Cita√ß√Ķes sobre Apelo

58 resultados
Frases sobre apelo, poemas sobre apelo e outras cita√ß√Ķes sobre apelo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

No Corpo

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o ver√£o levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora s√£o apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

Ser assertivo é ser coerente à letra com aquilo que pensamos e sentimos, e afirmá-lo sem apelo nem agravo, sem falsos moralismos nem pena de ninguém, apenas e somente porque nos respeitamos.

Meus Caros, Volta-Se Porque Se Tem Saudade

Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranquilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se transfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.

F√°bula

Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante.
Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seio de Maria ca√≠am nus da blusa. Uma das m√£os do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo d√® homem: r√≠gido e fremente, ao mesmo tempo, √† for√ßa de concentrar todo o √≠mpeto nas n√°degas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas da rapariga. Parecia um cavalo ofegante ‚ÄĒ os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espa-lhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o c√©u branco de agosto. Mas a terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante.

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O Artista é Maior que Deus

Como √© bom escrever ao apelo incerto do que nos faz sinais. Como √© fascinante escrever para saber o que √©. Indeciso apelo, motivo que o n√£o √©, at√© se saber o que √©. Traz√™-lo √† vida da sua nebulosa, capt√°-la na err√Ęncia de uma inquieta procura. Obedecer ao impulso que sobe em n√≥s em energia e movimenta√ß√£o, na necessidade de o realizar e ele coalhar em escrita, no irreal da sua realiza√ß√£o. Estremecer ao aviso, persegui-lo at√© onde n√£o sabemos o seu tudo, depois da surpresa do que l√° estava.
Escrever é não saber para saber. Mas o que se sabe é frágil e há que procurá-lo até à eternidade. Porque o que se encontra é ainda a procura, o além de todo o aquém. E é porque nunca se encontra, que a arte continua. Assim o artista é maior do que Deus. Porque ele já tinha criado, antes de criar, e assim não teve surpresas. E quem escreve só no infinito realiza a sua criação e só aí as não terá.

Poeminha de Louvor ao Strip-tease Secular

Eu sou do tempo em que a mulher
nem mostrava o tornozelo;
que apelo!

Depois, j√° rapazinho
vi as primeiras pernas de mulher
por sob a curta saia;
que gandaia!

A moda avança,
a saia sobe mais,
mostrando j√° joelhos
lupercais!

As fazendas com os anos,
se fazem mais leves,
e surgem figurinhas, pelas ruas,
mostrando as lindas formas quase nuas.

E a mania do sport
trouxe o short.

O short amigo,
que trouxe consigo,
o mai√ī de duas pe√ßas.

E logo, de aud√°cia em aud√°cia,
a natureza, ganhando terreno,
sugeriu o biquini,
o mai√ī, de pequeno, ficando mais pequeno
n√£o se sabendo mais,
até onde um corpo branco,
pode ficar moreno.

Deus, a graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

A memória em si própria está cheia de ácido, e acabará por não restar mais do que todos os gritos de dor, e de todos os rostos horrorizados do passado, com apelos cada vez mais surdos, dos quais vislumbramos contornos vagos.

Esqueço-me das Horas Transviadas

PASSOS DA CRUZ

Esqueço-me das horas transviadas
o Outono mora m√°goas nos outeiros
E p√Ķe um roxo vago nos ribeiros…
H√≥stia de assombro a alma, e toda estradas…

Aconteceu-me esta paisagem, fadas
De sepulcros a org√≠aco… Trigueiros
Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…

No claustro seq√ľestrando a lucidez
Um espasmo apagado em √≥dio √† √Ęnsia
P√Ķe dias de ilhas vistas do conv√©s

No meu cansaço perdido entre os gelos
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha disson√Ęncia…

Democracia Representativa

Democracia representativa significa o funcionamento de √≥rg√£os de soberania eleitos e o pleno respeito pela a√ß√£o da oposi√ß√£o parlamentar. Mas significa, tamb√©m, que n√£o se transigir√° com quaisquer tentativas de, por meios n√£o parlamentares, derrubar o Governo, sejam elas o apelo √† insurrei√ß√£o, √† desobedi√™ncia e ao desrespeito da lei, sejam elas as tentativas de provocar afrontamentos entre √≥rg√£os de soberania, sejam elas as manipula√ß√Ķes dos leg√≠timos direitos dos trabalhadores.

Um Segredo

Meu pai tinha sand√°lias de vento
só agora o sei.
Tinha sand√°lias de vento
e isto nem sequer é uma maneira de dizer
andava por longe os olhos fugidos a express√£o em
[nenhures
com as miraculosas instantaneidades que nos fazem
[estar em todos os sítios.

