Cita√ß√Ķes sobre Botas

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Frases sobre botas, poemas sobre botas e outras cita√ß√Ķes sobre botas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Assim como seria rid√≠culo chamar o filho do nosso alfaiate ou do nosso sapateiro, para que nos fizessem um fato ou umas botas, n√£o tendo eles aprendido o of√≠cio; assim tamb√©m seria rid√≠culo consentir ou admitir no governo da Rep√ļblica os filhos daqueles var√Ķes, que governaram com acerto ou prud√™ncia, n√£o tendo eles a mesma capacidade dos pais.

Avarento

Puxando um avarento de um pataco
Para pagar a tampa de um buraco
Que tinha j√° nas abas do casaco,
Levanta os olhos, vê o céu opaco,
Revira-os fulo e d√° com um macaco
Defronte, numa loja de tabaco…
Que lhe fazia muito mal ao caco!
Diz ele ent√£o
Na força da paixão:
‚ÄĒ H√° casaco melhor que aquela pele?
Trocava o meu casaco por aquele…
E at√© a mim… por ele.

Tinha raz√£o,
Quanto a mim.
Quem não tem coração,
Quem n√£o tem alma de satisfazer
As niquices da civilização,
Homem n√£o deve ser;
Seja saguim,
Que escusa tanga, escusa langotim:
V√° para os matos,
J√° n√£o sofre tratos
A calçar botas, a comprar sapatos;
Viva nas tocas como os nossos ratos,
E coma cocos, que s√£o mais baratos!

√Č uma complica√ß√£o se quem faz a massa do bolo √© o sapateiro e quem costura as botas √© o doceiro.

Quantas Loucuras h√° num Homem!

H√° tantos amores na vida de um homem! Aos quatro anos, ama-se os cavalos, o sol, as flores, as armas que brilham, os uniformes de soldado; aos dez, ama-se a menina que brinca connosco.; aos treze, ama-se uma mulher de colo t√ļrgido, porque me lembro de que o que os adolescentes amam loucamente √© um colo de mulher, branco e mate, e como diz Marot:

Tetin refaict plus blanc qu’un oeuf
Tetin de satin blanc tout neuf.

Quase me senti mal quando vi pela primeira vez os seis desnudados de uma mulher. Por fim, aos catorze ou quinze anos, ama-se uma jovem que vem a nossa casa, e que √© um pouco mais que uma irm√£, menos que uma amante; depois, aos dezasseis anos, ama-se uma outra mulher, at√© aos vinte e cinco; depois, talvez se ame a mulher com quem casamos. Cinco anos mais tarde, ama-se a dan√ßarina que faz saltar o seu vestido sobre as suas coxas carnudas; por fim, aos trinta e seis, ama-se a deputa√ß√£o, a especula√ß√£o, as honrarias; aos cinquenta, ama-se o jantar do ministro ou do presidente da c√Ęmara; aos sessenta, ama-se a prostituta que nos chama atrav√©s dos vidros e a quem se lan√ßa um olhar de impot√™ncia,

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Amor é achar bonito uma bota, amor é gostar da cor rara de um homem que não é negro, amor é rir de amor a um anel que brilha.

Barulho não prova nada. Uma galinha bota um ovo e cacareja como se estivesse botado um asteróide.

Todos Temos Duas Almas

Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro… Espantem-se √† vontade, podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; n√£o admito r√©plica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um esp√≠rito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma opera√ß√£o. H√° casos, por exemplo, em que um simples bot√£o de camisa √© a alma exterior de uma pessoa; – e assim tamb√©m a polca, o voltarete, um livro, uma m√°quina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Est√° claro que o of√≠cio dessa segunda alma √© transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que √©, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da exist√™ncia; e casos h√°, n√£o raros, em que a perda da alma exterior implica a da exist√™ncia inteira. (…) Agora, √© preciso saber que a alma exterior n√£o √© sempre a mesma…
– N√£o?
– N√£o, senhor; muda de natureza e de estado. N√£o aludo a certas almas absorventes, como a p√°tria, com a qual disse o Cam√Ķes que morria, e o poder,

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Na hora de bater as botas, diante da pergunta ‘Que mais poderia ter sido minha vida?’, √© tocante constatar que, no fundo, gostar√≠amos que tivesse sido mais do mesmo.

No Amor Começa-se Sempre a Zero

Fazer um registo de propriedade √© chato e dif√≠cil mas fazer uma declara√ß√£o de amor ainda √© pior. Ningu√©m sabe como. N√£o h√° minuta. N√£o h√° sequer um despachante ao qual o premente assunto se possa entregar. As declara√ß√Ķes de amor t√™m de ser feitas pelo pr√≥prio. A experi√™ncia n√£o serve de nada ‚ÄĒ por muitas declara√ß√Ķes que j√° se tenham feito, cada uma √© completamente diferente das anteriores. No amor, ali√°s, a experi√™ncia s√≥ demonstra uma coisa: que n√£o tem nada que estar a demonstrar cois√≠ssima nenhuma. √Č verdade ‚ÄĒ come√ßa-se sempre do zero. Cada vez que uma pessoa se apaixona, regressa √† suprema inoc√™ncia, in√©pcia e barb√°rie da puberdade. Sobem-nos as bainhas das cal√ßas nas pernas e quando damos por n√≥s estamos de cal√ß√Ķes. A experi√™ncia n√£o serve de nada na luta contra o fogo do amor. Imaginem-se duas pessoas apanhadas no meio de um inc√™ndio, sem poderem fugir, e veja-se o sentido que faria uma delas virar-se para a outra e dizer: ¬ęOuve l√°, tu que tens experi√™ncia de queimaduras do primeiro grau…¬Ľ

