Passagens sobre Arrog√Ęncia

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O homem, em sua arrog√Ęncia, pensa de si mesmo como uma grande obra, merecedora da interven√ß√£o de uma divindade.

A arrog√Ęncia da esp√©cie humana coexiste com um sentimento contradit√≥rio de desprotec√ß√£o total. Nos dias de hoje, todas as na√ß√Ķes, mesmo as mais poderosas, estremecem nas m√£os de algo que nos escapa, um destino cego, um horizonte enevoado. De s√ļbito, o Homem redescobre a sua fragilidade, a sua infinita solid√£o.

Este corpo no final ser√° misturado com a lama. Porqu√™ permanecer na arrog√Ęncia?

N√£o busqueis riquezas com arrog√Ęncia, mas apenas as que possais obter justamente, n√£o moderadamente, distribuei alegremente, e partai satisfeitos.

A Boa Vontade

De todas as coisas que podemos conceber neste mundo ou mesmo, de uma maneira geral, fora dele, n√£o h√° nenhuma que possa ser considerada como boa sem restri√ß√£o, salvo uma boa vontade. O entendimento, o esp√≠rito, o ju√≠zo e os outros talentos do esp√≠rito, seja qual for o nome que lhes dermos, a coragem, a decis√£o, a perseveran√ßa nos prop√≥sitos, como qualidades do temperamento, s√£o, indubit√°velmente, sob muitos aspectos, coisas boas e desej√°veis; contudo, tamb√©m podem chegar a ser extrordin√°riamente m√°s e daninhas se a vontade que h√°-de usar destes bens naturais, e cuja constitui√ß√£o se chama por isso car√°cter, n√£o √© uma boa vontade. O mesmo se pode dizer dos dons da fortuna. O poder, a riqueza, a considera√ß√£o, a pr√≥pria sa√ļde e tudo o que constitui o bem-estar e contentamento com a pr√≥pria sorte, numa palavra, tudo o que se denomina felicidade, geram uma confian√ßa que muitas vezes se torna arrog√Ęncia, se n√£o existir uma boa vontade que modere a influ√™ncia que a felicidade pode exercer sobre a sensibilidade e que corrija o princ√≠pio da nossa actividade, tornando-o √ļtil ao bem geral; acrescentemos que num espectador imparcial e dotado de raz√£o, testemunha da felicidade ininterrupta de uma pessoa que n√£o ostente o menor tra√ßo de uma vontade pura e boa,

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Como Escrever

Minhas intui√ß√Ķes se tornam mais claras ao esfor√ßo de transp√ī-las em palavras. √Č neste sentido, pois, que escrever me √© uma necessidade. De um lado, porque escrever √© um modo de n√£o mentir o sentimento (a transfigura√ß√£o involunt√°ria da imagina√ß√£o √© apenas um modo de chegar); de outro lado, escrevo pela incapacidade de entender, sem ser atrav√©s do processo de escrever. Se tomo um ar herm√©tico, √© que n√£o s√≥ o principal √© n√£o mentir o sentimento como porque tenho incapacidade de transp√ī-lo de um modo claro sem que o minta ‚ÄĒ mentir o pensamento seria tirar a √ļnica alegria de escrever. Assim, tantas vezes tomo um ar involuntariamente herm√©tico, o que acho bem chato nos outros. Depois da coisa escrita, eu poderia friamente torn√°-la mais clara? Mas √© que sou obstinada. E por outro lado, respeito uma certa clareza peculiar ao mist√©rio natural, n√£o substitu√≠vel por clareza outra nenhuma. E tamb√©m porque acredito que a coisa se esclarece sozinha com o tempo: assim como num copo de √°gua, uma vez depositado no fundo o que quer que seja, a √°gua fica clara. Se jamais a √°gua ficar limpa, pior para mim. Aceito o risco. Aceitei risco bem maior, como todo o mundo que vive.

