Cita√ß√Ķes sobre Virgindade

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Frases sobre virgindade, poemas sobre virgindade e outras cita√ß√Ķes sobre virgindade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Encarnação

Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais, sejam carnais tantos anseios,
Palpita√ß√Ķes e fr√™mitos e enleios,
Das harpas da emo√ß√£o tantos arpejos…

Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
A noite, ao luar, intumescer os seios
L√°cteos, de finos e azulados veios
De virgindade, de pudor, de pejos…

Sejam carnais todos os sonhos brumos
De estranhos, vagos, estrelados rumos
Onde as Vis√Ķes do amor dormem geladas…

Sonhos, palpita√ß√Ķes, desejos e √Ęnsias
Formem, com claridades e fragr√Ęncias,
A encarnação das lívidas Amadas!

À Morte Peço a Paz Farto de Tudo

À morte peço a paz farto de tudo,
de ver talento a mendigar o p√£o,
e o oco abonitado e farfalhudo,
e a pura fé rasgada na traição,

e galas de ouro es despejados bustos,
e a virgindade à bruta rebentada,
e em justa perfeição tratos injustos,
e o valor da inépcia valer nada,

e autoridade na arte p√īr morda√ßa,
e pedantes a engenho dando lei,
e a verdade por lorpa como passa,

e no cativo bem o mal ser rei.
Farto disto, n√£o deixo o meu caminho,
pois se eu morrer, é o meu amor sozinho.

Carnal E Místico

Pelas regi√Ķes tenu√≠ssimas da bruma
Vagam as Virgens e as Estrelas raras…
Como que o leve aroma das searas
Todo o horizonte em derredor perfume.

N’uma evapora√ß√£o de branca espuma
V√£o diluindo as perspectives claras…
Com brilhos crus e f√ļlgidos de tiaras
As Estrelas apagam-se uma a uma.

E então, na treva, em místicas dormências
Desfila, com sidéreas lactescências,
Das Virgens o son√Ęmbulo cortejo…

√ď Formas vagas, nebulosidades!
Essência das eternas virgindades!
√ď intensas quimeras do Desejo…

Hábito e Inércia

Ao princípio, somos carne animada pela alma; a meio caminho, meias máquinas; perto do fim, autómatos rígidos e gelados como cadáveres. Quando a morte chega, encontramo-nos em tudo semelhantes aos mortos. Esta petrificação progressiva é obra do hábito.
O hábito torna-nos cegos às maravilhas do mundo Рindiferentes e inconscientes perante os milagres quotidianos -, embota a força dos sentidos e dos sentimentos Рtorna-nos escravos dos costumes, mesmo tristes e culpados: suprime a vista, espanto, fogo e liberdade. Escravos, frígidos, insensatos, cegos: tudo propriedade dos cadáveres. A subjugação aos hábitos é uma subjugação da morte; um suicídio gradual do espírito.
O h√°bito suprime as cores, incrusta, esconde: partes da nossa vida afundam-se gradualmente na inconsci√™ncia e deixam de ser vida para se tornarem pe√ßas de um mecanismo imprevisto. O c√≠rculo do espont√Ęneo reduz-se; a liberdade e novidade decaem na monotonia do vulgar.
√Č como se o sangue se tornasse, a pouco e pouco, s√≥lido como os ossos e a alma um sistema de correias e rodas. A mat√©ria n√£o passa de esp√≠rito petrificado pelos h√°bitos. Nasce-se esp√≠rito e mat√©ria e termina-se apenas como mat√©ria. A casca converteu em madeira a pr√≥pria linfa.
A casca é necessária para proteger o albume,

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Erguer-me de sob a montanha de tudo quanto o meu tempo acumulou e descobrir a virgindade do sentir. √Č a primeira rela√ß√£o com os outros e com o mundo, antes de a raz√£o a engaiolar.

Vivemos numa Paz de Animais Domésticos

Uma cobra de água numa poça do choupal, a gozar o resto destes calores, e umas meninas histéricas aos gritinhos, cheias de saber que o bicho era tão inofensivo como uma folha.
Por fidelidade a um mandato profundo, o nosso instinto, diante de certos factos, ainda quer reagir. Mas logo a raz√£o acode, e o uivo do plasma acaba num cacarejo convencional. Todos os tratados e todos os preceptores nos explicaram j√° quantas esp√©cies de of√≠dios existem e o soro que neutraliza a mordedura de cada um. Herdamos um mundo j√° quase decifrado, e sabemos de cor as ervas que n√£o devemos comer e as feras que nos n√£o podem devorar. Vivemos numa paz de animais dom√©sticos, vacinados, com os dentes caninos a trincar past√©is de nata, tendo aos p√©s, submissos, os antigos pesadelos da nossa ignor√Ęncia. Passamos pela terra como espectros, indo aos jardins zool√≥gicos e bot√Ęnicos ver, pacata e s√†biamente, em jaulas e canteiros, o que j√° foi perigo e mist√©rio. E, por mais que nos custe, n√£o conseguimos captar a alma do brinquedo esventrado. O homem selvagem, que teve de escolher tudo, de separar o trigo do joio, de mondar dos seus reflexos o que era manso e o que era bravo,

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Amor

A jovem deusa passa
Com véus discretos sobre a virgindade;
Olha e n√£o olha, como a mocidade;
E um jovem deus pressente aquela graça.

