Cita√ß√Ķes sobre Loucos

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Frases sobre loucos, poemas sobre loucos e outras cita√ß√Ķes sobre loucos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ser Turista é Fugir da Responsabilidade

Ser turista √© fugir da responsabilidade. Os erros e os defeitos n√£o se colam em n√≥s como em casa. Somos capazes de vaguear por continentes e l√≠nguas, suspendendo a actividade do pensamento l√≥gico. O turismo √© a marcha da imbecilidade. Contam que sejamos imbecis. Todo o mecanismo do pa√≠s hospedeiro est√° adaptado aos viajantes que se comportam de um modo imbecil. Andamos √†s voltas, aturdidos, olhando de esguelha para mapas desdobrados. N√£o sabemos falar com as pessoas, ir a lado nenhum, quanto vale o dinheiro, que horas s√£o, o que comer ou como o comer. Ser-se imbecil √© o padr√£o, o n√≠vel e a norma. Podemos continuar a viver nestas condi√ß√Ķes durante semanas e meses, sem censuras nem consequ√™ncias terr√≠veis. Tal como a outros milhares, s√£o-nos concedidas imunidades e amplas liberdades. Somos um ex√©rcito de loucos, usando roupas de poliester de cores vivas, montando camelos, tirando fotografias uns aos outros, fatigados, desint√©ricos, sedentos. N√£o temos mais nada em que pensar sen√£o no pr√≥ximo acontecimento informe.

Governar povos deve parecer negócio de muito fácil execução: não há charlatão, pedante, louco, tolo ou néscio, que não se creia habilitado para tão importante ministério.

O Papel do Sonho na Vida

Por vezes, o homem √© mais sincero e rico na desordem dos sonhos que na consci√™ncia unit√°ria do raciocinador acordado, mas n√≥s vivemos enquanto negamos o sonho e o tornamos in√ļtil. O g√©nio √© a extradi√ß√£o do sonho, porque enriquece a consci√™ncia com as reservas e as pessoas do inconsciente. Expulsa o selvagem e o delinquente, destila a sagacidade do louco, adopta a crian√ßa e escuta o poeta. N√£o √© autocrata surdo, como o homem vulgar, mas pai de iguais. A conc√≥rdia de se terem almas subterr√Ęneas faz a grandeza do g√©nio, e a sua obra √© a sublima√ß√£o do sonho, desenrolado na vida verdadeira, liberdade concedida aos pensamentos inocentes dos reclusos.
Escolher é próprio do homem, mas escolhe-se com a rejeição e mais com o acolhimento. Vencer não significa apenas destruir, mas incorporar. A razão será tanto mais razoável quanto maior a loucura que assumir em si; o herói será mais forte se transferir para si a energia do pecador, e a fantasia do poeta tornará mais profundos os cálculos do político.
Quando o chefe da alma é o poeta, verdadeiramente poeta, não encarcera a razão, mas condu-la consigo para cima, ao céu em que até o silogismo se torna fogo.

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Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabar√° s√°bio.

Louco é quem espera que a nossa razão
possa percorrer a infinita via
que tem uma subst√Ęncia em tr√™s pessoas.

A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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Vita Nuova

Se ao mesmo gozo antigo me convidas,
Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!

N√£o me fales das l√°grimas perdidas,
N√£o me fales dos beijos dissipados!
H√° numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!

Amo-te! A febre, que supunhas morta,
Revive. Esquece o meu passado, louca!
Que importa a vida que passou? que importa,

Se inda te amo, depois de amores tantos,
E inda tenho, nos olhos e na boca,
Novas fontes de beijos e de prantos?!

