Passagens sobre Quintais

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Frases sobre quintais, poemas sobre quintais e outras passagens sobre quintais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Sábado é a Rosa da Semana

Acho que s√°bado √© a rosa da semana; s√°bado de tarde a casa √© feita de cortinas ao vento, e algu√©m despeja um balde de √°gua no terra√ßo; s√°bado ao vento √© a rosa da semana; s√°bado de manh√£, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilh√£o em mim perdido: outras abelhas farejar√£o e no outro s√°bado de manh√£ vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. No s√°bado √© que as formigas subiam pela pedra. Foi num s√°bado que vi um homem sentado na sombra da cal√ßada comendo de uma cuia de carne-seca e pir√£o; n√≥s j√° t√≠nhamos tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matin√™ de cinema: ao vento s√°bado era a rosa de nossa semana. Se chovia s√≥ eu sabia que era s√°bado; uma rosa molhada, n√£o √©? No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esfor√ßo met√°lico a semana se abre em rosa: o carro freia de s√ļbito e, antes do vento espantado poder recome√ßar, vejo que √© s√°bado de tarde. Tem sido s√°bado, mas j√° n√£o me perguntam mais. Mas j√° peguei as minhas coisas e fui para domingo de manh√£.

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Longe das cercas embandeiradas que separam quintais, no cume calmo do meu olho que vê assenta a sombra sonora dum disco voador.

A Realidade é um Bocado de Sol Simples

√Č preciso criar abismos, para a humanidade que os n√£o sabe saltar se engolfar neles para sempre.
Criar todos os prazeres, os mais artificiais poss√≠vel, os mais est√ļpidos poss√≠vel, para que a chama atraia e queime.
O problema da sobrepovoa√ß√£o, o problema da sobreprodu√ß√£o eliminam-se criando-se focos de elimina√ß√£o humana (por meio de todos os v√≠cios), criando focos de in√©rcia humana (por meio de todas as sedu√ß√Ķes). Fazer suicidas, eis a grande solu√ß√£o sociol√≥gica.
√Č facil ouvir de qualquer megera limpa que ¬ęn√£o cr√™ na Lei de Cristo¬Ľ, √© anim√°-la em seguir a n√£o-lei de Cristo. Em tr√™s anos est√° gasta e finda, e ent√£o descobre que o pior de n√£o seguir a lei de Cristo √© que os outros a n√£o seguem tamb√©m. E o caixote do lixo recebe-a como √†s teorias dos mestres a quem ela ensinou.
√Č nosso dever de soci√≥logos untar o ch√£o, ainda que seja com l√°grimas, para que escorreguem nele os que dan√ßam.
E comunistas, batonnières dos beiços, humanitários, cultos do internacionalismo Рtudo isso colabora ardentemente na eliminação deles mesmos que se precisa. Depois, dos recantos das províncias, onde tomam chá com a família, ou lavram as terras sem teorias nem desejos,

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A Casa Branca Nau Preta

Estou reclinado na poltrona, √© tarde, o Ver√£o apagou-se…
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu c√©rebro…
N√£o existe manh√£ para o meu torpor nesta hora…
Ontem foi um mau sonho que algu√©m teve por mim…
H√° uma interrup√ß√£o lateral na minha consci√™ncia…
Continuam encostadas as portas da janela desta tarde
Apesar de as janelas estarem abertas de par em par…
Sigo sem aten√ß√£o as minhas sensa√ß√Ķes sem nexo,
E a personalidade que tenho est√° entre o corpo e a alma…

Quem dera que houvesse
Um terceiro estado pra alma, se ela tiver s√≥ dois…
Um quarto estado pra alma, se s√£o tr√™s os que ela tem…
A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar
D√≥i-me por detr√°s das costas da minha consci√™ncia de sentir…

As naus seguiram,
Seguiram viagem n√£o sei em que dia escondido,
E a rota que devem seguir estava escrita nos ritmos,
Os ritmos perdidos das can√ß√Ķes mortas do marinheiro de sonho…

√Ārvores paradas da quinta, vistas atrav√©s da janela,
√Ārvores estranhas a mim a um ponto inconceb√≠vel √† consci√™ncia de as estar vendo,

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… o quintal existe para voc√™s terem lembran√ßas, n√£o se esque√ßam de fazer um quintal para seus filhos.

