Cita√ß√Ķes sobre Olfato

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Frases sobre olfato, poemas sobre olfato e outras cita√ß√Ķes sobre olfato para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O humor √© um sentido como o olfacto. Assim como quase tudo tem um cheiro, quase tudo tem a sua gra√ßa. Mesmo as maiores desgra√ßas. Pode dizer-se que a gra√ßa que elas t√™m √© cruel ou de mau gosto ou ‚Äď pior ainda ‚Äď que n√£o t√™m piada nenhuma. Mas n√£o h√° desgra√ßa que n√£o tenha a sua gra√ßa.

Alimentar o Ego

Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas sensa√ß√Ķes uma religi√£o e uma pol√≠tica, para esse primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, √© o sentir as coisas m√≠nimas extraordin√°ria ‚ÄĒ e desmedidamente. Este √© o primeiro passo, e o passo simplesmente primeiro n√£o √© mais do que isto. Saber p√īr no saborear duma ch√°vena de ch√° a vol√ļpia extrema que o homem normal s√≥ pode encontrar nas grandes alegrias que v√™m da ambi√ß√£o subitamente satisfeita toda ou das saudades de repente desaparecidas, ou ent√£o nos actos finais e carnais do amor; poder encontrar na vis√£o dum poente ou na contempla√ß√£o dum detalhe decorativo aquela exaspera√ß√£o de senti-los que geralmente s√≥ pode dar, n√£o o que se v√™ ou o que se ouve, mas o que se cheira ou se gosta ‚ÄĒ essa proximidade do objecto da sensa√ß√£o que s√≥ as sensa√ß√Ķes carnais ‚ÄĒ o tacto, o gosto, o olfacto – esculpem de encontro √† consci√™ncia; poder tornar a vis√£o interior, o ouvido do sonho ‚ÄĒ todos os sentidos supostos e do suposto ‚ÄĒ recebedores e tang√≠veis como sentidos virados para o externo: escolho estas, e as an√°logas suponham-se,

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Os pobres não sentem o seu próprio cheiro. Não é a magreza mas o olfacto que distingue os miseráveis dos mais ricos.

Lembranças Apagadas

Outros, mais do que o meu, finos olfatos,
Sintam aquele aroma estranho e belo
Que tu, √≥ L√≠rio l√Ęnguido, singelo,
Guardaste nos teus íntimos recatos.

Que outros se lembrem dos sutis e exatos
Traços, que hoje não lembro e não revelo
E se recordem, com profundo anelo,
Da tua voz de siderais contatos…

Mas eu, para lembrar mortos encantos,
Rosas murchas de graças e quebrantos,
Linhas, perfil e tanta dor saudosa,

Tanto martírio, tanta mágoa e pena,
Precisaria de uma luz serene,
De uma luz imortal maravilhosa!…

O olfacto √© uma vista estranha. Evoca paisagens sentimentais por um desenhar s√ļbito do subconsciente.

Vênus I

À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda…
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a raz√£o se perde!

P√ļtrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfato que se embriaga)
Como em um sorvo, murmura de gozo.

O seu esbo√ßo, na marinha turva…
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os p√©s atr√°s, como voando…

E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que a desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co’a salsugem.

Paisagem

Dorme sob o silêncio o parque. Com descanso,
Aos haustos, aspirando o finíssimo extrato
Que evapora a verdura e que deleita o olfato,
Pelas alas sem fim da árvores avanço.

Ao fundo do pomar, entre folhas, abstrato
Em cismas, tristemente, um alvíssimo ganso
Escorrega de manso, escorrega de manso
Pelo claro cristal do límpido regato.

Nenhuma ave sequer, sobre a macia alfombra,
Pousa. Tudo deserto. Aos poucos escurece
A campina, a rech√£ sob a noturna sombra.

