Cita√ß√Ķes sobre Abrigo

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Frases sobre abrigo, poemas sobre abrigo e outras cita√ß√Ķes sobre abrigo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Felicidade é tão Cansativa como a Infelicidade

Toda a gente tem o seu m√©todo de interpretar a seu favor o balan√ßo das suas impress√Ķes, para que da√≠ resulte de algum modo aquele m√≠nimo de prazer necess√°rio √†s suas exist√™ncias quotidianas, o suficiente em tempos de normalidade. O prazer da vida de cada um pode ser tamb√©m constitu√≠do por desprazer, essas diferen√ßas de ordem material n√£o t√™m import√Ęncia; sabemos que existem tantos melanc√≥licos felizes como marchas f√ļnebres, que pairam t√£o suavemente no elemento que lhes √© pr√≥prio como uma dan√ßa no seu. Talvez tamb√©m se possa afirmar, ao contr√°rio, que muitas pessoas alegres de modo nenhum s√£o mais felizes do que as tristes, porque a felicidade √© t√£o cansativa como a infelicidade; mais ou menos como voar, segundo o princ√≠pio do mais leve ou mais pesado do que o ar. Mas haveria ainda uma outra objec√ß√£o: n√£o ter√° raz√£o aquela velha sabedoria dos ricos segundo a qual os pobres n√£o t√™m nada a invejar-lhes, j√° que √© pura fantasia a ideia de que o seu dinheiro os torna mais felizes? Isso s√≥ lhes imporia a obriga√ß√£o de encontrar um sistema de vida diferente do seu, cujo or√ßamento, em termos de prazer, fecharia apenas com um m√≠nimo excedente de felicidade,

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A Vida Grata

Feliz aquele a quem a vida grata
Concedeu que dos deuses se lembrasse
E visse como eles
Estas terrenas coisas onde mora
Um reflexo mortal da imortal vida.
Feliz, que quando a hora tribut√°ria
Transpor seu √°trio por que a Parca corte
O fio fiado até ao fim,
Gozar poderá o alto prémio
De errar no Averno grato abrigo
Da convivência.

Mas aquele que quer Cristo antepor
Aos mais antigos Deuses que no Olimpo
Seguiram a Saturno ‚ÄĒ
O seu blasfemo ser abandonado
Na fria expia√ß√£o ‚ÄĒ at√© que os Deuses
De quem se esqueceu deles se recordem ‚ÄĒ
Erra, sombra inquieta, incertamente,
Nem a vi√ļva lhe p√Ķe na boca
O óbolo a Caronte grato,
E sobre o seu corpo insepulto
N√£o deita terra o viandante.

√Č melhor confiar no apoio dado livremente pelas pessoas; de contr√°rio, esse apoio √© fraco e fugaz. A organiza√ß√£o deve ser um porto de abrigo, n√£o uma pris√£o.

Ao P√© Do T√ļmulo

Aos meus

Eis o descanso eterno, o doce abrigo
Das almas tristes e despedaçadas;
Eis o repouso, enfim; e o sono amigo
J√° vem cerrar-me as p√°lpebras cansadas.

Amarguras da terra! eu me desligo
Para sempre de v√≥s… Almas amadas
Que soluças por mim, eu vos bendigo,
√ď almas de minh’alma aben√ßoadas.

Quando eu d’aqui me for, anjos da guarda,
Quando vier a morte que n√£o tarda
Roubar-me a vida para nunca mais…

Em pranto escrevam sobre a minha lousa:
“Longe da m√°goa, enfim, no c√©u repousa
Quem sofreu muito e quem amou demais”.

Fim do Dia

Aquieta-se o silêncio na folhagem,
que em √°rvores teceu amor antigo;
sobressalto transposto da viagem
que o dia rumoroso fez consigo.

O coração, que é sombra na paisagem,
dá às palavras vãs outro sentido;
e √© murm√ļrio desfeito na aragem,
que do entardecer recolhe abrigo.

