Cita√ß√Ķes sobre Analfabetos

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Frases sobre analfabetos, poemas sobre analfabetos e outras cita√ß√Ķes sobre analfabetos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Queria que os Portugueses

Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor

sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal

todos os que s√£o formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler

teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura

e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale

até para aproveitar-se
das d√ļvidas da raz√£o
que a si própria se devia
olhar pura opini√£o

que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira

alfabetizar cuidado
n√£o me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto

se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia

deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.

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Somos vulgares, incultos e analfabetos; e, em rela√ß√£o a isso, confesso que n√£o fa√ßo maiores distin√ß√Ķes entre o analfabetismo de meus concidad√£os que n√£o aprenderam a ler e o que aprendeu a ler somente aquilo que se destinam √†s crian√ßas e aos intelectos med√≠ocres.

O Caminho de um Criador

Creio que tem havido sempre na nossa terra uma descabida preocupação canónica à ilharga de cada artista. Interessa mais ao zelo nacional averiguar se um poeta morreu sacramentado, do que ler os seus versos. Ninguém quer saber se o caminho de um criador o leva à morada das musas e da beleza; espreita-se da janela, mas é para ver se ele vai à missa. Ora isto é de analfabetos, de pessoas que verdadeiramente não sabem nem querem saber do valor de um poema, do mundo de liberdade e de independência que ele encerra. E uma gente assim não me convém, nem tão-pouco o Deus intolerante que servem. Por isso me vou divertindo com as minhas divindades naturais, luciferinamente, certo de que o diabo é ainda uma grande companhia. Foi a ele que Jesus disse que o seu reino não era deste mundo. E o meu, precisamente, é.

Má coisa é fomentar o gosto pela leitura nas crianças. Quando os jovens leitores forem mais crescidos, estarão indefesos perante a vida, que é ágrafa, analfabeta e audiovisual.

N√£o posso deixar de votar nela. √Č por demais forte, simbolicamente, para eu n√£o me abalar. Marina √© Lula e √© Obama ao mesmo tempo. Ela √© meio preta, √© cabocla, √© inteligente como o Obama, n√£o √© analfabeta como o Lula, que n√£o sabe falar, √© cafona falando, grosseiro. Ela fala bem.

As M√°scaras e a Guerra

… A minha casa ficou entre os dois sectores… De um lado avan√ßavam mouros e italianos… Do outro lado avan√ßavam, retrocediam ou aguentavam-se os defensores de Madrid… Pelas paredes tinham entrado as granadas da artilharia… As janelas desfizeram-se em estilha√ßos… Encontrei restos de chumbo no ch√£o, entre os meus livros… Mas as minhas m√°scaras tinham desaparecido… As minhas m√°scaras trazidas do Si√£o, de Bali, de Samatra, do arquip√©lago malaio, de Bandung. Douradas, cinzentas, cor de tomate, com sobrancelhas prateadas ou azuis, infernais, ensimesmadas, as minhas m√°scaras eram a √ļnica lembran√ßa daquele primeiro Oriente aonde cheguei solit√°rio e que me tinha acolhido com o seu odor de ch√°, de esterco, de √≥pio, de suor, de jasmins intensos, de frangipana, de fruta podre pelas ruas… Aquelas m√°scaras, mem√≥ria de pur√≠ssimas dan√ßas, dos bailes defronte do templo… Gotas de madeira coloridas pelos mitos, restos daquela floral mitologia que tra√ßava no ar sonhos, costumes, dem√≥niosi mist√©rios incompat√≠veis com a minha natureza americana… E ent√£o… Talvez os militantes tenham assomado √†s janelas da minha casa com as m√°scaras postas, talvez tenham assustado os mouros entre dois disparos… Muitas deles ficaram em estilhas e sangrentas, ali mesmo… Outras teriam rolado desde o meu quinto andar, arrancadas por um tiro…

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N√£o Ser√° Tempo de Voltarmos aos Sentidos?