E enquanto o ganso vai, abstrato em cismas, pelas
Selvas a dentro entrando, a noite desce, desce…
E espalham-se no c√©u camandulas de estrelas…

o suporte da m√ļsica

o suporte da m√ļsica pode ser a rela√ß√£o
entre um homem e uma mulher, a pauta
dos seus gestos tocando-se, ou dos seus
olhares encontrando-se, ou das suas

vogais adivinhando-se abertas e recíprocas,
ou dos seus obscuros sinais de entendimento,
crescendo como trepadeiras entre eles.
o suporte da m√ļsica pode ser uma apet√™ncia

dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se
ramifica entre os timbres, os perfumes,
mas é também um ritmo interior, uma parcela
do cosmos, e eles sabem-no, perpassando

por uns fr√°geis momentos, concentrado
num ponto min√ļsculo, intensamente luminoso,
que a m√ļsica, desvendando-se, desdobra,
entre conhecimento e c√ļmplice harmonia.

Apostrofe À Carne

Quando eu pego nas carnes do meu rosto.
Pressinto o fim da org√Ęnica batalha:
– Olhos que o h√ļmus necr√≥fago estra√ßalha,
Diafragmas, decompondo-se, ao sol posto…

E o Homem Рnegro e heteróclito composto,
Onde a alva flama psíquica trabalha,
Desagrega-se e deixa na mortalha
O tacto, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!

Carne, feixe de m√īnadas bastardas,
Conquanto em fl√Ęmeo fogo ef√™mero ardas,
A dardejar relampejantes brilhos,

Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,
Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!

Vénus

I

À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda…
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a raz√£o se perde!

P√ļtrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfato que se embriaga)
Como em um sorvo, murmura de gozo.

O seu esbo√ßo, na marinha turva…
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os p√©s atr√°s, como voando…

E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que a desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co’a salsugem.

II

Singra o navio. Sob a √°gua clara
V√™-se o fundo do mar, de areia fina…
_ Impec√°vel figura peregrina,
A dist√Ęncia sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a √°gua plana.

E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufr√°gios, perdi√ß√Ķes, destro√ßos!
_ √ď f√ļlgida vis√£o, linda mentira!

R√≥seas unhinhas que a mar√© partira…
Dentinhos que o vaiv√©m desengastara…

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De todos os sentidos, a vista é o mais superficial, o ouvido o mais orgulhoso, o olfacto o mais voluptuoso, o gosto o mais supersticioso e inconstante, o tacto o mais profundo.

Ode Triunfal

√Ä dolorosa luz das grandes l√Ęmpadas el√©ctricas da f√°brica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

√ď rodas, √≥ engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em f√ļria!
Em f√ļria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De express√£o de todas as minhas sensa√ß√Ķes,
Com um excesso contempor√Ęneo de v√≥s, √≥ m√°quinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes tr√≥picos humanos de ferro e fogo e for√ßa –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

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Olhar e Chorar

Not√°vel criatura s√£o os olhos! Admir√°vel instrumento da natureza; prodigioso artif√≠cio da Provid√™ncia! Eles s√£o a primeira origem da culpa; eles a primeira fonte da Gra√ßa. S√£o os olhos duas v√≠boras, metidas em duas covas, e que a tenta√ß√£o p√īs o veneno, e a contri√ß√£o a triaga. S√£o duas setas com que o Dem√≥nio se arma para nos ferir e perder; e s√£o dois escudos com que Deus depois de feridos nos repara para nos salvar. Todos os sentidos do homem t√™m um s√≥ of√≠cio; s√≥ os olhos t√™m dois. O Ouvido ouve, o Gosto gosta, o Olfacto cheira, o Tacto apalpa, s√≥ os olhos t√™m dois of√≠cios: Ver e Chorar. Estes ser√£o os dois p√≥los do nosso discurso.
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu a mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma,

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Extravio

Onde começo, onde acabo,
se o que est√° fora est√° dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?

Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.

Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.

Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que j√° n√£o ouvem nem falam.

Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.

Ah, ser somente o presente:
esta manh√£, esta sala.

Aquilo a que a terminologia rom√Ęntica chama g√©nio ou inspira√ß√£o n√£o √© mais do que encontrar empiricamente o caminho, seguir o pr√≥prio olfacto, tomar atalhos.

A Ingaia Ciência

A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,

a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte noma cela.

A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência

e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a m√£o, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.