Os artistas s√≥ amam na natureza os efeitos de linha e cor; para se interessar pelo bem-estar de uma tulipa, para cuidar de que um craveiro n√£o sofra sede, para sentir magoa de que a geada tenha queimado os primeiros rebent√Ķes das ac√°cias – para isso s√≥ o burgu√™s, o burgu√™s que todas as manh√£s desce ao seu quintal com um chap√©u velho e um regador, e v√™ nas √°rvores e nas plantas uma outra fam√≠lia muda, por que ele √© tamb√©m respons√°vel…

Posfácio à Toca do Lobo

РPai, vem da morte e vamos às perdizes.
Vejo a aurora, que tinge do seu rajo
de dente a dente a Serra de Soajo…
РCiprestes, desatai-o das raízes!

– Este Inverno as perdizes est√£o em barda:
criaram-se as ninhadas sem granizo.
Vamos chumbar dos perdig√Ķes o guizo,
anda matar securas da espingarda.

A tua Holland… O animal de presa…
O azul brunido… Velha e como nova…
Bem a merecias a alegrar-te a cova.
Penou-te de saudades, com certeza.

Aqui a tens. Porque era ver-te, olh√°-la,
sequer um dia que não fosse vê-la.
Olha deluz-se a derradeira estrela,
j√° folga a luz no lustra aqui da sala.

Trinta anos depois, caçar contigo,
e sempre conversando e √† chala√ßa…
Mais que perdizes, hoje, melhor caça
√Č matar fomes do ca√ßar antigo.

Ver-te sorrir à escapatória sonsa
da velha que n√£o viu ¬ęperdiz nem chasco!¬Ľ
E o Lorde a anunci√°-la sob o fasco,
e tu lambendo o cigarrinho de on√ßa…

√ď pai, se n√£o vivias h√° trinta anos,
também há trinta eu não vivia,

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Tive um Cavalo de Cart√£o

Mulher. A tua pele branca foi um verão que quis viver e me foi negado. Um caminho que não me enganou. Enganou-me a luz e os olhos foscos das manhãs revividas. Enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui, a correr pelos campos todo o dia, a medir as searas pelo tamanho dos braços abertos; enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui no teu homem e no teu rosto, no teu filho, nosso. Não há manhãs para reviver, sei-o hoje. Não se podem construir dias novos sobre manhãs que se recordam. Inventei-te talvez, partindo de uma estrela como todas estas. Quis ter uma estrela e dar-lhe as manhãs de julho. As grandes manhãs de julho diante de casa e a minha mãe a acabar o almoço bom e o meu pai a chegar e a ralhar, sem ser a sério, por o almoço não estar pronto e eu sentado na terra, talvez a fazer um barroco, talvez a brincar com o cavalo de cartão. Tive um cavalo de cartão. Nunca te contei, pouco te contei, mas tive um cavalo de cartão. Brincava com ele e era bonito. Gostava muito dele. Tanto. Tanto. Tanto. Quando o meu pai mo trouxe,

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Tornaram a fechar portas e janelas para n√£o demorarem nos tr√Ęmites de desnudamento, e andavam pela casa como Remedios, a bela, sempre quis estar, e se espojavam em p√™lo nos barreiros do quintal, e uma tarde por pouco n√£o se afogaram quando se amavam na caixa-d’√°gua.

