Passagens sobre Ressentimento

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Frases sobre ressentimento, poemas sobre ressentimento e outras passagens sobre ressentimento para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O bom humor é essencial, o que nos salva. No minuto em que surge, toda nossa irritação e ressentimento somem, cedendo lugar a um espírito radiante.

Quando nos sentimos amea√ßados, a inveja, a cobi√ßa ou o ressentimento que nos movem se tornam santificados, pois nos convencemos de estar agindo em defesa pr√≥pria…

Aprendi que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.

Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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Perguntemo-nos quem √© propriamente ‘mau’, no sentido da moral do ressentimento. A resposta, com todo o rigor: precisamente o ‘bom’ da outra moral.

Toda mulher bonita leva em si, como uma les√£o da alma, o ressentimento. √Č uma ressentida contra si mesma.

O Mundo dos Solteiros

Agora a s√©rio: voc√™ conhece algum solteiro verdadeiramente satisfeito com a sua condi√ß√£o de solteiro? Eu n√£o. Conhe√ßo v√°rios solteiros que se dizem satisfeitos com a sua condi√ß√£o de solteiros, mas que de bom grado imediatamente se casariam. N√£o se casam por in√©rcia, por cobardia, muitas vezes por falta de sorte – mas √© por uma vida a dois que suspiram. √Č da natureza humana. Uma coisa √© estar entre casamentos. Outra √© ser solteiro. E o solteiro cool √© uma constru√ß√£o t√£o artificial como o da gordinha ¬ęmuito¬Ľ simp√°tica. Voc√™ conhece alguma gordinha ¬ęmuito¬Ľ simp√°tica em que essa t√£o √≥bvia simpatia n√£o seja excessiva, provavelmente fabricada – e mensageira sobretudo de uma profunda solid√£o? Eu n√£o.

(…) √Č um mundo sombrio, o mundo dos solteiros – um mundo de ansiedades, de cinismo, de ressentimento, de ego√≠smo. Se os solteiros solit√°rios s√£o tristes, ali√°s, os solteiros greg√°rios s√£o-no ainda mais. Voc√™ j√° foi a algum jantar em que os presentes fossem maioritariamente solteiros? Eu j√°. E, sempre que fui, voltei deprimido. Ia deprimido – e deprimido voltei. √ćamos deprimidos – e deprimidos volt√°mos. Todos. Fizemos o que pudemos, claro: troc√°mos palavras, troc√°mos solidariedades, troc√°mos mimos. No fim, nada.

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Seguimos a Multid√£o

Nos nossos contactos quotidianos seguimos a multid√£o, deixamo-nos levar por esperan√ßas e temores subalternos, tornamo-nos v√≠timas das nossas pr√≥prias t√©cnicas e implementos, e desusamos o acesso que temos ao or√°culo divino. √Č apenas enquanto a alma dorme que nos servimos dos pr√©stimos de tantas maquinarias e muletas engenhosas. De que servem os tel√©grafos? Qual a utilidade dos jornais? O homem s√°bio n√£o aguarda os correios nem precisa ler telegramas para descobrir como se sentem os homens no Kansas ou na Calif√≥rnia durante uma crise social. Ele ausculta o seu pr√≥prio cora√ß√£o. Se eles s√£o feitos como ele √©, se respiram o mesmo ar e comem o mesmo trigo, se t√™m mulheres e filhos, ele sabe que a sua alegria e ressentimento atingem o mesmo ponto que o seu. A alma √≠ntegra est√° em perp√©tua comunica√ß√£o telegr√°fica com a fonte dos acontecimentos, disp√Ķe de informa√ß√£o antecipada, qual despacho particular, que a exime e alivia do terror que oprime o restante da comunidade.

Feliz aquele que atravessou a vida ajudando o seu semelhante, que n√£o conheceu o medo e se manteve alheio √† agressividade e ao ressentimento! √Č dessa madeira que s√£o esculpidas as figuras ideais, que consolam a Humanidade nas situa√ß√Ķes de sofrimento que ela pr√≥pria criou.

Nada nos Faz Acreditar Mais do que o Medo

Nada nos faz acreditar mais do que o medo, a certeza de estarmos amea√ßados. Quando nos sentimos v√≠timas, todas as nossas ac√ß√Ķes e cren√ßas s√£o legitimadas, por mais question√°veis que sejam. Os nossos opositores, ou simplesmente os nossos vizinhos, deixam de estar ao nosso n√≠vel e transformam-se em inimigos. Deixamos de ser agressores para nos convertermos em defensores. A inveja, a cobi√ßa ou o ressentimento que nos movem ficam santificados, porque pensamos que agimos em defesa pr√≥pria. O mal, a amea√ßa, est√° sempre no outro. O primeiro passo para acreditar apaixonadamente √© o medo. O medo de perdermos a nossa identidade, a nossa vida, a nossa condi√ß√£o ou as nossas cren√ßas. O medo √© a p√≥lvora e o √≥dio o rastilho. O dogma, em √ļltima inst√Ęncia, √© apenas um f√≥sforo aceso.

