Cita√ß√Ķes sobre Alimentos

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Frases sobre alimentos, poemas sobre alimentos e outras cita√ß√Ķes sobre alimentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Protesto

Não é no teu corpo que se imola
para a ceia dos meus sentidos
a v√≠tima n√ļbil, a √°urea mola
que cinge o amor recente aos idos.

Mas é também no teu corpo que corre
o sangue que o meu sangue socorre.

Não é no teu corpo que se ergue
a guerra fria dos meus nervos.

nem nasceram tuas transparências
para a cegueira dos meus dedos.

Mas é também no teu corpo insano
que perscruto meu desconforto humano.

Não é no teu corpo, nos teus olhos
de fauno, que colho as minhas ditas,
nem o jasmim de tua boca flore
para a vis√£o que me solicita.

Mas √© tamb√©m no teu corpo √ļnico
que o amor √† forma do Amor re√ļno.

Não é no teu corpo que concentro
minha sede (esta sede ferina
que morre de seu farto alimento
e vive de quanto se elimina)

Mas é também teu corpo a medida
destas √°guas sobre a minha ferida.

Não é no teu corpo, mas é tanto
no teu corpo meu √ļltimo ref√ļgio,

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[O leite] não é alimento do homem, mas sim dos filhos das vacas, dos cabritos, dos jumentos, etc., antes de terem dentes para comer as ervas dos montes e prados!

A Fraqueza do Idealismo

A arte idealista esquece que h√° no homem – nervos, fatalidades heredit√°rias, sujei√ß√Ķes √†s influ√™ncias determinantes de hora, alimento, atmosfera, etc; irresist√≠veis teimas f√≠sicas, tend√™ncias de carnalidade fatais; resultantes l√≥gicas de educa√ß√£o; ac√ß√Ķes determinantes ao meio, etc,etc; a arte convencional, enfim, mutila o homem moral – como a ci√™ncia convencional mutila o homem f√≠sico; s√£o ambas aprovadas pelos Monsenhores arcebispos de Paris e dadas em leitura nos col√©gios; mas uma ensina falso, como a outra educa falso: ambas nocivas portanto.

Acendimento

Seria bom sentir no quarto qualquer m√ļsica
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detr√°s das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.

Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que n√£o cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.

Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
√Č isso que te levo, isso que me d√°s
quando dizes, j√° sem o dizeres, eu amo-te.

Pela berma da humidade cerrada
um risco de merc√ļrio trespassa.
Na gravilha passos que n√£o h√°
esmagam a m√ļsica que ningu√©m escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,

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Hospitalidade: virtude que nos obriga a alimentarmos e alojarmos certas pessoas que n√£o precisam de alimentos nem de alojamento.

As Tuas L√°grimas

As tuas lágrimas respiram e florescem, o lugar onde te sentas é o rio que corre em sobressalto por dentro de uma árvore, seiva renovada que transporta palavras até às folhas felizes de~um amor demorado e ainda puro. E essa ávore fala através das tuas palavras, demora-se em conversas com as abelhas, com os gaios, com o vento.
As tuas l√°grimas iluminam as p√°ginas alucinadas dos livros de poesia, e as mesas claras t√£o cheias de frutos que se assemelham a fogueiras ruivas, alimento privilegiado de um imenso e intenso drag√£o que me aquece o sangue.
As tuas lágrimas transbordam os grandes lagos dos meus olhos e eu choro contigo os grandes peixes da ternura, esses mesmos peixes que são os arquitectos perturbados de uma relação sem tempo mas alimentada por primaveras que de tão altas são inquestionáveis.
As tuas l√°grimas fertilizam as searas celestes, arrefecem o movimento dos vulc√Ķes, absorvem toda a beleza do arco-√≠ris, embebedam-se com a do√ßura das estrelas. E s√£o oferendas √† m√£e terra, o reconhecimento final do princ√≠pio do nosso pequeno mundo. As tuas l√°grimas s√£o minhas amigas. S√£o as minhas l√°grimas. A forma de chorar-te cheio de alegria, ferido por esta felicidade de amar-te muito,

