Passagens sobre Acumulação

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Frases sobre acumula√ß√£o, poemas sobre acumula√ß√£o e outras passagens sobre acumula√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Acreditar na medicina seria a suprema loucura se n√£o acreditar nela n√£o fosse uma maior ainda, pois desse acumular de erros, com o tempo, resultaram algumas verdades.

Valoriza-se mais o Ter que o Ser

A primeira fase da domina√ß√£o da economia sobre a vida social levou, na defini√ß√£o de toda a realiza√ß√£o humana, a uma evidente degrada√ß√£o do ser em ter. A fase presente da ocupa√ß√£o total da vida social em busca da acumula√ß√£o de resultados econ√≥micos conduz a uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o ¬ęter¬Ľ efectivo perde o seu prest√≠gio imediato e a sua fun√ß√£o √ļltima. Assim, toda a realidade individual tornou-se social e directamente dependente do poderio social obtido.

(…) O espect√°culo √© o herdeiro de toda a fraqueza do projecto filos√≥fico ocidental, que foi uma compreens√£o da actividade dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade t√©cnica precisa, proveniente deste pensamento. Ele n√£o realiza a filosofia, ele filosofa a realidade. √Č a vida concreta de todos que se degradou em universo especulativo.
A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espectáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espectacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre.

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N√£o sejas t√£o seguro do perd√£o para acumular pecado sobre pecado

N√£o sejas t√£o seguro do perd√£o para acumular pecado sobre pecado.

N√£o Pode Existir Amor Sem Verdadeira Troca

Não te lembras de ter encontrado na vida aquela que se considera um ídolo? Que havia ela de receber do amor? Tudo, até a tua alegria de a encontrares, se torna homenagem para ela. Mas, quanto mais a homenagem custa, mais vale: ela saborearia melhor o teu desespero.
Ela devora sem se alimentar. Ela apodera-se de ti para te queimar à sua honra. Ela é semelhante a um forno crematório. Ela, na sua avareza, enriquece-se de várias capturas, julgando encontrar a alegria nessa acumulação. E não acumula mais do que cinzas. Porque o verdadeiro uso dos teus dons era caminho de um para o outro, e não captura.
Ela ver√° penhores nos teus dons e abster-se-√° de tos conceder em paga. Na falta de arrebatamentos que te satisfariam, a falsa reserva dela far-te-√° ver que a comunh√£o dispensa sinais. √Č marca da impot√™ncia para amar, n√£o eleva√ß√£o do amor. Se o escultor despreza a argila, ter√° de modelar o vento. Se o teu amor despreza os sinais do amor a pretexto de atingir a ess√™ncia, o teu amor n√£o passa de um palavreado. N√£o descuides as felicita√ß√Ķes, nem os presentes, nem os testemunhos.Serias capaz de amar a propriedade,

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Toda a vida das sociedades em que dominam as condi√ß√Ķes modernas de produ√ß√£o aparece como uma imensa acumula√ß√£o de espet√°culos.

Faz-se ciência com os fatos, como se faz uma casa com pedras; mas uma acumulação de fatos não é ciência, assim como um monte de pedras não é uma casa.

O Suicida

Não restará na noite uma só estrela.
N√£o restar√° a noite.
Morrerei e comigo ir√° a soma
Do intoler√°vel universo.
Apagarei medalhas e pir√Ęmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o √ļltimo poente.
Oi√ßo o √ļltimo p√°ssaro.
Lego o nada a ninguém.

O hero√≠smo pode salvar um povo em circunst√Ęncias dif√≠ceis; mas √© apenas a acumula√ß√£o di√°ria de pequenas virtudes que determina a sua grandeza.

Fico Sozinho com o Universo Inteiro

Começa a haver meia-noite, e a haver sossego,
Por toda a parte das coisas sobrepostas,
Os andares v√°rios da acumula√ß√£o da vida…
Calaram o piano no terceiro andar…
N√£o oi√ßo j√° passos no segundo andar…
No r√©s-do-ch√£o o r√°dio est√° em sil√™ncio…

Vai tudo dormir…

Fico sozinho com o universo inteiro.
Não quero ir à janela:
Se eu olhar, que de estrelas!
Que grandes silêncios maiores há no alto!
Que c√©u anticitadino! ‚ÄĒ
Antes, recluso,
Num desejo de n√£o ser recluso,
Escuto ansiosamente os ru√≠dos da rua…
Um autom√≥vel ‚ÄĒ demasiado r√°pido! ‚ÄĒ
Os duplos passos em conversa falam-me…
O som de um port√£o que se fecha brusco d√≥√≠-me…

Vai tudo dormir…

Só eu velo, sonolentamente escutando,
Esperando
Qualquer coisa antes que durma…
Qualquer coisa.

