Cita√ß√Ķes sobre Fugitivos

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Frases sobre fugitivos, poemas sobre fugitivos e outras cita√ß√Ķes sobre fugitivos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Conciliação

Se essa ang√ļstia de amar te crucifica,
Não és da dor um simples fugitivo:
Ela marcou-te com o sinete vivo
Da sua estranha majestade rica.

√Čs sempre o Assinalado ideal que fica
Sorrindo e contemplando o céu altivo;
Dos Compassivos és o compassivo,
Na Transfiguração que glorifica.

Nunca mais de tremer ter√°s direito…
Da Natureza todo o Amor perfeito
Adorar√°s, venerar√°s contrito.

Ah! Basta encher, eternamente basta
Encher, encher toda esta Esfera vasta
Da convulsão do teu soluço aflito!

Tempo √Č J√° Que Minha Confian√ßa

Tempo é já que minha confiança
se des√ßa de √ľa falsa opini√£o;
mas Amor n√£o se rege por raz√£o;
não posso perder, logo, a esperança.

A vida, si; que √ľa √°spera mudan√ßa
não deixa viver tanto um coração.
E eu na morte tenho a salvação?
Si, mas quem a deseja não a alcança.

Forçado é logo que eu espere e viva.
Ah! dura lei de Amor, que n√£o consente
quieta√ß√£o n√ľa alma que √© cativa!

Se hei de viver, enfim, forçadamente,
para que quero a glória fugitiva
de √ľa esperan√ßa v√£ que me atormente?

Os Enganos do Viver

REPETE A FRAGILIDADE DA VIDA E APONTA OS SEUS ENGANOS E OS SEUS INIMIGOS

Que outra verdade hav’r√° sen√£o pobreza
nesta vida t√£o fr√°gil, leviana?
Os dois embustes s√£o da vida humana,
no berço começando, honra e riqueza.

O tempo, que não volta nem tropeça,
em horas fugitivas só a engana;
em errado ansiar, sempre tirana,
Fortuna faz cansar sua fraqueza.

Vive morte calada e divertida
a pr√≥pria vida; a sa√ļde √© guerra
por seu próprio alimento combatida.

Oh, quanto, distraído, o homem erra:
que em terra teme ver tombar a vida
e não vê que, ao viver, caiu por terra!

Tradução de José Bento

A M√°scara Falsa da Felicidade

Um erro sem d√ļvida bem grosseiro consiste em acreditar que a ociosidade possa tornar os homens mais felizes: a sa√ļde, o vigor da mente, a paz do cora√ß√£o s√£o os frutos tocantes do trabalho. S√≥ uma vida laboriosa pode amortecer as paix√Ķes, cujo jugo √© t√£o rigoroso; √© ela que mant√©m nas cabanas o sono, fugitivo dos grandes pal√°cios. A pobreza, contra a qual somos prevenidos, n√£o √© tal como pensamos: ela torna os homens mais temperantes, mais laboriosos, mais modestos; ela os mant√©m na inoc√™ncia, sem a qual n√£o h√° repouso nem felicidade real na terra.
O que √© que invejamos na condi√ß√£o dos ricos? Eles pr√≥prios endividados na abund√Ęncia pelo luxo e pelo fasto imoderados; extenuados na flor da idade por sua licenciosidade criminosa; consumidos pela ambi√ß√£o e pelo ci√ļme na medida em que est√£o mais elevados; v√≠timas orgulhosas da vaidade e da intemperan√ßa; ainda uma vez, povo cego, que lhe podemos invejar?
Consideremos de longe a corte dos príncipes, onde a vaidade humana exibe aquilo que tem de mais especioso: aí encontraremos, mais do que em qualquer outro lugar, a baixeza e a servidão sob a aparência da grandeza e da glória, a indigência sob o nome da fortuna,

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Torre De Ouro

Desta torre desfraldam-se altaneiras,
Por sóis de céus imensos broqueladas,
Bandeiras reais, do azul das madrugadas
E do íris flamejante das poncheiras.

As torres de outras regi√Ķes primeiras
No Amor, nas Glórias vãs arrebatadas
N√£o elevam mais alto, desfraldadas,
Bravas, triunfantes, imortais bandeiras.

