Passagens sobre Apelo

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Frases sobre apelo, poemas sobre apelo e outras passagens sobre apelo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Č como um po√ßo sem fundo. Voltamos a sentir o apelo do nada, a tenta√ß√£o de cair, de nos rejuntarmos a uma obscuridade que nos convoca.

Amai sempre mais Jesus Cristo! A nossa vida é uma resposta ao Seu apelo. E sereis felizes e contruireis bem a vossa vida se souberdes responder a esse apelo.

Esqueço-me das Horas Transviadas

PASSOS DA CRUZ

Esqueço-me das horas transviadas
o Outono mora m√°goas nos outeiros
E p√Ķe um roxo vago nos ribeiros…
H√≥stia de assombro a alma, e toda estradas…

Aconteceu-me esta paisagem, fadas
De sepulcros a org√≠aco… Trigueiros
Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…

No claustro seq√ľestrando a lucidez
Um espasmo apagado em √≥dio √† √Ęnsia
P√Ķe dias de ilhas vistas do conv√©s

No meu cansaço perdido entre os gelos
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha disson√Ęncia…

A criança desprotegida que encontramos na rua não é motivo para revolta ou exasperação, e sim um apelo para que trabalhemos com mais amor pela edificação de um mundo melhor.

Beethoven Surdo

Surdo, na universal indiferença, um dia,
Beethoven, levantando um desvairado apelo,
Sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo.
E o seu mundo interior cantava e restrugia.

Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo,
Viu, sobre a orquestra√ß√£o que no seu cr√Ęnio havia,
Os astros em torpor na imensidade fria,
O ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo.

Era o nada, a evers√£o do caos no cataclismo,
A síncope do som no páramo profundo,
O silêncio, a algidez, o vácuo, o horror no abismo.

E Beethoven, no seu supremo desconforto,
Velho e pobre, caiu, como um deus moribundo,
Lançando a maldição sobre o universo morto!

A Cultura não se Enquadra na Totalidade Política

A cultura nunca poder√° ser um factor estrat√©gico de mudan√ßa. Se √© estrat√©gia, n√£o √© cultura. Faz-se apelo √† cultura como estrat√©gia de mudan√ßa, tentando resolver a condi√ß√£o perturbadora do homem culto, munido de culpabilidade inconsciente, ou simplesmente isento da culpabilidade pelo sofrimento. Isso n√£o √© poss√≠vel. A cultura n√£o se enquadra na totalidade pol√≠tica. H√° um grave mal-entendido quanto a isso. A cultura n√£o significa o conforto da neutralidade, a ir√≥nica gradua√ß√£o da expectativa, a gin√°stica do n√£o-compomisso. Significa um enraizamento em si mesmo, que conserva no homem a faculdade de julgar. N√£o √© contr√°ria √† ac√ß√£o, mas √© condi√ß√£o necess√°ria para que a ac√ß√£o seja serena e √ļtil, e n√£o impaciente e desordenada. N√£o se trata de racismo espiritual; n√£o se trata da pretens√£o de existir √† parte da hist√≥ria pol√≠tica do mundo. √Č a inten√ß√£o absolutamente necess√°ria de ser livre, face aos acontecimentos, qualquer que seja a l√≥gica que os liga. A cultura √© o que identifica um povo com a sua finalidade.

O apelo de Jesus impele cada um de nós a não ficar parado na superfície das coisas, sobretudo quando estamos perante uma pessoa.

Somos chamados a olhar mais além, a visar o coração para ver de quanta generosidade cada um é capaz.

O Carácter dos Homens é Pouco Flexível

√Č apenas a experi√™ncia que nos ensina quanto o car√°cter dos homens √© pouco flex√≠vel, e durante muito tempo, como as crian√ßas pensamos poder, atrav√©s de sensatas representa√ß√Ķes, atrav√©s da prece e da amea√ßa, atrav√©s do exemplo, atrav√©s dum apelo √† generosidade, levar os homens a deixarem a sua maneira de ser, a mudarem a sua conduta e a desistirem da sua opini√£o, a aumentar a sua capacidade; o mesmo se passa quanto √† nossa pr√≥pria pessoa. √Č preciso que as experi√™ncias venham ensinar-nos o que queremos, o que podemos: at√© essa altura ignor√°mo-lo, n√£o temos car√°cter; e √© preciso mais do que uma vez que rudes fracassos venham relan√ßar-nos na nossa verdadeira via. – Enfim, aprendemo-lo, e chegamos a ter aquilo que o mundo chama car√°cter, isto √© o car√°cter adquirido. A√≠ existe, portanto, apenas um conhecimento, o mais perfeito poss√≠vel da nossa pr√≥pria individualidade: √© uma no√ß√£o abstracta, e por consequ√™ncia clara das qualidades imut√°veis do nosso car√°cter emp√≠rico, do grau e da direc√ß√£o das nossas for√ßas, tanto espirituais como corporais, em suma, do forte e do fraco em toda a nossa individualidade.

