Passagens sobre Amargos

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Frases sobre amargos, poemas sobre amargos e outras passagens sobre amargos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Viver √©…

Viver √© uma perip√©cia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o √Ęnimo e o des√Ęnimo, um entusiasmo ora doce, ora din√Ęmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital.

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Francisco de Assis n√£o se contentou em abra√ßar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gubbio para estar junto deles. Ele pr√≥prio viu neste encontro o ponto de viragem das sua convers√£o: ¬ęQuando estava nos meus pecados, parecia-me uma coisa insuport√°vel ver os leprosos, e foi o pr√≥prio Senhor a conduzir-me para o meio deles. E ao afastar-me deles, aquilo que me parecia amargo transformou-se em do√ßura¬Ľ (Fioretti 110).

N√£o!

Tenho-te muito amor,
E amas-me muito, creio:
Mas ouve-me, receio
Tomar-te desgraçada:
O homem, minha amada,
N√£o perde nada, goza;
Mas a mulher √© rosa…
Sim, a mulher é flor!

Ora e a flor, vê tu
No que ela se resume…
Faltando-lhe o perfume,
Que é a essência dela,
A mais viçosa e bela
V√™-a a gente e… basta.
Sê sempre, sempre, casta!
Ter√°s quanto possuo!

Ter√°s, enquanto a mim
Me alumiar teu rosto,
Uma alma toda gosto,
Enlevo, riso, encanto!
Depois ter√°s meu pranto
Nas praias solit√°rias…
Ondas tumultu√°rias
De l√°grimas sem fim!

À noite, que o pesar
Me arrebatar de cada,
Irei na campa rasa
Que resguardar teus ossos,
Ah! recordando os nossos
T√£o venturosos dias,
Fazer-te as cinzas frias
Ainda palpitar!

Mil beijos, doce bem,
Darei no pó sagrado,
Em que se houver tornado
Teu corpo t√£o galante!
Com pena, minha amante,
De n√£o ter a morte
Ca√≠do a mim em sorte…
Caído em mim também!

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Erros Meus a que Chamarei Virtude

Erros meus a que chamarei virtude,
Por bem vos quero, e morro despedido
Sem amor, sem sa√ļde, o ch√£o perdido,
Erros meus a que chamarei virtude.

A terra cultivei, amargo e rude,
No sonho de melhor a ter servido;
Para ilus√£o de um palmo de comprido,
A terra cultivei, amargo e rude.

E o amor? A sa√ļde? Eis os dois Lagos
Onde os olhos me ficam debruçados
‚ÄĒ Azul e roxo, rasos de √°gua os Lagos.

Mas direis, erros meus, ainda amores?
‚ÄĒ S√£o bonitos os dias acabados
Quando ao poente o Sol desfolha flores.

Adeus

Sim, vou partir.
E n√£o levo saudade
De ninguém
Nem em ti penso agora!
Julgavas que a tristeza desta hora
Fosse maior que a firme vontade
Que eu pus em destruir
O luminoso fio de ternura
Que me prendia ao teu olhar?
Julgaste mal:
Eu sei amar,
Mas meu amor
O que eu n√£o sei
√Č ser banal!

Mas por que vim eu escrever-te ainda?
Nem eu sei!
Talvez somente
O hábito cortês da despedida
– e o h√°bito faz lei!

Choro?! Oh, sim , perdidamente!
Mas sabes tu, por que este pranto
Assim amargo e soluçado vem?
√Č que na hora da partida
Eu nunca pude sem chorar
Dizer adeus a ninguém!

Quando Analiso a Conquistada Fama

Quando analiso
a conquistada fama dos heróis
e as vitórias dos grandes generais,
n√£o sinto inveja desses generais
nem do presidente na presidência
nem do rico na sua vistosa mans√£o;
mas quando eu ouço falar
do entendimento fraterno entre dois amantes,
de como tudo se passou com eles,
de como juntos passaram a vida
através do perigo, do ódio, sem mudança
por longo e longo tempo atravessando
a juventude e a meia-idade e a velhice
sem titubeios, de como leais
e afeiçoados se mantiveram
‚ÄĒ a√≠ ent√£o √© que eu me ponho pensativo
e saio de perto à pressa
com a mais amarga inveja.

