Passagens sobre Erva

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Frases sobre erva, poemas sobre erva e outras passagens sobre erva para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Recém-Casado

√Č pelos corpos que nos perderemos
de nós mesmos, para nos ganharmos
√Č pelos beijos que nos despedimos
para nos encontrarmos pelos olhos.
√Č pela pele que escaldamos
o que em nós havia de secreto:
e é o nosso corpo entregue um corpo estranho
pois pertence só a quem amamos
por quem morosamente devassamos
o alheamento da carne ‚ÄĒ
o barqueiro, o pastor que a atravessa
num profundo arremesso vagaroso
levantando ondas, ondas, ondas e ervas
a subir e descer vagas e montes
levando-me com ele à raia clara
onde √°gua a quebrar-se eu me constele
na sua barca, conduzida à praia.

O Meu Amor

O meu amor, que livre anda de engano,
ambiente natural
encontra nestes campos, onde a relva,
levemente movida pela brisa,
ao contacto é macia,
e o boi rumina, sem espanto, a sua
doçura de vagar,
olhos postos nas coisas, distraído;
um cavalo anda longe,
e a crina se desfralda como um leque,
aberto por um vento muito brando.

Meu amor se acomoda entre estas pedras
como a seu leito o rio,
a asa do insecto ao corpo delicado,
ao morno ventre o bicho n√£o nascido.
Como fronde se inclina
aos meus suspiros, que deitando vou
aos transparentes ares,
quando o arvoredo a fina brisa agita.
Ah deleitosa vida,
pelo arado do sonho sou levada,
e o que fazes de mim é o que me fica.

Sem qualquer pensamento ou sentimento
que de leve me afaste,
mergulho na secura do que vejo.
Cada coisa est√° viva em seu lugar,
cada coisa est√° certa:
o inverno seca apenas o exterior,
deixa a humidade interna.
Que sei de olmos e faias e olorosas
ervas?

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N√£o Choreis os Mortos

N√£o choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escurid√£o das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos v√£os adormecidos.

E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar… guardai, longe, as do√ßuras
Das vossas ora√ß√Ķes, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multid√£o sem fim dos que s√£o vivos,
Dos tristes que n√£o podem esquecer.

E, ao meditar, ent√£o, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.

A glória que se tornará póstera assemelha-se a um carvalho que cresce bem lentamente a partir da sua semente; a glória fácil, efémera, assemelha-se às plantas anuais, que crescem rapidamente, e a glória falsa parece-se com a erva daninha, que nasce num piscar de olhos e que nos apressamos a arrancar.

As Ilhas e as Flores

Percorreu um trilho ao longo da manh√£ e sentou-se a comer entre as az√°leas. Quando um dia voltasse a partir, talvez nada lhe fizesse tanta falta como as flores. As hort√™nsias e as √°rvores-de-fogo, as beladonas e as cam√©lias, as magn√≥lias e as olaias: encantava-o a cad√™ncia a que floriam naquela ilha ‚ÄĒ e depois ainda havia os hibiscos, os jarros e os mantos infinitos de erva azeda, sempre prontos a acorrer a algum sobressalto da meteorologia, para que nunca faltasse a cor.
Podia dizer-se o que se quisesse sobre as ilhas, menos que fossem claustrofóbicas. Não as ilhas onde houvesse flores.

Esqueço do Quanto me Ensinaram

Deito-me ao comprido na erva.
E esqueço do quanto me ensinaram.
O que me ensinaram nunca me deu mais calor nem mais frio,
O que me disseram que havia nunca me alterou a forma de uma coisa.
O que me aprenderam a ver nunca tocou nos meus olhos.
O que me apontaram nunca estava ali: estava ali só o que ali estava.

Se Eu Agora Inventasse o Mundo

Se eu agora inventasse o mundo
criaria a luz da manh√£ j√° explicada
sem o luto que pesa
na sombra dos homens
Рconspiração da noite
com as pedras.

Luz que o cheiro das ervas da madrugada
aproxima os mortos do silêncio
com esqueletos de asas
– conluio com o sol
para estarem mais presentes
no tacto da pele da manh√£,
mil m√£os a afogarem a paisagem,
bafo de flores donde cai
o enlace das sementes…

Abro a janela
O mundo cheira t√£o bem a trevos ausentes!

Bons dias, mortos. Bons dias, Pai.

O álcool te deixa bêbado. Isso não faz você meditar, apenas torná-lo bêbado. A erva é mais uma consciência.

Queria ser a erva humilde
Que pisasses algum dia,
Pra debaixo de teus pés
Morrer em doce agonia.

Voz Que Se Cala

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as √°guas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De cora√ß√Ķes que sentem e n√£o falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e m√≠sero Destino!…

Sou um guardador de rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos s√£o todos sensa√ß√Ķes.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de goz√°-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.

Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador.

Verdes s√£o os campos

Verdes s√£o os campos,
De cor de lim√£o:
Assim s√£o os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Ver√£o,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
N√£o no entendereis;
Isso que comeis
N√£o s√£o ervas, n√£o:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Liberdade, Estado, Igualdade e Fraternidade, s√£o as bases da Sociedade

Politicamente falando, não há mais do que um princípio Рa soberania do homem sobre si mesmo. Essa soberania de mim e sobre mim chama-se Liberdade. Onde duas ou mais destas soberanias se associam principia o Estado. Nesta asssociação, porém, não se dá abdicação de qualidade nenhuma. Cada soberania concede certa quantidade de si mesma para formar o direito comum, quantidade que não é maior para uns do que para os outros. Esta identidade de concessão que cada um faz a todos chama-se Igualdade. O direito comum não é mais do que a protecção de todos dividida pelo direito de cada um. Esta protecção de todos sobre cada um chama-se Fraternidade. O ponto de intersecção de todas estas soberanias que se agregam chama-se Sociedade.
Ora, sendo essa intersec√ß√£o uma jun√ß√£o, por consequ√™ncia esse ponto √© um n√≥. Daqui vem o que n√≥s chamamos la√ßo social. Dizem alguns ¬ęcontrato social¬Ľ, o que vem a ser o mesmo, visto que a palavra contrato √© etimologicamanete formada com a ideia de la√ßo. Vejamos agora o que √© a igualdade, pois se a liberdade √© o cume, a igualdade √© a base. A igualdade, cidad√£os, n√£o √© o nivelamento de toda a vegeta√ß√£o;

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