Passagens sobre Alimentos

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Frases sobre alimentos, poemas sobre alimentos e outras passagens sobre alimentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os alimentos e o sono são necessários ao corpo carnal; o trabalho é um alimento necessário à alma.

A ingest√£o excessiva de alimentos provoca dist√ļrbios gastrintestinais. A dor que ocorre quando se come em excesso √© um sinal de alarme que convoca a for√ßa curativa.

S√≥ amando nos renovamos. O √™xtase √© a √ļnica linguagem comum a todo o infinito. √Č o alimento do ef√©mero e do eterno.
Através do amor o humano se diviniza e o divino se humaniza.

Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.

Os Anos de Ti para Mim

O teu cabelo volta a ondular-se quando choro. Com o azul dos
teus olhos
p√Ķes a mesa do nosso amor: uma cama entre o ver√£o e o
outono.
Bebemos o que alguém preparou, que não era eu, nem tu, nem
um terceiro:
sorvemos um √ļltimo vazio.

Miramo-nos nos espelhos do mar profundo e passamos mais
depressa um ao outro os alimentos:
a noite é a noite, começa com a manhã,
é ela que me deita a teu lado.

Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

√Č Imposs√≠vel que o Tempo Actual n√£o Seja o Amanhecer doutra Era

√Č imposs√≠vel que o tempo actual n√£o seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto √†s ordens da primeira solicita√ß√£o. Tudo quanto era coer√™ncia, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou tr√™s casos pessoais que conhe√ßo do s√©culo passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limita√ß√Ķes, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no in√≠cio dela. Al√©m disso her√≥ica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora √© esta ferocidade que se v√™, esta coragem que n√£o d√° para deixar abrir um panar√≠cio ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferen√ßa haver√° entre uma humanidade que √© daqui, dali, de acol√°, conforme a brisa, e uma col√≥nia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e n√£o t√™m mais nenhuma hesita√ß√£o nem mais nenhum entrave.

√Č inexplic√°vel quanto me servem os livros para viver: s√£o o melhor alimento que tenho encontrado nesta viagem da vida humana. Com bons livros, o enfermo n√£o deve queixar-se, pois tem a cura ao alcance da m√£o.

Sociedade do Desperdício

Uma tenta√ß√£o imediata do nosso tempo √© o desperd√≠cio. N√£o √© s√≥ resultado duma inven√ß√£o constante da oferta que leva ao apetite do consumo, como √©, sobretudo, uma forma de aristocracia t√©cnica. O tecnocrata, novo aristocrata da intelig√™ncia artificial, dos n√ļmeros e dos computadores, prop√Ķe uma sociedade de dissipa√ß√£o. Prop√Ķe-na na medida em que favorece os m√©todos de maior rendimento e a rapina dos recursos naturais. As hormonas que fazem crescer uma vitela em tr√™s meses, as √°rvores que d√£o fruto tr√™s vezes por ano, tudo obriga a natureza a render mais. Para qu√™? Para que os alimentos se amontoem nas lixeiras e os desperd√≠cios de cozinha ou de vestu√°rio sirvam afinal para descrever o bluff da produtividade.

Porque é Tão Ansiosamente que Espero por Ti?

Porque é tão ansiosamente que espero por ti?
Sabias ocultar entre os teus menores movimentos
a lembran√ßa de um corpo e de um ardor sem m√ļsica
nem esquecimento possível. Quantas cidades
atravess√°mos, quantos ¬ęgrandes s√£o os desertos e tudo √© deserto¬Ľ,
quanto alimento para os cães da memória! Deixa-os,
consente o esquecimento, solta com raiva das tuas veias
a m√ļsica, regressa ao lugar donde partiste. Pe√ßo-te,
regressa. Nós nunca acordamos conformes,
nenhuma cifra nos devolver√° o n√ļmero m√°gico,
vestimo-nos sem convicção e pedimos emprestadas
fórmulas antigas. Da nossa idade
guard√°mos alguns emblemas, alguns maneirismos.
Acredita-me: é o momento de nos abandonarmos
à necessidade, de açularmos os cães, de sermos nós mesmos
um inquietante rosnido entre as frestas do muro.
Regressemos, n√£o h√° √ćtaca poss√≠vel, os corpos desfizemo-los
na mesma eros√£o do seu m√°gico movimento.
Porque é tão ansiosamente que espero por ti
se nenhuma luz mais cabe no terror de mim?

Onde Começa a Felicidade

¬ęAurea mediocritas¬Ľ – dizia Hor√°cio, um dos poetas latinos que faz a base da nossa civiliza√ß√£o. As palavras com o tempo corrompem-se, alteram-se, adulteram-se. ¬ęMediocritas¬Ľ em portugu√™s deu mediocridade, tal como ¬ęparvus¬Ľ deu parvo, ao contr√°rio do castelhano em que apenas significa pequeno, ou ¬ęsinistra¬Ľ em italiano quer apenas dizer esquerda.

A ¬ęAurea mediocritas¬Ľ que cantava Hor√°cio era a doce e suave mediania entre as emo√ß√Ķes, um equil√≠brio quase buc√≥lico na vida a ter e nos neg√≥cios a ter na vida. N√£o, Hor√°cio, romano educado, n√£o era adepto dos desportos radicais.
Equil√≠brio entre o qu√™? Distorcendo Hor√°cio, a dois mil anos de dist√Ęncia, podemos dizer, talvez, equil√≠brio entre o sonho e a realidade. A felicidade n√£o pode ser s√≥ o que h√°, sen√£o apodrecemos, mas tamb√©m n√£o pode ser s√≥ o que desejamos, sen√£o ficamos com uma neurose de tanto ansiar pelo que h√°-de vir.

