Cita√ß√Ķes sobre Banhos

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N√≥s todos somos turistas, algum dia. Mesmo o mais pobrezinho um dia toma um √īnibus e vai para o interior, visitar uma av√≥; [‚Ķ] Quem √© que n√£o precisa de contato com a natureza, um banho de cachoeira, um castelo na areia, uma caminhada nas matas, olhar as vaquinhas no pasto, sentir o vento debaixo de um coqueiral, tomar uma cervejinha com os p√©s nas √°guas frias do macei√≥? [‚Ķ] Quebrar a rotina, ver novas paisagens, novos comportamentos, esquecer os problemas, as regras, o frio, a neve, a parede da pr√≥pria casa, a janela que d√° para outra janela, o cimento diante de cimento‚Ķ

Escrevo com dificuldade, sou muito lento, o que parece paradoxal em rela√ß√£o ao n√ļmero de livros que j√° publiquei. Mas, se n√£o escrevo, √© como se me vestisse sem tomar banho. Um grande desconforto interior.

Tenho Saudades de Ti

Os dias contigo são dias inteiros que passam num instante. Tenho saudades de ti quando acordo, antes de perceber que já estás ali ao meu lado. Tenho saudades de ti de manhã enquanto espero que desças do banho. Fico bem a ler enquanto te espero, mas leio melhor quando estás ao pé de mim, quando já não me apetece ler.

Hoje foi mais um dia contigo e, mais uma vez, dou comigo aqui à noite, separado de ti, para escrever sobre o dia que se passou. E a coisa principal que aconteceu foi ter saudades de ti outra vez.

Bem sei que sei onde est√°s e que eu estou aqui a cinco passos de ti. Mas a maior certeza que tenho √© que, apesar disso tudo, n√£o estou contigo nem tu est√°s comigo. √Č o que me basta para ter saudades de ti. N√£o preciso de mais: se mais tivesse, morreria.

√Č verdade que estive contigo durante uma pequena parte do dia: aquela a que as pessoas tristes e habituadas chamam vida. Mas estava t√£o apaixonado e t√£o feliz que nem dei por isso.

Pensei apenas: “Conseguimos! Conseguimos estar juntos! Nem acredito!”

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Vou tomar um banho antes de sair e perfumar-me com um perfume que é segredo meu. Só digo uma coisa dele: é agreste e um pouco áspero, com doçura escondida.

Rua de Cam√Ķes

A minha inf√Ęncia
cheira a soalho esfregado a piaçaba
aos chocolates do meu pai aos Domingos
à camisa de noite de flanela
da minha m√£e

Ao fog√£o a carv√£o
à máquina a petróleo
ao zinco da bacia de banho

Soa a janelas de guilhotina
a desvendar meia rua
surgia sempre o telhado
sustent√°culo da mansarda
obst√°culo da perspectiva

Nele a chuva acontecia
aspergindo ocres mais vivos
empapando ervas esquecidas
cantando com as telhas liquidamente
percutindo folhetas e caleiras
criando manchas t√£o incoerentes nas paredes
de onde podia emergir qualquer objecto

E havia a Dona Laura
senhora distinta
e sua criada Rosa
que ao nosso menor salto
lesta vinha avisar
que estavam l√° em baixo
as pratas a abanar no guarda-louça

O caruncho repicava nas frinchas
alongava as pernas
a casa envelhecia

Na rua das traseiras havia um catavento
veloz nas turbulências de Inverno
e eu rejeitava da boneca
a imut√°vel express√£o

A minha mãe fazia-me as tranças
antes de ir para a escola
e dizia-me muitas vezes

N√£o olhes para os rapazes
que é feio.

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A Poesia

… Quantas obras de arte… J√° n√£o cabem no mundo… Temos de as pendurar fora dos quartos… Quantos livros… Quantos livrecos… Quem ser√° capaz de os ler?… Se fossem comest√≠veis… Se numa panela de grande calado os fiz√©ssemos em salada, os pic√°ssemos, os alinh√°ssemos… J√° n√£o se pode mais… Estamos at√© ao pesco√ßo… O mundo afoga-se na mar√©… Reverdy dizia-me: ¬ęAvisei o correio para que n√£o me trouxesse mais livros… N√£o poderia abri-los. N√£o tenho espa√ßo. Trepam pelas paredes, temi uma cat√°strofe, ruiriam em cima da minha cabe√ßa¬Ľ… Todos conhecem Eliot… Antes de ser pintor, de dirigir teatros, de escrever luminosas cr√≠ticas, lia os meus versos… Sentia-me lisonjeado… Ningu√©m os compreendia melhor… At√© que um dia come√ßou a ler-me os seus e eu, egoisticamente, corri a protestar: ¬ęN√£o mos leia, n√£o mos leia¬Ľ… Fechei-me no quarto de banho, mas Eliot, atrav√©s da porta, lia-mos… Fiquei muito triste… O poeta Frazer, da Esc√≥cia, estava presente… Increpou-me: ¬ęPorque tratas assim Eliot?¬Ľ… Respondi: ¬ęN√£o quero perder o meu leitor. Cultivei-o. Conhece at√© as rugas da minha poesia… Tem tanto talento… Pode fazer quadros… Pode escrever ensaios… Mas eu quero manter este leitor, conserv√°-lo, reg√°-lo como planta ex√≥tica… Compreendes-me, Frazer?¬Ľ… Porque a verdade, se isto continua,

