Passagens sobre Loucos

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Frases sobre loucos, poemas sobre loucos e outras passagens sobre loucos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver! РVocê é louco? РNão, sou poeta.

Soneto 351 K√°rmico

Quinhentas e cinq√ľenta e cinco pe√ßas
perfazem as sonatas de Scarlatti.
Nivelam-se, em altíssimo quilate,
à Nona, à Mona Lisa, qualquer dessas.

Farei tantos sonetos? Não mo peças!
√Č meta muito herc√ļlea para um vate!
Recorde desse porte n√£o se bate:
no máximo se iguala, e nunca às pressas.

J√° fiz mais que Cam√Ķes, mais que Petrarca:
dois, dois, dois; três, três, três; de pouco em pouco,
que a lira tamb√©m broxa… √Č porca. √Č parca.

Poeta que for cego, mudo ou mouco
compensa a privação com a fuzarca:
diverte-se sofrendo. √Č glauco. √Č louco.

O autor aos seus versos

Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela m√£o da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:

Vede a luz, n√£o busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:

Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da s√°tira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz e tirania:

Desculpa tendes, se valeis t√£o pouco,
Que n√£o pode cantar com melodia
Um peito de gemer cansado e rouco.

Gonçalves Dias

(AO P√Č DO MAR)

SE EU PUDESSE cantar a grande história,
Que envolve ardente o teu viver brilhante…
Filho dos tr√≥picos que – audaz gigante –
Desceste ao t√ļmulo subindo √† Gl√≥ria!

Teu t√ļmulo colossal – nest’hora eu fito –
Altivo, rugidor, sonoro, extenso –
O mar!… e ……. O sim, teu cr√Ęnio imenso
S√≥ podia conter-se no infinito…

E eu – sou louco talvez – mas quando, forte,
Em seu dorso resvala – ardente – norte,
E ele espumante estruge, brada, grita,

E em cada vaga uma can√ß√£o estoura…
Eu – creio ser tu’alma que, sonora,
Em seu seio sem fim – brava – palpita!

A Doutrina é o Verdadeiro Mantimento do Engenho

Os estudos d√£o saz√£o e gosto √† alegria: amansam e consolam a tristeza; refreiam os √≠mpetos loucos da mocidade; aliviam o peso da velhice; em casa ou fora de casa, em p√ļblico ou em segredo, na solid√£o ou na pra√ßa, na ociosidade ou no labor, sempre vos acompanham; est√£o presentes, guiam-vos, ajudam-vos, servem-vos. A doutrina √© o verdadeiro mantimento do engenho, aquilo que o nutre e sust√©m; tanto que √© grande desprop√≥sito ter o cuidado de manter o corpo quando o √Ęnimo tem fome e carece de mantimento. Este manjar do √Ęnimo d√° verdadeiros deleites, traz gozos e regozijos firmes e perp√©tuos, que, nascidos uns dos outros e renovando-se entre si, jamais nos desertam nem nos fatigam.

Amar e Ser Livre ao mesmo Tempo

Tudo o que posso dizer √© que estou louco por ti. Tentei escrever uma carta e n√£o consegui. Estou constantemente a escrever-te… Na minha cabe√ßa, e os dias passam, e eu imagino o que pensar√°s. Espero impacientemente por te ver. Falta tanto para ter√ßa-feira! E n√£o s√≥ ter√ßa-feira… Imagino quando poder√°s ficar uma noite… Quando te poderei ter durante mais tempo… Atormenta-me ver-te s√≥ por algumas horas e, depois, ter de abdicar de ti. Quando te vejo, tudo o que queria dizer desaparece… O tempo √© t√£o precioso e as palavras sup√©rfluas… Mas fazes-me t√£o feliz… porque eu consigo falar contigo. Adoro o teu brilhantismo, as tuas prepara√ß√Ķes para o voo, as tuas pernas como um torno, o calor no meio das tuas pernas. Sim, Anais, quero desmascarar-te. Sou demasiado galante contigo. Quero olhar para ti longa e ardentemente, pegar no teu vestido, acariciar-te, examinar-te. Sabes que tenho olhado escassamente para ti? Ainda h√° demasiado sagrado agarrado a ti.