Ares assim se fazem de uma luz
que torna como baço o sol poente;
e o coração à estrema se reduz,
como o dia se volve mais ausente.

Recolhem-se as palavras no vagar
que dia nem fulgor nos podem dar.

Sombras

A meio desta vida continua a ser
difícil, tão difícil
atravessar o medo, olhar de frente
a cegueira dos rostos debitando
palavras destinadas a morrer
no lume impaciente de outras bocas
anunciando o mel ou o vinho ou
o fel.

Calmamente sentado num sof√°,
começas a entender, de vez em quando,
os condenados a prisão perpétua
entre as quatro paredes do espírito
e um esquife negro onde v√£o desfilando
imagens, só imagens
de canal em canal, sintonizadas
com toda a ang√ļstia e estupidez do mundo.

As pessoas – tu sabes – as pessoas s√£o feitas
de vento
e deixam-se arrastar pela mais bela
respiração das sombras,
pela morte que repete os mesmos gestos
quando o crep√ļsculo fica a s√≥s connosco
e a noite se redime com uma estrela
a prometer salvar-nos.

A meio desta vida os versos abrem
paisagens virtuais onde se perdem
as inten√ß√Ķes que alguma vez tivemos,
o recorte obscuro de perfis
desenhados a fogo h√° muitos anos
numa alma forrada de espelhos
mas sempre t√£o vazia,

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Anima Mea

√ď minh’alma, √≥ minh’alma, √≥ meu Abrigo,
Meu sol e minha sombra peregrina,
Luz imortal que os mundos ilumina
Do velho Sonho, meu fiel Amigo!

Estrada ideal de S√£o Tiago, antigo
Templo da minha fé casta e divina,
De onde é que vem toda esta mágoa fina
Que é, no entanto, consolo e que eu bendigo?

De onde é que vem tanta esperança vaga,
De onde vem tanto anseio que me alaga,
Tanta diluída e sempiterna mágoa?

Ah! de onde vem toda essa estranha essência
De tanta misteriosa Transcendência
Que estes olhos me dixam rasos de √°gua?!

O Cerimonial das M√£os

M√£e, onde foi que deixaste a outra metade,
a que anunciava o sol na turvação das noites,
a que iluminava a sombra no cerimonial das m√£os?
Em que c√īncavo de rochas buscava abrigo
essa outra metade que eu via projectada
para fora de mim como um sonho evadindo-se
do c√≠rculo de medos em que a f√ļria se jogava?
Eu era gémeo de todos os assombros
e os meus segredos era com essa outra metade
que os partilhava à revelia das bocas
que em surdina me traçavam o destino.
Quanto de mim se perdia nessa metade
que me furtava o riso e me deixava a culpa,
que me feria o ventre e me fustigava a pele?
Quanto de mim me flagelava
sem que eu lhe conhecesse morada ou nome?
Mãe, eu pedia uma trégua ao vento
e um punhal à chuva e com ambos queria
separar de mim a metade incandescente
que à beira dos meus gestos
ganhava altura de nuvem e fulgor de estrela.
M√£e, eu vejo-me outro nesta cama
que guarda os instrumentos liquefeitos da insónia
e sei que n√£o sou eu quem l√° est√°,

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Fado de contas

Eu n√£o quero chegar em casa nunca,
a caminho, no abrigo do teu colo,
sonhando… no balan√ßo do autom√≥vel,
que nos leva a um destino inalcançável.

O tempo pára, o espaço cristaliza-se,
e o carro √© lar, e leito, e colo, e beijo…
No ocaso de teu beijo, eu me infinito
e esqueço da procura em que me perco.

De encontro aos vidros, saltam fachos v√°rios,
como se objetos de desejos vastos,
onde meus gestos não se satisfaçam.

Aproxima-se o instante em que me apeio,
vai a carruagem, dobra a esquina, e sigo
noctívago das horas Рa teus passos.

Tirem-me os Deuses o Amor, Glória e Riqueza

Tirem-me os deuses
Em seu arbítrio
Superior e urdido às escondidas
O Amor, glória e riqueza.