S√£o pavilh√Ķes das hostes fugitivas,
Das guerras acres, sanguin√°rias, vivas,
Da luta que os Espíritos ufana.

Estandartes heróicos, palpitantes,
Vendo em marcha passe aniquilantes
As torvas catapultas do Nirvana!

A Vida Oblíqua

S√≥ agora pressenti o obl√≠quo da vida. Antes s√≥ via atrav√©s de cortes retos e paralelos. N√£o percebia o sonso tra√ßo enviesado. Agora adivinho que a vida √© outra. Que viver n√£o √© s√≥ desenrolar sentimentos grossos ‚ÄĒ √© algo mais sortil√©gico e mais gr√°cil, sem por isso perder o seu fino vigor animal. Sobre essa vida insolitamente enviesada tenho posto minha pata que pesa, fazendo assim com que a exist√™ncia fene√ßa no que tem de obl√≠quo e fortuito e no entanto ao mesmo tempo sutilmente fatal. Compreendi a fatalidade do acaso e n√£o existe nisso contradi√ß√£o.

A vida oblíqua é muito íntima. Não digo mais sobre essa intimidade para não ferir o pensar-sentir com palavras secas. Para deixar esse oblíquo na sua independência desenvolta.
E conheço também um modo de vida que é suave orgulho, graça de movimentos, frustração leve e contínua, de uma habilidade de esquivança que vem de longo caminho antigo. Como sinal de revolta apenas uma ironia sem peso e excêntrica. Tem um lado da vida que é como no inverno tomar café num terraço dentro da friagem e aconchegada na lã.
Conheço um modo de vida que é sombra leve desfraldada ao vento e balançando leve no chão: vida que é sombra flutuante,

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Oh, Vida! Fugitiva Companheira

Oh, Vida!
Fugitiva companheira,
Eu sinto que n√£o posso acompanhar-te.
Por isso, nesta hora feiticeira,
Quisera erguer-te uma barreira
E fazer-te parar
E abraçar-te;
E abraçar-te tão íntimo e tão fundo
Que toda a vida apenas de um segundo
Em mim entrasse, em mim vivesse,
E que depois viesse o fim do Mundo
Ou que eu morresse!…

O Engano do Imediato

√Č preciso dominar a impress√£o produzida pelo que √© vis√≠vel e presente; tal impress√£o tem uma for√ßa extraordin√°ria se for confrontada com o que √© meramente pensado e sabido, n√£o em virtude de sua mat√©ria e seu conte√ļdo, frequentemente insignificantes, mas da sua forma, da clareza e do imediatismo por meio dos quais ela se imp√Ķe ao esp√≠rito, perturbando a sua paz ou at√© mesmo fazendo vacilar os seus prop√≥sitos. √Č assim que algo agrad√°vel, ao qual renunciamos depois de reflectir, nos estimula quando o temos diante dos olhos; assim nos magoa um julgamento cuja incompet√™ncia √© do nosso conhecimento, irrita-nos uma ofensa cujo car√°cter desprez√≠vel compreendemos; da mesma maneira, dez raz√Ķes contra a exist√™ncia de um perigo s√£o sobrepujadas pela falsa apar√™ncia da sua real presen√ßa etc.

(…) Quando todos os que nos circundam t√™m uma opini√£o diferente da nossa e se comportam em conformidade com ela, √© dif√≠cil n√£o ficarmos abalados, por mais que estejamos convencidos do erro dessas pessoas. Pois o que √© presente, o vis√≠vel, por estar facilmente ao alcance da vista, age sempre com toda a sua for√ßa; em contrapartida, pensamentos e causas requerem tempo e calma para serem analisados com cuidado, raz√£o pela qual n√£o podemos t√™-los presentes a todo o instante.

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Foederis Arca

Vis√£o que a luz dos Astros louros trazes,
Papoula real tecida de neblinas
Leves, etéreas, vaporosas, finas,
Com aromas de lírios e lilazes.

Brancura virgem do cristal das frases,
Neve serene das regi√Ķes alpinas,
Willis juncal de m√£os alabastrinas,
De fugitivas corre√ß√Ķes vivazes.