Amargo, amargo, esta é a palavra mais importante. Como tenciono eu soldar fragmentos uns aos outros numa história que tudo arrasta consigo?

Paix√£o

‚ÄĒ Quanto dura uma paix√£o?

Uma paix√£o n√£o dura nada, apenas
a eternidade simples de um sorriso
que, por ser belo, e possuir antenas
capta constantemente o paraíso.

Uma paixão é sempre um peixe grande,
uma alegria que se torna amarga
quando se perde a noite e, na manh√£
de sol, se perde o anzol na linha larga.

Nem adianta, aí, mudar de isca,
cevar o poço e procurar no fundo:
o peixe da paixão é sombra arisca
na melhor pescaria deste mundo.

Ela n√£o dura muito e, por ser peixe,
não dura na emoção, não dura nada:
se se perde no fundo, é sempre um feixe
de luz
‚ÄĒ alguma escama nacarada,
caco de vidro, areia no sol quente
que cintila e se apaga, de repente.

A maioria das recém-casadas trata a felicidade como uma droga amarga; engolem-na dum trago sem a saborear.

Educação para a Independência do Pensamento

N√£o basta preparar o homem para o dom√≠nio de uma especialidade qualquer. Passar√° a ser ent√£o uma esp√©cie de m√°quina utiliz√°vel, mas n√£o uma personalidade perfeita. O que importa √© que venha a ter um sentido atento para o que for digno de esfor√ßo, e que for belo e moralmente bom. De contr√°rio, vir√° a parecer-se mais com um c√£o amestrado do que com um ser harmonicamente desenvolvido, pois s√≥ tem os conhecimentos da sua especializa√ß√£o. Deve aprender a compreender os motivos dos homens, as suas ilus√Ķes e as suas paix√Ķes, para tomar uma atitude perante cada um dos seus semelhantes e perante a comunidade.
Estes valores s√£o transmitidos √† jovem gera√ß√£o pelo contacto pessoal com os professores, e n√£o ‚ÄĒ ou pelos menos n√£o primordialmente ‚ÄĒ pelos livros de ensino. S√£o os professores, antes de mais nada, que desenvolvem e conservam a cultura. S√£o ainda esses valores que tenho em mente, quando recomendo, como algo de importante, as ¬ęhumanidades¬Ľ e n√£o o mero tecnicismo √°rido, no campo hist√≥rico e filos√≥fico.
A import√Ęncia dada ao sistema de competi√ß√£o e a especializa√ß√£o precoce, sob pretexto da utilidade imediata, √© o que mata o esp√≠rito de que depende toda a actividade cultural e at√© mesmo o pr√≥prio florescimento das ci√™ncias de especializa√ß√£o.

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(…) Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta for√ßa bruta(…)

Anoitecer

A luz desmaia num fulgor d’aurora,
Diz-nos adeus religiosamente…
E eu, que n√£o creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui… outrora…

N√£o sei o que em mim ri, o que em mim chora
Tenho b√™n√ß√£os d’amor pra toda a gente!
Como eu sou pequenina e t√£o dolente
No amargo infinito desta hora!

Horas tristes que s√£o o meu ros√°rio…
√ď minha cruz de t√£o pesado lenho!
Meu áspero e intérmino Calvário!

E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que n√£o tenho…
Sonhos que s√£o os sonhos dos que eu tive…

O Que Tu √Čs…

√Čs Aquela que tudo te entristece
Irrita e amargura, tudo humilha;
Aquela a quem a M√°goa chamou filha;
A que aos homens e a Deus nada merece.

Aquela que o sol claro entenebrece
A que nem sabe a estrada que ora trilha,
Que nem um lindo amor de maravilha
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece!

Mar-Morto sem marés nem ondas largas,
A rastejar no ch√£o como as mendigas,
Todo feito de l√°grimas amargas!

√Čs ano que n√£o teve Primavera…
Ah! N√£o seres como as outras raparigas
√ď Princesa Encantada da Quimera!…

[A igualdade serve] para agravar e tornar mais amarga a desigualdade real que nunca pode ser eliminada e que a ordem civil estabelece, tanto para benefício dos que têm de viver em uma condição humilde como dos privilegiados.