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Boa e M√° Literatura

O que acontece na literatura n√£o √© diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrig√≠vel plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legi√Ķes, preenchendo todos os espa√ßos e sujando tudo, como as moscas no ver√£o.
Eis a raz√£o do n√ļmero incalcul√°vel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e aten√ß√£o do p√ļblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e s√£o escritos com a √ļnica inten√ß√£o de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, n√£o s√£o apenas in√ļteis, mas tamb√©m positivamente prejudiciais. Nove d√©cimos de toda a nossa literatura actual n√£o possui outro objectivo sen√£o o de extrair alguns t√°leres do bolso do p√ļblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porém notável, é o que teve êxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pão de cada dia e aos polígrafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da época, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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Os Enganos do Viver

REPETE A FRAGILIDADE DA VIDA E APONTA OS SEUS ENGANOS E OS SEUS INIMIGOS

Que outra verdade hav’r√° sen√£o pobreza
nesta vida t√£o fr√°gil, leviana?
Os dois embustes s√£o da vida humana,
no berço começando, honra e riqueza.

O tempo, que não volta nem tropeça,
em horas fugitivas só a engana;
em errado ansiar, sempre tirana,
Fortuna faz cansar sua fraqueza.

Vive morte calada e divertida
a pr√≥pria vida; a sa√ļde √© guerra
por seu próprio alimento combatida.

Oh, quanto, distraído, o homem erra:
que em terra teme ver tombar a vida
e não vê que, ao viver, caiu por terra!

Tradução de José Bento

As Melhores Coisas da Vida São à Borla

As melhores coisas da vida são à borla.

Vivemos em abund√Ęncia.

N√£o parece, pois h√° muito tempo que se d√° mais valor √† mat√©ria, aos bens que possu√≠mos e √†s contas que temos no banco do que √†quilo que verdadeiramente importa, mas √© um facto. A terra d√°-nos tudo. √Č t√£o generosa que mesmo ap√≥s tanta destrui√ß√£o continua a regenerar-se e a alimentar-nos a alma e o corpo. Os melhores alimentos v√™m do solo que pisamos. As praias encontram-se o ano todo no mesmo lugar. 0 mar e a areia n√£o desaparecem. Existem desde sempre e para sempre e est√£o √† tua disposi√ß√£o sempre que entenderes senti-los. As florestas, os bosques e os jardins, a mesma coisa. A ess√™ncia do verde, apesar de amarelar no outono e cair no inverno, mant√©m-se intacta, dispon√≠vel para a respirares e te entregares sempre que precisares de te curar. O vento sopra todos os dias. O sol intercala com a chuva para poderes sentir sempre algo novo quando vais √† janela ou sais √† rua. O c√©u est√° sempre estrelado ou cheio de formas para que possas agradecer ou dar asas √† tua criatividade. Mas h√° mais. Os nossos amigos s√£o de gra√ßa.

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O Lugar Certo

O tempo mudava de um momento para o outro, juntando, no curto espa√ßo de vinte e quatro horas, a Primavera e o Outono, o Ver√£o e at√© Inverno. Mas Jos√© Artur sentia-se vivo como um lobo das estepes libertado. Tinha a tens√£o alta dos her√≥is rom√Ęnticos e, em muitas circunst√Ęncias, dava por si a citar Thoreau:

‚ÄúFui para os bosques viver de livre vontade. Vara sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que n√£o era vida e para, quando morrer, n√£o descobrir que n√£o vivi.‚ÄĚ

Lamentava que Darwin ou Twain n√£o tivessem encontrado naquelas ilhas o mesmo que ele encontrava agora, mas percebeu que, no s√©culo dezanove, ainda restavam outros para√≠sos no planeta. E, de qualquer modo, havia Chateaubriand, Raul Brand√£o, at√© Melville, impressionado com a valentia dos marinheiros das ilhas a leste de Nantucket. N√£o, ele n√£o estava louco. Havia uma sabedoria naquilo ‚ÄĒ havia ecos e refrac√ß√Ķes, como se algo de mais profundo se insinuasse. Tinha a certeza de que, se a terra tremesse agora, conseguiria senti-la.