Floresces no meu Verso como o trigo,
O trigo de ouro dentre o sol floresce
E √©s a suprema Religi√£o que eu sigo…

O Missal dos Missais, que resplandece,
A igreja soberana que eu bendigo
E onde murmuro a solit√°ria prece!…

Hino à Beleza

Onde quer que o fulgor da tua glória apareça,
‚ÄĒ Obra de g√©nio, flor de hero√≠smo ou santidade, ‚ÄĒ
Da Gioconda imortal na radiosa cabeça,
Num acto de grandeza augusta ou de bondade,

‚ÄĒ Como um pag√£o subindo √† Acr√≥pole sagrada,
Vou de joelhos render-te o meu culto piedoso,
Ou seja o Herói que leva uma aurora na Espada,
Ou o Santo beijando as chagas do Leproso.

Essa luz sem igual com que sempre iluminas
Tudo o que existe em nós de grande e puro, veio
Do mesmo foco em mil par√°bolas divinas:
‚ÄĒ Raios do mesmo olhar, √Ęnsias do mesmo seio.

Alta revelação que, baixando em segredo,
O prisma humano quebra em √Ęngulos dispersos,
Como a √°gua a cair de rochedo em rochedo
Repete o mesmo som, mas em modos diversos.

√Č aud√°cia no Her√≥i; resigna√ß√£o no Santo;
Som e Cor, ondulando em formas imortais;
No m√°rmore rebelde abre em folhas de acanto,
E esmalta de candura a flora dos vitrais.

√ď Beleza! √ď Beleza! as Horas fugitivas
Passam diante de ti, aladas como sonhos…

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O Que Eu Sou

Nocturna e dubia luz
Meu s√™r esbo√ßa e tudo quanto existe…
Sou, num alto de monte, negra cruz,
Onde bate o luar em noite triste…

Sou o espirito triste que murmura
Neste silencio l√ļgubre das Cousas…
Eu é que sou o Espectro, a Sombra escura
De falecidas formas mentirosas.

E tu, Sombra infantil do meu Am√īr,
√Čs o S√™r vivo, o S√™r Espiritual,
A Presen√ßa radiosa…
Eu sou a D√īr,
Sou a tragica Ausencia glacial…

Pois tu vives, em mim, a vida nova,
E eu j√° n√£o vivo em ti…
Mas quem morreu?
F√īste tu que baixaste √° fria cova?
Oh, n√£o! Fui eu! Fui eu!

Horrivel cataclismo e negra sorte!
Tu f√īste um mundo ideal que se desfez
E onde sonhei viver apoz a morte!
Vendo teus lindos olhos, quanta vez,
Dizia para mim: eis o logar
Da minha espiritual, futura imagem…
E viverei √° luz daquele olhar,
Divino sol de mistica Paisagem.

Era minha ambição primordial
Legar-lhe a minha imagem de saudade;
Mas um vento cruel de temporal,

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Fogos-F√°tuos

H√° certas almas v√£s, galvanizadas
De emoção, de pureza, de bondade,
Que como toda a azul imensidade
Chegam a ser de s√ļbito estreladas.

E ficam como que transfiguradas
Por momentos, na vaga suavidade
De quem se eleva com serenidade
Às risonhas, celestes madrugadas.

Mas nada às vezes nelas corresponde
Ao sonho e ninguém sabe mais por onde
Anda essa falsa e fugitiva chama…

√Č que no fundo, na secreta ess√™ncia,
Essas almas de triste decadência
S√£o lama sempre e sempre ser√£o lama.

