Cita√ß√Ķes sobre Noivado

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Frases sobre noivado, poemas sobre noivado e outras cita√ß√Ķes sobre noivado para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Benditas Cadeias!

Quando vou pela Luz arrebatado,
Escravo dos mais puros sentimentos
Levo secretos estremecimentos
Como quem entra em m√°gico Noivado.

Cerca-me o mundo mais transfigurado
Nesses sutis e c√Ęndidos momentos…
Meus olhos, minha boca v√£o sedentos
De luz, todo o meu ser iluminado.

Fico feliz por me sentir escravo
De um Encanto maior entre os Encantos,
Livre, na culpa, do mais leve travo.

De ver minh’alma com tais sonhos, tantos,
E que por fim me purifico e lavo
Na √°gua do mais consolador dos prantos

Noiva E Triste

Rola da luz do céu, solta e desfralda
Sobre ti mesma o pavilhão das crenças,
Constele o teu olhar essas imensas
Vagas do amor que no teu peito escalda.

A primorosa e límpida grinalda
H√° de enflorar-te as amplid√Ķes extensas
Do teu pesar — h√° de rasgar-te as densas
Sombras — o v√©u sobre a luzente espalda…

Inda n√£o ri esse teu l√°bio rubro
Hoje — inda n’alma, nesse azul delubro
N√£o fulge o brilho que as paix√Ķes enastra;

Mas, amanh√£, no sorridor noivado,
A vida triste por que tens passado,
De madressilvas e jasmins se alastra.

Sidera√ß√Ķes

Para as Estrelas de cristais gelados
As √Ęnsias e os desejos v√£o subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplid√£o vestindo…

Num cortejo de c√Ęnticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo…

Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de Vis√Ķes levanta…

E as √Ęnsias e os desejos infinitos
V√£o com os arcanjos formulando ritos
Da Eternidade que nos Astros canta…

Os Expectantes

Entre as defini√ß√Ķes da ilha planet√°ria em que nos encontramos desterrados, uma das mais apropriadas seria: uma grande sala de espera. Uma ter√ßa parte da vida √© anulada numa semimorte, outra gasta em fazer mal a n√≥s mesmos e aos outros e a √ļltima esboroa-se e consome-se na expectativa. Esperamos sempre alguma coisa ou algu√©m – que vem ou n√£o, que passa ou desilude, que satisfaz ou mata. Come√ßa-se, em crian√ßa, a esperar a juventude com impaci√™ncia quase alucinada; depois, quando adolescente, espera-se a independ√™ncia, a fortuna ou porventura apenas um emprego e uma esposa. Os filhos esperam a morte dos pais, os enfermos a cura, os soldados a passagem √† disponibilidade, os professores as f√©rias, os universit√°rios a formatura, as raparigas um marido, os velhos o fim. Quem entrar numa pris√£o verificar√° que todos os reclusos contam os dias que os separam da liberdade; numa escola, numa f√°brica ou num escrit√≥rio, s√≥ encontrar√° criaturas que esperam, contando as horas, o momento da sa√≠da e da fuga. E em toda a parte – nos parques p√ļblicos, nos caf√©s, nas salas – h√° o homem que espera uma mulher ou a mulher que espera um homem. Exames, concursos, noivados, lotarias, semin√°rios,

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Aos Vencedores

Visto que tudo passa e as épicas memorias
Dos fortes, dos heroes, se v√£o cada vez mais,
Que tudo é luto e pó! ó vós que triumphaes
N√£o turbeis a raz√£o nos vinhos das v√£as glorias!

Não ergais alto a taça, á hora dos gemidos,
Esquecidos talvez nos gosos, nos regallos;
E não façaes jámais pastar vossos cavallos
Na herva que cobrir os ossos dos vencidos!

N√£o celebreis j√°mais as festas dos noivados,
N√£o encontreis na volta os lugubres cortejos!
– E se amardes, olhae que ao som dos vossos beijos
Não respondam da praça os ais dos fusilados!

Sim! – se venceste emfim, folgae todas as horas,
Mas deixae lastimar-se os orph√£os, as amantes,
Nem façaes, junto a nós, altivos, triumphantes,
Pelas ruas demais tinir vossas esporas!

Pois toda a gloria √© p√≥! toda a fortuna v√£! –
РE nós lassos emfim dos prantos dolorosos,
Reg√°mos j√° demais a terra–√≥ gloriosos
Vencedores! talvez, – vencidos d’amanh√£!

Projecto de Bodas

Hoje apetece que uma rosa seja
o coração exterior do dia
e a tua adolescência de cereja
no meu bico de Isolda cotovia.

Hoje apetece a intuição dum cais
para a lucidez de n√£o chegar a tempo
e ficarmos violetas nupciais
com a lua a celebrar o casamento.