Tirem, mas deixem-me,
Deixem-me apenas
A consci√™ncia l√ļcida e solene
Das coisas e dos seres.

Pouco me importa
Amor ou glória,
A riqueza é um metal, a glória é um eco
E o amor uma sombra.

Mas a concisa
Atenção dada
Às formas e às maneiras dos objetos
Tem abrigo seguro.

Seus fundamentos
S√£o todo o mundo,
Seu amor é o plácido Universo,
Sua riqueza a vida.

A sua glória
√Č a suprema
Certeza da solene e clara posse
Das formas dos objetos.

O resto passa,
E teme a morte.
Só nada teme ou sofre a visão clara
E in√ļtil do Universo.

Essa a si basta,
Nada deseja
Salvo o orgulho de ver sempre claro
Até deixar de ver.

Para um Grande Espírito Nada há que Seja Grande

Evitai tudo quanto agrade ao vulgo, tudo quanto o acaso proporciona; diante de qualquer bem fortuito parai com desconfian√ßa e receio: tamb√©m a ca√ßa ou o peixe se deixa enganar por esperan√ßas falacciosas. Julgais que se trata de benesses da sorte? S√£o armadilhas! Quem quer que deseje passar a vida em seguran√ßa evite quanto possa estes benef√≠cios escorregadios nos quais, pobres de n√≥s, at√© nisto nos enganamos: ao julgar possu√≠-los, deixamo-nos apanhar! Esta corrida leva-nos para o abismo; a √ļnica sa√≠da para uma vida ¬ęelevada¬Ľ, √© a queda!
E mais: nem sequer poderemos parar quando a fortuna começa a desviar-nos da rota certa, nem ao menos ir a pique, cair instantaneamente: não, a fortuna não nos faz tropeçar, derruba-nos, esmaga-nos.
Prossegui, pois, um estilo de vida correcto e saud√°vel, comprazendo o corpo apenas na medida do indispens√°vel √† boa sa√ļde. Mas h√° que trat√°-lo com dureza, para ele obedecer sem custo ao esp√≠rito: limite-se a comida a matar a fome, a bebida a extinguir a sede, a roupa a afastar o frio, a casa a servir de abrigo contra as intemp√©ries. Que a habita√ß√£o seja feita de ramos ou de pedras coloridas importadas de longe, √© pormenor sem interesse: ficai sabendo que para abrigar um homem t√£o bom √© o colmo como o ouro!

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P√°gina Triste

H√° muita dor por este mundo a fora
Muita lágrima à toa derramada;
Muito pranto de m√£e angustiada
Que vem saudar o despontar da aurora!

Alma inocente só de amor cercada
A criancinha a soluçar descora,
Talvez no berço onde o menino chora
Também, oh Dor, tu queiras, desolada,

Erguer um trono, procurar guarida…
Foge do berço! Não magoes a vida
D’esta ave implume, lirial bot√£o…

Queres um ninho, um carinhoso abrigo?
Pois bem! Procura-o neste seio amigo,
Dentro em minh’alma, aqui no cora√ß√£o!

Jatir E Coema

JATIR

Desprezo-te, Coema, a velha usança
Que entre n√≥s se pratica… desprezaste:
O bem-vindo estrangeiro abandonaste
Que em mole rede o corpo seu descansa.

Desprezo-te, Coema, bem criança
Em meus braços de ferro te criaste
E neles sempre firme abrigo achaste
Mas pede a tua ação pronta vingança.

COEMA

Senhor das matas, meu Jatir valente,
Tu desconheces este amor ardente,
Choro embalde a teus pés mísera louca!

Afoga-me em teus braços musculosos.
Antes isso, que os beijos asquerosos
Do bem-vindo estrangeiro em minha boca!

IX

Pouco importa, formosa Daliana,
Que fugindo de ouvir me, o fuso tomes;
Se quanto mais me afliges, e consomes,
Tanto te adoro mais, bela serrana.

