Passagens sobre Frescura

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Frases sobre frescura, poemas sobre frescura e outras passagens sobre frescura para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Atravess√°mos e Vencemos Tudo

Olho para o passado com embriagu√™s, mas n√£o √© com menos deslumbramento que encaro o nosso futuro. Eis-nos, agora, um do outro para todo o sempre, sem ansiedades, sem inquieta√ß√Ķes, sem ang√ļstias. Atravess√°mos e vencemos tudo o que era mau e que poderia ser fatal. Estamos na plena posse dos nossos dois destinos fundidos num s√≥. O nosso amor n√£o ter√° a frescura dos primeiros tempos, mas √© um amor posto √† prova, um amor que conhece a sua for√ßa, e que mesmo para al√©m do t√ļmulo, espera ser infinito. O amor, quando nasce, s√≥ v√™ a vida, o amor que dura v√™ a eternidade.

√ď Rosas Desmaiadas

√ď rosas desmaiadas,
Rosas de Maio, rosas de toucar,
√ď rosas do rei negro, aveludadas,
Abrindo à flava luz das madrugadas
As corolas em g√©rmen, cora√ß√Ķes a arfar‚Ķ
No tremular de cores da asa vaporosa,
Borboleta que passa, vem beijar a rosa,
E aos murm√ļrios da brisa que corre anelante,
A subtil feiticeira deixa a sua amante
A chorar, a chorar, suavíssimos perfumes
– Pensamentos d‚Äôamor a traduzir ci√ļmes‚Ķ
Borboleta que passa diz adeus à rosa,
No tremular de cores da asa vaporosa…
E aos murm√ļrios da brisa que desliza meiga,
Lá vai adormecer nas frescuras da veiga…
Deixando a rosa a soluçar, a soluçar,
Com pena de não ter asas para voar… voar!
Diversas flores, de diversas cores
Qual é de vós, dizei, os meus amores!

Flor que n√£o Dura

Flor que n√£o dura
Mais do que a sombra dum momento
Tua frescura
Persiste no meu pensamento.

N√£o te perdi
No que sou eu,
Só nunca mais, ó flor, te vi
Onde não sou senão a terra e o céu.

Vive-se Quando se Vive a Subst√Ęncia Intacta

Vive-se quando se vive a subst√Ęncia intacta
em estar a ser sua ardente   harmonia
que se expande em clara atmosfera
leve e sem delírio ou talvez delirando
no vértice da frescura onde a imagem treme
um pouco na vis√£o intensa e fluida
E tudo o que se vê é a ondeação
da transparência até aos confins do planeta
E h√° um momento em que o pensamento repousa
numa s√≠laba de ouro √Č a hora leve
do ver√£o a sua correnteza
azul H√° um paladar nas veias
e uma lisura de estar nas esp√°duas do dia
Que respiração tão alta da brisa fluvial!
Afluem energias de uma violência suave
Min√ļcias musicais sobre um fundo de brancura
A certeza de estar na fluidez animal

Tulipa Real

Carne opulenta, majestosa, fina,
Do sol gerada nos febris carinhos,
H√° m√ļsicas, h√° c√Ęnticos, h√° vinhos
Na tua estranha boca sulferina.

A forma delicada e alabastrina
Do teu corpo de límpidos arminhos
Tem a frescura virginal dos linhos
E da neve polar e cristalina.

Deslumbramento de lux√ļria e gozo,
Vem dessa carne o travo aciduloso
De um fruto aberto aos tropicais mormaços.

Teu cora√ß√£o lembra a orgia dos tricl√≠nios…
E os reis dormem bizarros e sang√ľ√≠neos
Na seda branca e pulcra dos teus braços.

Felicidade Aparente

Ao reflectir sobre a frescura das recorda√ß√Ķes, sobre a cor encantada de que elas se revestem num passado long√≠nquo, n√£o pude deixar de admirar esse trabalho involunt√°rio da alma que separa e suprime na recorda√ß√£o desses momentos agrad√°veis tudo o que poderia diminuir o encanto do momento ent√£o vivido.
(…) Poder√° uma pessoa afirmar ter sido feliz num determinado momento da sua vida, que lhe parece encantador retrospectivamente? O pr√≥prio facto de o recordar ao dar-se conta da felicidade que ent√£o deve ter sentido deve satisfaz√™-lo. Mas ter-se-ia sentido efectivamente feliz nesse instante de pretensa felicidade?
Pode-se compara essa pessoa com um indiv√≠duo que possu√≠sse uma parcela de terra em que estivesse escondido um tesouro, do qual ele, contudo, n√£o teria conhecimento. Poder-se-√† considerar ¬ęrico¬Ľ esse homem? Do mesmo modo n√£o considero feliz aquele que o √© sem se aperceber disso, ou sem saber a que ponto monta a sua felicidade.

