Cita√ß√Ķes sobre Esplendor

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Frases sobre esplendor, poemas sobre esplendor e outras cita√ß√Ķes sobre esplendor para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Uma Alma Grande e Corajosa

Um esp√≠rito corajoso e grande √© reconhecido principalmente devido a duas caracter√≠sticas: uma consiste no desprezo pelas coisas exteriores, na convic√ß√£o de que o homem, independentemente do que √© belo e conveniente, n√£o deve admirar, decidir ou escolher coisa alguma nem deixar-se abater por homem algum, por qualquer quest√£o espiritual ou simplesmente pela m√° fortuna. A outra consiste no facto – especialmente quando o esp√≠rito √© disciplinado na maneira acima referida – de se dever realizar feitos, n√£o s√≥ grandes e seguramente, bastante √ļteis, mas ainda em grande n√ļmero, √°rduos e cheios de trabalhos e perigos, tanto para a vida como para as muitas coisas que √† vida interessam.
Todo o esplendor, toda a dimensão (devo acrescentar ainda a utilidade), pertencem à segunda destas duas características; porém, a causa e o princípio eficiente, que os tornam homens grandes, à primeira.
Naquela est√°, com efeito, aquilo que torna os esp√≠ritos excelentes e desdenhosos das coisas humanas. Na verdade, pode isto ser reconhecido por duas condi√ß√Ķes: em primeiro lugar, se estimares alguma coisa como sendo boa unicamente porque √© honesta, em segundo lugar, se te encontrares livre de toda a perturba√ß√£o de esp√≠rito. Consequentemente, o facto de se ter em pouca conta aquelas coisas humanas e de se desprezar,

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Horas Vivas

Noite: abrem-se as flores…
Que esplendores!
Cíntia sonha amores
Pelo céu.
Tênues as neblinas
Às campinas
Descem das colinas,
Como um véu.

M√£os em m√£os travadas,
Animadas,
V√£o aquelas fadas
Pelo ar;
Soltos os cabelos,
Em novelos,
Puros, louros, belos,
A voar.

‚ÄĒ ‚ÄúHomem, nos teus dias
Que agonias,
Sonhos, utopias,
Ambi√ß√Ķes;
Vivas e fagueiras,
As primeiras,
Como as derradeiras
Ilus√Ķes!

‚ÄĒ Quantas, quantas vidas
V√£o perdidas,
Pombas mal feridas
Pelo mal!

Anos após anos,
T√£o insanos,
Vêm os desenganos
Afinal.

‚ÄĒ ‚ÄúDorme: se os pesares
Repousares,
V√™s? ‚Äď por estes ares
Vamos rir;
Mortas, n√£o; festivas,
E lascivas,
Somos ‚Äď horas vivas
De dormir!‚ÄĚ ‚Äď

A Manh√£

A rosada manh√£ serena desce
Sobre as asas do Zéfiro orvalhadas;
Um cristalino alj√īfar resplandece
Pelas serras de flores marchetadas;
Fugindo as lentas sombras dissipadas
V√£o em sutil vapor, que se converte
Em transparentes nuvens prateadas.
Sa√ļdam com sonora melodia
As doces aves na frondosa selva
O astro que benéfico alumia
Dos altos montes a florida relva;

Uma a cantiga exprime modulada
Com suave gorjeio, outra responde
Cos brandos silvos da garganta inflada,
Como os raios, partindo do horizonte,
Ferem, brilhando com diversas cores,
As claras √°guas de serena fonte.

Salve, benigna luz, que os resplandores,
Qual perene corrente cristalina,
Que de viçoso prado anima as flores,
Difundes da celeste azul campina,
Vivificando a lassa natureza,
Que no seio da noite tenebrosa
O moribundo sonho tinha presa.

Como alegre desperta e radiosa!
De encantos mil ornada se levanta,
Qual do festivo leito a nova esposa!
A mesma anosa, carcomida planta
Co matutino orvalho reverdece.
A √ļmida cabe√ßa ergue vi√ßosa
A flor, que rociada resplandece,
E risonha,

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Vinho Negro

O vinho negro do imortal pecado
Envenenou nossas humanas veias
Como fascina√ß√Ķes de atras sereias
E um inferno sinistro e perfumado.

O sangue canta, o sol maravilhado
Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias.
como que quer rasgar essas cadeias
Em que a carne o retém acorrentado.

E o sangue chama o vinho negro e quente
Do pecado letal, impenitente,
O vinho negro do pecado inquieto.

E tudo nesse vinho mais se apura,
Ganha outra graça, forma e formosura,
Grave beleza d’esplendor secreto.

Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende √© mais chuva a bater na vidra√ßa…

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidra√ßas da igreja vistas de fora s√£o o som da chuva ouvido por dentro …

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Atrav√©s da chuva que √© ouro t√£o solene na toalha do altar…

Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a √°gua no fato de haver coro…

A missa é um automóvel que passa
Atrav√©s dos fi√©is que se ajoelham em hoje ser um dia triste…
S√ļbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de autom√≥vel…

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa …

A gra√ßa √© o esplendor da beleza, √© a beleza em movimento e mo√ßa, √© o sorriso da inf√Ęncia, √© a bondade da for√ßa, √© o perfume do fruto saboroso, √© a eleg√Ęncia da palmeira que se curva, ondeando, √†s car√≠cias do vento; a gra√ßa √© a poesia da beleza.

M√£os

V

√ď M√£os eb√ļrneas, M√£os de claros veios,
Esquisitas tulipas delicadas,
L√Ęnguidas M√£os sutis e abandonadas,
Finas e brancas, no esplendor dos seios.

Mãos etéricas, diáfanas, de enleios,
De efl√ļvios e de gra√ßas perfumadas,
Relíquias imortais de eras sagradas
De amigos templos de relíquias cheios.
M√£os onde vagam todos os segredos,
Onde dos ci√ļmes tenebrosos, tredos,
Circula o sangue apaixonado e forte.

Mãos que eu amei, no féretro medonho
Frias, j√° murchas, na fluidez do Sonho,
Nos mistérios simbólicos da Morte!

Estamos ligados aos nossos actos como um fósforo à sua chama. Eles consomem-nos, é verdade, mas são eles que nos dão o nosso esplendor. E, se a nossa alma valeu alguma coisa, é porque ardeu com mais ardor do que outras.

O Grande Momento

Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
Entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
Os Dons que v√£o te consagrar Artista.

Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
Os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
Abrem-te as portas da imortal Conquista.

Eis o grande Momento prodigioso
Para entrares sereno e majestoso
Num mundo estranho d’esplendor sid√©reo.

Borboleta de sol, surge da lesma…
Oh! vai, entra na posse de ti mesma,
Quebra os selos augustos do Mistério!

Não exibas tanto o esplendor dos teus dentes. Eu sei que são postiços. Mas há quem não sabe, dizes. Pois. Mas ainda que eu não soubesse, sabia-lo tu. Fecha a boca.

Poemas S√£o como Vitrais Pintados

Poemas s√£o como vitrais pintados!
Se olharmos da praça para a igreja,
Tudo é escuro e sombrio;
E é assim que o Senhor Burguês os vê.
Ficar√° agastado? ‚ÄĒ Que lhe preste!…
E agastado fique toda a vida!

Mas ‚ÄĒ vamos! ‚ÄĒ vinde v√≥s c√° para dentro,
Saudai a sagrada capela!
De repente tudo é claro de cores:
S√ļbito brilham hist√≥rias e ornatos;
Sente-se um press√°gio neste esplendor nobre;
Isto, sim, que é pra vós, filhos de Deus!
Edificai-vos, regalai os olhos!

Tradução de Paulo Quintela

Varanda de Pilatos

Não há tempo. Há o espaço. O sol e as nossas voltas.
Os bocejos da lua, o cl√£ dos astros.
Os buracos negros.
√ď m√£e! Para onde foram os seres vivos de ainda
H√° pouco em todo o seu esplendor?
Mortos como tu, a natureza recebe-os.
A Terra, essa criança atroz, destrói os seus brinquedos
Numa rotina mec√Ęnica.
Quantas noites me faltam? Quantos beijos no escuro?
Quanta luz me cabe ainda nas pupilas?
Os anos n√£o me matam, n√£o me ferem os meses,
As horas n√£o me guilhotinam.
As células vão ardendo nos seus mapas
De nervos, o sangue demora sempre mais um pouco
A chegar ao seu destino org√Ęnico.
Devagar, devagar, a cabeça amolece.
Devagar no colo do sono.
√ď m√£e. Um ninho. Uma cama macia no teu ventre.
Uma exposição de sinais. Uma geometria
Que me liga ao saber acumulado.

A Vida

“A Vida”
II
“. . Tem sido assim e assim ser√°… Mais tarde
o que hoje pensas chamar√°s: – quimera!
E esse esplendor que nos teus olhos arde,
ser√° a vis√£o de extinta primavera…

Escondido à .traição, como uma fera,
bem em silêncio, e sem fazer alarde,
o Destino que é mau e que é covarde,
naquela sombra adiante j√° te espera!