A tua carta… Ah, estas moscas! Fazes-me sorrir. E fazes-me adorar-te tamb√©m. √Č verdade, n√£o te dou o devido valor. √Č verdade. Mas eu nunca disse que n√£o me d√°s o devido valor. Acho que deve haver um erro no teu ingl√™s.

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A Má Consciência como Inibição dos Instintos

A m√° consci√™ncia √© para mim o estado m√≥rbido em que devia ter ca√≠do o homem quando sofreu a transforma√ß√£o mais radical que alguma vez houve, a que nele se produziu quando se viu acorrentado √† argola da sociedade e da paz. √Ä maneira dos peixes obrigados a adaptarem-se a viver em terra, estes semianimais, acostumados √† vida selvagem, √† guerra, √†s correrias e aventuras, viram-se obrigados de repente a renunciar a todos os seus nobres instintos. For√ßavam-nos a irem pelo seu p√©, a ¬ęlevarem-se a si mesmos¬Ľ, quando at√© ent√£o os havia levado a √°gua: esmagava-os um peso enorme. Sentiam-se inaptos para as fun√ß√Ķes mais simples; neste mundo novo e desconhecido n√£o tinham os seus antigos guias estes instintos reguladores, inconscientemente fal√≠veis; viam-se reduzidos a pensar, a deduzir, a calcular, a combinar causas e efeitos. Infelizes! Viam-se reduzidos √† sua ¬ęconsci√™ncia¬Ľ, ao seu √≥rg√£o mais fraco e mais coxo! Creio que nunca houve na terra desgra√ßa t√£o grande, mal-estar t√£o horr√≠vel!
Acrescente-se a isto que os antigos instintos n√£o haviam renunciado de vez √†s suas exig√™ncias. Mas era dif√≠cil e ami√ļde imposs√≠vel satisfaz√™-las; era preciso procurar satisfa√ß√Ķes novas e subterr√Ęneas. Os instintos sob a enorme for√ßa repressiva, volvem para dentro,

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Um Fado: Palavras Minhas

Palavras que disseste e j√° n√£o dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
√† noite que assomava ao meu ouvido…

Palavras que n√£o dizes, nem s√£o tuas,
que morreram, que em ti j√° n√£o existem
‚ÄĒ que s√£o minhas, s√≥ minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

Virá um tempo em que quererás começar a fazer aquilo que queres. Escolhe um trabalhe que adores. Saltarás da cama logo de manhã. Eu penso que és louco se continuar a escolher trabalhos que não gostes porque pensas que vão parecer bem no teu curriculum. Isso não é um pouco como guardar o sexo para quando fores velho?

Triste Regresso

Uma vez um poeta, um tresloucado,
Apaixonou-se d’uma virgem bela;
Vivia alegre o vate apaixonado,
Louco vivia, enamorado dela.

Mas a P√°tria chamou-o. Era o soldado,
E tinha que deixar p’ra sempre aquela
Meiga visão, olímpica e singela!
E partiu, coração amargurado.

Dos canh√Ķes ao ribombo e das metralhas,
Altivo lutador, venceu batalhas,
Juncou-lhe a fronte aurifulgente estrela,

E voltou, mas a fronte aureolada,
Ao chegar, pendeu triste e desmaiada,
No sepulcro da loura virgem bela.

L√ļbrica

Quando a vejo, de tarde, na alameda,
Arrastando com ar de antiga fada,
Pela rama da murta despontada,
A saia transparente de alva seda,
E medito no gozo que promete
A sua boca fresca, pequenina,
E o seio mergulhado em renda fina,
Sob a curva ligeira do corpete;
Pela mente me passa em nuvem densa
Um tropel infinito de desejos:
Quero, às vezes, sorvê-la, em grandes beijos,
Da lux√ļria febril na chama intensa…
Desejo, num transporte de gigante,
Estreitá-la de rijo entre meus braços,
Até quase esmagar nesses abraços
A sua carne branca e palpitante;
Como, da √Āsia nos bosques tropicais
Apertam, em espiral auriluzente,
Os m√ļsculos herc√ļleos da serpente,
Aos troncos das palmeiras colossais.
Mas, depois, quando o peso do cansaço
A sepulta na morna letargia,
Dormitando, repousa, todo o dia,
À sombra da palmeira, o corpo lasso.