Matéria e Espírito

N√≥s hoje estamos ao mesmo tempo na melhor √©poca da humanidade e na pior. T√£o depressa sentimos que tudo em n√≥s e em redor marcha un√≠ssono em frente, como subitamente um grande atrito emperra as nossas pr√≥prias articula√ß√Ķes. H√° ao mesmo tempo qualquer coisa que nos desacompanha e qualquer coisa que nos anima. H√° caminhos inteiros que terminam s√ļbito e n√£o h√° caminho inteiro e vital√≠cio. E n√≥s desejamos francamente acertar com a direc√ß√£o √ļnica e onde o √ļnico obst√°culo seja de verdade o mist√©rio do futuro.
Todo aquele que se lance mais animado pela palavra espírito, não creia que faz mais do que estar sujeito a uma determinante actual. A consciência material, como acontece hoje, dá entrada natural para o campo do espírito. Assim também o espírito tem existência vital segundo a qualidade de consciência da matéria. O espírito apartando da matéria não é deste mundo. Espírito e matéria confundem-se em vida.
Acontece, por√©m, que os fugitivos da mat√©ria transformam em si esse unilateralismo ao ingressar no esp√≠rito, e ficam outra vez de banda, inversamente agora, mas como antes. Ora o esp√≠rito n√£o tem mais dimens√Ķes do que a mat√©ria; s√£o outras, mas id√™nticas, que se justap√Ķem,

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Náiades, Vós que os Rios Habitais

Náiades, vós que os rios habitais
Que os saudosos campos v√£o regando,
De meus olhos vereis estar manando
Outros que quase aos vossos s√£o iguais.

Dríades, que com seta sempre andais
Os fugitivos cervos derribando,
Outros olhos vereis, que triunfando
Derribam cora√ß√Ķes, que valem mais.

Deixai logo as aljavas e √°guas frias,
E vinde, Ninfas belas, se quereis,
A ver como de uns olhos nascem m√°goas.

Notareis como em v√£o passam os dias;
Mas em v√£o n√£o vireis, porque achareis
Nos seus as setas, e nos meus as √°guas.

Enquanto to Permite a Mocidade

Enquanto to permite a mocidade,
Teu Pai disfarça, tua Mãe consente,
E enquanto, Nize, a moda o n√£o desmente
Nos brincos gasta a flor da tua idade.

Joga, dança, conversa, e a variedade,
Que causa tanta prenda, assombre a gente;
Deixa-te ver, que o Século presente
Hoje chama ao pudor rusticidade.

Os cora√ß√Ķes de quem te aplaude enla√ßa:
desfruta o tempo: e tem por aforismo
Que o gosto é fugitivo, a sorte escassa

Engolfa-te de amor no doce abismo;
Busca o prazer; a vida alegre passa;
Logra-te enfim; que o mais é fanatismo.

Prefiro Rosas, meu Amor, à Pátria

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me n√£o canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

Os Captivos

Encostados √°s grades da pris√£o,
Olham o céo os palidos captivos.
J√° com raios obliquos, fugitivos,
Despede o sol um ultimo clar√£o.

Entre sombras, no longe, vagamente,
Morrem as vozes na extens√£o saudosa.
Cae do espaço, pesada, silenciosa,
A tristeza das cousas, lentamente.

E os captivos suspiram. Bandos de aves
Passam velozes, passam apressados,
Como absortos em intimos cuidados,
Como absortos em pensamentos graves.

E dizem os captivos: Na amplid√£o
Jamais se extingue a eterna claridade…
A ave tem o v√īo e a liberdade…
O homem tem os muros da pris√£o!

Aonde ides? qual é vossa jornada?
√Ā luz? √° aurora? √° immensidade? aonde?
‚ÄĒ Por√©m o bando passa e mal responde:
√Ā noite, √° escurid√£o, ao abysmo, ao nada! ‚ÄĒ

E os captivos suspiram. Surge o vento,
Surge e perpassa esquivo e inquieto,
Como quem traz algum pezar secreto,
Como quem soffre e cala algum tormento.

E dizem os captivos: Que tristezas,
Que segredos antigos, que desditas,
Caminheiro de estradas infinitas,
Te levam a gemer pelas devezas?

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Horas Breves de Meu Contentamento

Horas breves de meu contentamento,
Nunca me pareceo, quando vos tinha,
Que vos visse tornadas t√£o asinha,
Em t√£o compridos dias de tormento.
Aquelas torres, que fundei no vento,
O vento as levou j√°, que as sostinha;
Do mal, que me ficou, a culpa é minha,
Que sobre coisas v√£s fiz fundamento.
Amor, com rosto ledo e vista branda,
Promete quanto dele se deseja,
Tudo possível faz, tudo segura;
Mas des que dentro n’alma reina e manda,
Como na minha fez, quer que se veja
Quão fugitivo é, quão pouco dura.