Passagens sobre Advers√°rios

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Frases sobre advers√°rios, poemas sobre advers√°rios e outras passagens sobre advers√°rios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Inimigo é Mais Útil que o Amigo

A tua atitude emerge do que costumas dizer: ¬ęAinda sou capaz de utilizar quem √© por mim. Mas prefiro, por comodidade, mandar o meu advers√°rio para o outro campo e abster-me de agir sobre ele, a n√£o ser pela guerra¬Ľ.
Ao proceder assim, n√£o fazes mais que endurecer e forjar o teu advers√°rio.
E eu c√° digo que amigo e inimigo s√£o palavras da tua lavra. √Č certo que especificam qualquer coisa, como definir o que se passar√° se vos encontrardes num campo de batalha, mas um homem n√£o se rege s√≥ por uma palavra. Sei de inimigos que est√£o mais perto de mim ou que me s√£o mais √ļteis ou que me respeitam mais do que os amigos. As minhas faculdades de ac√ß√£o sobre o homem n√£o est√£o ligadas √† sua posi√ß√£o verbal. Direi mesmo que actuo melhor sobre o meu inimigo do que sobre o amigo: quem caminha na mesma direc√ß√£o que eu, oferece-me menos oportunidades de encontro e de troca do que aquele que vem contra mim, disposto a n√£o deixar escapar a m√≠nima palavra ou gestos meus, que lhe podem sair caros.

As Discuss√Ķes Nunca S√£o Feitas de Boa F√©

S√≥ os ing√©nuos podem crer que uma discuss√£o visa resolver um problema ou esclarecer uma quest√£o dif√≠cil. Na realidade, a sua √ļnica justifica√ß√£o √© testar a capacidade de os participantes derrubarem o advers√°rio. O que est√° em jogo n√£o √© a verdade, mas o amor pr√≥prio. O bem falante leva a melhor sobre o que tartamudeia, o temer√°rio sobre o t√≠mido e o arrebatado sobre o escrupuloso. Estar de boa f√© equivale a potenciar as desvantagens, porquanto os escr√ļpulos se somam √† circunspec√ß√£o, dificultando a express√£o. O que √© a boa f√©? Uma conduta de fracasso, um aut√™ntico suic√≠dio… Quem participa em debates fala sem escutar, espezinha qualquer racioc√≠nio que n√£o seja conduzido por si pr√≥prio, despreza as oposi√ß√Ķes, ignora as obstruc√ß√Ķes e, de certo modo, conquista a vit√≥ria √† for√ßa de palavras.
Cultiva a má fé com o profissionalismo do jardineiro que cria uma planta venenosa cujo veneno possui suavidades tão profundas que quem o prova já não passa sem ele. Para dar melhor resultado, a má fé não deve ser demasiado subtil. Com efeito, o seu impacte não será suficiente para desnortear o outro, rápida e duradouramente. Nesta matéria, a subtileza não substitui a brutalidade que, não obstante a detestável fama em certos meios intelectuais,

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As necessidades nos permitem vencer milagrosamente até os adversários considerados invencíveis. A necessidade é a força que cura até os doentes em estado grave.

Poupar a Vontade

Em compara√ß√£o com o comum dos homens, poucas coisas me atingem, ou, dizendo melhor, me prendem; pois √© razo√°vel que elas atinjam, contanto que n√£o nos possuam. Tenho grande zelo em aumentar pelo estudo e pela reflex√£o esse privil√©gio de insensibilidade, que em mim √© naturalmente muito saliente. Desposo – e consequentemente me apaixono por – poucas coisas. A minha vis√£o √© clara, mas detenho-a em poucos objectos; a sensibilidade, delicada e male√°vel. Mas a apreens√£o e aplica√ß√£o, tenho-a dura e surda: dificilmente me envolvo. Tanto quanto posso, emprego-me todo em mim; por√©m mesmo nesse objecto eu refrearia e suspenderia de bom grado a minha afei√ß√£o para que ela n√£o se entregasse por inteiro, pois √© um objecto que possuo por merc√™ de outr√©m e sobre o qual a fortuna tem mais direito do que eu. De maneira que at√© a sa√ļde, que tanto estimo, ser-me-ia preciso n√£o a desejar e n√£o me dedicar a ela t√£o desenfreadamente a ponto de achar insuport√°veis as doen√ßas. Devemos moderar-nos entre o √≥dio e o amor √† voluptuosidade; e Plat√£o receita um caminho mediano de vida entre ambos.
Mas √†s paix√Ķes que me distraem de mim e me prendem alhures, a essas certamente me oponho com todas as minhas for√ßas.

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Nunca Competir

Toda a pretens√£o com oposi√ß√£o prejudica o cr√©dito; a competi√ß√£o tira logo a desdourar, para deslustrar. S√£o poucos os que fazem boa guerra. A emula√ß√£o descobre os defeitos que a cortesia esqueceu; muitos viveram acreditados enquanto n√£o tiveram advers√°rios. O calor da contesta√ß√£o aviva ou ressuscita inf√Ęmias mortas, desenterra hediondezas passadas e antepassadas. Come√ßa a competi√ß√£o com manifestos de desdouros, socorrendo-se de tudo o que pode e n√£o deve; e, ainda que √†s vezes, e no mais das vezes, as ofensas n√£o sejam armas proveitosas, delas tira vil satisfa√ß√£o para sua vingan√ßa, e esta sacode com tais ares que faz saltar pelos desares o p√≥ do esquecimento. Sempre foi pac√≠fica a benevol√™ncia e ben√©vola a reputa√ß√£o.