Pode ter-se sessenta anos. Mas no dia em que o peito sacode com as aurículas a brincar aos carrinhos-de-choque com os ventrículos,

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Males de Anto

A Ares n’uma aldeia

Quando cheguei, aqui, Santo Deus! como eu vinha!
Nem mesmo sei dizer que doença era a minha,
Porque eram todas, eu sei l√°! desde o odio ao tedio.
Molestias d’alma para as quaes n√£o ha remedio.
Nada compunha! Nada, nada. Que tormento!
Dir-se-ia accaso que perdera o meu talento:
No entanto, √°s vezes, os meus nervos gastos, velhos,
Convulsionavam-nos relampagos vermelhos,
Que eram, bem o sentia, instantes de Cam√Ķes!
Sei de c√≥r e salteado as minhas afflic√ß√Ķes:
Quiz partir, professar n’um convento de Italia,
Ir pelo Mundo, com os p√©s n’uma sandalia…
Comia terra, embebedava-me com luz!
Extasis, spasmos da Thereza de Jezus!
Contei n’aquelle dia um cento de desgra√ßas.
Andava, á noite, só, bebia a noite ás taças.
O meu cavaco era o dos mortos, o das loizas.
Odiava os homens ainda mais, odiava as Coizas.
Nojo de tudo, horror! Trazia sempre luvas
(Na aldeia, sim!) para pegar n’um cacho d’uvas,
Ou n’uma flor. Por cauza d’essas m√£os… Perdoae-me,
Alde√Ķes! eu sei que v√≥s sois puros. Desculpae-me.

Mas, atravez da minha dor,

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Ah, o que é aquele Barulho

Ah, o que é aquele barulho

Ah, o que é aquele barulho que vibra no ouvidos
L√° em baixo no vale, a rufar, a rufar?
S√£o apenas os soldados escarlates, amor,
Os soldados que chegam.

Ah, o que é aquela luz que vejo tão cintilante e intensa
L√° ao longe, brilhante, brilhante?
Apenas o sol incidindo nas armas, amor,
Enquanto avançam ligeiros.

Ah, que est√£o eles a fazer com todo aquele equipamento,
Que est√£o eles a fazer esta manh√£, esta manh√£?
Somente as manobras habituais, amor,
Ou talvez seja um aviso.

Ah, por que ter√£o abandonado a estrada ali em baixo,
Por que andam de repente às voltas, às voltas?
Talvez tenham recebido ordens diferentes, amor.
Por que est√°s de joelhos?

Ah, não pararam para o médico cuidar deles,
N√£o detiveram os cavalos, os cavalos?
Claro, ninguém está ferido, amor,
Nenhum destes soldados.

Ah, é o padre de cabelo branco que eles querem,
O padre, não é, não é?
N√£o, est√£o a passar ao seu port√£o, amor,
Sem o irem visitar.

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Grandeza do Homem

Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as esta√ß√Ķes soprem os ventos
jamais h√£o-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e n√£o conseguir√°
desvanecer a primitiva pegada
√Č esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem

O Homem Primitivo Moderno

Reparai num homem civilizado, rico, inteligente e feliz; olhai-o bem; tirai-lhe o chapéu alto, o casaco, as botas de verniz; despi-o, enfim: vereis a miséria da carne tentando um feroz regresso às formas caricatas do orogotango inicial.
Ide mais longe; penetrai-lhe o esqueleto, atravessai-lhe as entranhas: vereis então a maior das pobrezas, a miséria absoluta, a ausência de alma.
Sim: conforme a alma vai desaparecendo, o corpo vai-se sumindo e, apagando nas indecisas, grosseiras formas originárias. Por cada sentimento que morre, o cóccix aumenta um elo.
As criaturas de que se comp√Ķe a parte dominante da sociedade, est√£o j√° mais pr√≥ximas do macaco do que do homem. As abas da casaca s√£o feitas para encobrir os primeiros movimentos comprometedores da cauda… a bota de verniz tenta apertar e reduzir o p√© que principia a prolongar-se assustadoramente. A luva realiza, nas m√£os, o mesmo papel hip√≥crita…
Continuai na vossa an√°lise do homem civilizado que parou agora, al√©m, em frente duma vitrine de ourives, atra√≠do, como os moscardos, pelo fulgor dos brilhantes, das esmeraldas, dos r√ļbis, dos top√°zios, de todas as pedras, enfim, que o homem n√£o pode atirar ao seu semelhante.
Olhai-o bem; a primeira coisa que nos fere é a hostilidade que se exala de toda a sua fisionomia.

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Botas… as botas apertadas s√£o uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os p√©s, d√£o azo ao prazer de as descal√ßar.

Pró Pudor

Todas as noites ela me cingia
Nos braços, com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a desleixada a langorosa.

Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania,
Aquela concepção vertiginosa.

Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente…

Todas as noites ela, ah! sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me c√≥cegas nos p√©s…