Poema dum Funcion√°rio Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as m√£os
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita

estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos,
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só

Sou um funcion√°rio apagado
um funcion√°rio triste
a minha alma n√£o acompanha a minha m√£o
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma n√£o dan√ßa com os n√ļmeros tento escond√™-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcion√°rio cansado dum dia exemplar
Porque n√£o me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irm√£o beijo namorada
m√£e estrela m√ļsica

S√£o as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na pris√£o da minha vida
isto todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só

Chaplin é um homem cujos talentos são tão grandes que você tem que apostar. Em primeiro lugar a comédia é o seu quintal. Ele é um gênio, um gênio cinematográfico. Um comediante de talento sem igual.

Na Tua Voz, Irm√£o

Estavam sentados e n√£o falavam. Cada um olhava para um lado que n√£o via. Atr√°s dos rostos tristes, cismavam. Pensando, Mois√©s dizia palavras ao irm√£o, esperan√ßado de que ele as ouvisse; no pensamento, dizia ser√° um instante e trar√° a solid√£o. Pela primeira vez, gritaremos o nome um do outro. J√° reparaste?, nunca precis√°mos de nos chamar. N√£o sei como √© o meu nome na tua voz. Na tua voz, irm√£o, irm√£o. N√£o sei como √© o teu nome na minha voz. Pela primeira vez, gritaremos o nome um do outro, e o desespero ser√° a antec√Ęmara de uma dor triste a que nos habituaremos, como se habitua um homem sem cora√ß√£o ao espa√ßo negro no peito. Viveste sempre na minha vida, e eu estive sempre contigo quando sorriste. Hoje, a solid√£o. Desapareceremos um do outro, deixaremos de ser n√≥s para sermos s√≥ tu e s√≥ eu. Mas n√£o esqueceremos. E lembrarmo-nos ser√° o maior sofrimento, recordarmos o que fomos onde estivermos e n√£o podermos ser mais nada nesse dia. Lembrarmo-nos de quando acord√°vamos e olh√°vamos um para o outro, pois t√≠nhamos acordado ao mesmo tempo e t√≠nhamos ao mesmo tempo pensado em ver-nos. Lembrarmo-nos de falar na nossa maneira de falar,

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Elegia

Vae em seis mezes que deixei a minha terra
E tu ficaste l√°, mettida n’uma serra,
Boa velhinha! que eras mais uma crian√ßa…
Mas, t√£o longe de ti, n’este Payz de Fran√ßa,
Onde mal viste, ent√£o, que eu viesse parar,
Vejo-te, quanta vez! por esta sala a andar…
Bates. Entreabres de mansinho a minha porta.
Vir√°s tratar de mim, ainda depois de morta?
Vens de tão longe! E fazes, só, essa jornada!
Ajuda-te o bord√£o que te empresta uma fada.
Altas horas, emquanto o bom coveiro dorme,
Escapas-te√£da cova e vens, Bondade enorme!
Atravez do Mar√£o que a lua-cheia banha,
Atravessas, sorrindo, a mysteriosa Hespanha,
Perguntas ao pastor que anda guardando o gado,
(E as fontes cantam e o c√©u √© todo estrellado…)
Para que banda fica a França, e elle, a apontar,
Diz: ¬ęV√° seguindo sempre a minha estrella, no Ar!¬Ľ
E ha-de ficar scismando, ao ver-te assim, velhinha,
Que √©s tu a Virgem disfar√ßada em probrezinha…
Mas tu, sorrindo sempre, olhando sempre os céus,
Deixando atraz de ti, os negros Pyrineus,
Sob os quaes rola a humanidade,

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Pai

Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O c√©u desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Transl√ļcida, adormece um sono c√°lido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo regras certas, regavas as √°rvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda c√° ver, rapaz. E mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na m√°goa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto √© agora pouco para te conter. Agora, √©s o rio e as margens e a nascente; √©s o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; √©s o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as √°rvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim.

