Frases de Miguel Esteves Cardoso

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Frases de Miguel Esteves Cardoso. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

Estar bem disposto é usar o sentido de humor que Deus nos deu, é ter as narinas abertas, é estar disposto a achar graça no que não deveria ter graça nenhuma.

Os livros são como amizades que se fazem. É um erro sentimental dizer que são amigos. Só as pessoas e os animais podem ser amigas – e mesmo os animais têm pouco voto na matéria, coitados. Se calhar, os livros nem amizades são. São mais conhecimentos que se travam e que, nalguns poucos casos, se aceleram, para se tornarem amizades.

Tanto a ciência como a religião estão muito atrasadas e são, desproporcionalmente, arrogantes e ambiciosas de mais, querendo ou sonhando explicar tudo o que é, sempre foi e manter-se-á incompreensível. Para o nosso bem ou mal: não somos capazes de fazer ideia.

Para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo. Eu, por exemplo, sou. A felicidade é inversamente proporcional a uma série de coisas de boa fama, como a sabedoria, a verdade e o amor. Quando se sabe muito, não se pode ser muito feliz. A verdade é quase sempre triste.

No restaurante, se te recusares a comer uma iguaria, é a gerência que entra em neurose e a culpa é de toda a gente menos tua. Em casa, o facto de não gostares (e de não comeres) é julgado como uma falta de amor, de dignidade, de tento, de tudo.

Ninguém precisa de nós como um bebé. O amor é uma coisa pequena comparada com a verdadeira necessidade. É fácil amar quem precisa muito de nós. É fácil amar quem sente absolutamente a nossa falta.

Porque é que é sempre nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas de quem amamos? O cansaço faz-nos precisar delas. Quando estamos assim, mais ninguém consegue tomar conta de nós. O cansaço é uma coisa que só o amor compreende. A minha mãe. O meu amor. E a felicidade. A felicidade faz-nos sentir pena e culpa de não a podermos participar. É por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade é maior.

Se Portugal se perdeu, a culpa é nossa, mais do que quem manda em nós. Nos casos mais flagrantes de destruição, o poder político não tomou a iniciativa – fechou os olhos e, por subserviência ou suborno, tornou-se impotente, foi conivente -, deixou.

Os verdadeiros democratas não são aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos não sei que mais. São os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os desconvencer à força.

A lealdade e a inteligência – acho eu – não são divisíveis. Quem é inteligente, é leal. Compensa. Recompensa. Corresponde. É verdade que há pessoas leais que são estúpidas mas, nessa lealdade, há já uma irrefutável inteligência.