No Corpo

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o ver√£o levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora s√£o apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

Ser assertivo é ser coerente à letra com aquilo que pensamos e sentimos, e afirmá-lo sem apelo nem agravo, sem falsos moralismos nem pena de ninguém, apenas e somente porque nos respeitamos.

Meus Caros, Volta-Se Porque Se Tem Saudade

Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranquilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se transfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.

F√°bula

Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante.
Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seio de Maria ca√≠am nus da blusa. Uma das m√£os do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo d√® homem: r√≠gido e fremente, ao mesmo tempo, √† for√ßa de concentrar todo o √≠mpeto nas n√°degas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas da rapariga. Parecia um cavalo ofegante ‚ÄĒ os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espa-lhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o c√©u branco de agosto. Mas a terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante.

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O Artista é Maior que Deus

Como √© bom escrever ao apelo incerto do que nos faz sinais. Como √© fascinante escrever para saber o que √©. Indeciso apelo, motivo que o n√£o √©, at√© se saber o que √©. Traz√™-lo √† vida da sua nebulosa, capt√°-la na err√Ęncia de uma inquieta procura. Obedecer ao impulso que sobe em n√≥s em energia e movimenta√ß√£o, na necessidade de o realizar e ele coalhar em escrita, no irreal da sua realiza√ß√£o. Estremecer ao aviso, persegui-lo at√© onde n√£o sabemos o seu tudo, depois da surpresa do que l√° estava.
Escrever é não saber para saber. Mas o que se sabe é frágil e há que procurá-lo até à eternidade. Porque o que se encontra é ainda a procura, o além de todo o aquém. E é porque nunca se encontra, que a arte continua. Assim o artista é maior do que Deus. Porque ele já tinha criado, antes de criar, e assim não teve surpresas. E quem escreve só no infinito realiza a sua criação e só aí as não terá.

Poeminha de Louvor ao Strip-tease Secular

Eu sou do tempo em que a mulher
nem mostrava o tornozelo;
que apelo!

Depois, j√° rapazinho
vi as primeiras pernas de mulher
por sob a curta saia;
que gandaia!

A moda avança,
a saia sobe mais,
mostrando j√° joelhos
lupercais!

As fazendas com os anos,
se fazem mais leves,
e surgem figurinhas, pelas ruas,
mostrando as lindas formas quase nuas.

E a mania do sport
trouxe o short.

O short amigo,
que trouxe consigo,
o mai√ī de duas pe√ßas.

E logo, de aud√°cia em aud√°cia,
a natureza, ganhando terreno,
sugeriu o biquini,
o mai√ī, de pequeno, ficando mais pequeno
n√£o se sabendo mais,
até onde um corpo branco,
pode ficar moreno.

Deus, a graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

A memória em si própria está cheia de ácido, e acabará por não restar mais do que todos os gritos de dor, e de todos os rostos horrorizados do passado, com apelos cada vez mais surdos, dos quais vislumbramos contornos vagos.

Democracia Representativa

Democracia representativa significa o funcionamento de √≥rg√£os de soberania eleitos e o pleno respeito pela a√ß√£o da oposi√ß√£o parlamentar. Mas significa, tamb√©m, que n√£o se transigir√° com quaisquer tentativas de, por meios n√£o parlamentares, derrubar o Governo, sejam elas o apelo √† insurrei√ß√£o, √† desobedi√™ncia e ao desrespeito da lei, sejam elas as tentativas de provocar afrontamentos entre √≥rg√£os de soberania, sejam elas as manipula√ß√Ķes dos leg√≠timos direitos dos trabalhadores.

Um Segredo

Meu pai tinha sand√°lias de vento
só agora o sei.
Tinha sand√°lias de vento
e isto nem sequer é uma maneira de dizer
andava por longe os olhos fugidos a express√£o em
[nenhures
com as miraculosas instantaneidades que nos fazem
[estar em todos os sítios.

Andava por longe meu pai sonhando errando vadiando
mas toda a sua ausência era
o malogro de o ser
só agora o sei.
Andava por longe ou sentíamo-lo longe
vem dar no mesmo
e no entanto víamo-lo sempre
ali plantado de imobilidade absorta
no cepo de carvalho raiado de negro
a que o caruncho comera o miolo
como as lagartas esvaziam as maçãs
estranhamente quieto murcho resignado
no seu estranho vadiar
os olhos aguados numa tristeza que hoje me dói
como um apelo perdido uma coragem abortada.
Ausência era tão de mágoa urdida tão de fracasso
[tingida
ausência era
altiva e desolada altiva e triste sobretudo triste
tristeza sim tristeza solene e irremediada
só agora o sei.

Às vezes parecia-me uma águia que atravessa os ares
sulco azul
que nada distingue do azul onde foi sulcado
e por isso nem é águia nem ao menos
o que do seu voo resta para que
o sonho se faça real.

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