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Carta a Manoel

Manoel, tens raz√£o. Venho tarde. Desculpa.
Mas n√£o foi Anto, n√£o fui eu quem teve a culpa,
Foi Coimbra. Foi esta paysagem triste, triste,
A cuja influencia a minha alma n√£o reziste,
Queres noticias? Queres que os meus nervos fallem?
V√°! dize aos choupos do Mondego que se callem…
E pede ao vento que n√£o uive e gema tanto:
Que, emfim, se soffre abafe as torturas em pranto,
Mas que me deixe em paz! Ah tu n√£o imaginas
Quanto isto me faz mal! Peor que as sabbatinas
Dos ursos na aula, peor que beatas correrias
De velhas magras, galopando Ave-Marias,
Peor que um diamante a riscar na vidraça!
Peor eu sei lá, Manoel, peor que uma desgraça!
Hysterisa-me o vento, absorve-me a alma toda,
Tal a menina pelas vesperas da boda,
Atarefada mail-a ama, a arrumar…
O vento afoga o meu espirito n’um mar
Verde, azul, branco, negro, cujos vagalh√Ķes
S√£o todos feitos de luar, recorda√ß√Ķes.
√Ā noite, quando estou, aqui, na minha toca,
O grande evocador do vento evoca, evoca
Nosso ver√£o magnifico, este anno passado,
(E a um canto bate,

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Mapa

Ao norte, a torre clara, a praça, o eterno encontro,
A confidência muda com teu rosto por jamais.
A leste, o mar, o verde, a onda, a espuma,
Esse fantasma longe, barco e bruma,
O cais para a partida mais definitiva
A urna distancia percorrida em sonho:
Perfume da lonjura, a cidade santa.

O oeste, a casa grande, o corredor, a cama:
Esse carinho intenso de silêncio e banho.
A terra a oeste, essa ternura de pianos e janelas abertas
A rua em que passavas, o abano das sacadas: o morro e o
cemitério e as glicínias.
Ao sul, o amor, toda a esperança, o circo, o papagaio, a
nuvem: esse varal de vento,
No sul iluminado o pensamento no sonho em que te sonho
Ao sul, a praia, o alento, essa atalaia ao teu país

Mapa azul da inf√Ęncia:
O jardim de rosas e mistério: o espelho.
O nunca além do muro, além do sonho o nunca
E as avenidas que percorro aclamado e feliz.

Antes o sol no seu mais novo raio,
O acordar cotidiano para o ensaio do céu,

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O Horror de ser Pobre

Risco c’um tra√ßo
(Um traço fino, sem azedume)
Todos os que conheço, eu mesmo incluído.
Para todos estes n√£o me ver√£o
Nunca mais
Olhar com azedume.

O horror de ser pobre!
Muitos gabavam-se que aguentariam, mas era ver-
-lhes as caras alguns anos depois!
Cheiros de latrina e papéis de parede podres
Atiravam abaixo homens de peitaça larga como toiros.
As couves aguadas
Destroem planos que fazem forte um povo.
Sem √°gua de banho, solid√£o e tabaco
Nada h√° que exigir.
O desprezo do p√ļblico
Arruina o espinhaço.
O pobre
Nunca est√° sozinho. Est√£o todos sempre
A espreitar-lhe pra o quarto. Abrem-lhe buracos
No prato da comida. N√£o sabe pra onde h√°-de ir.
O céu é o seu tecto, e chove-lhe lá pra dentro.
A Terra enxota-o. O vento
N√£o o conhece. A noite faz dele um aleijado. O dia
Deixa-o nu. Nada é o dinheiro que se tem. Não salva ninguém.
Mas nada ajuda
Quem dinheiro n√£o tem.