O simples saber é uma acumulação, a filosofia é uma unidade. O saber é racional e igualmente acessível a qualquer inteligência. A filosofia é o modo do pensamento que termina por constituir a essência mesma de um ser humano.

Sem Acção, de Nada Vale a Inteligência

Os conhecimentos ouvem-se, mas para agir a capacidade de audi√ß√£o √© praticamente desprez√°vel. Porque agir √© estar pr√≥ximo das coisas e ouvir √© estar afastado das coisas. Algu√©m que apenas ouve ser√° considerado um intruso no mundo, a Natureza n√£o se sentir√° amea√ßada. Quem ouve poder√° acumular conhecimentos, mas essa acumula√ß√£o n√£o lutar√° com a Natureza. Esta resiste bem √† intelig√™ncia, ao racioc√≠nio e √† mem√≥ria do Homem: todas estas qualidades intelectuais s√£o assuntos que dizem respeito exclusivamente ao mundo da cidade, e o que amea√ßa a Natureza s√£o as ac√ß√Ķes: os momentos em que os humandos abandonam a audi√ß√£o, e mesmo a linguagem do discurso, e passam a querer falar com o tacto: o √ļnico que pode alterar as coisas.
Se os homens, mantendo a sua intelig√™ncia incorrupta, fossem seres im√≥veis, incapazes de qualquer movimento, seriam ainda hoje menos poderosos do que um √ļnico metro quadrado de terra espont√Ęneo. Poderiam possuir um grau de aperfei√ßoamento no pensamento abstracto, matem√°tico e l√≥gico, mas n√£o deixariam de ser uma esp√©cie secund√°ria ao lado das outras: as possuidoras de movimento. Qualquer c√£o mesquinho mijaria nas pernas de um homem inteligente, mas im√≥vel.

Gonçalo M.

A Tua Vida é Agora

Toda a negatividade √© provocada por uma acumula√ß√£o de tempo psicol√≥gico e de recusa do presente. Mal-estar, ansiedade, tens√£o, stress, preocupa√ß√Ķes – todas as formas de medo – s√£o causados por futuro em demasia e insuficiente presen√ßa. Sentimentos de culpa, arrependimento, ressentimento, injusti√ßas, tristeza, amargura e todas as formas de falta de indulg√™ncia s√£o provocados por passado em demasia e insuficiente presen√ßa.
A maioria das pessoas tem dificuldade em acreditar que seja poss√≠vel um estado de consci√™ncia totalmente livre de negatividade. E no entanto √© esse o estado de liberta√ß√£o para o qual todos os ensinamentos espirituais apontam. √Č a promessa de salva√ß√£o, n√£o num futuro ilus√≥rio, mas j√° aqui e agora.

Poder√°s ter dificuldade em admitir que o tempo seja a causa do teu sofrimento ou dos teus problemas. Acreditas que s√£o provocados por situa√ß√Ķes espec√≠ficas na tua vida e, visto de um ponto de vista convencional, isso √© verdade. Mas at√© teres lidado com a disfun√ß√£o b√°sica da mente “que-faz-os-problemas” – o seu apego ao passado e ao futuro e a nega√ß√£o do Agora – os problemas s√£o na verdade permut√°veis. Se todos os teus problemas ou as consideradas causas do sofrimento ou da infelicidade te fossem milagrosamente retirados hoje,

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A Cozinha do Escritor

Aquilo que eu mais amo na escrita √© o devaneio que a precede. A escrita em si, n√£o, n√£o √© muito agrad√°vel. Deve-se materializar o sonho na p√°gina, assim que se saia do devaneio. √Äs vezes penso, como √© que os outros fazem? Como esses outros autores que, como Flaubert o fazia no s√©culo XIX, escrevem e reescrevem, reformulam, reconstruem, e v√£o condensando a partir da primeira vers√£o at√© que n√£o reste finalmente quase nada na vers√£o final do livro? Isso soa-me muito assustador. Pessoalmente, contento-me em fazer as correc√ß√Ķes num primeiro esbo√ßo que se assemelha a um desenho que foi feito de uma vez s√≥. Estas correc√ß√Ķes s√£o numerosas e ligeiras, como uma acumula√ß√£o de actos de microcirurgia. Sim, √© preciso medidas dr√°sticas como faz um cirurgi√£o, ser frio o suficiente com o seu pr√≥prio texto de uma ponta √† outra, corrigindo, suprimindo, enfatizando. √Äs vezes basta riscar algumas palavras numa p√°gina para que tudo mude. Mas √© essa a cozinha do escritor, que √© suficientemente chato para os outros.