Plena Nudez

Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pag√£s nuas no m√°rmore entalhadas;
N√£o essas produ√ß√Ķes que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero um pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: de carne exuberante e pura
Todas as sali√™ncias destacadas…

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente t√ļnica atrav√©s:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus… toda nua, da cabe√ßa aos p√©s!

Canto

… e o vento,
o vento dos altos a que me dei,
a ti me trouxe
a ti me entregou.
Se em mim j√° estavas!
Pela boca, pelos olhos e pelas m√£os,
arreigado e voraz,
meu invasor enternecido.

Cinco vidas, nada menos,
cinco vidas querias ter.
Cinco vidas…
Mas uma, apenas, ardente, violenta e dissipada,
uma só não te bastaria?
Uma,
quintuplicada, centuplicada na hora inef√°vel,
no momento embriagado…
Uma, para me dares, para eu de ti receber,
vergada, sucumbida?
√Č primavera! sa√≠u-me da boca.
E tu sorriste.
Sorriste, creio.
Primavera e todas as esta√ß√Ķes‚Ķ
Chuva e sol, tempo sem idade.

Aqueles suaves, langues verdes, t√£o cariciosos;
os redondos troncos
e os musgos fofos;
os melros agrestes
e as campainhas roxas daquelas flores da minha inf√Ęncia,
de que me ensinaste o nome tão doce, tão estranho…
E as loucas nuvens corredias
e as pedras hier√°ticas
e as veredas am√°veis,
como se os ofereciam!
Amavam-nos,
N√£o o viste?
No passo certo em que ambos íamos
tudo,

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A Frescura

Ah a frescura na face de n√£o cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que ref√ļgio o n√£o se poder ter confian√ßa em n√≥s!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros,
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para l√°, que’eu saberia que n√£o vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
Deliberadamente √† mesma hora…
Est√° bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em it√°lico.
√Č t√£o engra√ßada esta parte assistente da vida!
At√© n√£o consigo acender o cigarro seguinte… Se √© um gesto,
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

Soneto XXXVII

Menos sente o n√£o ver quem cego nasce
Que aquele, que depois de ter gozado
A frescura do rio, fonte e prado,
Nesta beleza os olhos j√° n√£o pasce.

Menos, o que n√£o viu a bela face
Da fortuna, que quem alevantado
No mais alto, caiu daquele estado,
N√£o temendo que esquiva se mostrasse.

Mas contudo n√£o sente tanto o cego
Que j√° viu, o n√£o ver, nem sente assi
O que j√° rico foi, ver-se em pobreza.

Como eu, e tanto mais nisto me emprego,
Quanto mor é o bem em que me vi
Que a vista de seus olhos e a riqueza.

Realidade

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura p√°lida do linho.

Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,
E a minha cabeleira desatada
P√īs a teus p√©s a sombra dum caminho.

Minhas p√°lpebras s√£o cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci…

Tens sido vida fora o meu desejo,
E agora, que te falo, que te vejo,
N√£o sei se te encontrei, se te perdi…

Que Importa?…

Eu era a desdenhosa, a indif’rente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violências de paixão
Como bate no peito à outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de Desejo ou de emoção,
Enquanto a asa loira da ilus√£o
Dentro em mim se desdobra a um sol nascente.

Minh’alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte
Toda ela é riso, e é frescura, e graça!

Nela refresca a boca um s√≥ instante…
Que importa?… Se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes… quando passa?…

Tentei fugir da mancha mais escura

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de n√£o poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escurid√£o…

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

Os cr√≠ticos sofrem de satura√ß√£o e de t√©dio intelectual. Nada √© mais falso que o ar de frescura e de juventude que eles assumem, fazendo crer que a leitura ainda lhes pode dar sensa√ß√Ķes verdadeiras.