Tradução de Paulo Quintela

Uma Vida Calma e Tranquila

A primeira pergunta que Di√≥genes fez a Alexandre √© a primeira pergunta que qualquer pessoa inteligente deve fazer a si pr√≥pria. Di√≥genes n√£o desperdi√ßou um √ļnico momento.
РAlexandre, estás a tentar conquistar o mundo inteiro. Então e tu? Terás tempo suficiente, depois de conquistares o mundo, para te conheceres a ti próprio? Tens certezas sobre o amanhã ou sobre o próximo momento?
Alexandre nunca tinha conhecido um homem assim. Ele já tinha vencido grandes reis e imperadores, mas percebeu que Diógenes era um homem muito poderoso. Baixando os olhos, Alexandre respondeu:
– N√£o te posso dizer que esteja certo sobre o momento seguinte. Mas posso prometer-te uma coisa: quando tiver conquistado o mundo, vou desejar descansar e viver uma vida calma, tal como tu.
Di√≥genes estava a gozar um banho de sol matinal junto a um rio, rodeado por bonitas √°rvores. Ele riu-se… por vezes penso que o seu riso ainda deve continuar a ecoar.
Pessoas como Diógenes pertencem à eternidade. As suas assinaturas não são feitas na água.
Alexandre sentiu-se ofendido e perguntou-lhe porque se estava a rir.
– √Č muito simples! – respondeu Di√≥genes. – Se eu posso descansar e viver uma vida calma sem ter conquistado o mundo,

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Pudesse abrir a cabeça, tirar tudo pra fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta. Tomar um banho de chuveiro por dentro.

√Č incr√≠vel o que uma casa de banho pode fazer por uma pessoa. Algumas das minhas melhores ideias e algumas das minhas mais importantes descobertas foram mesmo vividas dentro de uma.

A Culpa é Sempre Nossa

Sempre admirei aqueles que nos fazem sentir culpados do que dantes nos julgáramos inocentes. A culpa é uma riqueza, à qual se vai acrescentando. O resultado oscila entre a lista telefónica e as Obras Completas mas pesa sempre.
Os grandes mestres s√£o os nossos pais e os nossos filhos – ambos mostram de onde veio a inspira√ß√£o para o pecado original. Ora se √© culpado por ter nascido e interrompido, ora se √© culpado por ter dado a nascer e n√£o se ter interrompido tanto quanto precisariam os nascidos.A culpa n√£o √© uma coisa que se tenha, como um pesco√ßo. √Č uma coisa que se transmite, como uma gripe. Tanto faz ser-se inocente ou culpado ¬ę√† partida¬Ľ, que tem aspas porque n√£o existe. Os malvados constipam-se tanto como os bonzinhos. Mas ambos s√£o vulner√°veis √† ideia que at√© fizeram por isso e merecem pagar.At√© com as l√Ęmpadas de casa de banho acontece. N√£o h√° dom√≠nio de banalidade que a culpa n√£o contamine. Tenho passado, nos √ļltimos anos, v√°rias semanas, dispersas no tempo, sem luz na casa de banho. Uso pilhas e a luz da lua, quando √© oferecida.Depois aparece o electricista que √© afoito e resolve tudo num segundo.

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Banho, n. Um tipo de cerimónia mística que substituiu o culto religioso, desconhecendo-se ainda a sua eficácia espiritual.

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo

Nos pa√≠ses subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder institu√≠do, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, origin√°rio por via de regra da m√©dia e da pequena burguesia ou mais raramente das classes prolet√°rias, contesta o statu quo, prop√Ķe solu√ß√Ķes revolucion√°rias ou, quando estas n√£o podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar faz√™-lo pela cr√≠tica, violenta ou ir√≥nica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os benefici√°rios do sistema de produ√ß√£o ergueram contra as aspira√ß√Ķes da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude id√™ntica de inconformismo; por√©m, os resultados da sua actividade de cria√ß√£o e reflex√£o tornam-se mat√©ria vend√°vel e, nalguns casos, mat√©ria integr√°vel.
O consumo do objecto art√≠stico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opini√£o, que os meios de comunica√ß√£o de massa, em escala largu√≠ssima , exercem, torna-se, sen√£o totalmente in√≥cuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conte√ļdo cr√≠tico. Despotencializa-se. Amolece. √Č o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve,

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Durma-se que as malhas da luva emaranhados de cuidados
A morte da vida de cada dia, banho de trabalho dolorido
Bálsamo da mente ferida, o segundo curso da natureza é grande,
comando nutridor no banquete da vida.