E num requinte de perversidade
faz de cada ilus√£o, de cada sonho,
a ru√≠na de uma dor… e uma saudade…

E se voltares, notar√°s ent√£o
desesperado, ao teu olhar tristonho
que em v√£o sonhaste… e que viveste em v√£o!…”

Gloriosa

A Ara√ļjo Figueredo

Pomba! dos céus me dizes que vieste,
Toda c’roada de astros e de rosas,
Mas h√° regi√Ķes mais que essas luminosas.
N√£o, tu n√£o vens da regi√£o celeste

H√° um outro esplendor em tua veste,
Uma outra luz nas tranças primorosas,
Outra harmonia em teu olhar — maviosas
Cousas em ti que tu nunca tiveste.

Não, tu não vens das célicas planuras,
Do √Čden que ri e canta nas alturas
Como essa voz que dos teus l√°bios tomba.

Vens de mais longe, vens doutras paragens,
Vens doutros céus de místicas celagens,
Sim, vens de sóis e das auroras, pomba.

Noiva Da Agonia

Tr√™mula e s√≥, de um t√ļmulo surgindo,
Aparição dos ermos desolados,
Trazes na face os frios tons magoados,
De quem anda por t√ļmulos dormindo…

A alta cabeça no esplendor, cingindo
Cabelos de reflexos irisados,
Por entre aureolas de clar√Ķes prateados,
Lembras o aspecto de um luar diluindo…

Não és, no entanto, a torva Morte horrenda,
Atra, sinistra, gélida, tremenda,
Que as avalanches da Ilus√£o governa…

Mas ah! és da Agonia a Noiva triste
Que os longos braços lívidos abriste
Para abraçar-me para a Vida eterna!

Na Paz Não Há Verdadeiro Progresso, o Egoísmo Impera

A ci√™ncia e a arte progridem sempre num primeiro per√≠odo imediato a uma guerra. A guerra renova-as, rejuvenesce-as, fomenta, fortalece, as ideias e imprime-lhes certo impulso. Numa larga paz, pelo contr√°rio, sucumbe tamb√©m a ci√™ncia. Indiscutivelmente o culto da ci√™ncia requer valor e at√© esp√≠rito de sacrif√≠cio. Mas quantos s√°bios resistem √† praga da paz? A falsa honra, o ego√≠smo e a √Ęnsia de prazeres superficiais, bestiais, fazem tamb√©m mossa no seu esp√≠rito. Procure o senhor acabar com uma paix√£o como a inveja, por exemplo; √© ordin√°rio e vulgar, mas com tudo isso penetra at√© nas nob√≠lissimas almas dos s√°bios. Tamb√©m o s√°bio acaba por querer ter a sua parte no brilho e esplendores gerais. Que significa, ante o triunfo da riqueza, o triunfo de uma descoberta cient√≠fica, a menos que seja t√£o estrondosa como a descoberta de um novo planeta? Parece-lhe que em tais circunst√Ęncias haver√° ainda muitos escravos do trabalho para o bem geral?

Longe disso, procura-se a gl√≥ria e cai-se no charlatanismo, na procura do efeito, e antes de mais nada no utilitarismo… visto que tamb√©m se quer, ao mesmo tempo, ser rico. Na arte acontece o mesmo que na ci√™ncia: id√™ntica √Ęnsia do efeito,

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O esplendor da relva s√≥ pode mesmo ser percebida pelo poeta. Os outros pisam nela. Um m√©rito ineg√°vel da poesia: ela diz mais e em menor n√ļmero de palavras que a prosa.

Noite de Natal

[A um pequenito, vendedor de jornais]

Bairro elegante, ‚Äď e que mis√©ria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que n√£o vendeu.

A noite é fria; a geada cresta;
Em cada lar, sinais de festa!
E o pobrezinho n√£o tem lar…

Todas as portas j√° cerradas!
√ď almas puras, bem formadas,
Vede as estrelas a chorar!

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que n√£o vendeu,

Em plena rua, que miséria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…

Em torno dele ‚Äď √≥ dor sagrada!
Ao ver um círculo sem geada
Na sua morna exalação,

Pensei se o frio descaro√°vel
Do pequenino miser√°vel
Teria m√°goa e compaix√£o…

Sonha talvez, pobre inocente!
Ao frio, à neve, ao luar mordente,
Com o pres√©pio de Bel√©m…

Do céu azul, às horas mortas,
Nossa Senhora abriu-lhe as portas
E aos orf√£ozinhos sem ningu√©m…

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Fonte – I

Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo –
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.

Minhas irm√£s faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.

Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípio
de esplendor.

Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.