Cita√ß√Ķes sobre F√°bulas

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Frases sobre f√°bulas, poemas sobre f√°bulas e outras cita√ß√Ķes sobre f√°bulas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Sonho

Amor querido, por nada menos que tu
Teria eu interrompido este sonho feliz:
Era um tema
Para a raz√£o, demasiado forte para fantasia.
Portanto, sabiamente, me acordaste; porém
O meu sonho n√£o terminou, continuou contigo.
√Čs t√£o verdadeira que bastam os pensamentos de ti
Para tornar sonhos realidade, fábulas em história.
Vem a meus braços, pois se pensaste ser melhor
Que n√£o sonhasse todo o meu sonho, concretizemos o resto.

Como o rel√Ęmpago, ou a luz da vela,
Teus olhos, e não o teu ruído, me acordaram;
Porém pensei que eras
(Tu que amas a verdade) um Anjo ‚ÄĒ √† primeira vista.
Mas quando vi que vias o meu coração
E os meus pensamentos, para além da arte do anjo,
Como sabias do meu sonho, como sabias quando
O excesso de gozo me acordaria, e ent√£o vieste,
Devo confessar que no mínimo, seria
Ultrajante, pensar-te outra coisa que n√£o tu.

Vindo e ficando mostrou-me que tu és tu.
Mas o levantares-te faz-me duvidar, e temo agora
Que tu j√° n√£o sejas tu.
E fraco o amor quando o medo é tão forte como ele;

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O Paradoxo da Sabedoria

S√£o muito raros no g√©nero humano os homens verdadeiramente s√°bios; o concurso de condi√ß√Ķes e circunst√Ęncias especiais necess√°rio para que os haja, ocorre com tanta dificuldade que n√£o deve admirar a sua raridade: demais a sua apari√ß√£o pouco ou nada aproveita aos outros homens que os desprezam, perseguem ou motejam, incapazes de compreend√™-los, e os obrigam finalmente ao sil√™ncio, retiro e reclus√£o.
(…) N√£o esperem os homens por, maior que seja o progresso da sua intelig√™ncia, chegar a conhecer as verdades capitais e primitivas sobre a ess√™ncia e natureza das coisas: mudar√£o de erros, f√°bulas, hip√≥teses e teorias, mas nunca poder√£o alcan√ßar conhecimentos que hajam de mudar a natureza humana, e fazer os homens diversos do que far√£o e do que s√£o.
O mundo varia aos olhos e nas opini√Ķes dos homens, conforme as idades e condi√ß√Ķes da vida.

A Realidade n√£o Est√° nos Livros

Como toda a gente, s√≥ disponho de tr√™s meios para avaliar a exist√™ncia humana: o estudo de n√≥s pr√≥prios, o mais dif√≠cil e o mais perigoso, mas tamb√©m o mais fecundo dos m√©todos; a observa√ß√£o dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os t√™m; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes √ļltimos serem considerados fr√≠volos, e devo-lhes talvez mais informa√ß√Ķes do que as que recebi das situa√ß√Ķes bastante variadas da minha pr√≥pria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes im√≥veis das est√°tuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros.
Mas estes mentem, mesmo os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia,

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Da Poesia e da Tragédia

Parece que a poesia tem inteiramente a sua origem em duas causas, ambas naturais. Porque a imita√ß√£o √© natural ao homem desde a inf√Ęncia, e nisto difere dos outros animais, pois que ele √© o mais imitador de todos, aprende as primeiras coisas por meio da imita√ß√£o, e todos se deleitam com as imita√ß√Ķes. √Č prova disto o que acontece a respeito dos art√≠fices, porque n√≥s contemplamos com prazer as imagens mais exactas daqueles mesmos objectos para que olhamos com repugn√Ęncia; por exemplo, a representa√ß√£o de animais feroc√≠ssimos e de cad√°veres. E a raz√£o disto √© porque o aprender √© coisa que muito apraz n√£o s√≥ aos fil√≥sofos, mas tamb√©m igualmente aos demais homens, posto que estes sejam menos instru√≠dos. Por isso se alegram de ver as imagens, pois que, olhando para elas, podem aprender e discorrer o que uma delas √© e dizer, por exemplo: isto √© tal; porque, se suceder que algu√©m n√£o tenha visto o original, n√£o recebe ent√£o prazer da imita√ß√£o, mas ou da beleza da obra, ou das cores, ou de outro algum motivo semelhante.
Sendo, pois, própria da nossa natureza a imitação, também o é a harmonia e o ritmo (porque é claro que os metros são parte do ritmo).