Aquele era o seu lugar. Não havia por que sentir falta dos privilégios da cidade. Um homem que soubesse povoar-se tinha alimento para uma vida na fotografia de um labandeira,

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O conhecimento converte o trabalho em raz√£o, e converte-te a ti num homem que pensa: s√≥ √© homem aquele que pensa. Para milh√Ķes de seres humanos, o trabalho √© a √ļnica atividade que os instrui e civiliza. Para outros, √© uma forma de embrutecimento a troco de alimento ou dinheiro.

A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.

Trabalhou para viver; depois, ainda para viver, porque o coração também necessita de alimento, amou.

Aqui Mereço-te

O sabor do p√£o e da terra
e uma luva de orvalho na m√£o ligeira.
A flor fresca que respiro é branca.
E corto o ar como um p√£o enquanto caminho entre searas.
Pertenço em cada movimento a esta terra.
O meu suor tem o gosto das ervas e das pedras.
Sorvo o silêncio visivel entre as árvores.
√Č aqui e agora o dilatado abra√ßo das ra√≠zes claras do sono.
Sob as p√°lpebras transparentes deste dia
o ar é o suspiro dos próprios lábios.
Amar aqui é amar no mar,
mas com a resistência das paredes da terra.

A m√£o flui liberta t√£o livre como o olhar.
Aqui posso estar seguro e leve no silêncio
entre calmas formas, matérias densas, raízes lentas,
ao fogo esparso que alastra ao horizonte.
No meu corpo acende-se uma pequena l√Ęmpada.
Tudo o que eu disser s√£o os l√°bios da terra,
o leve martelar das línguas de água,
as feridas da seiva, o estalar das crostas,
o murm√ļrio do ar e do fogo sobre a terra,
o incessante alimento que percorre o meu corpo.

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A Chave do Desejo

Todos os desejos são contraditórios como o do alimento. Gostaria que aquele que amo me amasse. Mas se ele me for totalmente dedicado, deixa de existir, e eu deixo de o amar. E enquanto não me for totalmente dedicado, não me amará o suficiente. Fome e saciedade.
O desejo √© mau e ilus√≥rio, mas, no entanto, sem o desejo n√£o esquadrinhar√≠amos o verdadeiro absoluto, o verdadeiro ilimitado. √Č preciso ter passado por isto. Infelizes os seres a quem o cansa√ßo subtrai esta energia suplementar que √© a fonte do desejo.
Infeliz, também, aquele a quem o desejo cega.
√Č preciso arrastar o desejo at√© ao eixo dos p√≥los.

Só o Dinheiro é o Bem Absoluto

Numa espécie tão carente e constituída de necessidades como a humana, não é de admirar que a riqueza, mais do que qualquer outra coisa, seja tão estimada e com tanta sinceridade, chegando a ser venerada; e mesmo o poder é apenas um meio para chegar a ela. Assim, não é surpreendente que, objectivando a aquisição, todo o resto seja colocado de lado ou atirado para um canto. Por exemplo, a filosofia pelos professores de filosofia.
Os homens s√£o ami√ļde repreendidos porque os seus desejos s√£o direccionados sobretudo para o dinheiro e eles amam-no acima de tudo. Todavia, √© natural, e at√© mesmo inevit√°vel, amar aquilo que, como um Proteu infatig√°vel, est√° pronto em qualquer instante para se converter no objecto moment√Ęneo dos nossos desejos e das nossas necessidades m√ļltiplas. De facto, qualquer outro bem s√≥ pode satisfazer a um desejo, a uma necessidade: os alimentos s√£o bons apenas para os famintos; o vinho, para os de boa sa√ļde; os medicamentos, para os doentes; uma peli√ßa, para o inverno; as mulheres, para os jovens, etc. Todos eles, por conseguinte, s√£o meramente bons para algo, ou seja, apenas relativamente bons. .

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

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As letras s√£o o alimento da juventude, a paix√£o da idade madura e a recrea√ß√£o da velhice; d√£o-nos brilho na prosperidade, e s√£o uma consola√ß√£o, um recurso no infort√ļnio; fazem as del√≠cias do gabinete, e n√£o embara√ßam em nenhuma situa√ß√£o da vida; de noite servem-nos de companhia, e v√£o connosco para o campo e em viagem.

Um homem salva-se se é vontade da sua vida. Os outros são só o alimento dessa vontade.