Apetece uma casa cor-de-rosa
com um galo vermelho no telhado
e os degraus duma seda vagarosa
que nunca chegue à varanda do noivado.

Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois à nossa boda.

Hoje apetece um interior de esponja
E como est√°tua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.

Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.

Hoje apetece que a cor dum automóvel
Seja o Egipto de novo em movimento;
E que no espaço duma gota imóvel
Caiba a possível capital do vento.

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Eu fui, desde que principiei a conhecer a vida, a mulher sem lar, a mulher casada sem marido, sem lar, a que nunca tivera como todas as raparigas sonham, as horas doces dum noivado que até à morte de recorda.

Os Sinos

1

Os sinos tocam a noivado,
No Ar lavado!
Os sinos tocam, no Ar lavado,
A noivado!

Que linda criança que assoma na rua!
Que linda, a andar!
Em extasi, o povo commenta que é a Lua,
Que vem a andar…

Tambem, algum dia, o povo na rua,
Quando eu cazar,
Ao ver minha noiva, dirá que é a Lua
Que vae cazar…

2

E o sino toca a baptizado
Que lindo fado?
E o sino toca um lindo fado,
A baptizado!

E banham o anjinho na agoa de neve,
Para o lavar,
E banham o anjinho na agoa de neve,
Para o sujar.

√ď boa madrinha, que o enxugas de leve,
Tem d√≥ d’esses gritos! Comprehende esses ais:
Antes o enxugue a Velha! antes Deus t’o leve!
N√£o soffre mais…

3

Os sinos dobram por anjinho,
Coitadinho!
Os sinos dobram, coitadinho…
Pelo anjinho!

Que aceiada que vae p’ra cova!
Olhae! olhae!
Sapatinhos de sola nova,
Olhae!

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A Doce Incerteza do Romance

N√£o vejo nada de rom√Ęntico numa proposta de noivado. √Č certo que √© rom√Ęntico uma pessoa estar apaixonada. Mas numa proposta concreta n√£o h√° romance nenhum; podemos at√© vir a ser aceites, e na grande maioria dos casos √© isso que acontece, segundo creio, cessando nesse momento qualquer excita√ß√£o. A pr√≥pria ess√™ncia do romance √© a incerteza. Se algum dia me casar, farei tudo para me esquecer desse facto.

Sonho

Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade
Solto para onde est√°s, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!

Sonho… Minha alma voa. O ar gorjeia e solu√ßa.
Noite… A amplid√£o se estende, iluminada e calma:
De cada estrela de ouro um anjo se debruça,
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma.

H√° por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.

Por√©m, subitamente, um rel√Ęmpago corta
Todo o espa√ßo… O rumor de um salmo se levanta
E, sorrindo, serena, apareces à porta,
Como numa moldura a imagem de uma Santa…

Canção da Partida

Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei de prender na volta do mar.
Ao meu cora√ß√£o um peso de ferro… Lan√ß√°-lo ao mar.
Quem vai embarcar, que vai degredado,

As penas do amor n√£o queira levar…
Marujos, erguei o cofre pesado, Lançai-o ao mar.
E hei de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.

A sete chaves: tem dentro uma carta…
_ A √ļltima, de antes do teu noivado.
A sete chaves, _ a carta encantada!

E um len√ßo bordado… Esse hei de o levar,
Que é para o molhar na água salgada
No dia em que enfim deixar de chorar.

Beijos Mortos

Amemos a mulher que n√£o ilude,
e que, ao saber que a temos enganado,
perdoa, por amor e por virtude,
pelo respeito ao menos ao passado.

Muitas vezes, na minha juventude,
evocando o romance de um noivado,
sinto que amei, outrora, quanto pude,
porém mais deveria ter amado.

Choro. O remorso os nervos me sacode.
e, ao relembrar o mal que ent√£o fazia,
meu desespero, inconsolado, explode.

E a causa desta horrível agonia,
é ter amado, quanto amar se pode,
sem ter amado, quanto amar devia.

Majestade Caída

Esse cornóide deus funambulesco
Em torno ao qual as Potestades rugem,
Lembra os trov√Ķes, que t√©tricos estrugem,
No riso alvar de tru√£o carnavalesco.

De ironias o momo picaresco
Abre-lhe a boca e uns dentes de ferrugem,
Verdes gengivas de √°cida salsugem
Mostra e parece um S√°tiro dantesco.

Mas ninguém nota as cóleras horríveis,
Os chascos, os sarcasmos impassíveis
Dessa estranha e tremenda Majestade.

Do torvo deus hediondo, atroz, nefando,
Senil, que embora, rindo, est√° chorando
Os Noivados em flor da Mocidade!