A Sabedoria e a Alegria

Vou ensinar-te agora o modo de entenderes que n√£o √©s ainda um s√°bio. O s√°bio aut√™ntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturb√°vel; vive em p√© de igualdade com os deuses. Analisa-te ent√£o a ti pr√≥prio: se nunca te sentes triste, se nenhuma esperan√ßa te aflige o √Ęnimo na expectativa do futuro, se dia e noite a tua alma se mant√©m igual a si mesma, isto √©, plena de eleva√ß√£o e contente de si pr√≥pria, ent√£o conseguiste atingir o m√°ximo bem poss√≠vel ao homem! Mas se, em toda a parte e sob todas as formas, n√£o buscas sen√£o o prazer, fica sabendo que t√£o longe est√°s da sabedoria como da alegria verdadeira. Pretendes obter a alegria, mas falhar√°s o alvo se pensas vir a alcan√ß√°-la por meio das riquezas ou das honras, pois isso ser√° o mesmo que tentar encontrar a alegria no meio da ang√ļstia; riquezas e honras, que buscas como se fossem fontes de satisfa√ß√£o e prazer, s√£o apenas motivos para futuras dores.
Toda a gente, repito, tende para um objectivo: a alegria, mas ignora o meio de conseguir uma alegria duradoura e profunda. Uns procuram-na nos banquetes, na libertinagem; outros, na satisfa√ß√£o das ambi√ß√Ķes, na multid√£o ass√≠dua dos clientes;

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Saudades Trágico-Marítimas

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.
Na praia, de bruços,
fico sonhando, fico-me escutando
o que em mim sonha e lembra e chora alguém;
e oiço nesta alma minha
um longínquo rumor de ladainha,
e soluços,
de al√©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

São meus Avós rezando,
que andaram navegando e que se foram,
olhando todos os céus;
s√£o eles que em mim choram
seu fundo e longo adeus,
e rezam na √Ęnsia crua dos naufr√°gios;
choram de longe em mim, e eu oiço-os bem,
choram ao longe em mim sinas, press√°gios,
de al√©m, de al√©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

Naufraguei cem vezes j√°…
Uma, foi na nau S. Bento,
e vi morrer, no tr√°gico tormento,
Dona Leonor de S√°:
vi-a nua, na praia √°spera e feia,
com os olhos implorando
– olhos de esposa e m√£e –
e vi-a, seus cabelos desatando,
cavar a sua cova e enterrar-se na areia.
– E sozinho me fui pela praia al√©m…

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D. SEBASTIÃO

Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a n√£o d√°.
N√£o coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal est√°
Ficou meu ser que houve, n√£o o que h√°.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cad√°ver adiado que procria?

O homem se torna rigorosamente um tirano, quando, por natureza, ou por hábito, ou pelos dois motivos, se torna ébrio, apaixonado e louco.

A Fal√°cia do Homem Livre

C√° entre n√≥s, a servid√£o, de prefer√™ncia sorridente, √© pois inevit√°vel. Mas n√£o o devemos reconhecer. Quem n√£o pode fugir a ter escravos, n√£o valer√° mais que os chame homens livres? Por princ√≠pio, em primeiro lugar, e depois para os n√£o desesperar. √Č-lhes bem devida esta compensa√ß√£o, n√£o acha? Deste modo eles continuar√£o a sorrir e n√≥s manter-nos-emos de consci√™ncia tranquila. Sem o que, ser√≠amos for√ßados a voltar-nos para n√≥s mesmos, ficar√≠amos loucos de dor, ou at√© modestos, tudo √© de temer.