Ou j√° fujas do abrigo da cabana,
Ou sobre os altos montes mais te assomes,
Faremos imortais os nossos nomes,
Eu por ser firme, tu por ser tirana.

Um obséquio, que foi de amor rendido,
Bem pode ser, pastora, desprezado;
Mas nunca se ver√° desvanecido:

Sim, que para lisonja do cuidado,
Testemunhas ser√£o de meu gemido
Este monte, este vale, aquele prado.

Quem ama a áurea moderação,
seguramente não sente falta da desolação do vil abrigo,
nem do esplendor frugal do pal√°cio invejado.

Dizem os S√°bios

Dizem os s√°bios que j√° nada ignoram
Que alma, √© um mito!…
Eles que há muito, em vão, dos céus exploram
O almo infinito…
Eles, que nunca achavam no ente humano
Mais que esta face
De ser finito, org√Ęnico, o gusano
Que morre e nasce,
Fundam-se na raz√£o.
E a raz√£o erra!…

Quem da lagarta a rastejar na terra
Pode supor,
Sonhar sequer, que um dia h√°-de nascer
A borboleta, aquela alada flor
Matiz dos céus?
S√°bios, achai em v√£o o pode ser
Saber… s√≥ Deus.

O homem rasteja, semelhante ao verme
Por que n√£o h√°-de a paz da sepultura
– Quanto labor sob a aparente calma!
Servir d’abrigo √†quele ser inerme,
De que há-de um dia após tarefa oscura
Surgir vivaz, alada e flor, a Alma.

O Seu Nome

I

Ella n√£o sabe a luz suave e pura
Que derrama n’uma alma acostumada
A não vêr nunca a luz da madrugada
Vir raiando sen√£o com amargura!

N√£o sabe a avidez com que a procura
Ver esta vista, de chorar cançada,
A ella… unica nuvem prateada,
Unica estrella d’esta noite escura!

E mil annos que leve a Providencia
A dar-me este degredo por cumprido,
Por acabada j√° t√£o longa ausencia,

Ainda n’esse instante appetecido
Ser√° meu pensamento essa existencia…
E o seu nome, o meu ultimo gemido

II

Oh! o seu nome
Como eu o digo
E me consola!
Nem uma esmola
Dada ao mendigo
Morto de fome!

N’um mar de d√īres
A m√£e que afaga
Fiel retrato
De amante ingrato,
Unica paga
Dos seus amores…

Que rota e nua,
Tremulos passos,
Só mostra á gente
A innocente
Que traz nos braços
De rua em rua;

Visto que o laço
Que a prende √° vida
E só aquella
Candida estrella
Que achou cahida
No seu regaço;

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A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

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Setentrional

Talvez j√° te n√£o lembres, triste Helena,
Dos passeios que d√°vamos sozinhos,
À tardinha, naquela terra amena,
No tempo da colheita dos bons vinhos.

Talvez j√° te n√£o lembres, pesarosa,
Da casinha caiada em que moramos,
Nem do adro da ermida silenciosa,
Onde nós tantas vezes conversamos.

Talvez já te esquecesses, ó bonina,
Que viveste no campo só comigo,
Que te osculei a boca purpurina,
E que fui o teu sol e o teu abrigo.

Que fugiste comigo da Babel,
Mulher como n√£o h√° nem na Circ√°ssia,
Que bebemos, nós dois, do mesmo fel,
E regamos com prantos uma ac√°cia.

Talvez j√° te n√£o lembres com desgosto
Daquelas brancas noites de mistério,
Em que a Lua sorria no teu rosto
E nas lajes campais do cemitério.

Talvez j√° se apagassem as miragens
Do tempo em que eu vivia nos teus seios,
Quando as aves cantando entre as ramagens
O teu nome diziam nos gorjeios.

Quando, à brisa outoniça, como um manto,
Os teus cabelos de √Ęmbar, desmanchados,
Se prendiam nas folhas dum acanto,

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