Engrinalda-me com os Teus Braços

Teu corpo de √Ęmbar, g√≥tico, afilado,
Sempre velado de cheirosos linhos,
Teu corpo, aprilino prado,
Por onde o meu desejo, pastor brando,
Risonho h√°-de viver, pastoreando
Meus beiços, desinquietos cordeirinhos,
Teu corpo é esbelto, ó zagaia esguia,
Como as harpas que o pai de Salom√£o tangia!

Teu corpo eléctrico, ogival,
N√ļbil, sequinho, perturbante,
√Č uma dispensa real:
Os teus olhos s√£o duas cabacinhas
Cheias dum vinho estonteante
Os teus dentes s√£o alvas camarinhas,
Os teus dedos, suavíssimos espargos,
E os teus seios, pêssegos verdes mas não amargos.

Lira de nervos, glória das trigueiras,
Como tu és graciosa! As laranjeiras,
Desde que viste o sol com esses sóis amados,
Só vinte vezes perfumaram noivados!
Nobre e graciosa és, morena das morenas,
Como as senhoras de olhos belos,
Que passeavam nos jardins de Atenas
Com uma cigarra de ouro nos cabelos!

Como tu, eu sou moço! e atrevido
Com Anceu, rei de Samos,
E jamais caçador me fez vencido,
Quando, caçando o javali, ando entre os ramos.
O meu peito é de jaspe,

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O Primeiro Filho

A virgem de ontem é já hoje mãe:
O leito azul e branco do noivado
Ei-lo, em bem pouco tempo, transformado
Num berço onde existe mais alguém.

Na rósea alcova atapetada, além,
Uma velhota, ex-noiva do passado,
Beijando o pequenito com cuidado,
Diz: ‚ÄĒ Bom tempo em que eu fui assim, tamb√©m.

No entanto a boa mãe cheia de Graça,
Estende-se no leito, exausta e lassa,
Cercada duma auréola de luz.

E beijando o filhito que adormece,
Olhada assim, de s√ļbito, parece
A Virgem M√£e a acalentar Jesus…

A Lucidez da Velhice

A mocidade √© noivado, como a velhice √© viuvez. Um jovem, por mais marido que seja, √© noivo ainda; e um velho, embora casado, √© j√° vi√ļvo… um solit√°rio guardando as cinzas duma flor. Mas dessas cinzas o seu esp√≠rito se alimenta. Alimenta-se de pureza, pois a cinza √© o que resta dum inc√™ndio, essa purifica√ß√£o suprema. Por isso, a consci√™ncia √© um atributo da velhice, e tamb√©m a ci√™ncia. A consci√™ncia √© a ci√™ncia connosco, a ci√™ncia identificada ao nosso ser, que entra no pleno conhecimento de si mesmo, e do seu poder representativo do Universo. A velhice √© uma noite maravilhosa em que brilham as nossas ideias, uma atmosfera l√≠mpida ou varrida pelo z√©firo da morte, a √ļnica Deusa verdadeira.

Ciclo

Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A √°rvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol… Sonhar!

Dia. A flor – o noivado e o beijo, como
Em perfumes um t√°lamo e um altar:
A √°rvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta √† voz dos p√°ssaros… Amar!

Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo;
A √°rvore maternal levanta o fruto,
A h√≥stia da id√©ia em perfei√ß√£o… Pensar!

Noite. Oh! Saudade!… A dolorosa rama
Da √°rvore aflita pelo ch√£o derrama
As folhas, como l√°grimas… Lembrar!

Noivado

Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?
Além desses outeiros
Vai descambando o sol, e à terra envia
Os raios derradeiros;
A tarde, como noiva que enrubesce,
Traz no rosto um véu mole e transparente;
No fundo azul a estrela do poente
Já tímida aparece.

Como um bafo suavíssimo da noite,
Vem sussurrando o vento
As árvores agita e imprime às folhas
O beijo sonolento.
A flor ajeita o c√°lix: cedo espera
O orvalho, e entanto exala o doce aroma;
Do leito do oriente a noite assoma
Como uma sombra austera.

Vem tu, agora, ó filha de meus sonhos,
Vem, minha flor querida;
Vem contemplar o céu, página santa
Que amor a ler convida;
Da tua solid√£o rompe as cadeias;
Desce do teu sombrio e mudo asilo;
Encontrar√°s aqui o amor tranq√ľilo…
Que esperas? que receias?

Olha o templo de Deus, pomposo e grande;
L√° do horizonte oposto
A lua, como l√Ęmpada, j√° surge
A alumiar teu rosto;
Os círios vão arder no altar sagrado,
Estrelinhas do céu que um anjo acende;

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