Depois, a vide do desejo enlaça
Numa só volta a dupla divindade;
E os jovens deuses abrem-se à verdade,
Sedentos de beber na mesma taça.

√Č um vinho amargo que lhes cresta a boca;
Um cond√£o vago que os desperta e toca
De humana e dolorosa consciência.

E abraçam-se de novo, já sem asas.
Homens apenas. Vivos como brasas,
A queimar o que resta da inocência.

Vendo-a Sorrir

(A minha filha)

Filha, quando sorris, iluminas a casa
Dum celeste esplendor.
A alegria √© na inf√Ęncia o que na ave √© asa
E perfume na flor.

√ď doirada alegria, √≥ virgindade santa
Do sorriso infantil!
Quando o teu l√°bio ri, filha, a minha alma canta
Todo o poema de Abril.

Ao ver esse sorriso, ó filha, se concentro
Em ti o meu olhar,
Engolfa-se-me o céu azul pela alma dentro
Com pombas a voar.

Sou o Sol que agoniza, e tu, meu anjo loiro,
√Čs o Sol que se eleva.
Inunda-me de luz, sorri, polvilha de oiro
O meu manto de treva!

Cristais

Mais claro e fino do que as finas pratas
O som da tua voz deliciava…
Na dolência velada das sonatas
Como um perfume a tudo perfumava.

Era um som feito luz, eram volatas
Em l√Ęnguida espiral que iluminava,
Brancas sonoridades de cascatas…
Tanta harmonia melancolizava.

Filtros sutis de melodias, de ondas
De cantos volutuosos como rondas
De silfos leves, sensuais, lascivos…

Como que anseios invisíveis, mudos,
Da brancura das sedas e veludos,
Das virgindades, dos pudores vivos.

Espasmos

Alma das gera√ß√Ķes, alma lend√°ria
Que tens tanto de Hamlet, tanto de Ofélia,
A candidez da rórida camélia
E as l√°grimas da Sede heredit√°ria.

Alma dormente, tumultuosa, v√°ria,
Acorde de harpa misteriosa e célia,
Virgindade selvagem de bromélia,
Alma do Eleito, do Plebeu, do P√°ria.

√Čs a chama do Amor, negro-vermelha,
De onde rompeu a f√ļlgida centelha
Que a Flor de fogo fez gerar no Dante.

Com teus espasmos e delicadezas,
Nervosas e secretas sutilezas
Enches todo este Abismo soluçante!

A Promiscuidade Tira a Vontade

O que √© a experi√™ncia? Nada. √Č o n√ļmero dos donos que se teve. Cada amante √© uma coronhada. S√£o mais mil no conta-quil√≥metros. A experi√™ncia √© uma coisa que amarga e atrapalha. N√£o √© um motivo de orgulho. √Č uma coisa que se desculpa. A experi√™ncia √© um erro repetido e re-repetido at√© √† exaust√£o. Se √© dif√≠cil amar um enganador, mais dif√≠cil ainda √© amar um enganado.
Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem ¬ęexperiente¬Ľ. O n√ļmero de amantes anteriores √© uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ci√ļme. O pudor que se exige √†s mulheres n√£o √© um conceito ultrapassado ‚ÄĒ √© uma excelente ideia. S√≥ que tamb√©m se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo √© uma coisa trivial. √Č por isso que temos de torn√°-lo especial. Ir para a cama com toda a gente √© pouco higi√©nico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E s√≥ se libertam quando vale a pena. A castidade √© que √© ¬ęsexy¬Ľ. Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.
Uma mulher gosta de conquistar n√£o o homem que j√° todas conquistaram,

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Flor da Mocidade

Eu conheço a mais bela flor;
√Čs tu, rosa da mocidade,
Nascida, aberta para o amor.
Eu conheço a mais bela flor.
Tem do céu a serena cor,
E o perfume da virgindade.
Eu conheço a mais bela flor,
√Čs tu, rosa da mocidade.

Vive às vezes na solidão,
Coma * filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta m√£o;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furac√£o
Suas folhas de azul celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.

Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta j√° nada val.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno.

Alma Mater

Alma da Dor, do Amor e da Bondade,
Alma purificada no Infinito,
Perdão santo de tudo o que é maldito,
Harpa consoladora da Saudade!

Das estrelas serena virgindade,
Alma sem um soluço e sem um grito,
Da alta Resignação, da alta Piedade!
Tu, que as profundas l√°grimas estancas

E sabes levantar Imagens brancas
No silencio e na sombra mais velada…

Derrama os lírios, os teus lírios castos,
Em Jord√Ķes imortais, vastos e vastos,
No fundo da minh’alma lacerada!