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arte poética

o poema n√£o tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que n√£o
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,

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Mudar o Governo

N√£o se pode governar um pa√≠s como se a pol√≠tica fosse um quintal e a economia fosse um bazar. Ao avaliar um regime de governa√ß√£o precisamos, no entanto, de ir mais fundo e saber se as quest√Ķes n√£o prov√™m do regime mas do sistema e a cultura que esse sistema vai gerando. Pode-se mudar o governo e tudo continuar√° igual se mantivermos intacto o sistema de fazer economia, o sistema que administra os recursos da nossa sociedade. N√≥s temos hoje gente com dinheiro. Isso em si mesmo n√£o √© mau. Mas esses endinheirados n√£o s√£o ricos. Ser rico √© outra coisa. Ser rico √© produzir emprego. Ser rico √© produzir riqueza. Os nossos novos-ricos s√£o quase sempre predadores, vivem da venda e revenda de recursos nacionais.

Afinal, culpar o governo ou o sistema e ficar apenas por a√≠ √© f√°cil. Algu√©m dizia que ¬ęgovernar √© t√£o f√°cil que todos o sabem fazer at√© ao dia em que s√£o governo¬Ľ. A verdade √© que muitos dos problemas que n√≥s vivemos resultam da falta de resposta nossa como cidad√£os activos. Resulta de apenas reagirmos no limite quando n√£o h√° outra resposta sen√£o a viol√™ncia cega. Grande parte dos problemas resulta de ficarmos calados quando podemos pensar e falar.

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R√ļstica

Da casinha, em que vive, o reboco alvacento
Reflete o ribeir√£o na √°gua clara e sonora.
Este é o ninho feliz e obscuro em que ela mora;
Além, o seu quintal, este, o seu aposento.

Vem do campo, a correr; e √ļmida do relento,
Toda ela, fresca do ar, tanto aroma evapora
Que parece trazer consigo, l√° de fora,
Na desordem da roupa e do cabelo, o vento…

E senta-se. Comp√Ķe as roupas. Olha em torno
Com seus olhos azuis onde a inocência bóia;
Nessa meia penumbra e nesse ambiente morno,

Pegando da costura à luz da clarabóia,
P√Ķe na ponta do dedo em feitio de adorno,
O seu lindo dedal com pretensão de jóia.

Purinha

O Espirito, a Nuvem, a Sombra, a Chymera,
Que (aonde ainda n√£o sei) neste mundo me espera
Aquella que, um dia, mais leve que a bruma,
Toda cheia de véus, como uma Espuma,
O Sr. Padre me dar√° p’ra mim
E a seus pés me dirá, toda corada: Sim!
Ha-de ser alta como a Torre de David,
Magrinha como um choupo onde se enlaça a vide
E seu cabello em cachos, cachos d’uvas,
E negro como a capa das viuvas…
(√Ā maneira o trar√° das virgens de Belem
Que a Nossa Senhora ficava t√£o bem!)
E ser√° uma espada a sua m√£o,
E branca como a neve do Mar√£o,
E seus dedos ser√£o como punhaes,
Fuzos de prata onde fiarei meus ais!
E os seus seios ser√£o como dois ninhos,
E seus sonhos ser√£o os passarinhos,
E ser√° sua bocca uma rom√£,
Seus olhos duas Estrellinhas da Manh√£!
Seu corpo ligeiro, t√£o leve, t√£o leve,
Como um sonho, como a neve,
Que hei-de suppor estar a ver, ao vel-a,
Cabrinhas montezas da Serra da Estrella…
E ha-de ser natural como as hervas dos montes
E as rolas das serras e as agoas das fontes…

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Pétala Dobrada para Trás da Rosa

Pétala dobrada para trás da rosa que outros dizem de veludo.
Apanho-te do ch√£o e, de perto, contemplo-te de longe.

N√£o h√° rosas no meu quintal: que vento te trouxe?
Mas chego de longe de repente. Estive doente um momento.
Nenhum vento te trouxe agora.
Agora est√°s aqui.
O que foste não és tu, se não toda a rosa estava aqui.