Assim, quisera eu, exausto, quando,
No delírio da gula todo absorto,
Me prostasse, embriagado, semimorto,
O vapor do prazer em sono brando;
Entrever, sobre fundo esvaecido,
Dos fantasmas da febre o incerto mar,

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Intragável é Estar Parado

Intragável é estar parado. Não mudar. Aguentar. Sobreviver. Permanecer. Mesmo que seja pouco, mesmo que seja insuficiente. Manter tudo como está apenas para não correr o risco de ficar pior. Intragável é não perdoar, não ilibar. E só criticar, só apontar, só atacar. E não criar, não refazer, não imaginar. Intragável é não acreditar. Intragável é o que não é maravilhoso, o que não é delicioso, o que não é fantástico, monumental, abençoado, miraculoso, espantoso. Intragável é acordar para o dia a recusar o dia, a não querer o dia, a não apetecer o dia, a não pensar nas mil e uma maneiras de o tornar inesquecível. Deixar estar. Não mexer, não querer a ferida se for através da ferida que se chega à cura. Ser cauteloso, prevenido. Intragável é o que não é exagerado, o que não é desproporcionado, o que não parece incomportável. Se não parece incomportável, é insuportável. Não quero. Não admito. Não me admito. Intragável é repetir. Hoje como réplica exacta de ontem e como réplica exacta de amanhã. As mesmas coisas, as mesmas palavras, os mesmos actos, os mesmos movimentos. Sempre igual. Sempre o mesmo. Intragável é continuar por continuar, andar por andar, viver por viver.

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Beatriz

Bandeirante a sonhar com pedrarias
Com tesouros e minas fabulosas,
Do amor entrei, por ínvias e sombrias
Estradas, as florestas tenebrosas.

Tive sonhos de louco, √† Fern√£o Dias…
Vi tesouros sem conta: entre as umbrosas
Selvas, o outro encontrei, e o √īnix, e as frias
Turquesas, e esmeraldas luminosas…

E por eles passei. Vivi sete anos
Na floresta sem fim. Senti ress√°bios
De amarguras, de dor, de desenganos.

Mas voltei, afinal, vencendo escolhos,
Com o rubi palpitante dos seus l√°bios
E os dois grandes top√°zios dos seus olhos!

Maldade

Tu podes ser igual a todo o mundo
teres defeitos mais que toda a gente,
– que importa ? se este amor cego e profundo
teima em dizer que te acha diferente!

Para mim (eu que te amo como um louco)
os que falam de ti são línguas más,
Рah! todo o amor que te dedico é pouco
e é sempre pouco o amor que tu me dás!

Sou a sombra que segue os teus desejos
e aos teus pés, numa oferta extraordinária
a minha alma vendeu-se por teus beijos…

Falam de ti… Escuto-os… Fico mudo…
Quanta maldade cruel, desnecess√°ria
se eu j√° sei quem tu √©s… se eu sei de tudo!

A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido. Ter consciência dela e ela ser grande é ser génio.

Lutar com Palavras é a Luta Mais Vã

Lutar com palavras √© a luta mais v√£. Entanto lutamos mal rompe a manh√£. S√£o muitas, eu pouco. Algumas, t√£o fortes como o javali. N√£o me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encant√°-las. Mas l√ļcido e frio, apare√ßo e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Deixam-se enla√ßar, tontas √† car√≠cia e s√ļbito fogem e n√£o h√° amea√ßa e nem h√° sev√≠cia que as traga de novo ao centro da pra√ßa.