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Juízes Imparciais

Se quisermos ser ju√≠zes imparciais em qualquer circunst√Ęncia, devemos, antes de mais, ter em conta que ningu√©m est√° livre de culpa; o que est√° na origem da nossa indigna√ß√£o √© a ideia de que: ¬ęEu n√£o errei¬Ľ e ¬ęEu n√£o fiz nada¬Ľ. Pelo contr√°rio, tu recusas admitir os teus erros! Indignamo-nos quando somos castigados ou repreendidos, cometendo, simultaneamente, o erro de acrescentar aos crimes cometidos, a arrog√Ęncia e a obstina√ß√£o. Quem poder√° dizer que nunca infringiu a lei? E, se assim for, √© bem estreita inoc√™ncia ser bom perante a lei! Qu√£o mais vasta √© a regra do dever do que a regra do direito! Quantas obriga√ß√Ķes imp√Ķem a piedade, a humanidade, a bondade, a justi√ßa e a lealdade, que n√£o est√£o escritas em nenhuma t√°bua de leis!
Mas n√≥s n√£o podemos satisfazer-nos com aquela no√ß√£o de inoc√™ncia t√£o limitada: h√° erros que cometemos, outros que pensamos cometer, outros que desejamos cometer, outros que favorecemos; por vezes, somos inocentes por n√£o termos conseguido comet√™-los. Se tivermos isto em conta, somos mais justos para com os delinquentes, e mais persuasivos nas admoesta√ß√Ķes; em todo o caso, n√£o nos iremos contra os homens bons (de facto, contra quem n√£o nos sentiremos irados,

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O Estudo da Sabedoria Nunca Termina

Ao estudo da sabedoria jamais havereis de p√īr termo; n√£o acabe ele antes de acabada a vossa vida. Em tr√™s coisas cumpre ao homem pensar e exercitar-se enquanto viva: em saber bem, em bem falar e em bem obrar.
Desterra dos teus estudos a arrog√Ęncia; n√£o fiques presumido pelo que sabes, porque tudo quando sabe o mais s√°bio homem do mundo nada √© em compara√ß√£o com o muito que lhe falta saber. Mui escasso √©, e muito obscuro e incerto, tudo quanto os homens alcan√ßam nesta vida; e os nossos entendimentos, detidos e presos neste c√°rcere do corpo, est√£o oprimidos por grand√≠ssima escurid√£o, trevas e ignor√Ęncia, e o corte ou fio do engenho √© t√£o cego que n√£o pode cortar, nem passar-lhe de rasp√£o sequer, coisa alguma.
Afora isto, a arrog√Ęncia faz com que n√£o possas tirar proveito do estudo; creio que ter√° havido muitos que n√£o chegaram a s√°bios e que poderiam t√™-lo sido se n√£o dessem a entender que j√° o eram.
Deveis guardar-vos, também, de porfias, de competências, de menosprezar ou amesquinhar o que os outros sabem ou não sabem, de desejar vanglórias. Para isto, principalmente, servem os estudos: para nos ensinarem a fugir de tais vícios e de outros semelhantes.

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A Nulidade como Ideal

A nulidade exige ordem. Tem necessidade de uma hierarquia, de meios de press√£o, de agentes e de uma finalidade que se confunda consigo pr√≥pria. Para manter o ser humano no seu n√≠vel mais baixo, onde n√£o corre o risco de fazer ondas, nada melhor que uma organiza√ß√£o estruturada com n√≠veis de poder e pe√Ķes disciplinados capazes de os exercer. Qualquer estrutura deste tipo aguenta-se de p√© devido √† convic√ß√£o geral de que n√£o √© necess√°rio explicar para se ser obedecido, nem compreender para obedecer. A verdade difunde-se por si s√≥ de cima para baixo pelo mero efeito do ascensor hier√°riquico. A efic√°cia √© proporcional ao grau de complexidade gra√ßas ao qual √© mantida a ilus√£o de uma certa liberdade em todos os n√≠veis de comando.
Quanto mais insignificantes s√£o as engrenagens humanas, mais f√°cil √© convenc√™-las da sua falsa autonomia. As nulidades fornecem as melhores engrenagens, associando o m√°ximo de in√©rcia intelectual ao m√°ximo de aplica√ß√£o no exerc√≠cio de uma ditadura sobre a pequena por√ß√£o de poder que lhes cabe. Essas estruturas, onde todos t√™m raz√£o quando est√£o acima e n√£o a t√™m quando est√£o abaixo, realizam uma esp√©cie de ideal humano feito de equil√≠brio entre arrog√Ęncia e humildade.