N√£o H√° Amor como o Primeiro

N√£o h√° amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, h√° o equivalente adulto ao primeiro amor ‚ÄĒ √© o primeiro casamento; mas n√£o √© igual. O primeiro amor √© uma chapada, um sacudir das ra√≠zes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e n√£o nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as √≥rbitas dos olhos, do impens√°vel calor de podermos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde salt√°mos. Saltamos e ca√≠mos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer tr√™s ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na √°gua ou no ch√£o, como patos disparados de um obus, com penas a esvoa√ßar por toda a parte.

H√° amores melhores, mas s√£o amores cansados, amores que j√° levaram na cabe√ßa, amores que sabem dizer ‚ÄúAlto-e-p√°ra-o-baile‚ÄĚ, amores que j√° d√£o o desconto, amores que j√° t√™m medo de se magoarem, amores democr√°ticos, que se discutem e debatem. E todos os amores d√£o maior prazer que o primeiro. O primeiro amor est√° para al√©m das categorias normais da dor e do prazer. N√£o faz sentido sequer.

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Abra√ßa o Conte√ļdo e N√£o a Forma

√Äs vezes o homem repudia a mulher, ou a mulher muda de amante, por se ter desiludido. Consequ√™ncias do comportamento leviano quer de um quer do outro. Porque s√≥ √© poss√≠vel amar atrav√©s da mulher e n√£o a mulher. Atrav√©s do poema e n√£o o poema. Atrav√©s da paisagem entrevista do alto das montanhas. E a licenciosidade nasce da ang√ļstia de n√£o se conseguir ser. Quando uma pessoa anda com ins√≥nias, volta-se e torna-se a voltar na cama, √† procura do fresco ombro do leito. Mas basta toc√°-lo, para ele se tornar t√©pido e recusar-se. E ele procura noutro s√≠tio uma fonte dur√°vel de frescura. Mas n√£o consegue dar com ela, porque mal lhe toca a provis√£o esvai-se.
O mesmo se passa com aquele ou com aquela que se fica no vazio dos seres. N√£o passam de vazios os seres que n√£o s√£o janelas ou frestas para Deus. √Č por isso que, no amor vulgar, s√≥ amas o que te foge. De outra maneira, v√™s-te saciado e descoro√ßoado com a tua satisfa√ß√£o.

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Tu Mandaste-me Dizer

Tu mandaste-me dizer
Que tornavas novamente
Quando viesse a tardinha;
E eu, para mais te prender,
– N’esse dia…

Pintei de negro os meus olhos
E de r√īxo a minha boca.
As rosas eram aos mólhos
Para a noite rubra e louca!

Entornei sobre o meu corpo,
– Que f√īra delgado e bello!
O perfume mais extranho e mais subtil;
E um brocado r√īxo e verde
Envolveu a minha carne
Macerada e varonil.
Os meus hombros florentinos,
Cobértos de pedraria,
Eram chagas luminosas
Alumiando o meu corpo
Todo em fébre e nostalgia.
Nas minhas m√£os de cambraia,
As esmeraldas scintillavam;
E as pérolas nos meus braços,
Murmuravam…
Desmanchado, o meu cabello,
Em ondas largas, cahia,
Na minha fronte
Ligeiramente sombría.

Estava pallido e dir-se-hia
Que a pallidez aumentava
A minha grande belleza!

Na minha boca ondulava
Um sorriso de tristeza.

A noite vinha tombando.

E, como tardasses,
Fiquei-me, sent√°do, olhando
O meu vulto reflectido
No espelho de crystal;

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Vós Outros! que Dizeis que o Amor é um Suplício

Vós outros! que dizeis que o Amor é um suplício,
Que a flor da Decepção se abre em todo o Prazer,
Que aconselhais à Alma o mosteiro, e o cilício,
Pois nada pode consolar-nos de viver:

Ponde os olhos em mim, neste celeste Amor
Que me vai desdobrando e alumiando o caminho,
Mesmo quando o alto Céu, sem frescura e sem cor,
Tem as engelhas de algum velho pergaminho…

Vede como eu quero viver, por merecê-la,
Eu que sou pecador, a ela longínqua Estrela!
No esforço de ser bom, branco como um altar:

De modo que a minha Alma, enfim, fique t√£o crente,
Que se possa casar à sua estreitamente,
Como um floco de neve a um raio de luar!