanto cego encanto,
Para que colha desta planta o fruto;

Que é justo, doce Amor, em risco tanto,
Se salva a Ulisses um madeiro bruto,
Que a mim me salve este madeiro santo.

O Amor é o Contraegoísmo

Cada vez mais pessoas est√£o preocupadas consigo mesmas. Cuidam de si de uma forma t√£o dedicada que se poderia supor que est√£o a construir algo de verdadeiramente belo e forte; mas n√£o… os resultados s√£o normalmente fracos e fr√°geis. Gente manipul√°vel que se deixa abater por uma simples brisa… cultivam o eu como a um deus, mas s√£o facilmente derrubados pela m√≠nima contrariedade.

Tendo a originalidade por moda n√£o ser√° paradoxal que a sociedade esteja a tornar-se cada vez mais uniforme? Como a multid√£o tende sempre a nivelar-se por baixo, estamos a tornar-nos cada vez piores.

Hoje parece n√£o haver tempo nem espa√ßo para um cuidado mais fundo com a nossa ess√™ncia ‚Äď s√£o poucos os que hoje t√™m amigos verdadeiros com quem aprendem, a quem se d√£o e de quem recebem valores essenciais.
Por medo da solid√£o quer-se conhecer gente, cada vez mais gente. Talvez o facto de se buscar uma quantidade de amizades mais do que a qualidade das mesmas explique por que, afinal, h√° cada vez mais solid√£o… sempre que prefiro partir em busca do novo, escolho abandonar aquele(s) com quem estava.

O sucesso das redes virtuais é hoje um sintoma,

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O √āmago da Virtude

Haver√° fil√≥sofos que pretendem induzir-nos a dar grande valor √† prud√™ncia, a praticarmos a virtude da coragem, a nos aplicarmos √† justi√ßa ‚ÄĒ se for poss√≠vel ‚ÄĒ com maior empenho ainda do que √†s restantes virtudes. Pois bem: de nada servir√£o estes conselhos se n√≥s ignorarmos o que √© a virtude, se ela √© una ou m√ļltipla, se as virtudes s√£o individualizadas ou interdependentes, se quem possui uma virtude possui tamb√©m as restantes ou n√£o, qual a diferen√ßa que existe entre elas. Um oper√°rio n√£o precisa de investigar qual a origem ou a utilidade do seu trabalho, tal como o bailarino o n√£o tem que fazer quanto √† arte da dan√ßa: os conhecimentos relativos a todas estas artes est√£o circunscritos a elas mesmas, porquanto elas n√£o t√™m incid√™ncia sobre a totalidade da vida. A virtude, por√©m, implica tanto o conhecimento dela pr√≥pria como o de tudo o mais; para aprendermos a virtude temos de come√ßar por aprender o que ela √©. Uma ac√ß√£o n√£o pode ser correcta se n√£o for correcta a vontade, pois √© desta que prov√©m a ac√ß√£o. Tamb√©m a vontade nunca ser√° correcta se n√£o for correcto o car√°cter, porquanto √© deste que prov√©m a vontade. Finalmente,

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Como (dona Prassede) dizia frequentemente aos outros e a si mesma, todo o seu empenho era atender aos desejos do céu: mas muitas vezes cometia um grande erro, que era o de tomar o céu pelo seu cérebro.