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De repente, fugir tornou-se uma dignidade. J√° ningu√©m aguenta uma derrota. A persist√™ncia; a determina√ß√£o e, sobretudo, a bendita paci√™ncia s√£o hoje qualidades desprez√≠veis. Aguentar e esperar pela pr√≥xima oportunidade consideram-se teimosias gananciosas; arrog√Ęncias; estupidezes.

Os nossos endinheirados d√£o uma imagem infantil de quem somos. Parecem crian√ßas que entraram numa loja de rebu√ßados. Derretem-se perante o fasc√≠nio de uns bens de ostenta√ß√£o. Servem-se do er√°rio p√ļblico como se fosse a sua panela pessoal. Envergonha-nos a sua arrog√Ęncia, a sua falta de cultura, o seu desprezo pelo povo, a sua atitude elitista para com a pobreza.

Talvez seja necess√°rio assaltar um √ļltimo reduto de racismo que √© a arrog√Ęncia de um √ļnico saber e a incapacidade de estar dispon√≠vel para filosofias que chegam das na√ß√Ķes empobrecidas.

Para uma certa categoria de pobres diabos, j√° se sabe, a arrog√Ęncia revela-se muitas vezes uma ferramenta de enorme utilidade. Em Lisboa, pelo menos, √© assim: uma pessoa pode ser modesta, ignorante e fr√°gil, mas se puser um ar de superioridade ganha logo ascendente na rela√ß√£o com a pessoa em frente.

Olhos Suaves, que em Suaves Dias

Olhos suaves, que em suaves dias
Vi nos meus tantas vezes empregados;
Vista, que sobra esta alma despedias
Deleitosos farp√Ķes, no c√©u forjados:

Santu√°rios de amor, luzes sombrias,
Olhos, olhos da cor de meus cuidados,
Que podeis inflamar as pedras frias,
Animar cad√°veres mirrados:

Troquei-vos pelos ventos, pelos mares,
Cuja verde arrog√Ęncia as nuvens toca,
Cuja hrrísona voz perturba os ares:

Troquei-vos pelo mal, que me sufoca;
Troquei-vos pelos ais, pelos pesares:
Oh c√Ęmbio triste! oh deplor√°vel troca!

Temos de Ser Mais Humanos

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos prim√°rios. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. N√£o √© auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biol√≥gica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condi√ß√£o. √Č lendo Plat√£o. E construindo pontes suspensas. √Č tendo ins√≥nias. √Č desenvolvendo paran√≥ias, conceitos filos√≥ficos, poemas, desequil√≠brios neuroqu√≠micos insan√°veis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas pol√≠ticos, receitas de bacalhau, pormenores.

√Č engra√ßado como cada √©poca se foi considerando ¬ęde charneira¬Ľ ao longo da hist√≥ria. A pretens√£o de se ser definitivo, a arrog√Ęncia de ser ¬ęo √ļltimo¬Ľ, a vaidade de se ser futuro √©, h√° mil√©nios, a mesm√≠ssima cantiga.
Temos de ser mais humanos. Reconhecer que somos as bestas que somos e arrependermo-nos disso. Temos de nos reduzir à nossa miserável insensibilidade, à pobreza dos nossos meios de entendimento e explicação, à brutalidade imperdoável dos nossos actos. O nosso pé foge-nos para o chinelo porque ainda não se acostumou a prender-se aos troncos das árvores, quanto mais habituar-se a usar sapato.

A √ļnica atitude verdadeiramente civilizada √© a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experi√™ncia, o amor desinteressado,

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Mecenas: geralmente um desgra√ßado que financia com arrog√Ęncia e √© recompensado com adula√ß√£o.

Arrog√Ęncia: tend√™ncia para dominar os outros para al√©m dos pr√≥prios e leg√≠timos direitos e

Arrog√Ęncia: tend√™ncia para dominar os outros para al√©m dos pr√≥prios e leg√≠timos direitos e m√©ritos.