O resto √© com cada qual. Alguns gostam da felicidade bovina de n√£o pensar muito, outros gostam de estar sozinhos no deserto, outros ficam felizes com a desgra√ßa alheia. Estes tr√™s exemplos s√£o, c√° para mim, desgra√ßados, mas o que sei eu dos outros? √Č por n√£o saber nada dos outros que escrevo hist√≥rias sobre os outros.

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Amo-te

Talvez n√£o seja pr√≥prio vir aqui, para as p√°ginas deste livro, dizer que te amo. N√£o creio que os leitores deste livro procurem informa√ß√Ķes como esta. No mundo, h√° mais uma pessoa que ama. Qual a relev√Ęncia dessa not√≠cia? √Ä sombra do guarda-sol ou de um pinheiro de piqueniques, os leitores n√£o dever√£o impressionar-se demasiado com isso. Depois de lerem estas palavras, os seus pensamentos instant√Ęneos poder√£o diluir-se com um olhar em volta. Para eles, este texto ser√° como iniciais escritas por adolescentes na areia, a onda que chega para cobri-las e apag√°-las. E poss√≠vel que, perante esta longa afirma√ß√£o, alguns desses leitores se indignem e que escrevam cartas de protesto, que reclamem junto da editora. Dou-lhes, desde j√°, toda a raz√£o.
Eu sei. Talvez não seja próprio vir aqui dizer aquilo que, de modo mais ecológico, te posso afirmar ao vivo, por email, por comentário do facebook ou mensagem de telemóvel, mas é tão bom acreditar, transporta tanta paz. Tu sabes. Extasio-me perante este agora e deixo que a sua imensidão me transcenda, não a tento contrariar ou reduzir a qualquer coisa explicável, que tenha cabimento nas palavras, nestas pobres palavras. Em vez disso, desfruto-a, sorrio-lhe. Não estou aqui com a expectativa de ser entendido.

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A carne n√£o √© o alimento do homem. Para o ser, dev√≠amos poder matar os animais com as m√£os e garras, e triturarmos os ossos ou lacerar os m√ļsculos ainda quentes com os dentes, como faz a hiena. Desprovidos de armas cortantes e do artif√≠cio da culin√°ria, o homem n√£o pode utilizar-se da carne nem do peixe.

O Prazer e a Dor

O prazer e a dor n√£o conhecem a dura√ß√£o. A sua natureza √© dissiparem-se rapidamente e, por conseguinte, s√≥ existirem sob a condi√ß√£o de ser intermitente. Um prazer prolongado cessa logo de ser um prazer e uma dor continua logo se atenua. A sua diminui√ß√£o pode mesmo, por confronto, tornar-se um prazer. O prazer s√≥ √©, pois, um prazer sob a condi√ß√£o de ser descont√≠nuo. O √ļnico prazer um pouco dur√°vel √© o prazer n√£o realizado, ou desejo.
O prazer somente √© avali√°vel pela sua compara√ß√£o com a dor. Falar de prazer eterno √© um contra-senso, como justamente observou Plat√£o. Ignorando a dor, os deuses n√£o podem, segundo Plat√£o, ter prazer. A descontinuidade do prazer e da dor representa a conseq√ľ√™ncia dessa lei fisiol√≥gica: ‚ÄúA mudan√ßa √© a condi√ß√£o da sensa√ß√£o‚ÄĚ. N√£o percebemos os estados cont√≠nuos, por√©m as diferen√ßas entre estados simult√Ęneos ou sucessivos. O tique-taque do rel√≥gio mais ruidoso acaba, no fim de algum tempo, por n√£o ser mais ouvido, e o moleiro n√£o ser√° despertado pelo ru√≠do das rodas do seu moinho, mas pelo seu parar.

√Č em virtude dessa descontinuidade necess√°ria que o prazer prolongado cessa logo de ser um prazer, por√©m uma coisa neutra,

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Luto por uma Novidade de Espírito

Procuro me manter isolada contra a agonia de viver dos outros, e essa agonia que lhes parece um jogo de vida e morte mascara uma outra realidade, t√£o extraordin√°ria essa verdade que os outros cairiam de espanto diante dela, como num esc√Ęndalo. Enquanto isso, ora estudam, ora trabalham, ora amam, ora crescem, ora se afanam, ora se alegram, ora se entristecem. A vida com letra mai√ļscula nada pode me dar porque vou confessar que tamb√©m eu devo ter entrado por um beco sem sa√≠da como os outros. Porque noto em mim, n√£o um bocado de fatos, e sim procuro quase tragicamente ser. √Č uma quest√£o de sobreviv√™ncia assim como a de comer carne humana quando n√£o h√° alimento. Luto n√£o contra os que compram e vendem apartamentos e carros e procuram se casar e ter filhos mas luto com extrema ansiedade por uma novidade de esp√≠rito. Cada vez que me sinto quase um pouco iluminada vejo que estou tendo uma novidade de esp√≠rito.
Minha vida é um reflexo deformado assim como se deforma num lago ondulante e instável o reflexo de um rosto. Imprecisão trémula. Como o que acontece com a água quando se mergulha a mão na água.

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O ci√ļme √©, de todas as doen√ßas da mente, aquela a que mais coisas servem de alimento e menos coisas de rem√©dio.

A fome no mundo não é uma coisa natural, não é um dado óbvio; o facto de hoje, em pleno século XXI, muitas pessoas padecerem deste flagelo é devido a uma distribuição egoísta e perversa dos recursos, a uma mercantilização dos alimentos.