N√£o somos apenas o nosso corpo, estamos tamb√©m integrados num corpus social, que solicita, expande e reprime a nossa sensibilidade. Basta ouvir aquele que foi o maior te√≥rico da comunica√ß√£o do s√©culo XX, Marshall McLuhan, para perceber at√© que ponto isso √© aproveitado pela sociedade de comunica√ß√£o global, para quem o indiv√≠duo passa a ser uma presa. O que diz McLuhan sobre a televis√£o, por exemplo, √© imensamente elucidativo: ¬ęUm dos efeitos da televis√£o √© retirar a identidade pessoal. S√≥ por ver televis√£o, as pessoas tornam-se num grupo coletivo de iguais. Perdem o interesse pela singularidade pessoal.¬Ľ Se repararmos, os meios que lideram a comunica√ß√£o humana contempor√Ęnea (da televis√£o ao telefone, do e-mail √†s redes sociais) interagem apenas com aqueles dos nossos sentidos que captam sinais √† dist√Ęncia: fundamentalmente a vis√£o e a audi√ß√£o. Origina-se assim uma descontrolada hipertrofia dos olhos e ouvidos, sobre os quais passa a recair toda a responsabilidade pela participa√ß√£o no real. ¬ęViste aquilo?¬Ľ, ¬ęj√° ouviste a √ļltima do…¬Ľ: os nossos quotidianos s√£o continuamente bombardeados pela press√£o do ver e do ouvir. O mesmo se passa com a locomo√ß√£o: seja a pilotar um avi√£o, a conduzir um autom√≥vel, ou seja o pe√£o a deslocar-se nas art√©rias das cidades modernas,

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No Penedo da Meditação

Aprende-se at√© morrer…
Mas eu fui mais refract√°rio:
Morrerei sem aprender,
Vida, o teu abeced√°rio!

Nem a Dor, nem o Prazer,
No seu vaivém arbitrário,
Souberam dar ao meu ser
As regras do seu fad√°rio.

O céu trasborda de estrelas,
Mas é cifrado e secreto
Para mim, que não sei lê-las.

Cego, surdo, analfabeto,
De nada entendo o motivo,
Nem quem sou, nem porque vivo…

Uma Nova Etapa na Vida a partir da Leitura de um Livro

Somos subeducados, atrasados e analfabetos; e neste particular confesso que n√£o fa√ßo grande distin√ß√£o entre a ignor√Ęncia do meu concidad√£o que n√£o sabe absolutamente ler nada, e a ignor√Ęncia do que apenas aprendeu a ler o que se destina a crian√ßas e intelig√™ncias med√≠ocres. Dever√≠amos estar √† altura dos grandes da Antiguidade, mas em parte por saber primacialmente qu√£o grandes eles foram. Somos uma ra√ßa de homens-passarinhos; nos nossos voos intelectuais mal nos al√ßamos um pouco acima das colunas do jornal.
Nem todos os livros s√£o t√£o ins√≠pidos como os seus leitores. √Č prov√°vel que haja palavras endere√ßadas exactamente √† nossa condi√ß√£o, as quais, se de facto pud√©ssemos ouvi-las e entend√™-las, seriam mais salutares √†s nossas vidas que a pr√≥pria manh√£ ou a Primavera, revelando-nos talvez uma face in√©dita das coisas.
Quantos homens não inauguraram uma nova etapa na vida a partir da leitura de um livro! Deve existir para nós o livro capaz de explicar os nossos mistérios e de revelar outros insuspeitados. As coisas que ora nos parecem inexprimíveis, podemos encontrá-las expressas algures.
As mesmas quest√Ķes que nos inquietam, intrigam e confundem, foram postas por sua vez a todos os homens s√°bios; nenhuma foi omitida,

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Nem Sequer Sou Poeira

N√£o quero ser quem sou. A avara sorte
Quis-me oferecer o século dezassete,
O pó e a rotina de Castela,
As coisas repetidas, a manh√£
Que, prometendo o hoje, dá a véspera,
A palestra do padre ou do barbeiro,
A solid√£o que o tempo vai deixando
E uma vaga sobrinha analfabeta.
J√° sou entrado em anos. Uma p√°gina
Casual revelou-me vozes novas,
Amadis e Urganda, a perseguir-me.
Vendi as terras e comprei os livros
Que narram por inteiro essas empresas:
O Graal, que recolheu o sangue humano
Que o Filho derramou pra nos salvar,
Maomé e o seu ídolo de ouro,
Os ferros, as ameias, as bandeiras
E as opera√ß√Ķes e truques de magia.
Cavaleiros crist√£os l√° percorriam
Os reinos que há na terra, na vingança
Da ultrajada honra ou querendo impor
A justiça no fio de cada espada.
Queira Deus que um enviado restitua
Ao nosso tempo esse exercício nobre.
Os meus sonhos avistam-no. Senti-o
Na minha carne triste e solit√°ria.
Seu nome ainda n√£o sei. Mas eu, Quijano,
Serei o paladino.

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Marina √© Lula e √© Obama ao mesmo tempo. Ela √© meio preta, √© uma cabocla. √Č inteligente como o Obama, n√£o √© analfabeta como o Lula, que n√£o sabe falar.