O Mal só nos Afecta na Medida em que o Deixarmos

Os homens (diz uma antiga máxima grega) são atormentados pelas ideias que têm das coisas, e não pelas próprias coisas. Haveria um grande ponto ganho para o alívio da nossa miserável condição humana se pudéssemos estabelecer essa asserção como totalmente verdadeira. Pois, se os males só entraram em nós pelo nosso julgamento, parece que está em nosso poder desprezá-los ou transformá-los em bem. Se as coisas se entregam à nossa mercê, por que não dispomos delas ou não as moldarmos para vantagem nossa? Se o que denominamos mal e tormento não é nem mal nem tormento por si mesmo, mas somente porque a nossa imaginação lhe dá essa qualidade, está em nós mudá-la. E, tendo essa escolha, se nada nos força, somos extraordinariamente loucos de bandear para o partido que nos é o mais penoso e dar às doenças, à indigência e ao desvalor um gosto acre e mau, se lhes podemos dar um gosto bom e se, a fortuna fornecendo simplesmente a matéria, cabe a nós dar-lhe a forma.
Porém vejamos se é possível sustentar que aquilo que denominamos por mal não o é em si mesmo, ou pelo menos que, seja ele qual for, depende de nós dar-lhe outro sabor e outro aspecto,

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poema sobre o amor eterno

inventaram um amor eterno. trouxeram-no em bra√ßos para o meio das pessoas e ali ficou, √† espera que lhe falassem. mas ningu√©m entendeu a necessidade de sedu√ß√£o. pouco a pouco, as pessoas voltaram a casa convictas de que seria falso alarme, e o amor eterno tombou no ch√£o. n√£o estava desesperado, nada do que √© eterno tem pressa, estava s√≥ surpreso. um dia, do outro lado da vida, trouxeram um animal de duzentos metros e mil bocas e, por ocupar muito espa√ßo, o amor eterno deslizou para fora da pra√ßa. ficou muito discreto, algo sujo. foi como um louco o viu e acreditou nas suas inten√ß√Ķes. carregou-o para dentro do seu cora√ß√£o, fugindo no exacto momento em que o animal de duzentos metros e mil bocas se preparava para o devorar

O Delírio pelo Isolamento e pelo Convívio

O eremita volta as costas a este mundo; n√£o quer ter nada a ver com ele. Mas podemos fazer mais do que isso; podemos tentar recri√°-lo, tentar construir um outro em vez dele, no qual os componentes mais insuport√°veis s√£o eliminados e substitu√≠dos por outros que correspondam aos nossos desejos. Quem por desespero ou desafio parte por este carninho, por norma, n√£o chegar√° muito longe; a realidade ser√° demasiado forte para ele. Torna-se louco e normalmente n√£o encontra ningu√©m que o ajude a levar a cabo o seu del√≠rio. Diz-se contudo, que todos n√≥s nos comportamos em alguns aspectos como paran√≥icos, substituindo pela satisfa√ß√£o de um desejo alguns aspectos do mundo que nos s√£o insuport√°veis transportando o nosso del√≠rio para a realidade. Quando um grande n√ļmero de pessoas faz esta tentativa em conjunto e tenta obter a garantia de felicidade e protec√ß√£o do sofrimento atrav√©s de uma transforma√ß√£o ilus√≥ria da realidade, adquire um significado especial. Tamb√©m as religi√Ķes devem ser classificadas como del√≠rios em massa deste g√©nero. Escusado ser√° dizer que ningu√©m que participa num del√≠rio o reconhece como tal.

Sou os Sonhos que n√£o Realizei

A tristeza de n√£o ser mais do que aquilo que deixei de ser. De n√£o fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que n√£o realizei, os passos que n√£o dei. Sou a vida, sim, que n√£o vivi. E √© assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre tempor√°ria mas sempre triste, de que n√£o sou. De que n√£o consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, s√£o leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esfor√ßo, carrega para o destino final. Escrevo porque s√≥ sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se v√°, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se v√°, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que n√£o sou: o que n√£o fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Meio escritor, meio humano, meio poeta e meio insano, meio senhor, meio crian√ßa, meio sorriso na meia inf√Ęncia. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Fui o quase g√©nio, o quase artista, o quase pedinte, o quase louco. Fui quase feliz,

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Um escritor faz-se de dia, sobre o asfalto e em cima do pó, sofrendo e desfrutando, odiando e querendo como só pode fazer um louco ou Deus.

Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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