Passagens sobre Mel

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Frases sobre mel, poemas sobre mel e outras passagens sobre mel para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

N√£o sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, e depois de outra flor. Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma √ļnica rosa e vive nela at√© que ela feche as p√©talas sobre ele; e abafado neste aperto supremo, morre entre os bra√ßos da flor que elegeu.

As M√£es?

Fossem estes dias uma fonte que
brotasse.
Manchas de azul, um rasto de neve em pleno céu,
colmeias,
mel, uma exaltação de asas.

Mas é assim:
metais que revestem a pele e as armaduras,
bronze, ferro, formas que perduram, malhas, ameaçados
tecidos que nos moldam ‚ÄĒ
quem borda ainda,
quem se atreve √† min√ļcia das rendas?

As m√£es?
elas vinham cedo, eram como um rumor de levadas,
atravessando as terras.
Eram as mesmas m√£os trabalhando sedas, afagos e
uma conspiração de cores e agulhas frias,
mães de silêncio bordando a treva e o sono, a longa
noite dos filhos.

Herdei uma beleza amarga,
o temor das sombras, dos rel√Ęmpagos que embatiam
na inf√Ęncia,
no dorso das colinas,
no coração mais triste.

Um estrondo de muralhas, diques, batalhas que
deflagram,
uma ciência aterradora:
não quero outra véspera de espadas, a coroação do
sangue,
patíbulos onde a cabeça se expande,
rolando como a poeira e os astros,
repercutindo como um sino no choro das m√£es.

N√£o quero um bordado de horas antigas,

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Cantares Bacantes (I)

O mar lava a concha cava
e cava concha lava o mar
como a língua limpa lava
tua concha antes de amar.

Del√≠rio da estrela d’alva
mistério da preamar
vinda e volta abrindo a aldrava
da concha do paladar.

Oh minhas parcas de mel!
Eu me afogo em mar vinho
à espera de algum batel.

Sou cantador de cordel:
estórias sabor marinho
bacantes da moscatel.

Noiva

Ei-la toda de branco. Aos pés, o imenso véu
como em flocos de espuma, espalhado no ch√£o…
No ar, dentro do olhar, cabe inteirinho um céu,
e leva um c√©u maior dentro do cora√ß√£o…

Nos l√°bios… Ah! nos l√°bios o sabor do mel,
e uma carícia em flor se entreabre em cada mão,
Рe que tremor no braço, ao deixar no papel
o nome dela, o dele… os dois desde ent√£o…

Quem lhe falou da vida ? A vida é um sonho, a vida
é esse caminho azul, esse estranho embaraço
de sentir-se ao seu lado adorada e querida…

Aos seus p√©s, como nuvem branca, o imenso v√©u…
Quem dirá, que ao seguir apoiada ao seu braço
n√£o pensa que caminha em dire√ß√£o ao c√©u ?…

Sábado é a Rosa da Semana

Acho que s√°bado √© a rosa da semana; s√°bado de tarde a casa √© feita de cortinas ao vento, e algu√©m despeja um balde de √°gua no terra√ßo; s√°bado ao vento √© a rosa da semana; s√°bado de manh√£, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilh√£o em mim perdido: outras abelhas farejar√£o e no outro s√°bado de manh√£ vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. No s√°bado √© que as formigas subiam pela pedra. Foi num s√°bado que vi um homem sentado na sombra da cal√ßada comendo de uma cuia de carne-seca e pir√£o; n√≥s j√° t√≠nhamos tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matin√™ de cinema: ao vento s√°bado era a rosa de nossa semana. Se chovia s√≥ eu sabia que era s√°bado; uma rosa molhada, n√£o √©? No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esfor√ßo met√°lico a semana se abre em rosa: o carro freia de s√ļbito e, antes do vento espantado poder recome√ßar, vejo que √© s√°bado de tarde. Tem sido s√°bado, mas j√° n√£o me perguntam mais. Mas j√° peguei as minhas coisas e fui para domingo de manh√£.

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Debaixo das Oliveiras

Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras.

O m√™s em que a brisa me p√īs nas m√£os
uma harpa de folhas
e a terra me emprestou
sua flauta e sua lua.
Maré viva. Meu sangue atravessado
por um cometa visível a olho nu
tangido por satélites e aves de arribação
navegado por peixes desconhecidos.

Este foi o mês em que cantei
como quem morre e ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba.

O mês em que subi a uma colina
dentro de minha casa
olhei a terra e o mar
depois cantei
como quem faz com duas pedras
o primeiro lume. Palavras
e pedras. Palavras e lume
de uma vida.

Este foi o mês em que fui a um lugar santo
dentro de minha casa.
O mês em que saí dos campos
e me banhei no rio como quem se baptiza
e cantei debaixo das oliveiras
as m√£os cheias de terra. Palavras
e terra
de uma vida.

Este foi o mês em que cantei
como quem espelha ao vento suas cinzas
e cresce de seu próprio adubo
carregado de folhas.

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Os hip√≥critas s√£o como as t√Ęmaras: o doce est√° fora, o mel nas palavras e o duro l√° dentro, na alma.

Muito pouco sabes acerca dos tempos em que vives se pensas que o mel é mais doce do que dinheiro na mão.

As Palavras de Adeus

A realidade é maior que a verdade meu amor
somos mais do que o sol e do que o mar e
em nenhuma met√°fora cabemos
mesmo quando dizemos eu
sou a m√ļsica tu √©s o luar

com cadeias de ferro nos unimos
em nosso nome jur√°mos
pelas cascas dos frutos bebemos
de mel silvestre nos aliment√°mos

mas de fora sempre ficou
algo que nos próprios sentimentos já não coube
e um gosto que indicou algo
que a boca j√° dizer n√£o soube

entre as coisas as palavras e a sua mudez
paira a irrealidade de
que nos fizemos
nem uma só vez foram verdade as
palavras de adeus que nos dissemos

O que Sempre Soube das Mulheres

Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-semesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor.

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Quem faz pouco caso de um instante desperdi√ßa a vida toda. Se as abelhas menosprezassem um pingo de n√©ctar que fosse, jamais poderiam produzir mel suficiente para preencher os favos. Elas conseguem armazenar grande quantidade de mel, porque colhem em todas as oportunidades as min√ļsculas por√ß√Ķes de n√©ctar das flores.

Minha M√£e que n√£o Tenho

Minha mãe que não tenho    meu lençol
de linho¬†¬†¬† de carinho¬†¬†¬† de dist√Ęncia
água memória viva do retrato
que √†s vezes mata a sede da inf√Ęncia.

Ai √°gua que n√£o bebo em vez do fel
que a pouco e pouco me atormenta a língua.
Ai fonte que eu não oiço    ai mãe    ai mel
da flor do corpo que me traz à míngua.

De que Egipto vieste?    De que Ganges?
De qual pai t√£o distante me pariste
minha mãe    minha dívida de sangue
minha raz√£o de ser violento e triste.

Minha mãe que não tenho    minha força
sumo da f√ļria que fechei por dentro
serás sibila    virgem    buda    corça
ou apenas um mundo em que n√£o entro?

Minha mãe que não tenho    inventa-me primeiro:
constrói a casa    a lenha e o jardim
e deixa que o teu fumo    que o teu cheiro
te façam conceber dentro de mim.