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Poema de Amor

Se te pedirem, amor, se te pedirem
que contes a velha história
da nau que partiu
e se perdeu,
n√£o contes, amor, n√£o contes
que o mar és tu
e a nau sou eu.

E se pedirem, amor, e se pedirem
que contes a velha f√°bula
do lobo que matou o cordeiro
e lhe roeu as entranhas,
n√£o contes, amor, n√£o contes
que o lobo é a minha carne
e o cordeiro a minha estrela
que sempre tu conheceste
e te guiou ‚ÄĒ mal ou bem.

Depois, sabes, estou enjoado
desta farsa.
Histórias, fábulas, amores
tudo me corre os ouvidos
a fugir.

Sou o guerreiro sem forças
para erguer a sua espada,
sou o piloto do barco
que a tempestade afundou.

N√£o contes, amor, n√£o contes
que eu tenho a alma sem luz.

…Quero-me s√≥, a sofrer e arrastar
a minha cruz.

O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispers√Ķes, transpar√™ncia de estruturas,
pausas de areia e de √°gua, f√°bulas min√ļsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direc√ß√Ķes de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsa√ß√Ķes de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murm√ļrio de omiss√Ķes, um c√Ęntico do √≥cio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros vol√ļveis.
√Č aqui, √© aqui que se renova a luz.

Confiss√£o

√Č certo que me repito,
é certo que me refuto
e que, decidido, hesito
no entra-e-sai de um minuto.

√Č certo que irresoluto
entre o velho e o novo rito
atiro à cesta o absoluto
como in√ļtil papelito.

√Č t√£o certo que me aperto
numa tenaz de mosquito
como é trinta vezes certo
que me oculto no meu grito.

Certo, certo, certo, certo
que mais sinto que reflicto
as f√°bulas do deserto
do raciocínio infinito.

√Č tudo certo e prescrito
em nebuloso estatuto.
O homem, chamar-lhe mito
n√£o passa de anacoluto.

Digamos que existem dois tipos de mentes poéticas: uma apta a inventar fábulas e outra disposta a crer nelas.

A Estranheza dá Crédito

O verdadeiro campo e assunto da impostura s√£o as coisas desconhecidas. Isso porque em primeiro lugar a pr√≥pria estranheza d√° cr√©dito; e depois, n√£o estando sujeitas √†s nossas reflex√Ķes habituais, elas tiram-nos os meios de as combater. Por causa disso, diz Plat√£o, √© muito mais f√°cil satisfazer ao falar da natureza dos deuses do que da natureza dos homens, porque a ignor√Ęncia dos ouvintes abre um belo e amplo caminho e toda a liberdade para o manejo de uma mat√©ria secreta.
Advém daí que nada é aceite tão firmemente como aquilo que menos se sabe, nem há pessoas tão seguras como as que nos contam fábulas, como alquimistas, prognotiscadores, astrólogos, quiromantes, médicos, toda a gente dessa espécie (Horácio). A eles eu acrescentaria de bom grado, se ousasse, um bando de pessoas, intérpretes e controladores habituais dos desígnios de Deus, que têm a pretensão de descobrir as causas de cada acontecimento e de ver nos segredos da vontade divina os incompreensíveis motivos das suas obras; e, embora a variedade e a disparidade contínua dos factos os lance de um canto para o outro e do ocidente para o oriente, não deixam entretanto de persistir no que é seu e com o mesmo lápis pintar o preto e o branco.

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