Ser Marginal

Ser marginal. N√£o ser fora-da-lei por desprezo da norma comum. Por amoralidade, miserabilismo, ou abjec√ß√£o. Ser apenas do lado da vida em que n√£o passa muita gente, se √© quase an√≥nimo, fora do alvo que √© visado pela notoriedade, curiosidade p√ļblica, grande reputa√ß√£o. Ser em humildade, na discri√ß√£o de n√≥s, na curta dimens√£o de n√≥s. N√£o √© por comodismo, orgulhosa mod√©stia, ressentimento. N√£o por nada disso ou outras coisas disso, mas s√≥ para nos n√£o perdermos de n√≥s, n√£o nos esbanjarmos na invas√£o da dissipa√ß√£o alheia. N√£o por nada disso mas s√≥ pela economia do pouco que nos pertence e mal d√° para abastecer uma vida. Ser marginal – s√™ marginal. Afecta a ti pr√≥prio o espa√ßo que √© para ti e para ti te foi dado. Na intimidade de ti, na reserva de ti, na pobreza de ti. O mais que viesse e te invadisse o teu espa√ßo, que √© que te dava? A amplia√ß√£o do teu rumor na amplifica√ß√£o alheia dele, seria alheio e n√£o teu. A tua voz √© breve, n√£o a amplies ao que n√£o √©. E o teu pensar, o teu sentir, o teu ser. N√£o os sejas mais do que √©s. E ent√£o verdadeiramente ser√°s.

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O Inseguro

A eterna can√ß√£o: Que fiz durante o ano, que deixei de fazer, por que perdi tanto tempo cuidando de aproveit√°-lo? Ah, se eu tivesse sido menos apressado! Se parasse meia hora por dia para n√£o fazer absolutamente nada ‚ÄĒ quer dizer, para sentir que n√£o estava fazendo coisas de programa, sem cor nem sabor. A√≠, a fantasia galopava, e eu me reencontraria como gostava de ser; como seria, se eu me deixasse…
Não culpo os outros. Os outros fazem comigo o que eu consinto que eles façam, dispersando-me. Aquilo que eu lhes peço para fazerem: não me deixarem ser eu-um. Nem foi preciso rogar-lhes de boca. Adivinharam. Claro que eu queria é sair com eles por aí, fugindo de mim como se foge de um chato. Mas não foi essa a dissipação maior. No trabalho é que me perdi completamente de mim, tornando-me meu próprio computador. Sem deixar faixa livre para nenhum ato gratuito. Na programação implacável, só omiti um dado: a vida.

Que sentimento tive da vida, este ano? Que escava√ß√£o tentei em suas jazidas? A que profundidade cheguei? Substitu√≠ a no√ß√£o de profundidade pela de altura. N√£o quis saber de minera√ß√Ķes. Cravei os olhos no espa√ßo,

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A Ira n√£o Escolhe Idade nem Estatuto Social

A ira n√£o escolhe idade nem estatuto social. Algumas pessoas, gra√ßas √† sua indig√™ncia, n√£o conhecem a lux√ļria; outros, porque t√™m uma vida movimentada e errante, escapam √† pregui√ßa; aqueles que t√™m modos rudes e uma vida r√ļstica desconhecem as pris√Ķes, as fraudes e todos os males da cidade: mas ningu√©m est√° livre da ira, t√£o poderosa entre os Gregos como entre os b√°rbaros, t√£o funesta entre aqueles que temem as leis como entre aqueles que se regem pela lei da for√ßa. Assim, se outras afec√ß√Ķes atacam os indiv√≠duos, a ira √© a √ļnica afec√ß√£o que, por vezes, se apodera de um povo inteiro. Nunca um povo inteiro ardeu de amor por uma mulher, nem uma cidade inteira depositou toda a sua esperan√ßa no dinheiro e no lucro; a ambi√ß√£o apossa-se de indiv√≠duos, a imodera√ß√£o n√£o √© um mal p√ļblico.
Por vezes, uma multid√£o inteira √© conduzida √† ira: homens e mulheres, velhos e novos, os principais cidad√£os e o vulgo s√£o un√Ęnimes, e toda a multid√£o agitada por algumas palavras sobrep√Ķe-se ao pr√≥prio agitador: corre a pegar em armas e tochas e declara guerra ao seu vizinho e f√°-la contra os seus concidad√£os; casas inteiras s√£o queimadas com toda a fam√≠lia e aquele cuja eloqu√™ncia lhe granjeara muitos benef√≠cios √© eliminado pela ira que as suas palavras geraram;

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As Mulheres Sempre Foram Mais Minuciosas na Vingança

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As mulheres sempre foram mais
minuciosas na vingan√ßa ‚ÄĒ disse Bloom. Folheiam-na
sem saltar uma p√°gina. E tratam das unhas
antes de pegar no machado.
Pelo contr√°rio, um homem com raiva
e ressentimento é atabalhoado, desastrado,
incapaz de encontrar a pron√ļncia perfeita da viol√™ncia,

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como se pegasse em ferramentas
despropositadas: a charrua
para arrancar uma flor,
o martelo para ver mais perto.

Gonçalo M.

H√° demasiadas pessoas no mundo a partilharem uma cama e um n√ļmero incont√°vel de ressentimentos. H√° demasiadas pessoas no mundo a mentirem a si pr√≥prias e a discutirem √† frente dos filhos.

Os poderosos devem saber que à sombra deles cresce inevitavelmente, mais perigoso que a inveja, o ressentimento daqueles mesmos que vivem dos seus favores.