Captar a Oportunidade no Momento Justo

J√° percebeste que deves subtrair-te a essas tuas ocupa√ß√Ķes ilus√≥rias e nocivas, mas ignoras ainda o modo de o conseguir. Ora h√° coisas que s√≥ estando presente te posso indicar! O m√©dico tamb√©m n√£o pode determinar por carta a hora adequada para a alimenta√ß√£o ou para o banho: tem de tomar o pulso ao doente. Diz um antigo prov√©rbio que o gladiador s√≥ forma o seu plano na arena a partir da observa√ß√£o do rosto do advers√°rio, do modo como move os bra√ßos, da pr√≥pria postura do corpo. Observa√ß√Ķes sobre os costumes, sobre os deveres, √© poss√≠vel faz√™-las de um modo geral e por escrito; s√£o conselhos que se podem dar n√£o s√≥ a ausentes, como at√© √† posteridade. Mas a maneira e a ocasi√£o de tomar uma decis√£o concreta, isso ningu√©m pode aconselh√°-lo √† dist√Ęncia, √© for√ßoso deliberar em face das pr√≥prias circunst√Ęncias.
Para captar a oportunidade no momento justo √© preciso n√£o s√≥ estar presente, como estar atento. P√Ķe-te, por conseguinte na expectativa, e assim que surpreenderes a oportunidade agarra-a com toda a rapidez, com toda a energia, e liberta-te definitivamente desses teus falacciosos deveres! Repara bem no conselho que te dou: em meu entender tens de libertar-te desse tipo de vida,

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Fico mais feliz quando consigo um acordo entre partes contrárias que quando venço um adversário nas urnas.

Um reino dividido não resiste às investidas do adversário. Um ser humano dividido não consegue viver com dignidade.

Respeito pelo Advers√°rio ?

Tratar o seu adversário com respeito é dar-lhe uma vantagem para a qual não está intitulado. A maior parte dos homens não julga através de argumentos racionais, e são impressionados pelo carácter; de forma que, se você permitir ao seu adversário um carácter respeitável, ele pensará que, embora você difira dele, pode estar errado. Tratar o seu adversário com respeito é o mesmo que golpear de forma macia numa batalha.

H√° pessoas que facilmente retiram o que disseram, como se retira uma espada do ventre do seu advers√°rio.

A Civilização e o Horror ao Vácuo

A expans√£o imperialista das grandes pot√™ncias √© um facto de crescimento, o transbordar natural√≠ssimo de um excesso de vidas e de uma sobra de riquezas em que a conquista dos povos se torna simples variante da conquista de mercados. As lutas armadas que da√≠ resultam, perdido o encanto antigo, transformam-se, paradoxalmente, na fei√ß√£o ruidosa e acidental da energia pac√≠fica e formid√°vel das ind√ļstrias. Nada dos velhos atributos rom√Ęnticos do passado ou da preocupa√ß√£o retr√≥grada do hero√≠smo. As pr√≥prias vit√≥rias perderam o significado antigo. S√£o at√© dispens√°veis. (…) Est√£o fora dos lances de g√©nio dos generais felizes e do fortuito dos combates. Vagas humanas desencadeadas pelas for√ßas acumuladas de longas culturas e do pr√≥prio g√©nio de ra√ßa, podem golpe√°-las √† vontade os advers√°rios que as combatem e batem debatendo-se, e que se afogam. N√£o param. N√£o podem parar. Impele-as o fatalismo da pr√≥pria for√ßa. Diante da fragilidade dos pa√≠ses fracos, ou das ra√ßas incompetentes, elas recordam, na hist√≥ria, aquele horror ao v√°cuo, com que os velhos naturalistas explicavam os movimentos irresist√≠veis da mat√©ria. Revelam quase um fen√īmeno f√≠sico. Por isso mesmo nesta expans√£o irreprim√≠vel, n√£o √© do direito, nem da Moral com as mais imponentes mai√ļsculas, nem de alguma das maravilhas metaf√≠sicas de outrora que lhes despontam obst√°culos.

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Tenho escrito repetidamente que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. O adversário do nosso progresso está dentro de cada um de nós, mora na nossa atitude, vive no nosso pensamento. A tentação de culpar os outros em nada nos ajuda. Só avançamos se formos capazes de olhar para dentro e de encontrar em nós as causas dos nossos próprios desaires.

A primeira etapa est√° transposta com muitas dificuldades e com tantas coisas estranhas que n√£o posso narrar-lhas, mesmo a si. (…) Como gente que se v√™ perdida, os meus advers√°rios recorrem a todas as armas, at√© mesmo as mais infames. Tudo lhes serviu. (…) A fenomenal in√©pcia da maior parte dos nossos advers√°rios, que d√° como resultado pr√°tico que, sendo-se um pouco h√°bil, quase todos os golpes se voltar√£o contra eles pr√≥prios. (…) Creio que com um pouco de firmeza e habilidade, assim continuar√° at√© ao fim.

Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania

√Č escusado. Em nenhuma √°rea do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a conviv√™ncia harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais advers√°rios. Guerreamo-nos na pol√≠tica, na literatura, no com√©rcio e na ind√ļstria. Onde est√£o dois portugueses est√£o dois concorrentes hostis √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, √† chefia dum partido, √† ger√™ncia dum banco, ao comando de uma corpora√ß√£o de bombeiros. N√£o somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na s√°tira, na mordacidade, na maledic√™ncia. Nas cidades ou nas aldeias, por f√°s e por nefas, n√£o h√° ningu√©m sem alcunha, a todos √© colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as pol√©micas que trav√°mos ao longo dos tempos. S√£o reveladoras. A celebrada carta de E√ßa a Camilo ou a tamb√©m conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio d√£o a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato di√°rio. Gregariamente, somos um somat√≥rio de cidad√£os sem la√ßos de cidadania.

A regra é perfeita: em todos os assuntos de opinião nossos adversários são insanos.