Andava por longe meu pai sonhando errando vadiando
mas toda a sua ausência era
o malogro de o ser
só agora o sei.
Andava por longe ou sentíamo-lo longe
vem dar no mesmo
e no entanto víamo-lo sempre
ali plantado de imobilidade absorta
no cepo de carvalho raiado de negro
a que o caruncho comera o miolo
como as lagartas esvaziam as maçãs
estranhamente quieto murcho resignado
no seu estranho vadiar
os olhos aguados numa tristeza que hoje me dói
como um apelo perdido uma coragem abortada.
Ausência era tão de mágoa urdida tão de fracasso
[tingida
ausência era
altiva e desolada altiva e triste sobretudo triste
tristeza sim tristeza solene e irremediada
só agora o sei.

Às vezes parecia-me uma águia que atravessa os ares
sulco azul
que nada distingue do azul onde foi sulcado
e por isso nem é águia nem ao menos
o que do seu voo resta para que
o sonho se faça real.

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Juramento: no Direito, um apelo solene √† Divindade, que pesa mais na consci√™ncia por existir uma pena para o perj√ļrio.

Toledo

Diluído numa taça de oiro a arder
Toledo é um rubi. E hoje é só nosso!
O sol a rir… Vivalma… N√£o esbo√ßo
Um gesto que me n√£o sinta esvaecer…

As tuas m√£os tacteiam-me a tremer…
Meu corpo de √Ęmbar, harmonioso e mo√ßo
√Č como um jasmineiro em alvoro√ßo
√Čbrio de sol, de aroma, de prazer!

Cerro um pouco o olhar onde subsiste
Um rom√Ęntico apelo vago e mudo,
РUm grande amor é sempre grave e triste.

Flameja ao longe o esmalte azul do Tejo…
Uma torre ergue ao c√©u um grito agudo…
Tua boca desfolha-me num beijo…

Amor ou Posse?

O nosso ¬ęamor pelo pr√≥ximo¬Ľ n√£o ser√° o desejo imperioso de uma nova propriedade? E n√£o sucede o mesmo com o nosso amor pela ci√™nica, pela verdade? E, mais geralmente, com todos os desejos de novidade? Cansamo-nos pouco a pouco do antigo, do que possu√≠mos com certeza, temos ainda necessidade de estender as m√£os; mesmo a mais bela paisagem, quando vivemos diante dela mais de tr√™s meses, deixa de nos poder agradar, qualquer margem distante nos atrai mais: geralmente uma posse reduz-se com o uso. O prazer que tiramos a n√≥s pr√≥prios procura manter-se, transformando sempre qualquer nova coisa em n√≥s pr√≥prios; √© precisamente a isso que se chama possuir.
Cansar-se de uma posse √© cansar-se de si pr√≥prio. (Pode-se tamb√©m sofrer com o excesso; √† necessidade de deitar fora, pode assim atribuir-se o nome lisonjeiro de ¬ęamor). Quando vemos sofrer uma pessoa aproveitamos de bom grado essa ocasi√£o que se oferece de nos apoderarmos dela; √© o que faz o homem caridoso, o indiv√≠duo complacente; chama tamb√©m ¬ęamor¬Ľ a este desejo de uma nova posse que despertou na sua alma e tem prazer nisso como diante do apelo de uma nova conquista. Mas √© o amor de sexo para sexo que se revela mais nitidamente como um desejo de posse: aquele que ama quer ser possuidor exclusivo da pessoa que deseja,

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Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Aceitação é sempre apenas a metade da religião; a outra é revolta, reivindicação, apelo contra o que é, em prol daquilo que deveria ser.

Fragmento do Homem

Que tempo √© o nosso? H√° quem diga que √© um tempo a que falta amor. Convenhamos que √©, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsess√£o do lucro foi transformando o homem num objecto com pre√ßo marcado. Estrangeiro a si pr√≥prio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem √† tona √© o mais abomin√°vel dos simulacros. Toda a arte moderna nos d√° conta dessa cat√°strofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa den√ļncia; a sua dignidade, em n√£o pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar m√°scaras e m√°scaras.
E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogm√°tico √© mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias √† ¬ęsabedoria¬Ľ do corpo, em que o privil√©gio de uns poucos √© utilizado implacavelmente para transformar o indiv√≠duo em ¬ęcad√°ver adiado que procria¬Ľ, como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situa√ß√£o, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde esp√≠rito e sangue ardem no mesmo fogo, est√£o arraigados no pr√≥prio cerne da vida?

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