Memória Curta

A vida dos povos prova a necessidade de repeti√ß√Ķes que impressionem. Acumula√ß√Ķes de ru√≠nas e torrentes de sangue s√£o, por vezes, necess√°rias para que a alma de uma ra√ßa assimile certas verdades experimentais.
Muitas vezes ela n√£o se aproveita disso durante muito tempo porquanto, em virtude da diminuta dura√ß√£o da mem√≥ria afectiva, as aquisi√ß√Ķes experimentais de uma gera√ß√£o servem pouco para outra.
Todas as na√ß√Ķes verificam, desde as origens do mundo, que a anarquia termina pela ditadura. Mas dessa eterna li√ß√£o elas n√£o tiram qualquer proveito. Repetidos factos mostram que as precau√ß√Ķes s√£o o melhor meio de favorecer a extens√£o de uma cren√ßa religiosa, mas isso n√£o impede que, sem tr√©guas, essas persegui√ß√Ķes continuem. A experi√™ncia ensina ainda que ceder perpetuamente a amea√ßas populares √© condenar-se a tornar imposs√≠vel qualquer governo. Vemos, no entanto, que os pol√≠ticos diariamente olvidam essa evid√™ncia.

Um certo tipo de perfeição só pode ser atingido através de uma acumulação limitada de imperfeição.

Nenhuma arte simula a vida como o cinema. Todavia, n√£o √© uma vida. Tamb√©m n√£o √© propriamente uma arte. Porque √© uma acumula√ß√£o, uma s√≠ntese de todas as artes. O cinema n√£o existia sem a pintura, sem a literatura, sem a dan√ßa, sem a m√ļsica, sem o som, sem a imagem, tudo isto √© um conjunto de todas as artes, de todas sem exce√ß√£o.

O Sentimento dum Ocidental

I

Avé-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
H√° tal soturnidade, h√° tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O g√°s extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposi√ß√Ķes, pa√≠ses:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edifica√ß√Ķes somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquet√£o ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueir√Ķes, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Cam√Ķes no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu n√£o verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

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Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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Encaminhamo-nos para uma Grave Crise

A situa√ß√£o econ√≥mica tem-se agravado e tender√° a agravar-se. Tendo causas estruturais, as dificuldades da economia n√£o podem ser vencidas por medidas atrav√©s das quais o governo procura fazer face aos mais agudos problemas de conjuntura. O afrouxamento do ritmo de desenvolvimento, a baixa da produ√ß√£o agr√≠cola, os d√©fices sempre crescentes, do com√©rcio externo, a inflac√ß√£o, a acentua√ß√£o do atraso relativo da economia portuguesa em rela√ß√£o √†s economias dos outros pa√≠ses europeus, mostram a incapacidade do regime para promover o aproveitamento dos recursos nacionais, o fracasso da ¬ęreconvers√£o agr√≠cola¬Ľ e a asfixia da economia portuguesa pela domina√ß√£o monopolista, pelas limita√ß√Ķes do mercado interno provocadas pela pol√≠tica de explora√ß√£o e mis√©ria das massas e pela subjuga√ß√£o ao imperialismo estrangeiro. (…) O processo de integra√ß√£o europeia, dado o atraso da economia portuguesa, agravar√° a situa√ß√£o.

Os monop√≥lios dominantes e o seu governo procuram sair das contradi√ß√Ķes e dificuldades, assegurar altos lucros, apressar a acumula√ß√£o, conseguir uma capacidade competitiva no mercado internacional: 1) intensificando ainda mais a explora√ß√£o da classe oper√°ria e das massas trabalhadoras; 2) aumentando os impostos; 3) dando curso √† subida dos pre√ßos; 4) apressando a centraliza√ß√£o e a concentra√ß√£o; 5) pondo de forma crescente os recursos do Estado ao servi√ßo dos monop√≥lios;

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